segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Contraluz no Macaúbas


C:\Documents and Settings\Cia Imagem & Video\Meus documentos\picasa blog\SIMG6066.jpg Posted by Hello

Às vezes, e não poucas, somente as formas silhuetadas são suficientes.

Para que mais?

Fotos, ainda

Há, aparentemente, uma profunda e irrevogável incompatibilidade entre fotos nesse blog e a minha capacidade de colocá-las.

Como vocês podem não ver, fotos não há. O que diz da minha capacidade.

Por teimosia e não por persistência, continuarei tentando.

(Teimosia é apanágio dos burros, persistência é qualidade dos empreendedores.)

O que rolou na semana

Os jornais já espalham aos 4 ventos: renda da agricultura corre risco. E como corre. Penso e tremo: o Brasil não está pronto, não está preparado para uma queda na renda gerada pela agricultura. Porquê, caso isso ocorra, a economia vai direta e reta para um buraco. Um buracão, do qual Severino nenhum irá retirá-la.

Nesses dias de Paraná fico longe do noticiário. O acesso à internet priorizo para as coisas realmente importantes: entrou dinheiro na conta? E o futebol, claro. O resto é secundário, terciário, quaternário. Nada li, pouco soube do assunto da semana, o casamento sem papel de Ronaldo e Daniela.

Quando vi fotos e li sobre a campanha eleitoral para a presidência da Câmara, travei. Esse país é, definitivamente, muito esquisito, muito estranho, muito surreal, pra dizer o mínimo dos mínimos. Como é possível fazer uma verdadeira campanha eleitoral, com cartazes, panfletos, brindes, o escambau, para um colégio eleitoral composto por 513 pessoas, colocadas juntas, ao mesmo tempo, numa só cidade, num só prédio? O que justifica isso? Melhor não pensar a respeito. Não antes, pelo menos, de um bom anti-nauseante. Alguém pode me receitar um?

Bom, alfim e ao cabo, o ruim ficou melhor que o péssimo. Esse Severino, que ganhou às custas da vendetta e da promessa de maiores salários e mais verbas, não chega a ser tão ruim como ter o terceiro cargo da República nas mãos de alguém que foi defenestrado de um cargo de confiança por “quebra de confiança”.

A freira brasileira, nascida nos Estados Unidos, foi assassinada no Pará. Um crime hediondo, na acepção da palavra. No início do século XXI reproduzimos em alguns pontos da Terra de Vera Cruz, o cenário e as ações acontecidas em outras nações lá pelos séculos XVI, XVII. Esse é o tamanho do nosso atraso: com otimismo, dois ou três séculos. E ainda tá cheio de gente que critica, em alto e bom som, as democracias americana e inglesa. Só chorando, porquê pra dar risada... não dá, simplesmente não dá.


É necessário dizer que, embora Severino e Irmã Dorothy tenham ocupado as manchetes principais, o tema da semana entre o populacho tupiniquim foi o casamento sem papel?
Esse é o Brasil. E o Brasil somos nós, que ninguém se iluda. Estou com saudades do fim do governo Zé Ribamar e começo do governo Fernando Afonso. Bem ou mal, a gente acreditava num futuro melhor. Depois, a gente acreditava só num futuro. Puxa vida, quero, pelo menos, meu futuro de volta.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Chuvão!

E aqui estou eu de volta a Cascavel.

O dia prometia: calor brabo, uma certa umidade... nuvens escuras no horizonte. Não deu outra: gravávamos no meio de uma lavoura bonita de soja - bonita mas ordinária, pois, com o veranico recente as vagens não encheram. Deu chabú. Ou xabú?

A chuva veio forte, pesada, violenta. E com tsunamis, digo, ventos fortes (esse presidente me confunde; chamou tsunami de vendaval e agora eu chamo vento forte de tsunami), que derrubaram várias árvores (relatos de agricultores próximos).

Voltamos pra cooperativa, gravamos algumas tomadas em laboratório - teste de transgenia na soja - e o jeito foi voltar pra Cascavel. Até porquê hoje, quarta-feira à tarde, a estrada pertence, literalmente, à infinidade de ônibus que voltam de Foz com os sacoleiros que foram às compras em Ciudad del Este, antiga Puerto Stroessner. E como tem ônibus nessa estrada! Vão todos pro Brasil, pras terras dos sacoleiros. Uma loucura. Mesmo indo no contrafluxo, esse trânsito atrapalha e é perigoso. Inda mais com chuva e carretas carregadas.

