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sexta-feira, janeiro 14, 2011

Tragédia em Itaipava

Cavalos são uma das mais belas e fantásticas criaturas que a Natureza criou.

Poucos seres humanos dão-se conta de sua importância para sermos o que somos hoje.

Ao domesticarmos o cavalo – domesticar: verbo tenebroso durante séculos, que hoje começa a ter seu significado transformado – ou, também posso dizer, a partir do momento em que aprendemos a conviver com essa criatura, nossa velocidade de deslocamento foi multiplicada.

O comércio beneficiou-se, a troca de ideias, o abastecimento de comida, tanto pela caça como pela troca e a produção, o ir e vir de pessoas, muitas outras atividades foram intensificadas graças ao emprego dos cavalos.

Sim, sem dúvida também as atividades bélicas.

Conhecendo o ser humano, o mais provável é que o primeiro e mais importante uso do cavalo foi nas guerras, pequenas, localizadas, entre tribos, mas sempre guerras.

A humanidade, tal como a conhecemos hoje, tem uma enorme dívida com os cavalos, que não é paga, nunca foi, de maneira digna, outro traço infeliz muito comum ao Homo sapiens.

A notícia trazida pela Folha chocou-me nesse final de madrugada: a morte de oito cavalos num haras de Itaipava, seguidas pelo sacrifício de outros oito.

Mais trágica ainda se torna a notícia quando ela relata que o tratador dos animais, chamado Miguel, não quis fugir da fúria das águas e ficou com seus animais. Não de sua propriedade material, mas de sua propriedade sentimental, infinitamente mais nobre e importante.

Lamento pelo Miguel, lamento pelos cavalos, independentemente de serem bonitos e valiosos, o que, em se tratando de vida, é irrelevante.

Lamento, profunda e sinceramente, pelas centenas de pessoas que morreram nessa tragédia anunciada, nessa tragédia reprisada, nessa tragédia que qualquer pessoa com um mínimo de bom senso e capacidade de observação sabia que iria acontecer e, pior, muito pior, sabe que irá acontecer novamente.

Não é a primeira vez que escrevo essa obviedade e não será a última, lamentavelmente.

O ser humano, com sua arrogância e sua ignorância, teima em desafiar a natureza e a resposta sempre se dá em forma de tragédias.

Meu respeito, minha admiração, minha dor pelo Miguel, a quem dedico esse texto.


(Abaixo, a transcrição da notícia da Folha de S.Paulo)

São Paulo, sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

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Cavalos de até R$ 500 mil são levados na enxurrada

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
ENVIADO ESPECIAL A PETRÓPOLIS

Entre os mortos do vale do Cuiabá, em Itaipava, distrito de Petrópolis, estão dezenas de cavalos de corrida que valiam até R$ 500 mil.
No haras Vale da Boa Esperança, um centro de treinamento do Jockey Clube Brasileiro, o cocheiro Miguel foi tragado pela tromba d'água porque não quis abandonar os animais.
Foi levado junto com oito cavalos de raça, que também morreram afogados na enchente. Ontem, ainda se viam alguns deles atolados na lama, mortos, só a cabeça de fora. O corpo do tratador ainda não foi encontrado.
Outros oito cavalos do mesmo haras tiveram lesões graves, como fraturas expostas, e foram sacrificados ontem com injeções letais.
Uma equipe de dez veterinários do Jockey veio ontem do Rio de helicóptero para matá-los e aplicar medicação nos 120 bichos sobreviventes. Cada um deles custa, em média, R$ 50 mil.

terça-feira, setembro 16, 2008

Mais flores, agora róseas

Peço desculpas pelos longos intervalos sem nada publicar.
Os dias têm sido corridos, fiquei boa parte deles no sítio, tentando, ainda sem o mais importante insumo agropecuário, o dinheiro, arrumar algumas coisas já preparando a breve mudança para lá, em definitivo. O sítio tem internet via rádio, mas até hoje não comprei um notebook, falha que pr
etendo sanar rapidamente e que vai tornar minha vida menos complicada no que diz respeito às postagens nos blogs.



Uma linda manhã, sem sol, finalmente, com promessa de chuva ou, pelo menos, umidade. Bom demais.


Tenho tido sorte. Toda vez que estou no sítio uma das vacas pare. Dessa vez foi a Luna, uma Jersey pura, filha do Safári com a Inocence, que pariu uma bezerrinha. Dentro de minha recente política de dar nome aos bois conforme meu humor ou reação inicial, batizei-a de Maravilha. Batismo efetuado e divulgado, fiquei um pouco incomodado, mas vamos que vamos. Maravilha será Mara ou Marinha, não duvido.

Fico meio tentado a escrever sobre os abacaxis, os problemas, os imbróglios, os dilemas, as besteiras feitas, a insistência em algumas besteiras, mas, sei lá, melhor deixar quieto. Até porque já dei título para este post e preciso respeitar o que nomeei, tal como minha mais nova bezerrinha.

Maravilha recém-nascida, sendo lambida por Luna, em seu primeiro "banho", na sombra de uma laranjeira


A estação começou com a florada dos ipês-roxos e dos ipês-amarelos. Como já disse, há muitas espécies de amarelos e suas floradas não são coincidentes, o que faz crer que eles florescem durante muito tempo. Além disso, alterações climáticas provocam, também, uma antecipação na floração das espécies mais precoces. Dessa forma, na prática convivemos com as flores amarelas do ipê de maio, às vezes, ou junho, até setembro e até novembro, como já vi algumas vezes. Espetáculo garantido por meses e meses.

Recentemente tivemos a florada dos brancos e, nessa viagem, descobri com alegria que muitos ipês-brancos estão em
plena florada. Mas o que marcou, de fato, esses dias, foram os ipês-rosa.

