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domingo, fevereiro 08, 2009

Fevereiro, mês de estrada destruída


É tanta coisa que não sei por onde começar.

Vou começar pelo fato de estarmos em mais um fevereiro, evento que se repete todo ano, como bem sabe qualquer pessoa com mais de três ou quatro anos de idade.

Eu disse qualquer pessoa?

Triste engano, políticos são pessoas, mas ignoram esse fato básico que até as folhinhas registram.

Há quatro anos, a passagem da nossa estrada vicinal que liga Santa Rita do Passa Quatro à Santa Cruz da Estrela, sobre o Córrego da Estrela, foi destruída por uma chuva fortíssima. Para quem quiser ver o que aconteceu e o que escrevi, tem um post a respeito: “Carnaval no campo e na roça I”. Foi postado em 9 de fevereiro de 2005 e tem duas sequências.

No ano seguinte, em fevereiro, foi a vez do córrego do Zé da Silva. O bueirão entupiu, como é obvio que aconteça todo ano, a água acumulou-se na baixada, transformando brejo e um pedaço de pasto em enorme lagoa, até que, como sói acontecer desde que o mundo é mundo, a pressão da água venceu a força do aterro sobre o qual passa a estrada e... Lá se foi a estrada. A pouco mais de dois mil metros do desastre anterior.

Depois disso tivemos dois fevereiros sem desastres, não por méritos “prefeiturísticos”., mas por mera sorte. Aqui pertinho da porteira, a uns mil e poucos metros, a água do Rio Clarinho cobriu a estrada, mas o aterro, sabe-se lá por que, resistiu e não ruiu.

Neste fevereiro o desastre voltou, dessa vez no Córrego do Padre, a meio caminho entre este Sítio das Macaúbas e a cidade de Santa Rita do Passa Quatro. A água acumulou, forçou e venceu o aterro. Criou um buraco com quase 14 metros de profundidade.

A força foi tão tremenda que levou de cambulhão pedaços de lajes de concreto pesando toneladas, e torceu e retorceu os tubulões de ferro como se fossem de papel, arrastando-os para longe, também.

A água depositou toneladas e toneladas de areia sobre o pasto do sítio do Mauro e da Pirina, pais do Zé Roberto, que está sempre aqui no sítio para mochar os bezerros e uma coisa ou outra. Eu não vi, mas um amigo contou-me dos dois, olhando o sítio, e chorando.

Por que isso aconteceu?

Porque choveu demais, uma pancada brutal que despejou cerca de 130 mm em uma hora, como soi acontecer em todo fevereiro. Tanta água em tão pouco tempo, deparando com o bueirão entupido, acumulou-se...

O detalhe é que, poucos dias antes disso, o Mauro procurou a prefeitura e disse que o bueiro estava entupido.

Pois é.

Mas, vamos e venhamos, nem era o caso dele falar, certo?

Porque, o certo, o lógico, o razoável, o correto, o honesto, em suma, seria que esses bueiros, esses tubulões, fossem inspecionados regularmente e, claro, fossem limpos periodicamente, digamos, uma vez por ano. Entre Santa Rita e a Estrela, a distância é de 17 quilômetros. Nesse trecho, a estrada passa sobre o Córrego do Rola-Abóbora, depois sobre esse Córrego do Padre, aí vem o Rio Clarinho, seguido pela passagem sobre o Rio Claro, a poucos metros da nossa divisa de baixo; segue-se o córrego que vem da fazenda do Zé da Silva e, finalmente, o Córrego da Estrela.

Aí pergunto: quanto tempo e quanto dinheiro custariam essas inspeções e o envio de uma turma de manutenção, para simplesmente limpar os tubulões? Tirar os galhos que se acumulam e o excesso de areia que fica retida nas entradas dos bueiros? Praticamente nada, menos de um dia de serviço em cada um e custo quase zero para os cofres municipais.

Mas... Já tivemos três desastres e outro que só não aconteceu por sorte.


Daqui a doze meses será fevereiro novamente. Ou melhor, digo, ou pior, ainda estamos em fevereiro, o Carnaval está por chegar, e as grandes chuvas têm particular apego pelos desfiles e fantasias. Nada impede, muito menos a prefeitura desse município, que um novo chuvão brabo destrua mais um trecho de estrada.