É isso. Queria escrever mais, porém o teclado é horrível, erro muito, volto, corrijo, perco muito tempo. Cansei. Fui.

Ah, sim, no sítio a Nita (Infinita, no registro) pariu. Uma bezerra. :o) ... O Macaúbas cresce.

Calorão, canadenses, soja barata...

É, estava mesmo na hora de voltar ao Paraná. Tem gente por aqui conseguindo produtividades fantásticas nas terras vermelhas e pesadas do oeste. Ontem vi uma lavoura de 70 a 72 sacas por hectare. Coisa linda de se ver. Pena que o preço despencou e o valor recebido também, por conta de um crescimento significativo da safra americana, da safra argentina e da nossa própria safra, sem falar na paraguaia e na boliviana. Com o mercado mundial bem abastecido e os preços baixos, a guerra pela colocação dos grãos, farelo e óleo se torna mais dura, mais encarniçada. É briga de cachorro grande. A China vai nadar de braçada, inda mais se o governo tupiniquim for tão inepto como foi há alguns meses.

Outro problema para o produtor: nos últimos doze meses, o real foi a moeda que mais se valorizou no mundo. Com isso, tudo que exportamos fica mais caro. Já para o produtor de soja, uma commodity cujos preços são estipulados em dólar, a consequência imediata é a entrada de menos reais para cada saca de soja vendida. Enquanto isso, os insumos usados, como adubos, sementes, combustível, defensivos, não têm seus preços reduzidos, acompanhando o dólar.

"Oras, azar desses caras, já estão cheios de dinheiro" - pensarão e dirão alguns. Errado. A margem deixada pela soja é boa, mas uma propriedade planta e colhe ao longo de 60 a 90 dias, o que significa que o produtor vende diferentes sojas, a diferentes preços e, pior, a diferentes custos de produção. Quando os preços e o câmbio ajudam é um excelente negócio. Se um desses dois fatores não ajuda, sai de perto. O risco é grande de dar com os burros n'água.

A importância da soja para o Brasil, hoje, transcende em muito os interiores e sertões. O complexo soja é responsável por uma parte significativa de nossa saúde econômica, já bem combalida. Sem a soja... nem é bom pensar.

Um grupo enorme de canadenses no hotel. Gente simpática, na maioria. Agricultores em visita-prêmio. Saíram de até menos 20 graus centígrados pros 37 a 38 que enfrentamos nesses dias. Da neve branca e do gelo escorregadio pra terra vermelha e a poeira que penetra por onde pode e entope tudo que toca. Mas as manhãs são bonitas e gostosas. Já é alguma coisa. Agora se foram pro Mato Grosso, com escala em Foz. Não ficarei surpreso se um dia encontrar um ou mais deles plantando soja e milho no cerrado.

Apesar de tudo, e bota tudo nisso, esse país fascina. Ainda. Mas, por quanto tempo mais?

Bom, hora de voltar pras estradas do oeste e pegar o rumo do norte. Fui.

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Ignorância internética

Oi gente.

Somente hoje, minutos antes de vir pro Paraná, de onde escrevo nessa noite quente de Cascavel, ao lado de vários americanos na sala de internet do hotel, é que, graças à descoberta da Faby eu "descobri" porquê as fotos não estão aparecendo no blog.

Tão logo eu volte pra SP tentarei corrigir isso, apresentando a Lofantera da Amazônia e o Raí pra todo mundo.

Desculpem a falta de jeito. :o(

Bom, fico por aqui.

domingo, fevereiro 13, 2005

Domingo de índio e hasta la vista!

Parece incrível, mas aqui em São Paulo mesmo, na própria Sampa, há um aldeamento guarani. Gente boa, vão tocando a vida como podem, vivendo na beira, na margem e à margem da megalópole. De maneira geral, vivem com dificuldades. The same old story.

