quarta-feira, maio 31, 2006

Tomates?


Esse texto, na verdade, é a resposta a uma pergunta feita pela Leila.

Depois que escrevi o e-mail, achei que seria bom colocar o grosso da mensagem também aqui.

No sítio, as frustrações são inúmeras, como, por exemplo, o fato de nenhum pé de caqui ter ido pra frente. Ou nenhum coqueiro, e sequer abacateiro. Agora tem um que está bonito, lindo, mas vai demorar muito para frutificar, pois não é muda enxertada. E, além disso, para que ele frutifique preciso plantar mais dois pés, um de cada tipo, para que as flores sejam fertilizadas. Sim, há isso. Não são sexos diferentes, mas são diferentes tipos de abacates, o A, o B e o C. Para que haja frutos, as flores de um tipo precisam do pólen das flores de outros tipos.

Por que não “vão pra frente”? Afinal, coqueiro tem em toda parte, menos lá. Não sei, sinceramente. Na próxima primavera vou fazer um plantio em regra por lá: abacateiros, caquiseiros, líchia e, naturalmente, coqueiros, sonho da Rosa, que adora água de coco. Espero que dessa vez tudo dê certo.

Enquanto isso vamos convivendo com essas frustrações e mais essa: o tomate.

Tomateiro é planta fácil, meio "vagabunda", como se diz, pois basta jogar uma sementinha e pronto, em pouco tempo tem um "tomatal". O diabo são as malditas doenças fúngicas! E insetos, também.

A produção comercial é feita com uma boa quantidade de defensivos - ou agrotóxicos - para poder chegar a um final feliz. E a gente come e come e come. Não tenho grandes pruridos com relação a isso, mesmo conhecendo na intimidade como os bonitos tomates chegam aos mercados tão bonitos, mas no sítio não uso venenos, seria um contra-senso, afinal, a horta é doméstica e não comercial.

A produção orgânica de tomates é uma beleza, mas requer um conhecimento e um trabalho que estão além da minha capacidade, pelo menos no momento, além do acompanhamento diário, coisa, naturalmente inviável. E os rapazes? Boa pergunta, para a qual não tenho uma boa resposta. Diria que eles cuidam das vacas, mas pretender que cuidem direito de uma horta é pedir demais, por incrível que pareça. Mas essa é outra história, uma longa e chata história.

No sítio, pra não dizer que não temos tomate, temos tomate "oportunista", pois desistimos de plantar certinho. Assim, temos um pé aqui, outro acolá, que nascem meio ao acaso, talvez semeados pelas galinhas e pegamos um ou outro fruto e pronto. E pegamos verde, antes que amadureça e seja perdido para as pragas.

A exceção é um tomatinho pequeno, um "cerejinha", que minha sogra planta na sua horta e se desenvolve bem, sem grandes ataques de doenças. Mas ele apareceu do "nada", ou melhor, de sementes de tomates comprados no mercado. Mas a planta se desenvolve bem, parece ser mais resistente às doenças, como a pinta-preta e a murcha bacteriana, e sempre conseguimos colher alguns punhados, logo usados em saladas.

Há outras frustrações horticolas, mas nem vale a pena mencionar, pois, provavelmente, essas outras são fruto da nossa ausência. Horta é uma coisa que precisa de olhares e cuidados diários, inclusive sábados e domingos.



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2 comentários:

Nelsinho disse...

Embora oriundo de familias de agricultores, sou bicho urbano e sem nenhuma ligação com a terra!

Mas como a minha predileção alimentar é pelos "horti-fruti" de todo o tipo, tiro o chapéu para quem produz, principalmente sabendo que a fatia maior do que pago vai para o atravessador...

Nelsinho

Timoneiro disse...

Emerson,

Plantei alguns tomateiros aqui em Iguabinha. Os tomates, enormes, continuaram verdes por muitos e muitos meses. Até que acabei com eles.

Em compensação, os tais tomatinhos, deliciosos, eram fartos e amadureciam bem rapidinho.

Agora acabei com a área agricultável. Coloquei piso nos 50 m2 do jardim frontal.