terça-feira, setembro 12, 2006

500!

Já se vai pouco mais de 20 meses do começo desse blog.

A primeira frase de meu primeiro post tem lá seus significados:

Hoje é dia de escrever. Não sei porquê, mas sei que hoje é dia de escrever.”

E hoje, tal como em 31 de janeiro de 2005, e tal como sempre antes dele, continua sendo dia de escrever.

Deveria ter escrito ontem, onze de setembro, 11 do 9, ou 9/11, nine-eleven. Quinto aniversário do assassinato em massa de milhares de pessoas, aniversário, triste, do dia em que o mundo foi mudado para pior por um bando de assassinos loucos.

Recuso-me sequer a chamá-los de terroristas. Não passam de reles assassinos. Motivos? Inexistem. Assassinos não têm motivos.

Aquele dia começou bonito e gostoso como muitos outros. Levantei cedo e fui montar na hípica próxima de casa. Um começo de manhã como deveriam ser todos. Temperatura fresca, o aquecimento do cavalo no chão e depois montado, o sol subindo e com ele a temperatura. Nessa Granja Viana a temperatura é mais amiga, um presente das árvores ainda abundantes.

Banho tomado, café da manhã com o sagrado jornalão do dia, meia hora de trânsito e estava no escritório começando a trabalhar.

O trabalho naquele onze de setembro limitou-se a ser começado. Nada foi terminado. Como de hábito, liguei a tv da minha sala para acompanhar os programas rurais e, como de hábito, dei uma olhada na programação, inclusive na CNN. Foi logo no início da transmissão ao vivo de Nova York.

Naquele momento ninguém sabia o que havia acontecido. Até se falava de um avião que tinha se chocado contra a Torre, mas, como assim? Um avião? Impensável, claro, pois o avião em que pensávamos era um teco-teco de algum maluco se exibindo em meio aos prédios. E um aviãozinho daqueles jamais faria algo parecido a uma torre como aquela.

Não me lembro se a primeira imagem do 767 indo de encontro à Torre apareceu no ar antes ou depois do segundo avião. Acho que foi antes, porque, por alguns poucos minutos, ainda deu para pensar que o piloto tinha morrido, o co-piloto também, algo assim, hipóteses malucas trazidas à mente pela lembrança de “Aeroporto”, filme de sucesso já perdido no tempo.

Ver o segundo 767 indo de encontro à Torre Sul desfez, definitivamente, toda e qualquer ilusão de acidente.

Aquela imagem destruiu nossa visão do mundo. Uma visão que já não era muito boa, toda cheia de rachaduras e remendos, estilhaçou-se de vez, quebrada definitivamente.

E ainda entraram no ar as cenas do Pentágono, em Washington, e o United 93 em pedaços no solo, em algum lugar da Pensilvânia. Durante muitas horas vivemos em vigília, aguardando pela notícia de outro choque, outro atentado, outro assassinato. Que, felizmente, não aconteceu, sabemos hoje que por motivos operacionais.

Um dia terrível.

A primeira imagem da Torre Norte em chamas...

O segundo 767 chocando-se contra a Torre Sul...

Uma camisa branca sendo agitada de uma janela quebrada em algum andar no alto de uma das torres...

Essas três imagens estão vívidas em minhas lembranças.

...

Nunca fui jantar no Windows of the World, o restaurante que ficava no alto da Torre Norte.

Mas subi ao Top of the World, o observatório para turistas no alto da Torre Sul. Foi numa manhã de inverno e o dia estava claro. Uma vista impressionante, inesquecível. Tanto quanto a vista da noite anterior, do alto do Empire State, com o mesmo céu limpo, mas com a lua cheia.

Confesso que ainda não consegui captar toda a dimensão dessa tragédia. Fico pensando que preciso voltar a Nova York para ver o vazio e tomar consciência, de fato, da realidade.

Mas...

Era fácil ir para Nova York. Não é mais. Uma das piores heranças dos assassinos foi a restrição a muitos direitos civis nos Estados Unidos e restrições ainda maiores à entrada de estrangeiros em território americano. Nem pedi renovação de meu visto quando venceu. Por enquanto, Nova York continuará sendo apenas imagens nas telas e na memória.

...

É, e assim termino meu post número 500.

Do mesmo jeito como começou:

Hoje é dia de escrever.

.

2 comentários:

cjb disse...

Nulla die sine linea, Emerson.

Que dia, aquele.

Ana disse...

Parabéns, meu caro amigo. E que venham mais 500!