terça-feira, novembro 29, 2005

Porco no rolete! E ferrovia, e história...

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Pois é, o dia de campo foi sobre as Jersey e seu manejo em piquetes rotacionados, mas o almoço foi um porco no rolete, preparado no restaurante Monjolinho, que faz parte da Fazenda Santa Maria.

Um pouco de história.

Na segunda metade do século XIX, o café começou a expandir-se do Vale do Paraíba para os sertões paulistas, terras de matas portentosas e índios ferozes. Terras de doenças, cobras e onças. De tudo isso, o que realmente mais afetava os colonizadores eram os insetos e as doenças, verdade seja dita. De Campinas em diante era sertão, terra bruta, matas virgens. E as fazendas começaram a ser formadas. Beneficiado pela terra fertilíssima e pela topografia amena, a produção desde cedo explodiu. Em pouco tempo tinha café demais e estrutura de menos. No último quarto do século (agora não recordo o ano), fazendeiros paulistas saíram dos sertões de São Carlos e foram para a capital imperial, a cidade do Rio de Janeiro. A cavalo, numa viagem de muitos meses. Em conversa com o imperador, foram claros: precisavam que a ferrovia saísse de Jundiaí e chegasse aos sertões. Precisavam escoar a produção de café e já não havia mulas e burros em quantidade suficiente para tal. Além disso, numa amostra do que seria o final do século XX e o começo do XXI, eram muitos os roubos de carga e as mortes de tropeiros. E, na viagem longa, eram também demasiadas as chuvas, que molhavam os grãos e prejudicavam o produto. O trem era uma necessidade vital.

Já mostrando que os problemas de hoje começaram muito antes de ontem e anteontem, Sua Majestade Imperial, Dom Pedro II, disse, de novo (outras visitas já tinham tocado nesse assunto), que não tinha dinheiro. Mas deu aos paulistas a concessão para a ferrovia. Essa concessão foi entregue aos ingleses que, em troca de dois shillings por saca de café exportado durante 90 anos (o último pagamento foi feito na década de 50 do século passado) pelos seus trilhos, levaram a ferrovia e o progresso para o sertão paulista. E um ramal menor da Companhia Paulista – CP – cujo logotipo enfeitava trens, estações, armazéns e casas, o Ramal Douradense, foi construído e passou pelas terras da fazenda. E a estação Monjolinho ficou a cerca de 1 km da majestosa casa-sede.

Com o sucateamento e virtual destruição do sistema ferroviário tupiniquim nas últimas décadas do século XX, a antiga estação Monjolinho virou o agora restaurante Monjolinho, com uma lojinha anexa. Os prédios construídos pela ferrovia estão lá, em pé, saudáveis, vigorosos, quem sabe esperando o reassentamento dos trilhos, a chegada de novas locomotivas e vagões, trazendo novos tempos gloriosos.

Enquanto isso não acontece, a gente vai saboreando o porco no rolete e mais uma imensidão de pratos diversos ao longo do quilométrico fogão a lenha.

Hummmmmm... Minha boca está cheia d’água ao lembrar do almoço, ainda por cima num cenário delicioso e num dia com cara de britânico, combinando com a memória dos trens.


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Um comentário:

monica r. disse...

Rapaz!
Porq q eu nao tenho uma nave Interprise???
Tava a´agora!!!