Agora, domingão pós-almoço, no qual troquei um peixe saudável por deliciosos pedaços de pernil de carneiro assado, produção pura, limpa, orgânica, da Monika, em Santa Rita do Passa Quatro, acompanhados por um básico arroz branco, salada de agrião com tomate e pepino, batatas cozidas e um básico e delicioso frisante Lambrusco, adequado aos pratos e à temperatura, escrevo ao som das músicas guaranis. Tem tudo a ver e a digestão vai bem, obrigado. Inda mais agora, com duas xícaras de café.

Minha mãe, com os ouvidos aparentemente entorpecidos pela programação da tv aberta, Luciana Gimenez em particular, passou, ouviu, gostou e comentou. É, a música dos índios é muito gostosa mesmo. E percebe-se que é deles. Minha mãe percebeu.

O tema melódico é repetido. Os instrumentos são poucos e simples. O ritmo não é lento, tampouco agitado, é gostoso. As vozes, numa língua estranha – e pensar que era a língua de parte de meus antepassados – completam de forma harmônica o conjunto. Hipnótico, era essa a palavra que eu procurava pra definir essa música, esse som. Primitivo também se aplica, mas acho que fica um pouco pejorativo, mesmo sem intenção. Talvez aqui se aplique com total propriedade a expressão “um som de raiz”. Nossas raízes. Ou parte delas.

Bom, preciso arrumar o endereço da ong que auxilia o pessoal. Como sempre, doações diversas são e serão muito bem-vindas. E eu continuarei com minha trilha sonora sem grandes complexos de culpa.

Ah, sim, essa me parece ser uma ong que passa ao largo das gordas verbas federais. E nenhum de seus membros voa pras oropas e américas da vida às custas do dinheiro da ong. É ong de gente simples, não tem celebridades a bordo, tampouco luminares da cultura tupiniquim. Acho que isso dá uma boa ficha cadastral, né?

(Mais dia menos dia vou mudar de blog. Além das dificuldades com as fotos e comments, nem me atrevo a tentar sonorizar esse texto. Azar de vocês, estão perdendo um som delicioso.)

-x-x-x-x-x-x-x-x-

Movido pela inarredável necessidade de ganhar dinheiro pra pagar as contas, inclusive as que se referem à manutenção desse blog, o autor, pra felicidade geral dos leitores, ficará ausente por uma semana. Ou por 5 dias, depende da vontade e do tempo para sentar e escrever ao computador na volta.

Por outro lado, como estarei andando pelo mui civilizado oeste e norte paranaense, é possível, provável, até, que no meio do caminho poste alguma coisa, entre uma colheita de soja e um banho gostoso pra tirar a poeira do corpo.

Até esqueci como é o jeito e a cara da soja do Paraná. Só tenho andado pelo Mato Grosso, vai ser bom variar um pouco. Com alguma sorte sou capaz até de ir pro Rio Grande do Sul. Pra soja? Não, não, nada de soja. Quero ir pro Rio Grande pra andar a cavalo, montar os crioulos gaúchos, cavalinhos bons demais. É isso.

Como diz aquele governador ianque nascido na Áustria, hasta la vista, baby!

(O certo é babies, mas e a graça?)

sábado, fevereiro 12, 2005

Fotos & Comentários & Poesia (tentativa)

Duas pessoas não estão vendo as fotos que estão postadas. Se houver mais alguém, por favor, me avise. Pode ser por comment aqui mesmo. Desde já, penhoradamente agradecido.

Fim de semana em São Paulo. Humor esvaziado, inspiração idem. Sorry.

Agora no sítio tenho uma bela dupla, com o começo do novo funcionário (chic isso!) hoje: Ismael & Israel. Acho que algumas confusões surgirão. Talvez chame um de Scarpa e o outro de Polaco.

Às vezes escrever é uma coisa gostosa e gratificante. Ontem foi. A filha de uma amiga gostou de "cricrilar", que usei numa mensagem curta no msn messenger. Como todo mundo sabe, esse verbo é nativo, e vem de cricri - onomatopéia do canto do grilo - mais l mais ar.

Os grilos cricrilam
A coruja pia
Um triste sem-fim
Como todo sem-fim
Assobia seu canto triste
Na mata de baixo.

Cai a noite na roça.

