sexta-feira, junho 16, 2006

Desconexos & afins



Os ipês-roxos estão estranhos. O “centro pensante” dos ipês conseguiu convencer os botões florais a aparecerem e se abrirem. Lindo. Mas não conseguiu convencer as folhas todas a caírem. Muitas estão ainda apegadas aos galhos. Muito estranho.

Nada menos que 80% mais ciclones tropicais foram registrados no mundo nos últimos 35 anos. Cientistas de vários países afirmam que isso é fruto do aquecimento global.

As Cataratas do Iguaçu não estão boas para fotos e filmes. Toda aquela água que encanta os turistas sumiu. Tudo que cai das inúmeras quedas é um filete de água. O volume caiu de 1.600.000 litros por segundo para apenas 350.000. Um nada.

A venda de eletricidade para a República Oriental do Uruguai foi cortada. As represas do sul estão com menos de 30% de sua capacidade de armazenamento de água tomados. Nesse momento, as chuvas deveriam estar a suceder umas às outras. Não estão. O governo liberou as termelétricas movidas a carvão vegetal para funcionar.

Em Santa Rita do Passa Quatro, a festa de Santa Rita veio e se foi e não choveu. É tradição chover na festa de Santa Rita. Nesse ano a tradição não foi cumprida, Santa Rita ficou seca.

Bom, acho que estou meio chato. Na verdade, estou chato inteiro e não só meio. Três coisas ocupam minha cabeça, três coisas me preocupam: a seca, a política, a Copa. Das três, a única com fim anunciado é a última. Mas não vou falar dela. Primeiro, porque é capaz da FIFA cobrar-me alguma taxa. Segundo, porque ninguém mais agüenta mais nada sobre a Copa. Quero distância das palavras Ronaldo e Zagallo pelos próximos 30 anos. Como não sei se vou viver tanto...

Não resisto: só uma coisinha sobre a Copa, uma só, prometo. Depois falo do lulla da Silva.

Como?

Ah, preferem a Copa? Oras, pois sim.

Bom, essa Copa tá chata porque os vencedores anunciados vencem. Nada mais bobo do que isso. Nada mais inútil também, não conheço perda de tempo maior. A única exceção a essa regra é quando se trata do meu time. Só, exclusivamente. Ontem flagrei-me um trinitobaguense. Ou seria um trinitobaguenho? Não importa, ontem eu era Trinidad Tobago desde criancinha, contra a poderosa Inglaterra. No English Team uma verdadeira constelação de astros, como Beckham, o futebolista marido da sempre Spice Girl, Victoria. E estrelas como Lampard, Gerrard e outros mais. Do lado oposto, a rapaziada das ilhas do Caribe. Diz um amigo que a mais bonita das duas é Tobago. Tenho a vaga impressão de ter feito uma escala em Trinidad há muitos anos, indo ou voltando de Cuba. O aeroporto era feio, fazia calor, o ar era muito úmido. E nada tinha de interessante no aeroporto. Enfim, memórias fracas à parte, lá estavam os bravos rapazes, jogadores de times desconhecidos do Caribe e arredores e também da 3ª Divisão da Inglaterra. E não é que deram um baita calorão ao time da Rainha? O jogo ficou em emocionante 0x0 até os 37’45” do segundo tempo, ou seja, a meros 7’15” do final do tempo regulamentar. Achei o gol inglês meio estranho. Vendo melhor pela televisão, fica claro que o atacante inglês puxa o rabo-de-cavalo do zagueiro de T&T. O juiz nada marcou, não sei porque. Só sei que um rabo-de-cavalo derrubou o simpático time. Chamem-me de reaça ou coisa pior, como quadrado, mas nunca fui com a cara desse negócio de rabo-de-cavalo em homens. Principalmente em zagueiros.

Francamente, se alguém acreditou que eu iria falar no lulla da Silva, lamento. Não vou fazer isso. Todos merecemos um descanso.

Como já falei da seca lá no começo, nada mais tenho para falar. Chega.

Ah, sim, é verdade: a Tríplice Fronteira chegou a Hollywood numa das séries americanas que tanto me seduzem e ocupam minha mente. Claro que ligada à prática de atos terroristas. Um dos personagens, didático, ainda explicou que era o encontro entre Brasil, Argentina e Paraguai. Que ali viviam simpatizantes e talvez até membros da Al Qaeda, imaginem! E que o pessoal da região financiava essa e outras organizações terroristas. Uau! Felizmente a ação toda desenvolveu-se em Ciudad del Este e, a menos que tenham descoberto uma cópia carbono no México, lá pros lados de Tijuana, os personagens vieram gravar mesmo aqui do lado. Mas algo me diz que, apesar da semelhança, aquilo era o México mesmo. O Iraque começou assim. Aí, um dia, o Bush filho que a tudo assistia, acreditou e mandou invadir. Quem sabe?

... ... ...

Não, não, fora de cogitação. Nem os americanos seriam tão tapados a ponto de invadirem tudo isso aqui e conviver com nossa elite política. Não, definitivamente não. Até porque nem mesmo eles teriam dinheiro para um novo Plano Marshall para o Brasil e amigos do Mercosul.

Que pena.

E agora, finalizando, de verdade: Chávez, o palhaço – não o mexicano ator, o outro – fechou um acordo de cinco e meio bilhões de dólares com a Rússia de Putin, destinados à compra de armamentos. A primeira encomenda é do balacobaco e vai alterar a relação de forças latinoamericanas no quesito “superioridade aérea”: a Rússia vai entregar à FAV, cerca de cinqüenta Suhkhoy 30, o mais poderoso caça em uso no mundo hoje. O F-15 americano ganha dele em agilidade e o Euro Fighther nada pode contra ele (tudo isso em teoria e projeções e games de computadores), só para que vocês tenham uma idéia do que o simpático coronel está comprando com seus muitos dólares “petroleros”. Mas Chávez não vai pagar essa conta: Putin deu-lhe três anos de carência e 15 para pagar. Chávez também comprou cem mil fuzis AK 103, o sucessor do AK 47. E comprou corvetas lança-mísseis na Espanha e canhões e outras coisinhas na China. Pobres venezuelanos...

Pobre LatinoAmerica.


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2 comentários:

cjb disse...

Logo eu, que até ter tomado conhecimento da compra dos Sukhoi, achava que a força aérea venezuelana era aquela coleção estonteante de atrizes, modelos, misses que brotam naquela terra. Mas não é bem assim...

Anônimo disse...

Opa, vc tá antenado.

A Veja qeu saiu hoje traz o aquecimento global na matéria de capa. Muito boa. Teu texto também.