Cada vez que isso acontece, centenas de pessoas são profundamente afetadas em suas vidas. Agora, por exemplo, enquanto a prefeitura não providencia uma passagem de emergência, as crianças estão levantando de suas camas às quatro horas da manhã, pois o trajeto para a cidade foi aumentado, subitamente, em mais de vinte quilômetros, a maior parte por estradas de terra. Ou em mais de quarenta, se pegar só asfalto. Sem falar em ambulâncias, caminhões transportando leite, laranja, mercadorias, ou nos ônibus intermunicipais, e por aí vai.

Pois é, tanta coisa pra falar, inclusive que, antes desse Carnaval chegar, estaremos aqui no sítio de mala e cuia, definitivamente.

Porque, antes desse Carnaval chegar, chegará nossa mudança.

Estamos deixando São Paulo e a Granja Viana para trás.

Santa Rita do Passa Quatro é nosso futuro, com a estrada destruída e sem receber pelo leite que entregamos, dia sim, dia não, para o laticínio Nilza.

Faz parte.

quinta-feira, julho 10, 2008

Notícias do 5º e do 1º mundo – aqui mesmo




Formado com 5 tiros

A realidade brasileira é cruel, mas é também irônica e só não é unicamente cômica porque ela é, acima de tudo, trágica.

O soldado da polícia carioca que disparou alguns dos tiros que mataram o garoto João Roberto há alguns dias, na Tijuca, disparou 5 – cinco – tiros durante seu aprendizado. O curso tem a duração de oito meses, apenas, e, segundo alguns policiais, passa-se mais tempo marchando e estudando legislação do que em tarefas relacionadas ao trabalho policial propriamente dito.

Esqueçam tudo que se vê em filmes americanos. Nossa realidade é outra. Nada de disparar centenas de tiros em stands e em cenários simulados, para aprimorar a pontaria e os reflexos, diferenciando a velhinha de oitenta anos de bengala do traficante com um AK 47, não confundindo o garoto correndo atrás da bola com um ladrão de banco com uma 7.65 na mão correndo agachado. Esse tipo de coisa, entre nós, só mesmo nas telinhas dos filmes e séries americanos.

O policial brasileiro não sabe atirar. Não é só o governo carioca que não dá dinheiro para a compra de munição para treinamento. Isso é geral, de norte a sul, do Oiapoque ao Chuí. Um soldado deveria passar dois anos em aprendizado antes de ir para as ruas, na opinião de especialistas. Oito meses, como o caso citado, é exatamente um terço desse período.

Tudo isso sem falar nos salários dos policiais.

Despreparados, no mínimo, os dois policiais dispararam 16 tiros contra o carro em que estava a família de João Roberto.

Quem é mais criminoso? Quem disparou os tiros ou quem manda para as ruas pessoas armadas e dotadas de autoridade sem que tenham a menor condição, seja prática, seja psicológica, de usar uma arma?

Nesse ponto, somos, ainda, 5º mundo.




Segurança de 1º Mundo

O padrão de segurança aceito internacionalmente nos metrôs é de 1,5 ocorrência policial para cada milhão de passageiros. O Metrô de São Paulo atingiu esse índice no primeiro semestre desse ano.

Essa conquista é fruto do trabalho que vem sendo desenvolvido pela operadora do metrô e autoridades policiais nos últimos dez anos. Em 1998 foram registradas 6.500 ocorrências policiais, equivalentes a 9,7 por milhão de passageiros. O ano de 2007 fechou com 1.600 registros, que corresponderam a um índice de 1,9. A continuidade e aprimoramento do trabalho levaram ao índice de 1,5 no primeiro semestre. É bom frisar que no decorrer desses dez anos o número de estações e passageiros aumentou bastante.

Hoje, o maior problema nessa área são os furtos e roubos, que respondem por 48% das ocorrências. Esse tipo de atividade é facilitada pelo grande afluxo de pessoas nas estações-chave: Sé, Barra Funda, Tatuapé, República e Paraíso. Essas cinco estações concentram 42% das ocorrências, deixando o restante para as demais 53 estações do sistema de transporte metropolitano.

