quarta-feira, fevereiro 15, 2006

De volta ao Macaúbas



Parece incrível, mas um mês se passou desde que estive no sítio pela última vez antes de viajar. Ou quase um mês, não há necessidade de matemática para isso. Uma coisa é certa: é tempo demais.

De maneira geral, diria até que tive sorte. As chuvas pesadas mantiveram distância, as vacas e as bezerras vão bem, obrigado, nada de mais sério, aparentemente, andou acontecendo.

Voltar ao sítio depois de uma ausência prolongada gera expectativa e uma certa tensão provocada pela expectativa de achar coisas por fazer ou mal feitas. Chama-se a isso sofrimento por antecipação. Costumo ser bom nesse quesito desnecessário e nada saudável. Acho que todo mundo sofre disso em maior ou menor grau.


Logo à chegada reparo que há dois buracos pequenos em fase de expansão no asfalto até então impecável. Nossa excelente estrada vicinal, um modelo de qualidade, não resistiu e, finalmente, começa a dar mostras da passagem dos seus oito anos e milhares de veículos durante todo esse tempo. Naturalmente que a expansão das lavouras de cana, com o tráfego constante das carretas super-carregadas, contribuiu em muito para isso. O que eu duvido muito é que as usinas contribuam com impostos extras para bancar o conserto da estrada.

Voltar é bom... Conforme o carro vai ganhando terreno, vou olhando uma coisa e outra e deixo de olhar outras. O pasto novo pegou bem e está lindo, aleluia! Claro, há as marcas da água, os sulcos da erosão em seu meio, o que vai demandar trabalho para correção. Muito trabalho braçal e supervisão.

Supervisão? Hummm... Vai ser difícil corrigir.

Um sítio é um mundo todo particular, é um mundo cheio de vidas, muitas vidas. Cada vaca, cada bezerro e bezerra, as novilhas, os touros... Espanto-me com o Minuto, cada dia mais bonito, já é um touro jovem em grande forma.

“Nossa, como cresceu esse menino, já é um homenzinho!”

Corujice, pura corujice, é o que me toma. Só tenho que cuidar de não esquecer La Fontaine (ou Esopo?): quem o feio ama, bonito lhe parece.

Esse sentimento se estende às bezerras e às novilhas. A Graciosa e a Estrela estão lindas e saudáveis. As “meninas” – Rikinha, Mimosa, Luna e Milu – também estão cada dia mais bonitas. Chego à conclusão que preciso mudar o nome da Mimosa, afinal, ela nada tem de mimosa, muito pelo contrário. Ela tem muito de sua mãe, a Atrevida, uma das melhores combinações de nome e personalidade do sítio. Como ela é toda preta, é forte e grande, é metida, é fuçadora, não respeita cerca quando quer alguma coisa, em seu último cio varou duas cercas e juntou-se, adolescente ainda, aos touros (não, ainda não sei se disso resultou algo... saberei em mais alguns dias), pensei em chama-la de Grace. Nada a ver com a Kelly e tudo a ver com a Jones, até porque, meio sem querer, li uma nota dizendo que ela tinha ocupado, sem mais essa e nem aquela, o lugar reservado ao Rodrigo Santoro num desfile em Nova York. É a própria Mimosa, ou melhor, a Mimosa é a própria Grace... Jones. Mas estou pensando a respeito ainda.

A galinhada segue sua vida ciscante, os galos – agora em menor número – continuam sua rotina, as angolas também vão bem, agora com mais três pequenininhas, devidamente apadrinhadas por uma das galinhas comuns. Elas ainda não sabem que são cocás, vão descobrir isso daqui a algumas semanas. não precisarão de analista para resolver a crise de identidade, até porque, me parece, não há crise de identidade para elas.

A cachorrada vai bem. A cachorra que apareceu outro dia e ficou por lá... continua por lá. Não lhe deram nome ainda, mas ela é muito simpática. E a Panda, a cachorra do Esrael e da Maria, pariu de domingo para segunda. Nada menos que sete filhotes. O Rael diz que já tem lar pra todos os filhotes. Acho bom. Ah, sim, naturalmente ela pariu em casa, ou melhor, na varanda da cozinha, embaixo do tanque, devidamente abrigada.

E os gatos vão muito bem. O macho, que batizei de Frederico Octavio – ou simplesmente Fred – deve se considerar meio cachorro. De novo foi atrás de mim para vários cantos, menos até a porteira, para onde fui sozinho. Talvez porque chovesse e todos, cachorros inclusive, acharam que era burrice caminhar até a porteira só para fechá-la. Acho que esse povo de quatro patas não me tem em alta conta, não.

E o Brioso segue gordo e bonito. Gordo, mas não muito. Sua carga de trabalho caiu muito agora, pois o leite só é levado aos sábados e domingos quando eu não estou lá.

Pois é, e nem falei das maritacas, do timburi do jardim – que vai merecer um capítulo especial – e de um monte de outras coisas. Um sítio é um mundo à parte, mas acho que já disse isso e estou me repetindo. Mas, que diabos, o sítio é mesmo um mundo inteiro, cheio de vidas e cheio de satisfações e aborrecimentos, problemas e soluções!

Como é difícil deixar tudo isso para trás e voltar para São Paulo...


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Um comentário:

Maria Helena disse...

Puxa, você está certíssimo. Um sítio é um mundo inteiro. Como é bom saber de todos e que estão bem. Espero uma foto da nova integrante canina e da ninhada antes que se desfaça.Abraços.