domingo, março 16, 2008

Blablablá glamoroso e os OGM

Bom dia, boa tarde, boa noite, boa madrugada, quem sabe.

Ando em falta com esse Olhar Crônico, lamento e peço desculpas.

Vida atribulada é a melhor e também a pior resposta, mas verdadeira.

Dia 8 último, o Dia Internacional da Mulher, um grupo de “companheiras”, grávidas à frente, empunhando foices e enxadas invadiram a estação da Monsanto em Santa Cruz das Palmeiras, pertinho do Sítio das Macaúbas, e local onde já gravei inúmeras vezes para a Monsanto. O motivo da invasão: depredar instalações e áreas de testes com variedades de milho transgênico.

Muita gente, principalmente entre os “companheiros e companheiras”, mas também fora do mundinho deles, é contrária aos organismos geneticamente modificados, ou, popularmente, plantas transgênicas. Curiosamente, isso é, para mim, uma enorme contradição, tanto em termos presentes como futuros. Uma variedade modificada geneticamente apresenta grandes vantagens em relação a variedades comuns. No caso das plantas de milho e algodão, por exemplo, resistentes a alguns insetos (lagartas), elas permitem a não aplicação de muitos milhares de litros ou quilos de venenos diversos destinados ao combate dessas pragas. Ora, ao evitar essas pulverizações, o ambiente, chamado no Brasil de meio ambiente, é preservado, deixa de ser atingido por agentes poluidores. Esse é apenas um exemplo entre muitos.

Em todo o mundo a população rural diminui a olhos vistos e em velocidade acelerada. Trabalhar no campo, glamour à parte, é muito ruim, é muito cansativo, é totalmente desprovido de charme e de valor.

Essa é a verdade. Raras são as pessoas urbanas que dão valor de fato às lides agrícolas. A maioria enxerga nelas uma condição de atraso de vida, uma atividade destinada a pessoas sem capacidade ou habilitação para “vencerem” e ganharem dinheiro nas cidades. Pior: grande parte dos rurícolas se enxerga da mesma forma, o que é muito triste. Além disso e muito pior que isso, a cidade desvaloriza o produto do campo e super-valoriza seus próprios produtos. As relações de troca campo-cidade sempre foram e estão cada vez mais desequilibradas.

Há uma falsa ilusão, propagandeada principalmente por urbanóides que nunca pegaram no cabo de uma enxada, que felicidade é ir pro campo e produzir alguma coisa, às custas da reforma agrária governamental, e, naturalmente, sem usar venenos e produtos químicos.

Triste ilusão na qual milhões acreditam. Pior ainda, acreditam que a humanidade, a caminho de seu sétimo-bilionésimo habitante, pode ser alimentada, vestida, abrigada, protegida, dessa forma. Lamento, mas tal coisa é impossível. Só seria possível se ao invés de sete bilhões, fôssemos apenas uns quinhentos milhões, no máximo, bem distribuídos por todas as terras agricultáveis do mundo. Mesmo assim... Sei não, acho que duzentos milhões seria um número mais factível.

É nesse cenário que surgem as plantas transgênicas, os “ogm” – organismos geneticamente modificados.

Eles permitem e permitirão cada vez mais, a produção de mais alimentos com menores dispêndios de energia. Nossa sobrevivência, e isso é uma certeza minha, está atrelada aos avanços genéticos aplicados à produção de alimentos. Refiro-me, claro, à nossa sobrevivência com um mínimo de dignidade e barriga cheia.

É contra isso que as pobres “companheiras” grávidas foram levadas, iludidas, a empunhar foices e enxadas para invadir e destruir mais uma estação de pesquisas. Infelizmente, temos também nossos fundamentalistas, tão toscos e ignorantes quanto os fundamentalistas muçulmanos e os fundamentalistas de Bush.

Para mim, e desculpem o termo, é tudo da mesma laia, é tudo a mesma corja.

Nosso futuro depende da preservação dos recursos naturais fundamentais, como ar, água e terra, ao lado da produção de mais e melhores alimentos em abundância, suficientes para todos. Plantas transgênicas e preservação da natureza não são antagônicas, muito antes pelo contrário.


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Um comentário:

Chico da Kombi, disse...

Companheiro Emerson, o ser humano é uma lástima!
:o)