Num bairro de Campinas, próximo ao ramal da Bandeirantes que dá acesso à Anhanguera, há vários deles. Mas os mais bonitos, sem dúvida, são os que estão na entrada de Araras, dos dois lados da pista, inclusive com alguns brancos també
m em floração de mistura. São árvores grandes, encorpadas, bonitas em qualquer situação, mas que carregadas de flores ganham uma beleza toda especial.

No haras da Monika, perto do sítio, um ipê-rosa decora o piquete do Kaliman, o belo cavalo BH que ela montou por anos e anos e agora está tranquilamente aposentado.


Um pouco mais adiante, olhando por entre a cerca-viva de sansão-do-campo, enxergamos o magnífico ipê-rosa que embeleza a sede do sítio do ‘seu’ Nelson.

A beleza dos ipês diminui ou deixa menos relevante a florada das ficheiras, que é bonita, também, porém mais singela,
mais simples, sem a magnificência de uma florada plena de um ipê de qualquer cor. ‘Tadinhas’ das ficheiras.

Não importa que a gente ande sempre pelos mesmos caminhos, a verdade é que o mesmo caminho nunca é o mesmo de um dia para o outro.


Se olharmos em volta com interesse veremos algo diferente a cada dia.

Essa coisa de mesmice é bobagem e só existe na cabeça de quem não quer ver que o novo está presente todo dia em toda parte.

Mas há que olhar para enxergá-lo.


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sábado, agosto 16, 2008

...as flores

Para ninguém dizer que no post anterior prometi flores e não falei, tampouco mostrei-as, substituindo-as pelos bezerros, aqui vão muitas, inúmeras flores.




Nessa época do ano a Via Anhanguera pode ser chamada, quase literalmente, de Rodovia dos Ipês, principalmente de Araras em diante. É uma festa para os olhos, que começa com a florada dos ipês-roxos, seguidos pelos diversos ipês-amarelos, que florescem desde final de junho e começo de julho, até meados de setembro. Seu auge, porém, parece dar-se nesse momento. À medida que os quilômetros se sucedem, os borrões amarelos fortes, vivos, quentes, contrastam com o verde dos pomares de laranja e com o tom cinzento que recobre os horizontes, típico desse período seco. Até choveu bem nos últimos dias, se pensarmos que estamos em pleno agosto, mas não o suficiente para limpar o horizonte.

Agosto é o mês em que florescem os mais belos de todos os ipês, os brancos. Há poucos ao longo da rodovia e o primeiro que aparece é o que fica na entrada de Leme. Há alguns anos vejo esse ipê e penso em fotografá-lo, sem nunca conseguir. Sua florada tem uma duração curta e sua beleza é passageira, fugaz, dura poucos dias e depois fica somente a árvore esperando a nova folhagem para a primavera.

Ontem, finalmente, consegui fotografá-lo, mas não no melhor ângulo e tampouco no melhor horário. Não importa, já foi bom, muito bom.



Esse ipê em particular não é alto, é até meio baixo, embora já tenha uma boa idade. Mais adiante, depois de Santa Rita do Passa Quatro, há vários ipês-brancos do lado direito da estrada, como esse, mas numa área rural, sem fiação elétrica e sem defensas ou construções a poluir os arredores. O tempo sempre apertado nem me permitiu lembrar dessas outras árvores e, quem sabe, estimular-me a esticar minha viagem mais uns 40 quilômetros entre ir e vir, e fazer umas fotos mais bonitas, numa paisagem mais agradável. Quem sabe no próximo ano?


Como não poderia deixar de ser, mesmo aqui, ao seu lado, um ipê-amarelo mostra suas flores.


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sexta-feira, junho 13, 2008

Estação das flores, agora

Em plena boca do inverno?

Exato! Por incrível que pareça, final de outono e todo o inverno, até o começo da primavera, é para mim uma verdadeira estação das flores. Talvez por causa da floração dos ipês-amarelos, roxos, brancos e rosas.


A caminho do sítio, a Via Anhanguera é uma festa roxa nesse momento. Ou já foi, pois a florada do ipê-roxo e de seus primos não é muito persistente.

Há duas semanas, em nossa última viagem, algumas árvores estavam cobertas pelas flores roxas, enquanto outras já mostravam parte dos galhos, que ficarão expostos até o começo das chuvas. Amanhã ainda é possível que vejamos os ipês-roxos retardatários.

Se acontecer, vou parar o carro e “perder” alguns minutos, olhando, andando, procurando um bom ângulo para uma foto.


Agora já dá para fotografar de novo, com o retorno da minha câmera das terras e águas de Malásia, Indonésia, Cingapura e África do Sul, por onde ela perambulou a tiracolo de minha filha e meu genro. Estou certo que minha brava H 7 ficará feliz em voltar a fotografar flores, vacas, gatos e pastos, depois de uma verdadeira overdose de ondas, ondas, ondas e surfistas.


Não são apenas os ipês que dão o ar da graça nessa época.

Tem o cipó-de-são-joão, cobrindo barrancos, cercas e até arvores.




No (tentativa de) jardim do sítio, as russelias, diademas e grevíleas já estão a postos, recebendo os beija-flores, assim como os camarões e algumas unhas-de-vaca nos arredores.



O que também gosto nessa época do ano é que os beija-flores são mais visíveis, talvez por não haver muita abundância de flores nas matas, o que faz com que eles visitem os jardins com mais freqüência, facilitando as fotos.




Nem vou falar das temperaturas de outono e inverno, devidamente aproveitadas com vinho, sopas e fondues. Ou melhor, até falarei, mas não agora. Enquanto não faço novas fotos “modelo 2008”, deixo algumas de 2007.