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Novo macaubense - Raí

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Esse cabeçudinho, oreiudo e zoiudo aqui em cima é o Raí. Ele também é um macaubense legítimo. Tal como sua mãe, a Sophia, é um sobrevivente. Tal como ela, o único a viver entre três. Seus dois irmãos morreram ao nascer. Já suas tias morreram de misteriosa morte matada com pouco mais de um mês de vida. Dormiam no barracão do curral, as 3 irmãs. Duas amanheceram mortas, cada uma com dois furos na barriga. Cobra? É possível, é possível. Enfim, muitos são os mistérios em um sítio.

Dias atrás foram 5 angolinhas, daquelas de peito branco, muito elegantes enquanto novas. Depois, nem tanto, mas sempre simpáticas, exceto ao gritarem feito loucas por qualquer dá cá aquela palha. Pois, como dizia, numa manhã 3 não compareceram à “chamada”. Na outra manhã, mais 2 deixaram de comparecer. Sumiços misteriosos.

Há coisa de mês ou mês e pouco, o Toninho Simões deu pela falta de 7 patinhos já encorpados. Dos bichinhos, nem sinal, nem penas ou penugens. Olha, procura, examina, e nada. Aí, pegou um pneu velho e tocou-lhe fogo no barracão em que os patinhos dormiam. Dali a pouco, incomodada com a poluição atmosférica, uma bela jibóia surgiu do nada e buscou o caminho da roça. Uma bicha grande, bonita, criada. O Toninho deixou a espingarda quieta, ficou só olhando a bichona ir embora, bonita e coleante sobre a grama baixinha em volta do barracão.

No sítio, as jibóias abundam. Não incomodam, embora essas angolinhas...

Agora dá pra comentar

Agora dá pra comentar sem cadastro, login, senha, RG, CPF, passaporte (sem vistos de entrada na Coréia do Norte, Irã e Síria; Cuba pode, já que o meu mesmo tem visto cubano), etc, etc.

Basta clicar no "Post a comment", depois clicar embaixo do "Sign in", na nova tela que se abre, em "Or post anonymously." É batata, é tiro e queda, é fazer e acontecer.

E aí, tanto pode ficar anônimo, como pode assinar, com endereço de e-mail e/ou homepage, blog, essas coisas.


quarta-feira, fevereiro 09, 2005

O cacho da lofantera




As flores da lofantera

Essa lofantera é uma das 6 que plantei há 4 anos. Todas pegaram bem e se desenvolveram. Uma em cada par foi melhor que a outra. Essa, do post anterior, está na entrada do sítio.


Lofantera da Amazônia




Essa simpática árvore é a lofantera da Amazônia. O nome é feio, mas a árvore é bonita. É nativa do médio Tapajós, da mata firme e seca. Se dá bem em Santa Rita do Passa Quatro, apesar de nosso inverno meio brabo, por vezes.

Suas flores são pequenas, abertas tem uma forma que lembra uma estrela, e vêm agrupadas em grandes cachos, como pode ser visto no próximo post.

IBAMA, Polícia Florestal, Chuvas e Carnaval – parte IV

É, parece mesmo, né? Esse título parece um samba do crioulo doido, já que estamos recém-saídos do tríduo momesco que virou quinteto e até muito mais em alguns lugares assaz aprazíveis, como Salvador.

Um dos dois interlocutores do Toninho e agora também meu, diz que a Polícia Ambiental, cumprindo determinação do IBAMA, proibiu a limpeza e o desassoreamento das bocas de pontes e tubulões. E isso está por escrito, aconteceu na administração anterior, recém-defenestrada pelo voto santarritense.

Bom, eu acredito. Contem-me qualquer coisa absurda, bárbara mesmo, perpetrada pelo IBAMA ou pelo Ministério ao qual pertence, e eu acredito. Sim, acredito porquê é brincadeira o que faz esse povo do “meio ambiente”. Seria o caso de rir às escâncaras, não fosse cada caso, cada causo, uma pequena ou grande tragédia. Enquanto isso, na Amazônia, desaparecem 15 milhões de dólares em madeiras de lei apreendidas e guardadas.

Bom, diante do exposto, apenas digo que a Polícia Ambiental melhor faria se fiscalizasse os plantios mal e porcamente feitos pelas usinas, ao invés de multar prefeituras q ue tentam desassorear rios, córregos e riachos e multar pequenos sitiantes por deixarem meia dúzia de bezerros terem acesso a um açudezinho para matar a sede (ao fazer isso, os bezerros e suas mães se transformam em perigosos agentes da erosão).