Entre as grandes vitórias do pessoal encarregado, está a virtual eliminação de brigas entre torcedores adversários em dias de jogos na Capital. Dias antes de jogos considerados críticos, o pessoal do Metrô e da polícia organiza um verdadeiro “esquema de guerra”, que inclui, além do reforço no policiamento, o monitoramento de sites de relacionamento, como o Orkut, em busca de informações sobre pontos de encontro ou mesmo marcação de brigas. Até mesmo os trens são controlados para que não se encontrem numa estação colocando frente a frente os adversários.

A última ocorrência grave envolvendo torcidas em estações do metrô paulista ocorreu em 2005. O resultado desse trabalho preventivo é considerado tão bom que o exemplo será apresentado em congressos internacionais.

De vez em quando é bom ter alguma coisa boa para melhorar nosso humor e mostrar que com vontade, planejamento e trabalho sério pode-se conseguir melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Até mesmo na área de segurança, mostrando-nos que muitas coisas do 1º mundo não são apenas sonhos impossíveis.



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quarta-feira, maio 14, 2008

Ambiente ao deus-dará

Dona Marina pediu as contas e foi embora. Assim, de repente.

Discordo de muitas coisas de sua ação e omissão como ministra, mas reconheço nela uma batalhadora pela preservação da floresta, principalmente. Nesse ponto o país perde. Mas ganha, na minha opinião, na questão dos transgênicos, que sempre foram combatidos de forma extremada por ela e seu ministério. Um verdadeiro paradoxo, pois os transgênicos permitem a prática de uma agricultura de alta produtividade com menor dispêndio de energia, aqui entendido tanta a energia propriamente dita, na forma de combustíveis e eletricidade, mas também a energia em seu contexto mais amplo.

Ganha o país na questão do etanol e dos biocombustíveis, mas é um ganho perigoso se não houver fiscalização e controle na expansão das áreas cultivadas.

Perdemos, porém, na questão das hidrelétricas na Amazônia. Ainda agora não consigo enxergar com bons olhos as hidrelétricas de Rondônia e, fora de qualquer discussão, Monte Belo, no Alto Xingu, é apavorante, apesar de promessas de baixo impacto e coisa e tal. Para mim não cola.

Quem sabe o país ganhe com a chegada de alguém que ponha o dedo nas feridas ambientais provocadas por militantes ditos “sem terra” e índios? Utopia, ninguém vai mexer com esse pessoal.

Essa minha visão não é “assassina” ou coisa que o valha, é simplesmente realista.

Os invasores messetistas devastam todas e quaisquer áreas, ignorando solenemente compromissos de preservação de 20, 30, 50 e até 70% da área. Abastecem, de forma legal e “legal” o comércio de madeira em muitas regiões, mesma prática adotada por muitas tribos indígenas, hoje muito mais plugadas em antenas parabólicas do que em andar pelados, caçando e pescando com arco-e-flecha. Foi-se o tempo.

Uma área é certa que seguirá perdendo de goleada: a transposição do São Francisco. Nessa, ninguém mexe, é absolutamente intocável, a “grande pirâmide” de Luiz Inácio. Dona Marina omitiu-se vergonhosamente. Isso, tirou-me quase todo o respeito que eu tinha por ela, sobrou apenas o respeito básico devido a todo ser humano e um pequeno respeito por algumas ações, sempre ligadas às florestas.

Agora é ver o que virá. Essa é mais uma demonstração que Lula faz o Governo Lula, jamais o governo que seus defensores imaginavam. Mas isso todo mundo já sabe há muito tempo. Quanto ao ambiente, continuará como sempre ao deus-dará.


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segunda-feira, abril 28, 2008

Delenda Itaipu


No Senado romano, pouco menos de dois séculos antes de Cristo, Catão terminava seus discursos com uma frase que ficou célebre:

“Delenda Carthago”

Hoje, qualquer bom jogador de vídegame e com algum poder de observação e inteligência, traduziria a frase sem maiores problemas:

“Deleta Carthago!”

E estaria correto, eis a verdade. Porque a raiz de to delete é latina – delere e deletum, o verbo e seu particípio passado – e o português nada mais é que uma derivação do latim, assim como boa parte do inglês. Apesar disso, dizem as autoridades lingüísticas brasileiras que não é recomendável usar o verbo – já é um verbo, ao menos em minha opinião – deletar. Os dicionários e seus autores e, com certeza, aquele deputado que insiste em dar um fim ao uso de palavras estrangeiras em nossa língua –– indignam-se com tamanho estrangeirismo.