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quarta-feira, maio 14, 2008

Ambiente ao deus-dará

Dona Marina pediu as contas e foi embora. Assim, de repente.

Discordo de muitas coisas de sua ação e omissão como ministra, mas reconheço nela uma batalhadora pela preservação da floresta, principalmente. Nesse ponto o país perde. Mas ganha, na minha opinião, na questão dos transgênicos, que sempre foram combatidos de forma extremada por ela e seu ministério. Um verdadeiro paradoxo, pois os transgênicos permitem a prática de uma agricultura de alta produtividade com menor dispêndio de energia, aqui entendido tanta a energia propriamente dita, na forma de combustíveis e eletricidade, mas também a energia em seu contexto mais amplo.

Ganha o país na questão do etanol e dos biocombustíveis, mas é um ganho perigoso se não houver fiscalização e controle na expansão das áreas cultivadas.

Perdemos, porém, na questão das hidrelétricas na Amazônia. Ainda agora não consigo enxergar com bons olhos as hidrelétricas de Rondônia e, fora de qualquer discussão, Monte Belo, no Alto Xingu, é apavorante, apesar de promessas de baixo impacto e coisa e tal. Para mim não cola.

Quem sabe o país ganhe com a chegada de alguém que ponha o dedo nas feridas ambientais provocadas por militantes ditos “sem terra” e índios? Utopia, ninguém vai mexer com esse pessoal.

Essa minha visão não é “assassina” ou coisa que o valha, é simplesmente realista.

Os invasores messetistas devastam todas e quaisquer áreas, ignorando solenemente compromissos de preservação de 20, 30, 50 e até 70% da área. Abastecem, de forma legal e “legal” o comércio de madeira em muitas regiões, mesma prática adotada por muitas tribos indígenas, hoje muito mais plugadas em antenas parabólicas do que em andar pelados, caçando e pescando com arco-e-flecha. Foi-se o tempo.

Uma área é certa que seguirá perdendo de goleada: a transposição do São Francisco. Nessa, ninguém mexe, é absolutamente intocável, a “grande pirâmide” de Luiz Inácio. Dona Marina omitiu-se vergonhosamente. Isso, tirou-me quase todo o respeito que eu tinha por ela, sobrou apenas o respeito básico devido a todo ser humano e um pequeno respeito por algumas ações, sempre ligadas às florestas.

Agora é ver o que virá. Essa é mais uma demonstração que Lula faz o Governo Lula, jamais o governo que seus defensores imaginavam. Mas isso todo mundo já sabe há muito tempo. Quanto ao ambiente, continuará como sempre ao deus-dará.


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segunda-feira, abril 28, 2008

Delenda Itaipu


No Senado romano, pouco menos de dois séculos antes de Cristo, Catão terminava seus discursos com uma frase que ficou célebre:

“Delenda Carthago”

Hoje, qualquer bom jogador de vídegame e com algum poder de observação e inteligência, traduziria a frase sem maiores problemas:

“Deleta Carthago!”

E estaria correto, eis a verdade. Porque a raiz de to delete é latina – delere e deletum, o verbo e seu particípio passado – e o português nada mais é que uma derivação do latim, assim como boa parte do inglês. Apesar disso, dizem as autoridades lingüísticas brasileiras que não é recomendável usar o verbo – já é um verbo, ao menos em minha opinião – deletar. Os dicionários e seus autores e, com certeza, aquele deputado que insiste em dar um fim ao uso de palavras estrangeiras em nossa língua –– indignam-se com tamanho estrangeirismo.

Antes de avançar no assunto, um pequeno parênteses: a depender da vontade do nobre parlamentar – tão atarefado com os problemas desse imenso bananal que permite-se ao luxo de desfilar pelas dependências de seu clube do coração abraçado a um dos pais do famoso, burro e há muito sepulto Plano Cruzado – a nós, brasilianos, somente seria permitido falar o mais puro e intocado tupi-guarani, pois nem o nheengatu do Brasil Colônia seria admissível, posto que contaminado por lusitanismos e latinórios diversos. Com certeza, herança deixada por Anchieta, Nóbrega e outros doutos jesuítas que d’além-mar para cá vieram com a Verdade e a Palavra, além de muitas roupas, para civilizar essa Terra de Vera Cruz. Percebe-se, a uma simples mirada, que apenas conseguiram barbarizar o que já era civilizado.

Deletem tudo isso de suas cabeças, pois voltaremos agora ao fio da meada desse texto: “Deletem Carthago!” Como a grande e guerreira cidade-estado da norte-africana margem do Mediterrâneo é só uma lembrança em livros de história e blogs metidos a besta, vamos de uma vez por toda à razão de ser desse texto, ou post, dependendo de onde você o lê, leitora amiga, leitor idem.

Deletem Itaipu!

O novo presidente paraguaio, Dom Lugo, e o “dom” aqui tem duplo sentido, quer porque quer que o Brasil aumente uma barbaridade o preço da energia produzida por Itaipu. Pelo menos 500% de aumento!

O governo bananeiro de Brasília, diz que não pagará um centavo a mais. Quando muito, poderá antecipar pagamentos como prova de amor & carinho pela terra guarani, dessa forma dando uma mãozinha ao governo do país-irmão em sua busca pela felicidade, dólares, euros, ienes, rublos e até reais – não me perguntem em que ordem devem ser citados esses fatores.

Temos um impasse à vista, algo mais chato e que será mais discutido que o gás do Palestra Itália e a falha do juiz no último jogo, qualquer que seja ele. Muito mais chato, até, do que ler a respeito dos múltiplos e indecentes acordos políticos unindo Aécio ao PT, Serra e Kassab ao Orestes. Haja estômago para tanta porcaria.

