domingo, março 06, 2005

"Querido diário..."


file:///C:/Documents%20and%20Settings/Cia% Posted by Hello
Uma das áreas em que o sorgo foi plantado


“Querido diário...”


hahahaha...

Calma, gente, calma, muita calma nessa hora. Não é por aí, não. Mas um pouco de “diário” tem lá suas virtudes.

Saí tarde de São Paulo ontem. Peguei a roçadeira na oficina. Parei num posto de gasolina boa e barata – um dos postos em supermercados “Extra” (Sr. Diniz, entre em contato pelo meu e-mail e eu te passo os dados de minha conta bancária – em terra e banco tupiniquim, mesmo, pois sou pobre e careta – para receber o jabaculê por esse merchandising, ok?) - e enchi bem o tanque. Aí, entrei na região do Ceasa, onde há várias lojas de produtos agropecuários. Comprei papel-toalha pra secar as tetas das vacas (pela velocidade de consumo desse item... sei não, mas nem vou investigar o porquê dessa velocidade de consumo, afinal, posso ser bobo mas não sou besta) (e tenho nariz delicado... hehehe), “silver tape” pra consertar a lona plástica que recobre o silo de cana, sementes de capim Tanzânia, mais uma coisa e outra pro sítio.

- Olha, calça jeans em promoção. Putz, preciso comprar duas, tô sem calças.

Humpf... É mais fácil comprar fraldas pra bezerros do que calças pra mim. Coisas da vida. E, não, não existem fraldas pra bezerros, felizmente. Pro sítio e pras vacas, tudo. Pra mim, bom, uns livros de vez em quando e dúzias de minerais com gás. Afinal, ninguém é de ferro.

O tempo nublado me anima. Sobre o sítio, 260 km depois, mais nuvens escuras. Animador.

O sorgo plantado na 4a-feira já tá pondo a cara pra fora da terra. Beleza. Mas uma chuva entre hoje e depois de amanhã é fundamental. O jeito é torcer.

A tarde de sábado não dá pra ver e fazer um décimo do que é necessário. Paciência. Em compensação, enquanto conversávamos com o Tião e a Daisy, na sede da bela fazenda deles, as seriemas chegaram. São 4, andam duas a duas, mas, talvez por serem jovens, ainda não formaram casais. Macho com macho, fêmea com fêmea. Tudo bem, tá na moda e tá no direito delas, apesar do Severino. A Daisy joga pedaços de queijo que por algum motivo não passou pelo teste de qualidade na queijaria. Comem com avidez. Antes delas aparecerem, ouvimos seu canto. Hummm... Bom, canto é bondade minha, mas que seja. Nunca tinha visto seriemas tão confiantes no bicho homem como essas. Um dos machos irritou-se ou ficou curioso com sua imagem refletida no paralama do meu carro. E começou a bicar o “outro”. Coisa que os tico-ticos costumam fazer enlouquecidamente no espelho retrovisor externo. Esses bichos são quase humanos pelo jeito. :o)

No sítio, as bezerras e bezerros já alimentados e presos no bezerreiro correm, parecem ora cachorros, ora cabritos. Se divertem. Não gosto desse modismo besta de prender bezerro em coleira, isolado dos outros, com 3 ou 4 metros, se tanto, para se movimentar. São mais felizes assim, soltos no piquete, convivendo, brincando e tendo contato com as mães duas vezes por dia. Melhor que nada pra eles. De minha parte, se for pra produzir leite ou qualquer outra coisa em esquema de indústria ou modelito tecnocrático, tô fora! Vendo o sítio e vou pra praia beber cerveja, coca diet, comer churrasco e ver televisão. Bom, talvez compre um veleiro. Quem sabe... Afinal, tem certos dias em que a tv mesmo paga é um pé no saco.

Com isso o sol desce, a ordenha termina, meu vizinho e amigo César chega pra um ou dois dedos de prosa, e chega o Toninho Simões pra falar da casa em construção que já avançou bem. No espaço e no céu e, ai, no meu bolso. Pobre e combalido bolso. A noite cai e a gente já tá atrasado pra jantar na chácara dos meus sogros, na cidade. O jeito é tomar banho na volta. Depois de terminado o jantar, percebo que tô cheirando a bosta de vaca. Disfarço, tiro a botina e deixo lá fora. Mas o estrago, temo, já foi feito. Ô, vida!

Antes de entrar no chuveiro, vou ao bezerreiro. Tudo em paz. Tudo tranqüilo. Noite gostosa, fresca. A Via Láctea domina o céu. Ó céus, ó vida! Sou o próprio Hardy, a hiena, nesse momento. As nuvens escuras, abençoadas nuvens escuras cheias d’água, foram embora. Ai, meu sorgo pra silagem...

:o(

É, o jeito é torcer por chuva já.
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