sábado, julho 15, 2006

Revendo “Fogueira das Vaidades”


O livro de Tom Wolfe e o filme dirigido por Brian de Palma, geraram muito mais expectativas do que resultados, mas um e outro não são de jogar fora. Há coisas infinitamente piores. Comprei o primeiro no lançamento e assisti ao filme também logo depois de chegar às locadoras. Tom Hanks (ainda jovem), Bruce Willis (meio jovem) e Morgan Freeman, além de Melanie Griffith no papel que mais gosta de fazer. E o único que consegue. Meio sem ter o que fazer, assisti-o novamente hoje.

Sherman McCoy é um bem sucedido yuppíe que erra uma saída da via expressa, entra num bairro pobre, habitado por negros e, assustado e fugindo do que pensa ser um assalto, atropela um garoto. Negro.

O caso ganha proporções muito grandes, enormes, alavancadas, claro, pela política. Ou políticas, num plural bem amplo. E blabblablá, blabblablá, blabblablá... Quem não viu, veja, vale a pena.

Bom, e daí? Isso aqui virou blog de crítica de cinema antigo?

Não. O motivo dessa introdução foi só situar e dar um pequeno pano de fundo para quem não conhece ou não lembra mais do filme.

No final, o juiz, interpretado por Morgan Freeman, faz um belo discurso sobre Justiça, Leis e, sobretudo, Decência.

Decência...

Temos justiça, sem dúvida. Temos um grande aparato estatal encarregado de administrar a justiça. Se funciona ou não, se é bom ou não, é outra discussão. Mas a justiça existe.

Temos leis. Ah, sim, e como temos leis! Elas não nos faltam. Temos para todos os gostos: arcaicas, atrasadas, caquéticas, como as que regulam as grandes questões de nossa vida no dia-a-dia: crimes e negócios, principalmente; e modernas, moderníssimas, exemplos para o mundo civilizado, como as leis que nascem de grupos de pressão interessados em temas específicos.

Mas não temos a Decência.

Decência...

Entre nós até seu uso como palavra e significado é restrito e mais ligado a questões simples de costumes. Entre nós ela não tem o peso moral que tem em outros paises. Não por coincidência, com certeza, associamos decência e indecência a comportamentos libidinosos, vulgares, baixos.

Não associamos decência ao comportamento ético, responsável, honesto. Porque, se o fizermos, teremos que dizer que todos nossos políticos, todos nossos seres públicos, homens e mulheres, não têm decência. Logo, são indecentes. Do mais alto ao mais baixo cargo republicano, a decência é uma fantasia, é um vazio, é um não-ser.

Somos indecentes.

Olhe ao redor e terá a prova do que escrevi.


.

Um comentário:

AMBROSIO disse...

EMERSON, se nossos politicos, todos , de todos os partidos, fossem apenas 10% mais honestos eu teria esperança d emudar o quadro, mas como isso e utopia,o mundo todo e indecente.