De um modo ou de outro, com a eleição de Dom Lugo e antes mesmo de sua posse, temos um impasse nesse momento.

Como resolvê-lo?

De preferência, é bom dizer, antes que certo coronel venezuelano arribe em Assunção e resolva peitar o bananal a bordo de seus espetaculares Sukhoy 35.

Para mim a resposta é simples:

“Delenda Itaipu!” – e não se fala mais nisso.

Deletem Itaipu e dêem-nos de volta as portentosas Sete Quedas, que tive o prazer de visitar pouco antes do fim, alguns dias antes do trágico acidente que vitimou um grande número de pessoas que cruzavam uma das suas assim chamadas “pontes”.

Acabemos com o imenso e barrento lago, local preferido por onze de cada dez contrabandistas como rota para seu enorme comércio. O destino de Itaipu, não muito distante já (lembro-me que foi feito um estudo no início dos oitenta, que apontava 2025 como data-limite para seu uso pleno), é a inviabilidade operacional por conta do gigantesco assoreamento de que é vítima a cada nova estação chuvosa. Talvez por conta do maravilhoso plantio direto, prática agrícola que elimina a aração e gradeação e em conseqüência reduz muito, e até elimina as perdas de solo pelas chuvas e ventos, a barragem e sua represa monstruosa tenham ganho alguns anos de lambuja. Mas não há salvação no horizonte, essa é a verdade. Então, antecipemos o seu fim. Quero as Sete Quedas de volta

Melhor isso do que uma nova Guerra do Paraguai.

Quanto à substituição da energia gerada por Itaipu é simples: construam-se cinco ou seis centrais nucleares de médio porte espalhadas pelas áreas de maior consumo e pronto, está resolvida a questão e, como brinde, ganhamos o fim do monstrengo chamado “linhão de Itaipu”. A paisagem agradece.

Ah, energia nuclear é ruim e vai levar à destruição do planeta?

Ok, sem problemas. Voltemos às tabas, malocas e cavernas e não se fala mais nisso.


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domingo, março 16, 2008

Blablablá glamoroso e os OGM

Bom dia, boa tarde, boa noite, boa madrugada, quem sabe.

Ando em falta com esse Olhar Crônico, lamento e peço desculpas.

Vida atribulada é a melhor e também a pior resposta, mas verdadeira.

Dia 8 último, o Dia Internacional da Mulher, um grupo de “companheiras”, grávidas à frente, empunhando foices e enxadas invadiram a estação da Monsanto em Santa Cruz das Palmeiras, pertinho do Sítio das Macaúbas, e local onde já gravei inúmeras vezes para a Monsanto. O motivo da invasão: depredar instalações e áreas de testes com variedades de milho transgênico.

Muita gente, principalmente entre os “companheiros e companheiras”, mas também fora do mundinho deles, é contrária aos organismos geneticamente modificados, ou, popularmente, plantas transgênicas. Curiosamente, isso é, para mim, uma enorme contradição, tanto em termos presentes como futuros. Uma variedade modificada geneticamente apresenta grandes vantagens em relação a variedades comuns. No caso das plantas de milho e algodão, por exemplo, resistentes a alguns insetos (lagartas), elas permitem a não aplicação de muitos milhares de litros ou quilos de venenos diversos destinados ao combate dessas pragas. Ora, ao evitar essas pulverizações, o ambiente, chamado no Brasil de meio ambiente, é preservado, deixa de ser atingido por agentes poluidores. Esse é apenas um exemplo entre muitos.

Em todo o mundo a população rural diminui a olhos vistos e em velocidade acelerada. Trabalhar no campo, glamour à parte, é muito ruim, é muito cansativo, é totalmente desprovido de charme e de valor.

Essa é a verdade. Raras são as pessoas urbanas que dão valor de fato às lides agrícolas. A maioria enxerga nelas uma condição de atraso de vida, uma atividade destinada a pessoas sem capacidade ou habilitação para “vencerem” e ganharem dinheiro nas cidades. Pior: grande parte dos rurícolas se enxerga da mesma forma, o que é muito triste. Além disso e muito pior que isso, a cidade desvaloriza o produto do campo e super-valoriza seus próprios produtos. As relações de troca campo-cidade sempre foram e estão cada vez mais desequilibradas.

Há uma falsa ilusão, propagandeada principalmente por urbanóides que nunca pegaram no cabo de uma enxada, que felicidade é ir pro campo e produzir alguma coisa, às custas da reforma agrária governamental, e, naturalmente, sem usar venenos e produtos químicos.

Triste ilusão na qual milhões acreditam. Pior ainda, acreditam que a humanidade, a caminho de seu sétimo-bilionésimo habitante, pode ser alimentada, vestida, abrigada, protegida, dessa forma. Lamento, mas tal coisa é impossível. Só seria possível se ao invés de sete bilhões, fôssemos apenas uns quinhentos milhões, no máximo, bem distribuídos por todas as terras agricultáveis do mundo. Mesmo assim... Sei não, acho que duzentos milhões seria um número mais factível.

É nesse cenário que surgem as plantas transgênicas, os “ogm” – organismos geneticamente modificados.

Eles permitem e permitirão cada vez mais, a produção de mais alimentos com menores dispêndios de energia. Nossa sobrevivência, e isso é uma certeza minha, está atrelada aos avanços genéticos aplicados à produção de alimentos. Refiro-me, claro, à nossa sobrevivência com um mínimo de dignidade e barriga cheia.

É contra isso que as pobres “companheiras” grávidas foram levadas, iludidas, a empunhar foices e enxadas para invadir e destruir mais uma estação de pesquisas. Infelizmente, temos também nossos fundamentalistas, tão toscos e ignorantes quanto os fundamentalistas muçulmanos e os fundamentalistas de Bush.