Risadas pra cá, risadas pra lá, até mais, até mais. O Toninho se vira e fala pra mim:

- Ainda bem que o senhor não falou mal do prefeito.
- Ué, por que eu falaria? O cara assumiu agora e esse negócio já vem de longe.
- Eu sei, mas ainda bem que o senhor não falou mal porquê ele estava ali com a gente, oras!
- Caraça! Não brinca? Era o Mauro aquele ali?
- Era.
- Puta merda, Toninho! Eu não lembrava dele, quer dizer, tinha uma vaga lembrança dele, mas não reconheci.
- Pois é, por isso que eu digo.
- Putz, rapaz! Só faltava, hein? Puxa, ainda bem.

Hehehehehehehehehehe

Pois é, a vida nas cidades não muito grandes pode ser muito interessante. E agitada. Uma coisa é certa: monotonia só existe nas cabeças dos moradores das metrópoles.

Será que o prefeito endossará minha candidatura? :o)

Carnaval no campo e na roça – III

Tudo isso foi no sábado. Segunda-feira cedo, depois de levar o leite pro laticínio, deixando a Xênia curtir seu pastinho sossegada sem puxar carroça, fui pro pra cidade com o Toninho Simões. Grande figura o Toninho. O tipo de gente que admiro mas não invejo: ele participa ativamente da comunidade, trabalha, organiza, enfim, essas coisas todas. Já fui assim, não sou mais. Ainda não tenho claro se involuí ou se evoluí. O Toninho vai fazer a casa número dois do sitio (acho que não é politicamente correto chamá-la pelo nome usual – “casa de empregado”). Sobre ela, a casa, falarei em outra hora. De antemão, comunico: farei a indelicadeza de construí-la justamente na rota de acesso dos vagabundos ao sítio.

(Ops... por favor, onde lê-se “vagabundos” é favor ler “brasileiros desfavorecidos pela fortuna e vitimados pelo sistema, buscando meios alternativos de sobrevivência. Obrigado.)

São longas essas saídas. Cada lugar que a gente pára a conversa rola. Sempre interessante. Difícil parar de conversar e ir cuidar da vida. O interior tem dessas coisas. Numa de nossas paradas, termino um assunto no balcão e vou ao encontro do Toninho, que conversa animadamente com dois homens. Um me é vagamente conhecido, mas não identifico. Chip defeituoso na minha memória RAM, com certeza. Chego, a conversa se abre. Um deles me viu na Globo. O assunto cai sobre a estrada interrompida. Falamos todos. Eu, naturalmente, dou lá meus pitacos (pitacos? – um dia ainda vou cair do cavalo com essa mania de falar o que penso sem olhar pra quem). Critico a péssima agricultura feita pela usina (nem sei se a Santa Rita ou se a Ferrari, mas ambas são usinas, logo...). E, do alto de toda minha ignorância, decreto: parte da culpa pela estrada ter sido arrombada pelas águas cabe à usina. Afinal, há 5 anos passo por ali de duas a três vezes por mês. Religiosamente. E há 5 anos acompanho o plantio da cana na terra arenosa. E, a cada chuva, a cada chuvinha, montes de areia recobrem o asfalto ao lado do canavial. Decreto: isso de erosão é que nem rato, quando você vê um, tem mais 30 ou 40 escondidos do lado. Ali também, a areia que a gente vê é uma parte pequena da areia que já foi pro córrego.

Comento, também, que a administração anterior podia ter cuidado da conservação um pouco melhor, limpando os tubulões. Vou parar aqui e abrir a parte IV.

Mas, antes, uma vista da areia que o canavial da usina “produz”, já escorrendo em direção ao córrego que explodiu.





Carnaval no campo e na roça - II

Problemas com soluções semi-encaminhadas, fui ver o buraco depois do almoço que saiu bem tarde. Antes de chegar ao fim da estrada, parei. E admirei o “novo açude” do meu vizinho Zé da Silva.



Só que de açude nada tem, só a ironia meio amarga. Aqui, tal como no fim da estrada, o tubulão entupido represou a água, que subiu vários metros e passou por cima do asfalto. Na descida, arrebentou com o aterro da estrada, arrebentou com o brejinho, e se foi. Faltou pouco para que a estrada também terminasse aqui. Íamos ficar com picotes de estrada.

