quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Programa Espacial Brasileiro... (Como?)



“Brasil vai lançar foguete,
Cuba também vai lançar,
Quero ver se Cuba lança,
Quero ver Cuba lançar...”

Essa marchinha carnavalesca, tida como chula por alguns, é minha primeira lembrança do programa espacial brasileiro. Não deveria ser e nunca foi, até há poucos dias, quando S.Excia., o presidente lulla da Silva decidiu que nosso astronauta tinha de ir pro espaço no decorrer desse Ano da Graça de 2006. O fato desse desejo extemporâneo de nosso máximo mandatário e as eleições presidenciais ocorrerem no mesmo ano, com o vôo algumas semanas antes do dia da eleição, não passa de mera, fortuita e muito feliz coincidência. Da mesma forma é também coincidência, porém não feliz, essa minha associação de idéias e lembranças, entre o programa e a marchinha.

Ao contrário do que foi previsto originalmente e para o qual foi treinado nosso bravo cosmonauta, o vôo será feito numa nave russa, e será pago, imaginem! Nada menos que dez milhões de dólares, uma verdadeira pechincha, considerando que essa mesma nave já levou alguns milionários para o espaço em troca de módicos 20 milhões na mesma moeda.

Portanto, depois do desenvolvimento dos VLS – Veículos Lançadores de Satélites – e da construção da Base de Alcântara, passos sérios e conseqüentes no programa, assim como foi, também, o treinamento do astronauta na NASA, visando uma missão espacial mais séria e menos turística/eleitoreira, ficamos reduzidos a isso: um cosmonauta turista, como qualquer dono de armarinho metido a besta, e uma base com pouco uso, negada aos americanos em nome da segurança nacional e por causa dos protestos de onguis diversas de Alcântara, todas muito representativas da vontade soberana do soberano e rico povo maranhense. Ter o pior IDH do Brasil é intriga de oposicionistas histéricos e persistentes do nobre e realizador clã Sarney. Além disso, a presença de muitos americanos e seus muitos dólares só faria estimular a prostituição e os vícios na bela, rica, pura e virginal Alcântara e adjacências.

Vamos gastar dez milhões de dólares para um brasileiro fazer turismo. Será que não dava para fazer essa viagem usando as milhas adquiridas pelo presidente lulla da Silva em suas infindáveis viagens por terras d’África, Oriente Médio e Latino América? Ah, é verdade, esqueci o pequeno detalhe de que o presidente viaja em avião próprio, não dá direito à aquisição de milhas. Que pena. Avião que, não custa lembrar, custou a bagatela de cinqüenta e seis milhões de dólares e mais 13 milhões, igualmente de dólares, gastos na modelagem especial e nos equipamentos de comunicação e outras coisas sumamente importantes nos deslocamentos de um presidente de uma república com interesses tão vastos e diversificados por todo o planeta. A esses valores, deve-se acrescentar recentíssima reforma efetuada no FAB 01, que ganhou um belo bar.

Como? Um belo bar?

Sim, estimada leitora, estimado leitor, um belo bar.

Mas o ministro Furlan não disse ainda esses dias que o presidente já estava há quarenta dias sem colocar álcool na boca? E falou dando à informação a entonação correta de admiração e incredulidade, deixando claro, portanto, tratar-se isso de um verdadeiro recorde. Voltando, então, ao raciocínio original desse parágrafo, para que um bar? Será que a abstinência presidencial já terminou? E quanto terá custado essa singela reforma a bordo do FAB 01?

Ah, não sabemos, o valor não foi divulgado, né? Aliás, além do valor não ter sido divulgado, a reforma tampouco o foi, e muito menos foi transformada esfuziante, linda e rósea propaganda dos muitos feitos governamentais, ao contrário dos buracos nos asfaltos recobertos com pixe e já descobertos em velozes quinze dias.

Pois bem, mas juntando o preço do avião e suas reformas e equipamentos especiais, e mais a passagem do nosso cosmonauta, temos a bagatela de oitenta milhões de dólares. Curiosamente, universidades e centros de pesquisa andam à mingua e com atividades paralisadas ou semi, justamente por falta de dinheiro para se manterem minimamente operacionais. Nada dessa magnitude, imaginem, muito pelo contrário. Precisam de dinheiro pouco, pequeno, bagatela, meia dúzia de caraminguás. E mesmo assim, nem isso conseguem. É o que dá colocar no poder um partido de ricos e perdulários, gente que não consegue pensar pequeno, no mesmo tamanho e importância do país, mas que insiste e segue só com grandes números, grandes jogadas, daquelas que exigem contas em bancos estrangeiros. Em mais de um, é claro.

E assim vamos seguindo em frente, não sei bem para onde, mas para algum lugar. Enquanto isso, China e Índia explodem e crescem alucinadamente. E a Argentina, pasmem! – voltou a crescer 10% num ano! Que chocante, é um fenômeno! Por aqui, na linda e rica Terra de Vera Cruz, nós outros, senhores da razão e da soberba, “crescemos” ridículos dois e pouco por cento. Nada, absolutamente nada, crescimento zero tal como o programa menina-dos-olhos do presidente lulla da Silva, aquele tal do Fome Zero, alguém lembra?

Porém, tudo mais vai bem, obrigado, e em breve, direto do cosmos, nosso bravíssimo cosmonauta entabulará agradável e muito útil conversação com lulla da Silva.

(Eu já falei que, por mera coincidência, algumas semanas depois desse colóquio, transmitido ao vivo e a cores para todo o Brasil, em rede nacional, teremos a eleição presidencial? Ah... Já falei? Então, tá.)

(Ficou meio confuso entre astronauta e cosmonauta? Simples: o astronauta é americano, o cosmonauta é soviético, digo, russo. Herança da Guerra Fria.)

(Cantemos!)

“Brasil vai lançar foguete,
Cuba também vai lançar,
Quero ver se Cuba lança,
Quero ver Cuba lançar...”


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3 comentários:

Anônimo disse...

PARABÉNS !!! Excelente texto aliás,como de hábito.precisamos de mais pessoas com a sua lucidez para NÃO deixar esse lulla continuar!!!Rui

Anônimo disse...

Temos que colocar a boca no trombone e fazer com o que o desinformado povo brasileiro acorde e tire logo este "CLONE MAL FEITO DE FIDEL" do poder.

Nelsinho disse...

Os meus parabéns pelo texto!

Nelsinho