Para mim, e desculpem o termo, é tudo da mesma laia, é tudo a mesma corja.

Nosso futuro depende da preservação dos recursos naturais fundamentais, como ar, água e terra, ao lado da produção de mais e melhores alimentos em abundância, suficientes para todos. Plantas transgênicas e preservação da natureza não são antagônicas, muito antes pelo contrário.


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terça-feira, março 04, 2008

Grandes loucuras, grandes cidades


Esse post é, em parte, uma resposta aos comentários – muito interessantes – do Carlos Emerson Jr. e do Guido Cavalcante.

Caro tocaio (descobri esse termo gaúcho para xará no imperdível “Os Varões Assinalados”, o romance da Guerra dos Farrapos escrito por Tabajara Ruas, autor também, entre outros, de “Netto Perde Sua Alma”), à São Paulo não basta ter a montanha de gente que comentamos em post anterior. No último dia 21 de fevereiro a cidade atingiu a marca de 6 milhões de veículos registrados, fora a frota dos demais municípios da região metropolitana e mais os itinerantes. Sem falar na enorme quantidade de veículos registrados no Paraná e agora também em Tocantins, para pagar IPVA de menor valor.

E, não por coincidência, o caderno Metrópole do Estadão de hoje, traz como manchete o aumento no congestionamento matinal, sempre pior que o vespertino. Realmente, já há alguns meses a gente percebe uma demora ainda maior para ir a qualquer lugar entre as seis e quinze e dez horas da manhã. Isso não é exagero. Depois das seis e meia, todas as vias paulistanas de alguma importância já estão com trânsito parado.

Há 20 anos, digamos, quando o número de veículos girava ao redor de dois milhões ou pouco menos, o total de quilômetros de avenidas, vias expressas e ruas de grande circulação era pouca coisa menor que o número atual, quase o mesmo, na verdade.

Como os carros, ônibus e caminhões multiplicaram-se por três, temos congestionamentos que não se sucedem, já são permanentes.

Dirigir em São Paulo nas manhãs e tardes de sábado é certeza de irritação. Imaginamos um dia tranqüilo, sossegado, trânsito fluindo e... Nada. Tudo quase igual a um dia útil. Hoje, o único bom momento que resta para se dirigir com prazer em São Paulo é a manhã de domingo. Pelo menos por enquanto.

E, como você disse, xará, a insanidade move-se para as cidades pequenas. A própria Santa Rita do Passa Quatro tem lá seus “congestionamentos” também.

Guido, de um lado você é pessimista, com viés para realista.

Por outro, porém, é extremamente otimista. Não acredito que consigamos dominar nenhuma forma de transporte em algo próximo à velocidade da luz em menos de dois, quem sabe três séculos. Mas, sei lá... Tudo parece possível ao engenho e arte do moderno macaco-sem-pelo.

Apesar de todos os pesares, encaro, ainda, com relativo otimismo o futuro.

Acredito, ainda, que conseguiremos contornar ou amenizar os problemas mais graves e tenebrosos, exceto, muito provavelmente, a corrupção tupiniquim, algo que persistirá mesmo depois de árabes e israelenses andarem de braços dados – sem algemas – pelas ruas livres de uma futura Jerusalém.

Apesar da crueza, gostei do poema. Dê mais informações a respeito, por favor.

Abraços a ambos.


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quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Eu estarei fora...

... dessa monstruosidade de 19.600.000 habitantes que será a Grande São Paulo em 2010.

Não que hoje, com apenas 18.800.000 habitantes, ela já não seja monstruosa, pois é e muito. Qualquer aglomerado urbano com mais de um milhão de habitantes já merece o rótulo de monstruosidade.

Esses dados fazem parte do documento Perspectivas Mundiais de Urbanização, produzido e distribuído pela ONU, que foi lançado ontem. O planeta como um todo caminha inexoravelmente para uma brutal urbanização, e já nesse ano de 2008 mais da metade dos seres humanos moram em cidades. Em 2050 esse número deverá ser superior a 9 bilhões de habitantes.

Como informação e para pensar um pouco, eis a lista dos maiores aglomerados urbanos do mundo:


Em 2008:

Tóquio 35,7 Milhões de habitantes

Nova York 19

Cidade do México 19

Mumbai 19

São Paulo 18,8



Em 2010:

Tóquio 36,1 Milhões de habitantes

Mumbai 20,1

São Paulo 19,6

Nova York 19,4

Cidade do México 19,4



Em 2025:

Tóquio 36,4 Milhões de habitantes

Mumbai 26,4

Delhi 22,5

Dacar 22

São Paulo 21,4

Enquanto isso, outras monstruosidades continuarão crescendo em terras tupiniquins, embora o verbo mais adequado seja inchar.



Em 2025:

Rio de Janeiro 13,4 Milhões de habitantes

Belo Horizonte 6,7

Porto Alegre 4,6

Recife 4,3

Naturalmente, os governos em todos os seus níveis – federal, estaduais e municipais – ignoram essa realidade futura. Não a desconhecem, longe disso, mas preferem ignorá-la porque não conseguem lidar sequer com o dia de hoje, que dizer com o futuro remoto – que chega numa velocidade impressionante, fazendo com que futuro remoto aplique-se somente a qualquer coisa lá para o século XXII. Infelizmente, o futuro já é hoje e nós não estamos preparados para ele, como tampouco estivemos preparados para o ontem.

Minha casa tem recebido visitas em boa quantidade. São Paulo já nos deu o que tinha que dar. Nós também já demos a São Paulo o que podíamos e estou certo que darei muito mais a essa cidade que, apesar de tudo, é a minha e amo de paixão, estando fora dela, produzindo leite e seus derivados.

