terça-feira, janeiro 03, 2006

Quanta chuva!


Não posso dizer que tenha passado um Natal e Reveillon dos mais brilhantes e animados. Felizmente, no que importa, foi bom: todo mundo com saúde e em paz. Já no Sítio das Macaúbas...

Investi uma boa quantia para formar um belo pasto – um super-pasto, na verdade – de capim-tanzânia, destinado a alimentar as vacas no leite num esquema de rodízio de piquetes. Segui as recomendações ouvidas dos técnicos da Embrapa. Comprei o melhor adubo disponível, em volume até um pouco superior ao necessário. Tampouco economizei nas sementes – plantei, junto, uma leguminosa nativa chamada estilosantes campo-grande. Dada a inexistência nos arredores de plantadeiras a lanço, perdi um bom tempo até conseguir esse implemento. Mas consegui. Com atraso de mais de 30 dias em relação à minha previsão ou desejo, e de mais de 60 dias em relação ao cronograma ideal, o plantio foi feito na manhã da véspera de Natal.

Nem deu tempo de passar o rolo compactador sobre as sementes: choveu. Uma chuva com momentos de força e muito vento, mas uma chuva boa: ela mesma enterrou e compactou as sementes no solo, sem falar da água toda que caiu, num total de 25 mm. Isso do meio para o final da tarde do sábado, véspera do Natal. Mas, à noite, a coisa ficou feia: caíram mais de 50 mm em pancada forte. Foi o bastante para provocar escorrimento de água e a maldita erosão. A enxurrada levou embora solo, adubo e sementes. Como o dia de Natal prometia mais chuvas, passei a manhã e a tarde cavando valetas e bueiros, tentando desviar e conter as águas que descem pela estrada de acesso à minha casa e ao curral. Estradinha pequena e quase plana, mas para água em grande volume o quase plano é mais que suficiente para grandes estragos. Nesse caso sem nada de quase.

Choveu mais um pouco durante a semana. O pessoal deu uma melhorada e aprofundada no meu trabalho com valetas e bueiros. Apesar das minhas recomendações, ficaram aquém do necessário, só pra variar. O resultado apareceu na tarde de sexta-feira, dia 30: uma tempestade brutal que despejou nada menos de 94 mm de água sobre o solo, a maior parte em poucos minutos. Esse número significa 94 litros de água por metro quadrado. Com a violência da tempestade, o volume de água e o curto tempo em que ela caiu, não há como a terra absorvê-la: uma parte escapa, mesmo nas áreas cobertas e protegidas. Nas áreas abertas e com solo desprotegido, a coisa fica feia. E foi nesse cenário que cheguei ao sítio no último dia do Ano da Graça de 2005.

No decorrer desse dia caíram mais uns 70 a 80 mm – o número correto esqueci, está anotado no sitio. E foi sob chuva que o ano amanheceu. Muita chuva. No final da tarde o volume já superava os 80 mm. E choveu durante a noite... E choveu durante a madrugada... E amanheceu chovendo na segunda-feira, primeiro dia útil desse ano.


Bom, nessa altura não há o que fazer, só esperar. Esperar para ver como será a germinação do capim. A partir desse dado decidiremos o que fazer, se replantar toda a área, absorvendo o prejuízo e aceitando o atraso, atraso que vai comprometer o primeiro ano do capim - já que a partir de meados de março começa a diminuir bem a duração de horas de sol, e plantas, capins em particular, dependem muito da duração da luz solar para se desenvolver – ou se aproveitamos a germinação que vier e tentamos corrigir as falhas criadas pelas chuvas. Em qualquer caso, despesas e atrasos, atrasos que gerarão, obviamente, mais despesas.

Estou fazendo um drama do meu pastinho, uma reles área com 1 hectare apenas. Mas só nessa área, entre horas de trator nas diversas operações de preparo do solo, medição de nível feita pelo agrônomo (e que foi estragada pelo primeiro tratorista, o que veio, também, a comprometer todo o plantio, e isso é uma outra história), adubos e sementes, a conta já foi bem além dos mil reais. Para um cara como eu que vem tentando sobreviver a alguns anos seguidos de depressão econômica, é um valo brutal e que faz falta.

O valor perdido, porém, não é o maior prejuízo. Este é a perda do solo em si, perda que não é mais grave porque não escorre para um curso d’água, ficando retido por um cordão de capins e arbustos que separam a área cultivada da área de mata que cerca as nascentes. E alguma coisa que escape é detida pelo emaranhado de raízes e a cobertura de folhas e galhos que recobre o chão da mata. Dos males o menor, portanto. Mas não deixa de ser triste e deixar-me borocochô.


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Um comentário:

Maria Helena disse...

Não acho que seja drama, afinal foi um bom investimento e não foi pago pela Telemar.Agora é torcer para o tempo melhorar e tudo voltar ao normal. Abraços.