quarta-feira, dezembro 28, 2005

Árvores – pequi e munguba

Uma das coisas que gosto no sítio é sua localização geográfica e altitude. Estamos no norte-nordeste de São Paulo, a cerca de 800 metros acima do nível do mar. O solo é areno-argiloso em sua maior parte, com algumas áreas mais ricas, o que se pode perceber pela vegetação.

As palmeiras macaúbas abundam, daí o nome que dei a ele. Essa palmeira é exigente, não cresce em qualquer solo, prefere os bem drenados e com boa fertilidade. O próprio sítio, embora pequeno, abriga vegetação nativa de dois grandes biomas, a mata latifoliada do planalto, uma das variantes da Mata Atlântica, e o cerrado. A convivência é harmoniosa.

O pequi, por exemplo, é uma típica planta do cerrado do Brasil Central. Esse da foto, infelizmente, não é o do sítio. Ele fica numa reserva municipal próxima à chácara onde moram meus sogros. Esse ano está com poucos frutos, o que é uma pena. Em alguns dias, todos os frutos serão pegos na calada da noite. Os catadores, se é que se pode chama-los assim, não se contentando em pegar os pequis antes até do tempo certo, quebram grandes pedaços de galhos para facilitar e agilizar a colheita. Um crime estúpido. No sítio, dos muitos pés que por lá vicejavam, sobrou um e apenas um. Justamente na beira do asfalto. Em todos esses anos, uma única vez tive o prazer de ter alguns de seus frutos em casa, mas não consegui formar mudas com as sementes. Agora, com a casa do Esrael bem ao lado dele, espero ter os pequis não à mesa, por enquanto, mas nos saquinhos de mudas. Quero povoar o Macaúbas com pequiseiros.

Já a munguba, também chamada de castanheiro-do-maranhão ou falso-cacau, é arvore nativa do norte, mas que se dá bem por aqui, frutificando razoavelmente, até. Esse exemplar está na entrada do sítio. Num dos pastos tenho mais dois pés plantados, em crescimento. No norte, o povo pega os frutos que são grandes e lembram um pouco o cacau, tiram as sementes, torram, moem e obtém um substituto do café ou do chocolate. Qualquer dia vou experimentar essa receita.

Quero crer que essa região já abrigou araucárias nativas. Há relatos a respeito. Plantei alguns pés, mas as bezerras fizeram-me o favor de matar dois deles, além de dois ipês. Vou plantar mais algumas, pois a araucária para frutificar precisa de plantas fêmeas e machos para que haja polinização. Por aqui também vai bem a castanha portuguesa, da qual plantarei alguns pés ainda esse mês de janeiro que vai entrar. Vai ser interessante ter à mesa, no futuro, castanha portuguesa e castanha-do-maranhão, ambas produzidas no mesmo local. Coisas que só essa zona de transição proporciona, com seus dias quentes e noites frias.


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4 comentários:

Teresa disse...

Nossa Emerson, você nasceu para isso..incrível como a gente sente que sua escrita vem carregada de vida . Não sei o que faz mas digo que , com certeza , voc~e prefereria estar aí, no campo.. cuidando das coisas simples , lindas, da natureza..dos animais...

thiago henrique disse...

Bem você mora num parte muito agradavel com bastantes arbustro um lugar perfeito para pode relax é não entra em stress como a cidade.
essa árvore Munguba tem o meu sobre nome também.eu queria adquerir uma muda dessa árvore para poder representar o símbolo da minha familia.

Antonio Carlos disse...

Olá, bom dia Sr. Emerson,

Venho acompanhando o comportamento da munguba a mais de 20 anos e sou um verdadeiro apaixonado por está planta, já fiz dezenas de experiências e tenho certeza que será a planta do futuro,pois alem de ser muito resistente permanece com folhas o ano inteiro contribuindo substancialmente ao meio ambiente com aproveitamentos de sua produtividade e sem a necessidade de corte, parabéns pela matéria gostaria de trocar mais informações sobre o assunto.

Claudio Lot disse...

Emmerson, a munguba é excelente para arborização na cidade. Não quebra a calçada, mesmo tendo engrossado bastante. Ela forma uma copa arredondada como poucas arvores.
Em Araçatuba-SP é comum encontra-las nas calçadas, principalmente.
Um Grande abraço do
Claudio Lot, Londrina PR