Antes de avançar no assunto, um pequeno parênteses: a depender da vontade do nobre parlamentar – tão atarefado com os problemas desse imenso bananal que permite-se ao luxo de desfilar pelas dependências de seu clube do coração abraçado a um dos pais do famoso, burro e há muito sepulto Plano Cruzado – a nós, brasilianos, somente seria permitido falar o mais puro e intocado tupi-guarani, pois nem o nheengatu do Brasil Colônia seria admissível, posto que contaminado por lusitanismos e latinórios diversos. Com certeza, herança deixada por Anchieta, Nóbrega e outros doutos jesuítas que d’além-mar para cá vieram com a Verdade e a Palavra, além de muitas roupas, para civilizar essa Terra de Vera Cruz. Percebe-se, a uma simples mirada, que apenas conseguiram barbarizar o que já era civilizado.

Deletem tudo isso de suas cabeças, pois voltaremos agora ao fio da meada desse texto: “Deletem Carthago!” Como a grande e guerreira cidade-estado da norte-africana margem do Mediterrâneo é só uma lembrança em livros de história e blogs metidos a besta, vamos de uma vez por toda à razão de ser desse texto, ou post, dependendo de onde você o lê, leitora amiga, leitor idem.

Deletem Itaipu!

O novo presidente paraguaio, Dom Lugo, e o “dom” aqui tem duplo sentido, quer porque quer que o Brasil aumente uma barbaridade o preço da energia produzida por Itaipu. Pelo menos 500% de aumento!

O governo bananeiro de Brasília, diz que não pagará um centavo a mais. Quando muito, poderá antecipar pagamentos como prova de amor & carinho pela terra guarani, dessa forma dando uma mãozinha ao governo do país-irmão em sua busca pela felicidade, dólares, euros, ienes, rublos e até reais – não me perguntem em que ordem devem ser citados esses fatores.

Temos um impasse à vista, algo mais chato e que será mais discutido que o gás do Palestra Itália e a falha do juiz no último jogo, qualquer que seja ele. Muito mais chato, até, do que ler a respeito dos múltiplos e indecentes acordos políticos unindo Aécio ao PT, Serra e Kassab ao Orestes. Haja estômago para tanta porcaria.

De um modo ou de outro, com a eleição de Dom Lugo e antes mesmo de sua posse, temos um impasse nesse momento.

Como resolvê-lo?

De preferência, é bom dizer, antes que certo coronel venezuelano arribe em Assunção e resolva peitar o bananal a bordo de seus espetaculares Sukhoy 35.

Para mim a resposta é simples:

“Delenda Itaipu!” – e não se fala mais nisso.

Deletem Itaipu e dêem-nos de volta as portentosas Sete Quedas, que tive o prazer de visitar pouco antes do fim, alguns dias antes do trágico acidente que vitimou um grande número de pessoas que cruzavam uma das suas assim chamadas “pontes”.

Acabemos com o imenso e barrento lago, local preferido por onze de cada dez contrabandistas como rota para seu enorme comércio. O destino de Itaipu, não muito distante já (lembro-me que foi feito um estudo no início dos oitenta, que apontava 2025 como data-limite para seu uso pleno), é a inviabilidade operacional por conta do gigantesco assoreamento de que é vítima a cada nova estação chuvosa. Talvez por conta do maravilhoso plantio direto, prática agrícola que elimina a aração e gradeação e em conseqüência reduz muito, e até elimina as perdas de solo pelas chuvas e ventos, a barragem e sua represa monstruosa tenham ganho alguns anos de lambuja. Mas não há salvação no horizonte, essa é a verdade. Então, antecipemos o seu fim. Quero as Sete Quedas de volta

Melhor isso do que uma nova Guerra do Paraguai.

Quanto à substituição da energia gerada por Itaipu é simples: construam-se cinco ou seis centrais nucleares de médio porte espalhadas pelas áreas de maior consumo e pronto, está resolvida a questão e, como brinde, ganhamos o fim do monstrengo chamado “linhão de Itaipu”. A paisagem agradece.

Ah, energia nuclear é ruim e vai levar à destruição do planeta?

Ok, sem problemas. Voltemos às tabas, malocas e cavernas e não se fala mais nisso.


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sábado, abril 12, 2008

Crônica de adoentado


A “marvada” me pegou


Estou derrubado.

