sexta-feira, janeiro 19, 2007

Tudo muito estranho



Estranho janeiro...

Aqui na Granja Viana temos dormido com edredon e em algumas madrugadas o frio tem ficado meio brabo. Sem dúvida, a arquitetura (digamos assim) do nosso quarto e a janela francesa sem a proteção das portas de vidro contribuem para tanto frescor. Assim mesmo, contudo, as temperaturas têm andado na parte mais baixa do termômetro.

O cometa McNaught está passeando por nosso céu, na boca da noite, no horizonte ocidental. Mas quem diz que se consegue ver o dito cujo? A espessa camada de nuvens da frente fria tampa tudo, até S.Excia., o Astro-rei. Isso é bom por um lado, nunca canso de repetir, mas por outro bem que eu gostaria de uma janelinha de um ou dois dias de céu aberto. Gosto dessa coisa de ver cometa, mas ver, mesmo, de verdade, vi duas vezes, em duas noites viajantes. A primeira no interior de São Paulo, na beirada de uma Castelo Branco deserta, e o cometa era um ponto luminoso dois graus acima da categoria “ridículo”. A segunda vez foi melhor, pois o cometa estava uns quatro ou cinco graus acima da tal categoria retro-citada. Parei o carro numa estradinha no sertão do Mato Grosso e fiquei quieto alguns minutos, deixando os olhos se acostumarem com a noite, seus brilhos, seus contornos. E lá no alto estava o cometa.

Precisaria pesquisar para lembrar os nomes das duas excelsas visitas, mas não creio que seja tão relevante, afinal, o cometa com mais nome e mais fama, o Halley, não passou de grande e invisível mico, capaz de levar-me a dirigir 90 km em busca de um bom lugar para vê-lo e nada. Mas vi Saturno, o que já foi bom demais.

Esse McNaught está por aí até o final do mês. Quem sabe conseguirei vê-lo no outro final de semana, já no sítio?

E voltando à vaca fria terráquea, e bota fria nisso, o frio intenso destrói 75% da safra de laranjas da Califórnia. Na Florida ainda não?

Que pena...

Coisa feia isso, né? Mas, fazer o que? É tanta a disparidade e, principalmente, é tão aviltado o preço que os ricos pagam por nossos produtos primários que não consigo pensar diferente. Tristeza de uns, alegria de muitos. Sim, porque 40% da safra de laranjas da Florida foi perdida para problemas climáticos, notadamente furacões, além do frio e da seca. Com isso, os preços para nossas laranjas têm se elevado, o que é bom para nossa balança comercial e, principalmente, seria bom para nossos produtores de laranjas, meia dúzia dos quais são vizinhos e amigos. Mas... Bom, a verdade é que quando essa meia dúzia for beneficiada, é capaz do Halley dar as caras por aqui novamente, e em grande estilo.

“The same old story...”

E também dá pra trocar “story” por “history”, nesse caso.

E por falar em velha história, e não estória, surgiram vestígios de forte aquecimento sei lá quantos e quantos séculos atrás. Isso sempre me deixa com uma pulga atrás da orelha sobre o aquecimento global. E também a muitos cientistas. Apesar de nossos avanços científicos e coisa e tal, pouco conhecemos, ainda, sobre o clima, principalmente sobre seus longos ciclos, alguns, possivelmente, medidos em milhares e milhares de anos.

Paro por aqui.

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Um comentário:

Rafael Rodrigues disse...

Valeu pela visita e pelo comentário, Emerson. O primeiro do Montalban que vou ler é aquele, como disse no post. Mas depois vou ver se corro atrás de outros dele, já que você falou tão bem :) Abraços!