sábado, setembro 02, 2006

Itá – Santa Catarina

Itá ou ita significa pedra, em tupi-guarani.

Itá era o nome de uma cidade do sudoeste catarinense, fundada por imigrantes alemães e italianos, vindos do Rio Grande do Sul, em 1916, às margens do Rio Uruguai. Viveu pacatamente, às custas da exploração de madeira e da agropecuária, até o começo dos anos 80, quando desapareceu sob as águas da Barragem de Itá, represamento do Rio Uruguai para a produção de eletricidade.

A velha cidade era pequena, com uma rua principal que vinha da direção do rio e terminava em frente à igreja, já num local mais, e atrás da qual começava a morraria. Com a inundação, apenas as duas torres da igreja permaneceram fora d’água. Diante disso, a Eletrosul criou uma “ilha”, soterrando a nave e mantendo as torres, que se erguem da terra como se nela estivessem plantadas. Virou atração turística.

A Nova Itá foi pensada, planejada e criada num alto de colina. Suas ruas são largas, modernas, é uma cidade agradável. E mais salubre, mais arejada – aliás, muito arejada – e, provavelmente, até mais bonita. Não conversei com seus moradores, não posso dizer que são mais felizes ou infelizes no alto do que eram na baixada. Mas, se conheço um pouco do ser humano, se sentem bem agora, mas lamentam o passado perdido, sempre muito melhor que o presente. Só na imaginação, claro.

Gravamos na granja que aparece nas fotos 1 e 2, de propriedade do Ildo Dalla Lastri. Além dos frangos, ele, como muitos outros proprietários, tem umas vaquinhas Jersey.

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4 comentários:

Ana disse...

Imagem impressionante. Cidades submersas me fascinam e ao mesmo tempo morro de pena.

Anônimo disse...

Tinha escrito um super texto, na hora de publicar, nao foi... Vou tentar denovo!

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Oi, Emerson! Que bom q passou por aqui, e lembrou de me contar isso!

Os moradores de mais idade de Itá dizem sempre que preferiam a "cidade velha', como eles chamam. Foi lá que fizeram a vida, e sentem como se um ped~ço da propria história lhes foi arrancado pela modernidade. Os mais moços, inclusive mutios amigos meus, preferem a realidade atual. A cidade está num local de mais fácil acesso, é planejada e por isso tras mais qualidade de vida, mais moderna, mais arejada e mais bonita (acredito, pois nao conheci a antiga).
O turismo proporcionado pelo lago da barragem da usina hidrelétrica está trazendo benefícios para toda a região - as thermas em Itá, o Turismo Rural em Concórdia e outras formas, em outras cidades da regiao.

Quanto ao teu isolamento, aqui tem tv, radio e internet, sim... ;) Mas tvz nao do jeito q vc está acostumado. Tua revista semanal está nas bancas, e o jornal tb (mesmo q demore um pouco mais a chegar).

Enfim...
Para que eram as gravações? "Onde vai passar"?
Um abraço
NANACHARAs.blogspot.com

Emerson disse...

Nanachara, estou fazendo o novo institucional da Cargill e fiquei gravando na Seara, em Seara. :o)

Quanto ao isolamento, eu expliquei-me mal, mas corrigirei.

A nova Itá é bem bonitona, cidade moderna, larga, boa de viver. Mas não tem história, o que é uma coisa passageira. Daqui a 50 anos ela terá muitas histórias e as lendas da Velha Itá.

Emerson disse...

Como eu disse no post, a culpa não é do interior catarinense, até porque não há mais "interiores" na concepção de outrora. Ainda bem.

Se eu já tivesse um bendito notebook não teria problema algum, pois poderia conectar-me de alguma sala no cliente. Como perdi o hábito e o gosto pela tv aberta, e sem internet no hotel simples, fiquei "fora do mundo". O que faz um bem danado de vez em quando.

:o)