Aglomerados urbanos são centros geradores de desequilíbrios em todos os sentidos, são centros geradores de doenças, tanto as físicas como as que atacam a alma. Não que o campo, plácido, bucólico, idílico – tudo falso – também não o seja, mas sem dúvida superpopulações não são benéficas. Já virou lugar comum falar dos inúmeros estudos mostrando como superpopulação afeta radicalmente o comportamento de diferentes animais. Frangos e galinhas bicam-se terrivelmente, até a morte. Porcos partem para o canibalismo. Bois confinados praticam sodomia. Ratos se matam uns aos outros. A lista é longa e muito triste.



A volta ao campo é uma saída?

Não.

A vida no campo é extremamente dura quando comparada aos padrões urbanos. Poucas são as pessoas que gostam de viver no campo, inclusive no próprio campo, onde o sonho dominante é morar na cidade e ter à mão tudo de bom que a civilização proporciona.

Triste engano, é claro. Mas o ser humano adora o engano e vive de sonho.

Com os homens públicos que temos, com suas visões míopes e imediatistas, sem falar no quanto dessas visões é afetada pela corrupção, continuaremos desprovidos de programas que visem ao bem-estar dos “povos das cidades”.

Enquanto isso, em busca de seu próprio bem-estar, os “povos das florestas” seguem fazendo sua parte, abrindo buracos gigantescos na cobertura verde e inchando os aglomerados urbanos no meio do nada.

Esse, contudo, é outro assunto.


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quinta-feira, dezembro 27, 2007

Cunha, belezas e feiúra

(Esse post repete, um pouco, o de 5 de agosto de 2007. )




A igreja é antiga, as datas na torre contam um pouco de uma história que começou no século XVIII, ainda.

O café ainda não era uma realidade, sequer conhecido era. Algumas décadas passariam até sua chegada aos morros do Vale.





Com o café veio o dinheiro farto, abundante.
Todo mundo enricou.
Não, Cunha e o Vale do Paraíba estão no Brasil, portanto, alguns poucos enricaram.
Belas casas, belas sedes de fazendas, belas igrejas foram alguns dos resultados do dinheiro do café.



A nova face da igreja combina com os novos tempos de Cunha: beleza nas construções, combinando com a paisagem, trazendo os turistas das grandes cidades.




O céu do inverno seco, do qual o ipê é testemunha, fecha o pacote de uma das muitas belezas de Cunha.



Aqui já teve café.

Antes, porém, era tudo mata, Mata Atlântica.

Foi derrubada e queimada e o café foi plantado.


O café exauriu esses morros e em seu lugar vieram pastos, cada vez mais fracos, cada vez sustentando menos gado, cada vez mandando mais terra para os cursos d'água nas enxurradas.

Essa é a herança triste e empobrecedora do café.

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Caos – s.m.


... 3 – mistura de coisas em total desequilíbrio; desarrumação, confusão.

Assim define, entre outras, o Houaiss. Eu, particularmente, gosto de “total desequilíbrio”, pois é a definição que melhor se aplica, em todos os sentidos, à cidade de São Paulo e, particularmente, ao seu trânsito e ao número de veículos que ela abriga. Nesse ano que ora termina, a megalópole cresceu a bagatela de 330.000 novos veículos em sua frota. Deslocar-se de carro por suas ruas e avenidas não é aventura, é suplício, é tormento, é provação.

São Paulo hoje tem menos de dois habitantes para cada veículo registrado. Antes de ser prova de riqueza, é prova de burrice extremada, desleixo e desespero. A burrice extrema e o desleixo idem referem-se às autoridades de anteontem, ontem, hoje e, com certeza, amanhã. O desespero fica por conta dos paulistanos que só enxergam no carro próprio um meio relativamente decente, menos desconfortável e menos inseguro para se locomover.

Enquanto a cidade cresce 330.000 veículos, seu sistema viário não deve ter aumentado nem 10.000 metros. Aliás, o ideal seria até o oposto, que parte do sistema viário revertesse à condição de solo coberto por vegetação pura e simplesmente. Como isso é utópico, resta uma obviedade: se os locais por onde os carros trafegam não aumentam, e como o número de carros aumenta, e aumenta muito, teremos mais carros ao mesmo tempo nos mesmos lugares, resultando em congestionamentos mais e mais monstruosos e uma situação ainda mais caótica.

A prefeitura já pensa em ampliar a restrição de circulação de veículos, que hoje proíbe o trânsito de dois finais de placa a cada um dos dias úteis da semana. A hipótese que se considera, agora, é simplesmente mais que dobrar essa restrição, permitindo a circulação de placas com final ímpar num dia e final par no outro, alternadamente. Duvido que isso vá resultar em grandes benefícios. A única chance de realmente melhorar a situação, deixá-la mais próxima de algo com cara civilizada, é criar uma situação em que os próprios donos de veículos convençam-se que é melhor usar um meio de transporte coletivo para seus deslocamentos.

Utopia...

Vida longa ao caos. Não que eu deseje, mas é o que teremos.


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domingo, dezembro 09, 2007

Hora do banho


Essas fotos foram feitas na chácara em que moram meus sogros, em Santa Rita do Passa Quatro.

Nos dias de muito calor a rapaziada penosa faz fila para tomar banho... e se esbaldam. Literalmente.














Pô, que sacanagem!
Gastaram toda a água daqui!

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Ecologicamente diversificado e bem localizado



Esse título parece pretensioso, principalmente porque refere-se ao Sítio das Macaúbas, mas é verdadeiro.
Santa Rita do Passa Quatro está localizada numa região muito interessante do estado de São Paulo, em seu centro-norte,
numa área conhecida como Terras Altas Paulistas.
Salvo engano, e tirando o trecho meridional do estado, essa é a região mais alta do planalto que ocupa a quase totalidade do estado,
excetuando as regiões serranas, naturalmente.

