quinta-feira, abril 20, 2006

Cavernas e algo mais




“Procuro cavernas. Pago bem.”



Muito perde quem jornal nenhum lê.

Felizmente, eu leio. Na verdade, passo os olhos e leio uma ou outra coisa. E são essas leituras que me mostram a quantas anda e para onde anda esse mundo. É delas, também, que tiro, eventualmente, grandes idéias. Como a que tive há pouco e compartilho aqui, já que, nesse quesito, não sou egoísta, nem um pouquinho.

Cavernas... Anotem e pensem bem a respeito. Esqueçam as PN da Petrobrás e Vale, esqueçam os dólares e euros investidos na dívida pública tupiniquim via bancos caribenhos, uruguaios, suíços e britânicos, esqueçam a compra do chalé em Aspen. Tudo abobrinha, tudo condenado a virar pó, a micar. Caverna é o nome da próxima onda. Bem próxima, acreditem. Por isso mesmo, saindo na frente, estou providenciando a venda das minhas Pet PN e, ao invés de pagar dívidas e comprar vacas, eu vou é procurar cavernas e tomar posse de quantas puder. O primeiro passo é o anúncio cujo título abre esse profético texto (desculpem pelo profético, mas a minha costumeira humildade está acamada, parece que pegou, ou foi pega pela dengue; ou é o dengue?).

Dou preferência a cavernas bem localizadas, ou seja, com acesso difícil e único, facilitando a visualização de quem chega e a eventual defesa contra quem chega. Por uma questão de gosto pessoal, aprendida desde o berço com nossas nonas, minha mulher e eu damos preferência a cavernas sequinhas, sem água gotejando pelas paredes, exceto nos fundos, já servindo como abastecedouro de água, coisa de fundamental importância de se ter em casa, como bem sabiam os viventes da Idade das Trevas ou Medieval. Por comodismo e facilidade de limpeza, dispensamos a presença de morcegos.

Antes de empenharem seus recursos nesse investimento, vocês devem estar se perguntando o porque disso, não é mesmo? Ora, a resposta é fácil. Vamos a ela, e vamos por partes, numeradas por comodismo – de novo essa palavra – e não por ordem de importância.

1 – lulla da Silva, presidente do bananal, emérito líder e guia espiritual de um bando de 40 pessoas conhecidas por mensaleiros ou quadrilheiros, junta-se a invasores de terras e depredadores de centros de pesquisas e máquinas modernas; põe o boné na cabeça e abobrinhas na boca, dando uma apavorante visão do futuro que nos espera;

2 – o companheiro Chávez – o presidente do bananal do norte, não o palhaço autêntico, fecha sua salinha na Comunidade Andina e abre um salão no Mercosul, onde já chega dizendo que “esse grupo de países precisa de uma transformação”; calados, os presidentes de Uruguai e Paraguai só ouvem; já o companheiro Evo balança a cabeça, bolivarianamente concordando; há uma certa parecença sonora entre bolivarianamente e bovinamente e não é mera coincidência;

3 – na terra do companheiro Evo, bravo brigador pelas causas justas, o povo de Puerto Suárez e arredores seqüestra 3 ministros “do povo”, em protesto contra o embargo das obras de siderúrgica brasileira que lhes dava trabalho no presente e daria ainda mais no futuro; o companheiro Evo, esteio e guia espiritual dos trabalhadores pobres e oprimidos, bem como dos índios, manda a polícia descer o cacete no pessoal e mostrar que esse tipo de coisa só é aceita quando feita pelo “povo certo”, ao que se presume, o povo dele.

Essas provas inequívocas de uma nova Era das Trevas só mostram que tudo acontecerá primeiro em LatinoAmerica, mas não ficaremos isolados na regressão. Vejam o item 4:

4 – em Londres, Tony Blair descarta ação militar contra o Irã dos aiatolás, desdizendo George W. Ora, como todo mundo sabe que Blair nada representa, nem mesmo recados dá direitinho, começa a me parecer plausível que teremos ação militar contra o Irã dos aiatolás; buenas, se essa ação, combinada às ações e inações dos grandes líderes latinoamericanos não nos conduzirem a uma nova Era das Trevas, então... Bom, então sorte nossa. Mas não sei, não.

Enquanto isso, quem souber de boas cavernas, por favor, entre em contato.



A ADESG informa...

Até anos recentes, a poderosa mídia da antiga capital bananeira inundava o bananal de norte a sul e de leste a oeste com as coisas & manias da outrora aprazível cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (que continua aprazível em muitas partes, em outras nem tanto). Entre elas, os comunicados do serviço de som do Maracanã, sempre começando pelo “A ADESG informa substituição na equipe do XPTO: entra Fulano e sai Beltrano.”

Aproveitando a chamada, temos um comunicado da maior importância:

“A ADESG informa substituição no nhenhenhém das esquerdas latinoamericanas: saem Karl Marx e Vladmir Ilitch Lenin e entra Simon Bolívar. Sai o Marxismo-Leninismo e entra o Bolivarianismo.”

E assim seguimos nosotros com nossas vidinhas, agora iluminadas pelas luzes emanadas dos companheiros Chávez e Morales.


Bom feriado a todos. Essa é a grande vantagem de uma pátria com heróis: feriados pra gente gozar.

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Um comentário:

Nelsinho disse...

Este texto precisava ser divulgado!!

Está extraordinário e carrega com todos nós, que antevemos o desastre brasileiro por entre a cerração do futuro com mais um período com essa gentalha!

Nelsinho