quarta-feira, novembro 23, 2005

Pensando na morte da bezerra...




Numa das goiabeiras restavam duas goiabas. Perdidas, esquecidas pelos bichos, esquecidas pelos sanhaços, sabiás, tucanos & cia. Feia por fora, por conta dumas marquinhas, mas linda por dentro. Polpa firme, doce, no ponto exato de maturação. E a cor... Hummmm... Aquele vermelho forte, saudável, apetitoso. Quem a encontrou foi a Rosa. Perto dela, outra, mas ainda não estava no seu “dia perfeito”. Comer uma goiaba assim, no seu “dia perfeito”, é um prazer danado de grande. Só na roça mesmo.

O pé de grumixama está com sua primeira carga. Apesar da poda imbecil que um suposto jardineiro fez, o pequeno pé estava com uma carga até boa de frutas, muitas já amarelas, docinhas, suaves. Os passarinhos ainda não descobriram esse novo “restaurante”, mas é questão de dias.

Os teiús voltaram. Acompanhando a Rosa na horta, a Panda, cachorrinha do Esrael e da Maria, mas que já aprendeu a ficar conosco quando estamos em casa (ô, sina!), saiu correndo e espantou os dois bicharocos. No mesmo dia, mais à tarde, o sol queimando, lá estava o casal em meio ao capim ao lado da horta. O macho bem grande. Não consegui chegar perto o suficiente para uma boa foto, mas foi o bastante para ver sua língua bipartida explorando o ambiente. Mesmo um bicho como esse, inofensivo, provoca uma certa sensação de medo ao vê-lo de perto. Com certeza, os répteis estão em nossa memória ancestral ou coisa que o valha, como bichos a serem evitados. A fêmea, menor, ficou parcialmente escondida pelo capim. De repente, fugiram, achando que já tinham se deixado ver por tempo demais.

Gostam de ovos os danados, e como nossas galinhas vivem soltas e fazem ninhos nos lugares mais estranhos, tenho certeza que parte do belo porte do macho fica por conta dos ovos de nossas galinhas. A sorte dele é que o Valdir, por exemplo, não trabalha comigo no sítio, só nas gravações de nossos vídeos, pois, morasse ali, mais dia, menos dia eu seria convidado pra saborear um rabo de teiú assado ou cozido. Dizem que é uma carne muito saborosa.

Os pés de lichia não vão pra frente. Nem pra cima. Nem pros lados. Vão pra lugar nenhum. O jeito, portanto, é leva-los pro lixo orgânico e plantar outras árvores frutíferas. O mesmo aconteceu com os pés de caqui e abacate que plantamos. Como sou brasileiro e, portanto, nunca desisto (melhor que “não desisto nunca”, né?), vou comprar novas mudas de caqui, lichia, abacate e coco. E seguir tentando. Há coisas inexplicáveis, como essas. As mudas foram compradas em bom viveiro, foram bem plantadas e adubadas, etc e tal. Como não se desenvolveram, se as árvores próximas estão grandes e bonitas?

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E assim seguiria esse texto, em meio a amenidades diversas, inclusive alguns problemas, pois o problema de um costuma ser amenidade para outro, né? E ainda bem que assim é. Mas, tenho de mudar a rota e a escrita. O que comecei a escrever ontem já não tem valor hoje. Nessa manhã de 4a-feira, tudo mudou. Por causa do lulla? Não, não, dessa vez o infeliz é inocente, coisa rara, né? Tampouco por culpa do São Paulo, que segue treinando e se preparando pra disputar o Mundial Interclubes no Japão.

Mudou tudo porque perdi uma bezerra. A Primavera morreu nessa madrugada. Ela é filha da Imagem com o Safári, ou melhor, era. Uma bezerra bonita, que nasceu bem e estava se desenvolvendo sem problemas. Pegou tristeza, doença que na verdade pode ser uma de duas, ou até as duas: anaplasmose e babesiose. O nome tristeza é porque o bichinho fica fraco, abatido, jururu mesmo. Triste de dar dó. As duas bezerras Jersey tiveram o problema, pois a Graciosa, quase um mês mais nova, foi a primeira a apresentar os sintomas. O veterinário foi, cuidou das duas e deixou remédio e instruções para a seqüência. A baixinha recuperou-se bem, está bonitinha de novo, comendo e cabriteando no piquete. Já a Primavera não conseguiu se recuperar. Outro veterinário foi lá, quando o que primeiro tratou dela estava ausente, medicou, e nada. O quadro foi evoluindo e mais três visitas do veterinário em nada resultaram.

Criar é uma coisa muito boa, me dá prazer. Gosto de sair à noite e olhar as bezerras e novilhas. Estão sempre calmas, barrigas cheias, tranqüilas, dormindo ou ruminando. A gente se apega às bichinhas. Dar-lhes um nome significa individualiza-las, reconhecer suas características e gostos, significa traze-las pra vida da gente. Da minha, com toda a certeza. E uma bezerra tem um valor maior, não o comercial – que também existe, mas nesse momento nem conta – e sim o simbólico de representar o futuro e a continuidade.

Há dias que eu estou, também, meio jururu. Melhorei com a melhora da Graciosa, mas a morte anunciada da Primavera foi muito chata. Estou com tristeza, também. Mas a minha não é bacteriana.


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2 comentários:

Cora disse...

Puxa, Emerson, que dó! Perder bichos é sempre uma grande tristeza. Tadinha da bichinha; e tadinho de você. Ainda bem que a Graciosa escapou'para te dar alegria e, no futuro, outras bezerrinhas lindas.

Quanto aos tejus, são bonzinhos. Tinhamos alguns no sítio, Papai comprava ovos especialmente para eles e sempre punha no mesmo lugar. Assim passamos a ter um ponto de vista permanente para eles e eles um restaurante confiável. Com o tempo acostumaram-se com a gente, e podíamos chegar bem perto que nem estranhavam. O maior devia ter pra mais de um metro, de uma ponta a outra. Lindo.

Muitos beijos, carinho.

monica r. disse...

Emerson,por isso q vc estava sumidinho,ne´?
Esses ultimos posts foram muito bem escritos-quer dizer-vc escreve sempre bem,mas esses foram muito bons .Estou com muita vontade de me desmateriarlizar e visitar vcs.Em Sampa e no Rio....
Agora vou acordar o Paulinho ,q nao teve tristeza,mas um resfriado forte e nao deixou ninguem dormir.Obrigada pela foto da nossa bela Graciosa.Sinceramente,o nome e´a cara dela!
um abraco pra vc e pra Rosa.