O corpo dói, principalmente pernas, garganta e cabeça.

O nariz dá um trabalhão, quando não está aos espirros que provocam dores generalizadas, está escorrendo, ou melhor, querendo escorrer e eu, bom...

Deixa pra lá.

Minha avó, se viva fosse, diria como já disse no passado que “homem é tudo mole, mesmo”. Ela se foi, mas, acreditem, há outras mulheres que falam o mesmo no lugar dela. Não me importo, estão falando a pura verdade, pois essas coisinhas me derrubam mesmo, deixam-me irritado ainda por cima.

Essa marvada gripe tem nome: é a Gripe Dilma.

Pra curar, só com um dossiê de remédios.

Rá rá rá...

Sim, isso foi uma tentativa de risada. Não bastasse estar assim, ainda estou assim por causa da ex-futura-presidente-sem-ser-a-papagaio-de-pirata.

Humpf...

Não creio que seja dengue, meno male. Doencinha besta e velha que está em franca evolução em boa parte do planeta e que vai crescer mais ainda devido ao aquecimento global. É a mais recente previsão da OMS. No Brasil ela parece ter encontrado seu melhor habitat, não por causa de nossas belezas naturais, ou do nosso ambiente, aqui chamado de meio ambiente, ou nossas muitas águas, nada disso. Aqui ela se dá bem à beça por conta da ausência de Governo.

- Ué, como assim, se o que mais temos por aqui são governos?

- Eu disse Governo, companheiro... Governo, entendeu?
Com gê maiúsculo.
Sacou agora? Beleza.

Há vários anos nós - eu e minha equipe - produzimos um belo vídeo com uma proposta interessante. Basicamente, a idéia era que cada prefeitura comprasse um pacote de produtos e ações de uma companhia multinacional. Na linha de frente, os inseticidas contra os vetores da dengue e raticidas. Com esse pacote, uma parte com produtos e algumas ações da empresa, e outra parte com ações da prefeitura, seria criado um programa de trabalho preventivo e educativo nos municípios, atacando diretamente os pontos de infestação. Creio que fizemos esse trabalho ainda no final do século passado, talvez em 99.

Combater a dengue já era uma necessidade mais que evidente. O número de pessoas contaminadas crescia, o combate começava, mas pouco evoluía. O governo federal comprou um monte de coisas, como adora fazer todo governo. Montes de gente em várias partes foram contratados, e com esses montes criou-se uma bela burocracia.

Nada de resultados, porém, e ano a ano a doença espalhou-se à vontade. Hoje, nem vou falar sobre a situação no Rio de Janeiro, que já passou da fase "preocupante" há muito.

Puxa, tomara que eu esteja só com a Gripe Dilma.



46,4 %

Peraí, volto já... O telefone tá tocando.



- Alô! Quem fala?

- Eu.

- Eu quem? É o Emerson?

- Eu, o dono desse aparelho e dessa linha celular.

- É o Emerson?

- Claro que sou eu, pombas.

- Emerson?

- Eu mesmo, reconhece não?

- Ah, reconheci agora, pois meio bobo assim só conheço você.

- Que é isso rapaz, nós estamos falando no meu blog, se liga!

- Como assim falando no seu blog?

- É, eu estou com essa ligação no blog.

- Puxa, que legal.

- Pois é.

- Ué, mas por que você me passou um e-mail pedindo pra te ligar?

- Nada importante, não.

- Como assim?

- Calma, relaxa, liguei pra você só pra você dar uma graninha pro governo.

- Ah, pára com isso, pô! Coisa mais chata.

- Pois é, fica bravo não. Olha, essa nossa ligação tão cheia de conteúdo, demonstrações de amizade e coisa e tal, que está sendo feita do celular, vai custar uns 4 reais pra você, e assim você vai dar dois reais – arredondados – pro governo que você ama.

- Pára de sacanagem e diz logo o que você quer.

- Eu já disse, é só pra você pag... Xiiii, desligou. Acho que perdi o amigo, mas ganhei um post pro Olhar Crônico.


Pois é, estimadíssimas leitoras e, vá lá, estimados leitores. Essa ligação hipotética de um pobre amigo para mim, falando sei lá de onde, custar-lhe-ia por volta de 4 reais. Desses 4 reais, dois teriam ido pro governo.