O sítio, em particular, está numa altitude superior a 700 metros acima do nível do mar, e essa característica nos traz dias quentes e noites frescas ou frias em boa parte do ano.
Para as plantas, isso é benéfico para a maioria, e assim podemos plantar e colher frutas d
e clima temperado como pêssegos, uvas e peras, bem como mangas, típicas dos climas tropicais. As minhas atuais meninas-dos-olhos são dois pés de castanha-portuguesa, e torço muito para que se desenvolvam e frutifiquem bem.

Santa Rita do Passa Quatro não tem araucárias, aparentemente. Tampouco as tem São Carlos do Pinhal, a menos de 75 km em linha reta, e altitude semelhante.
Mas elas lá existiram em tão grande quantidade que deram o nome à cidade.
O progresso, a abertura das matas para o plantio de café, a urbanização, tudo isso levou ao desmatamento de toda a região. As araucárias foram vítimas prioritárias, dada a qualidade de sua madeira, e foram, praticamente, extintas.
Acredito que restem algumas resistentes nativas po
r ali, e seria maravilhoso se houvesse um trabalho de recuperação dessas plantas fantásticas e bonitas.

Há um programa a respeito em desenvolvimento no estado, mas parece-me que para as áreas do sul e da Mantiqueira.
Seria bom que ele englobasse, também, as araucárias da Serra do Mar e as sobreviventes dessa região central, pois seus genes são
diferentes e geraram árvores adaptadas a condições ecológicas distintas das existentes na Mantiqueira e na parte sul do planalto.

Plantei algumas no sítio, cerca de doze.
Duas não se desenvolveram e outras foram “assassinadas” pelos bezerros novinhos, graças à nossa inexperiência.
Não sei, entretanto,
qual a procedência genética das mudas plantadas.

Plantei-as no sítio - como essa da foto, ainda faltando alguns anos para abrir a copa típica - porque acredito que, no passado, Santa Rita do Passa Quatro também foi lar de araucárias nativas, até porque temos muitas gralhas, e todos sabem que as gralhas têm importante papel na disseminação dessas plantas, “colhendo e enterrando pinhões para uso futuro”.
Na verd
ade, tal como as maritacas e outras parentes tagarelas, elas pegam pinhões e deixam-nos cair, parcialmente bicados, mas sem afetar seu poder germinativo, pelo contrário, estimulando a germinação.

Se as araucárias e seus pinhões são uma incógnita, o mesmo não ocorre com as plantas do cerrado e as plantas da Mata Atlântica e sua “irmã-de-sangue”, a floresta latifoliada da Bacia do Paraná.
Um passeio atento pela minúscula área do Sítio das Macaúbas é o bastante para revelar habitantes famosos desses dois ecossistemas. Vamos conhecer alguns, a maioria deles cerradenses.

O primeiro, faço questão, é o pequi. No sítio restou um só pé de pequi, bem na beira do asfalto para meu desgosto e irritação.

Ele não é muito desenvolvido, e está misturado com outras árvores, mas dá conta do recado e até produz bem.

Esse ano, novamente, ele está com uma boa carga e eu, uma vez mais, estou ansioso à espera que amadureçam para poder colhe-los, pegar as sementes e formar algumas mudas.

Muita gente desconhece o fato do pequi também ser nativo no cerrado paulista, que começa pertinho do sítio, na região de

Piraçununga ou Pirassununga. Por sinal, os primeiros trabalhos científicos sistematizados e de longo prazo sobre o cerrado, começaram no Cerrado de Emas, a região em torno da Cachoeira de Emas, no Rio Mogi-Guaçu, onde, por sinal, além de estações de pesquisa do Estado, tem, também, um dos campi da USP.


Outro cerradense típico e nativo nosso é o araticum também chamado de marolo.



Ele nasce no meio dos pastos, mas o gado, sempre se coçando, raramente deixa algum pé ir pra frente.


Esse pé (na verdade uns três ou quatro juntos) aqui ainda tem muito que crescer.

Foi com pesar que vi esse belo fruto caído no chão.

Ainda no dia anterior ele estava firmemente preso à árvore, mas os ventos de uma tempestade vespertina jogaram-no no chão.

Reparem que nessa foto do fruto

na árvore tem, ao fundo, à esquerda, uma flor.
O novo florescimento e

o amadurecimento dos frutos da safra anterior coincidem, e há um ano entre um e outro.


Agora o fruto cortado ao meio. Esse pesava cerca de trezentos gramas.

Seu gosto e perfume são muito doces, um pouco enjoativos, mas a passarinhada e bichos diversos de pelo apreciam-no muito.

Dizem que é muito bom

para fazer suco, mas não tentamos.

Quem sabe na próxima safra?


Jatobá-do-campo, outra planta típica do cerrado, outro habitante do Sítio das Macaúbas.


Sua sombra é espetacular, pois é fresca e agradável, ao contrário da sombra de muitas outras árvores, como as grandes mangueiras.
Isso acontece porque o interior de sua copa é bem vazio, permitindo ampla circulação do ar mais quente ao nível do solo, que está sempre subindo.

Essa é outra planta que merece ser protegida e propagada, ao contrário de seu primo, o jatobá, bem mais comum.


Um velho jatobaseiro é sempre uma árvore imponente pelo porte e pela beleza. Esse aqui não foge à regra, postado bem na divisa do Sítio das Macaúbas com o Sítio Mandarim. Reparem que à frente dele tem outras duas plantas importantes: uma palmeira macaúba ainda bem jovem e depois um exemplar de pau-brasil, já com alguns anos de vida, mas crescendo direitinho.

