terça-feira, maio 02, 2006

Bolívar, o novo ícone


Quem guarda tem. Quem não empresta, nunca perde.

Duas regrinhas de ouro. A primeira é universal. A segunda não sei, não tenho certeza, mas, no meu caso aplica-se muito bem aos livros. E, pela primeira delas, tenho ainda comigo uma excelente biografia de Simon Bolívar, o novo ícone latino-americano. Se fosse qualquer outra coisa, com perto de duzentos anos, e autografada pelo Simon, eu estava feito na vida. O companheiro Chávez, com toda certeza, dado o seu gosto por gastos monstruosos e inúteis, dar-me-ia uns dois ou três poços de petróleo em troca do mimo. Que eu recusaria, é claro, pois daria com a direita e tomá-los-ia com a esquerda, em nome da esquerda. Tal como fez anteontem o companheiro Evo. Se ao Hugo me apraz chama-lo Chávez, creio que por conta do palhaço mexicano, ao Morales só me agrada o Evo. Na minha ignorância habitual, deduzo que Evo só pode ser o feminino de Eva e é meio gozado, né, uma Eva masculina. Temos um feminino de Adão, por acaso?

Pois o companheiro Evo pregou-me bela peça, isso sim. Ao meter a mão nas posses e operações da Petrobrás na Bolívia, o companheiro deu à jóia de nossa coroa tupiniquim belo prejuízo que, sem dúvida, há de refletir sobre as ações da empresa na Bolsa de Valores. Esse prejuízo não é só da Petrobrás, é, também, de todo o povo brasileiro, posto que ela é uma estatal e, por conseguinte, patrimônio do povo de bananal.

Falando em bananal, o bananeiro-mor, grande líder e guia espiritual da bananada, convocou reunião de emergência para debater a “nacionalização” dos bens da Petrobrás. Ora, ora, ora, se alguém se der ao trabalho de consultar minhas ligações com a corretora, verá que há vários dias eu venho cobrando agilidade no cadastro e custódia da minha meia dúzia de ações Pet PN, justamente por medo da expropriação feita pelo companheiro Evo, amigo de fé e irmão camarada do companheiro lulla. Se eu sabia disso e tentava me proteger da perda inevitável, como é que o companheiro lulla da Silva, grande líder, etc, etc, amigo de fé e mais etc, foi pego de surpresa e convoca “reunião de emergência” para discutir o roubo, digo, a expropriação?

Tem caroço nesse angu, talvez dissesse meu avô Bertolino, caboclo mineiro. Eu, mais escolado com as coisas bananeiras, digo que tem angu nesse caroço.

Qual?

Sei lá, nem desconfio. Mas toda e qualquer ação do governo do companheiro bananeiro, amigo do companheiro “cocalero”, é suspeita, até prova em contrário avalizada por algum tribunal internacional. Menos que isso, não aceito.

Acho que devemos, em represália, apreender o Boeinguizinho meia-boca do Lloyd Aéreo Boliviano. Como? Nem voa mais? É, pensando bem eu também não sei se o glorioso LAB ainda existe. E, se existir, nem sei se tem ainda algum Boeing dos anos 70. Do começo dos anos 70.


E de volta ao velho Simon Bolívar. Tirei o pó de sua biografia. É um livro bonito, um livro-livro, assim como no futebol existe o zagueiro-zagueiro. Tem capa dura, tem um montão de páginas e não tem firulas e tampouco figuras. Um livro-livro, como eu disse. E mais: todo em castelhano. Portanto, autêntico. Aos interessados em ingressar nos novos tempos poderei, por preços módicos, fazer cópias “xerográficas” de suas preciosas páginas. A esse respeito, consultem meu especialista em investimentos e mentor financeiro, o Zé.

Se ele estiver solto, claro. O pobre vive a ser perseguido por caçadores de corruptos.

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Um P.s. com um toque de seriedade:

De qualquer forma, e aqui me valho de preciosa observação de um amigo, Evo & companheiros enfrentarão agora um desafio que está muito acima de suas capacidades, que será a administração e operação dos ativos expropriados. A menos que contratem os serviços dos expropriados para isso. Se pagarem bem... Pode até ser mais interessante, afinal, nada melhor que prestar serviços. E assim seguirá a velha e batida sina dos povos de LatinoAmerica, rumo ao nada em lugar nenhum.

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Um comentário:

Paulo Afonso disse...

Sou Operador de Transferência mas não serviria a outro patrão por dinheiro algum. Já pensou?