sexta-feira, março 10, 2006

Macaubenses




Gritos, gritos, gritos...


Engana-se quem pensa que um sítio é um lugar silencioso, ou onde o silêncio é habitado apenas pelo canto dos passarinhos, os cocoricó das galinhas, os mugidos das vacas... E, quando cai a noite, tudo isso dá lugar ao cricrilar dos grilos e um ou outro regougo de coruja. Não, não, são muitos e variados os ruídos de um sítio.

Há coisa de uma semana vivemos um dia particularmente cheio de gritos. Começaram cedo, com as seriemas passando perto de casa e gritando uma com a outra. Se chamavam chuva, como diz o povo, eu não sei, pois estou mais inclinado a pensar que elas avisavam que iria chover. E como choveu!

Elas gritaram cedo, pela manhã, e à tarde também. Durante todo o dia uma gritaria forte, chegando a incomodar em alguns momentos, vinha da mata da mina. Eram os macacos, andando por ali, de galho em galho, à caça de frutas e insetos. São ariscos e inteligentes esses carinhas. Difíceis de ver, a menos que fiquemos quietos por longos minutos em algum canto escuro da mata. Mas, quem agüenta as hordas de pernilongos, borrachudos e muriçocas? Sem chance, e assim não conseguimos ver nenhum.

As seriemas estavam em dois casais, talvez um fosse formado pelos filhotões, grandes e sarados, lembrando esses garotões idem que não arredam os pés da casa de papai e mamãe, ouvindo rock pauleira no limite do suportável não pelos nossos ouvidos, mas sim pelas caixas acústicas. As seriemas não chegam a tanto no volume de seus gritos, mas quando os quero-queros se juntaram a elas... Haja ouvidos, ou, de preferência, tapa-ouvidos. O alvoroço entre os “sentinelas dos pampas” era provocado pelo vai-e-vem das vacas pelos piquetes de cima, onde os quero-queros estabeleceram morada.

Outro povinho de boas gargantas e fortes gritos é o povo bonito e elegante das gralhas. São safadas e oportunistas. Não há ovo de galinha que sobreviva a suas incursões pelos arredores de casa e do curral. Lembram-me aqueles antigos filmes de época, mostrando os bárbaros das terras da Germânia atacando guarnições romanas, roubando, queimando e fugindo. Porque fiz essa associação nem desconfio, mas fiz. Vai entender.


Fertilidade


Se muitos foram os gritos, muita é, também, a fertilidade desse sítio. E não me refiro a frutas e grãos. Talvez seja a água, talvez o clima, mas no sítio as prenhezes e nascimentos são constantes. Pintinhos correm atrás de suas mães, ciscando a toda hora, em toda parte, coisa tão comum quanto bonita de se ver.

A Sophia pariu novamente, antes que a levássemos ao veterinário para ser operada. E agora foram sete gatinhos! Com essa safra teremos de procurar lares para todos, pois a primeira ninhada continua por lá, mas todos operados, inclusive o Frederico Octavio, ou Fred, único macho. O pessoal da clínica gostou do pacotão: 4 fêmeas e 1 macho, só o meu bolso não gostou da brincadeira. E ainda falta a Sophia. E nem quero pensar na filharada nova.

Todas as vacas estão prenhes ou com crias novas, tal como deve ser uma criação de gado. Mas disso já andei falando em outras vezes.

A Panda, a cachorrinha simpática e metida a pastora de gado do Esrael e da Maria já pariu. Sete filhotes, também, como a Sophia. Conta de mentiroso, conta de arrancar os cabelos na busca de sete lares.

Sete lares para sete cachorrinhos... Isso dá filme.

A Mimosa, rebatizada como Grace, filha da mestiça Atrevida com o Jersey Safári, está prenha. Novinha de tudo, pouco mais de um ano de idade, mas a danada em janeiro varou 3 cercas durante a noite, e amanheceu toda senhora de si ao lado do Safári no meio do curral. Ainda ficamos na torcida para que seu período fértil já tivesse terminado, mas qual! Emprenhou mesmo. Como ela é forte e muito bem formada, estando em ótimo estado corporal, deixamos a gestação seguir em frente. Agora já está na hora de cruzar a Rikinha, com 14 meses e corpo já formado. E já está na hora, pois a bichinha já teve 9 ou 10 cios. Haja fertilidade!

E agora, comprovando ainda mais a fertilidade daquelas terras, águas e ares, também a Maria está grávida. Segundo ela contou à Rosa, há meses vinha tentando engravidar. Pois bem, agora conseguiu.

Com tudo isso, vai seguindo a vida no Sítio das Macaúbas, com novos habitantes a cada semana, a cada novo mês, alguns já à luz do sol, outros ainda aguardando por ela.



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2 comentários:

Maria Helena disse...

Com certeza você anda colocando amendoim e gemada na ração de TODOS aí no sítio.A Rosa que se cuide. Abraços.

Jussara disse...

Adorei todas as suas fotos mas confesso que vim aqui atraída pelos filhotinhos da Sofia...
Cadê?????????????