A macaúba foi plantada por alguma arara ou outro bicho, já o pau-brasil foi uma das primeiras árvores que plantei no sítio. Eram dois pés, na verdade, mas um morreu.

O fruto do jatobá é bem conhecido, acredito, com seu cheiro, gosto e consistência bastante típicos e facilmente reconhecíveis.

Os macacos gostam muito dele, assim como os bichos de penas de maior porte e bico forte.



Bons representantes das matas atlântica e latifoliada, são a copaíba e o jequitibá, mas esses deixo para mostrar mais pra frente, assim como outras árvores, inclusive do cerrado, que tem uma flora riquíssima e diversificada.


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domingo, novembro 25, 2007

Limpeza, silêncio e aquecimento global na Paulicéia

Pois é, ninguém dava muita bola para as promessas do prefeito, primeiro o Serra, depois o Kassab, mas os resultados são visíveis ou não audíveis, num caso e noutro.



Cidade Limpa

Eu mesmo estou espantado com a aparência nova da Paulicéia. Trafegar pela Avenida Rebouças continua chato e irritante, pois, tirando as madrugadas, ela vive congestionada, inclusive os túneis “da Marta”, que para nada servem e muito caro custaram. Bom, dizem que para alguma coisa serviram e essa “alguma coisa”, dizem, apenas reproduzo, estaria ligada ao tão alto custo. Tão alto que o Serra bloqueou os pagamentos e pediu uma averiguação no começo de sua gestão. Não sei no que deu, se em alguma coisa deu. Mas, falava de trafegar pela Rebouças, coisa chata como sempre, mas agora muito menos desagradável: a sujeira visual, as inúmeras placas, faixas, cartazes, outdoors, foram varridos para longe de nossos olhos. A avenida está limpa, as casas visíveis, a paisagem existe. Como é importante existir paisagem! Não faz mal que seja de casas e prédios, mas tem que existir.

A limpeza e a paisagem não são exclusividade da Rebouças, longe disso: por todas as partes da cidade por onde andei nos últimos meses, o resultado é o mesmo e o prazer também. Conseguimos até prestar mais atenção em monumentos e obras de arte.

É uma pena que os postes e os milhões de quilômetros de fios e cabos continuem à vista. Tudo seria ainda mais bonito se eles ficassem, como deveriam, embaixo da terra, mas aí já seria pedir demais.

Quem sabe no futuro?



Psiu!

Funcionou. Muita gente anda reclamando, principalmente donos de bares, restaurantes e casas noturnas, mas desde o começo de 2005 o nível de ruído nas noites paulistanas diminuiu. Também diminuiu a atividade noturna, ou melhor, está acabando mais cedo.

A atividade noturna não está proibida, mas apenas o barulho excessivo por ela gerado. Um estabelecimento desse tipo só pode gerar um máximo de 55 decibéis (o barulho de um caminhão – regulado – ou de uma máquina de lavar), ou melhor, só pode deixar “escapar” de seu interior esse nível máximo de decibéis. Para que isso aconteça é necessário que seu interior tenha isolamento acústico. O nome disso é civilização.

A grande reclamação dos empresários da noite é pela proibição das mesas nas calçadas. A lei exige, também, que esses estabelecimentos tenham estacionamento próprio e segurança. Novamente, isso é chamado de civilização em qualquer parte do mundo.

Os moradores de muitos bairros que viraram “da moda” agora podem dormir.

Repetindo, mesmo correndo o risco de ser chato, o nome disso é civilização.



Aumentando o aquecimento global

Prestes a entrar na já citada Rebouças, na hora do almoço de ontem, sabadão, fiquei parado por uma espera de sinal. Olhando para cá e para lá, vi uma cena triste, burra e criminosa: um gari tocando fogo num monte de folhas secas, verdes e mais ou menos, juntamente com papeis e outros resíduos varridos da calçada e do meio-fio.

Ora, tal ação, praticada por um funcionário da municipalidade ou por ela contratado através de empresa prestadora de serviços, é triste por todo o contexto em que vivemos e por tudo que sabemos hoje.

É burra porque o melhor uso para esses resíduos é a reciclagem. As folhas, a grama cortada, os galhos das árvores, as flores que o vento derruba das azáleas, tudo isso é matéria orgânica e seu melhor destino é virar um adubo orgânico por meio de compostagem.
É tarefa fácil e sem mistérios, já efetuada por algumas prefeituras de cidades não muito grandes, por universidades e por milhares de agricultores. Numa cidade como São Paulo, a produção desse composto geraria um rico material para ser usado nas praças e parques públicos, ajudando a recuperar, manter e ampliar as áreas verdes. Custaria caro, sem dúvida, mas há despesas que são caras na aparência e baratas nos resultados. Essa é uma delas, estou certo.

É criminoso porque nenhuma autoridade pública, ainda mais de uma metrópole como a Paulicéia, pode ser agente do aquecimento global. A acreditar nos relatos científicos, e a maioria de nós acreditamos, inclusive nossos representantes eleitos, é dever de todo e qualquer cidadão, e mais ainda daqueles que têm poder e influência, no mínimo não colaborar para o crescimento desse monstro. No mínimo. Ao queimar as folhas, galhos, flores, pedaços de papel e, pior ainda, de plásticos diversos, a prefeitura de uma das cinco maiores metrópoles do planeta está contribuindo para aumentar o aquecimento global.
Além de criminoso, um ato insano.

O mesmo prefeito que tão bem trabalhou pelo visual da cidade e pelo silêncio, precisa, agora, trabalhar também em prol da preservação do ambiente.

Começar por essa coisa tão pequena é um bom caminho.


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