Chegou o pessoal da EPTV, a “Globo” regional. Fui entrevistado. Fui curto e grosso, falei só o que o repórter queria: contei minha volta de 52 km pra chegar ao meu sítio a apenas 4 km. Televisão gosta disso, essa coisa de romance e texto longo é só pros meus vídeos e pros meus textos. Azar de quem assiste e mais ainda de quem me lê. (O assistir não deve ser tão ruim, afinal, me pagam para isso.) Apareci no Jornal Regional 2a edição, às sete da noite. Horário nobre, chique no úrtimo.

Terá sido esse meu primeiro pronunciamento para minha candidatura a vereador? (hehehehehehe)


Carnaval no campo e na roça - I

Como está na descrição do blog, por aqui as coisas são do campo quando simpáticas, gostosas, idílicas, pastorais. E são da roça mesmo quando simplesmente normais. Ou seja, quase sempre. Então, vamos ao Carnaval.

Saí de São Paulo sábado cedo e tinha pressa em chegar. Problemas a serem solucionados me esperavam. Um dos rapazes concluiu que não dava mais para trabalhar com o outro e achou melhor pedir as contas. E foi justamente o novo contratado, que foi pro sítio pra cuidar, prioritariamente, das vacas e do leite.

Ultimamente tenho ido direto pela Anhanguera e pelo acesso para Santa Rita, porquê a estradinha do Brejão, tão bonita e gostosa, está abandonada pela prefeitura de Porto Ferreira. Além dessas vantagens subjetivas, ela apresenta uma objetiva: encurta a distância em 9 km. E foi pensando nesses quilômetros a menos e em ganhar alguns minutos, pois precisava, ainda, comprar farelos diversos pra fazer ração, que enveredei por ela.

Ao longo do trajeto os sinais claros, inequívocos e molhados de muita, muita chuva. Mas, até aí morreu o neves. Se é ruim ter sítio na beira do asfalto, é ótimo ter sítio na beira do asfalto. Claro, a gente chega independente do tempo. Cruzei a grande Santa Cruz da Estrela, distrito com uns dois mil habitantes, parte dos quais trabalha em Santa Rita e outra parte lá estuda. Outras partes, ainda, vão a Santa Rita por causa de médicos, hospital, farmácias, festas - porquê ninguém é de ferro, bancos, gasolina, etc. Na saída do distrito um moleque gritou: “Não passa!”. Entendi mas não dei bola. Ok, não dei bola mas fiquei preocupado, afinal, o moleque não gritaria à toa.

Dito e feito.



A estrada se fora. Pelo menos esses preciosos metros tinham ido embora, levados, arrastados, carregados pelas águas. Mas como?

Antes do como, a raiva. Claro, toda e qualquer coisa que venha de todo e qualquer governo me enraivece. Aqui não poderia ser diferente. Uma olhada básica, simples, foi o bastante para ver o óbvio: o tubulão entupira com capim e terra. Coisa simples de desentupir a cada dois ou três meses com dois homens por meia hora. Ah, tá bom, vá. Como é serviço público, uma turma de dez homens por meio dia. Mas, ainda simples.
Meia-volta, volver. Recruzei Santa Cruz da Estrela. O moleque, ao lado de outros, não gritou “Viu? Eu não disse?” Ainda bem. Virei ás esquerdas e tomei o rumo de Tambaú. Ali, retomei o rumo de Santa Rita, agora por outra rodovia. Finalmente, já em Santa Rita retomei o rumo do Sítio das Macaúbas, ao qual cheguei depois de rodar 52 km desde o fim da estrada. Como esse final imprevisto estava a 4 km do sítio, rodei “apenas” 48 km a mais.


sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Como um abraço



Parece que ele abraça a soja... De repente, quem sabe?

Uma dança com beijo



O dia inteiro as colheitadeiras se aproximam. Seu par, o caminhão, ora está parado, ora em movimento, quando então, ele busca a parceira de dança. A passagem da soja de uma para o outro é como um beijo... E o homem é apenas um observador.

Cores e Sombras



Promessa de chuva no céu, poeira pouca no chão graças ao tapete de plantas secas picadas... O grande Noroeste do Mato Grosso em tempo de colheita.