Porque o bananal é o país com a maior taxação do mundo sobre ligações via celulares. Quase a metade, ou melhor, a metade mesmo da tua conta do telefoninho vai diretinha pros cofres federais.

Dizem que esse dinheirinho abastece as contas, infla os números do superávit primário, o que nos permite viver nesse mundo paradisíaco. Somos o povo, entre as nações com economias com algum destaque, que menos fala ao celular. Todos falam mais que a gente e todos pagam muito menos que nós. As contas médias são mais baixas e o tempo falado é bem maior.

Esses caras de fora são todos umas antas, não sabem ganhar dinheiro mesmo. Deviam estagiar aqui antes de administrarem seus países.

Agora, se me dão licença, tenho que contribuir com os cofres federais, pois tenho alguém para acalmar e trazer de volta para a lista de amigos.

Esse post tá ficando meio caro.


Post scriptum

Meu irmão mora em Nova Iguaçu. Depois de muitos anos no Maranhão e Pará, voltou pro Sul Maravilha. Representa uma empresa paraense que produz polpa de açaí.

Acho legal, a extração do açaí preserva a floresta e preserva o próprio açaizeiro, ao contrário da extração de palmito que mata uma palmeira de 4 metros ou mais para pegar um cilindro de palmito com 40 centímetros de comprimento.

Esse post scriptum é por causa da dengue e não do açaí que meu irmão vende. Explico: ele disse-me que suas vendas diminuíram porque, provavelmente, segundo ele, diminuiu o consumo de gelados. Logo, vende menos açaí.

Pode ser, não duvido de mais nada.

Minha mãe mora com ele. Apesar do calorzinho da Baixada e dela mesma ser calorenta ou friorenta, dependendo mais do humor que do clima, usa calça comprida o dia inteiro e gasta tubos e tubos de repelentes.

Combinamos que, no caso de um deles pegar dengue – cruz credo, tomara que não aconteça! – virão imediatamente para São Paulo em busca de hospital, provavelmente para a minha casa mesmo. A menos que a situação do atendimento médico melhore muito, o que parece difícil pelo que ele contou.

Na Baixada está todo mundo apavorado com a doença do mosquitinho e os hospitais & assemelhados estão lotados, com filas dignas de consulado americano para tirar visto.

É... Welcome to Brazil.

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quarta-feira, abril 09, 2008

Cueca por 1 real...

...usada.

Flashback: toda vez que começo um texto, principalmente para esse Olhar Crônico, tenho que me policiar e controlar fortemente, pois a tendência é escrever “Confesso que...”
Ora, mas que mania besta de confessionário! Confesso, porém, que esse aqui comecei bem diferente - pronto! - mas não deixei de usar o verbinho cuja conjugação na primeira do singular tanto evitava nos tempos das aulas de catecismo. Os únicos, por sinal, que viram-me ligado à religião de maneira formal e, muito menos que isso, presencial, tirando as benditas aulas ainda no primário, pois sem elas não teria primeira comunhão. Ou seja, eu sou daqueles que da missa nunca sabem sequer a metade, ou até parte alguma, pois nunca freqüentei-as de moto e interesse próprios, exceto por motivos políticos em uma outra era já perdida no tempo e nos costumes.

Comprovando que o que mais há nos mármores do inferno é o pessoal cheio de boas intenções, aqui estou eu com as minhas e já com pecados e pecadilhos de infância confessados – de novo o verbo – sem algum texto que tenha a ver com o título completo desse post, que inclui aquela palavrinha de tenebrosas possibilidades para esse caso e peça, “usada”.
Então, com pequeno atraso indigno de uma ANAC, vamos a ele, o texto.

Ontem cedo, por mero acaso, deparei com uma notinha perdida no jornal dizendo que a Polícia Federal, ou a Receita idem, faria um bazar com objetos interessantes, entre os quais uma grande quantidade de garrafas de cristal com vinho do Porto, encomendadas por Edemar Cid Ferreira, aquele que era dono de um banco, presidia a Bienal e mora numa mansão cinematográfica, para presentear amigos & cia. Dizia também a notinha que essas garrafas estariam no leilão por se encontrarem entre os bens apreendidos do famoso traficante Abadia. Ou, provavelmente, foram levadas ao bazar dos bens do traficante para aproveitar a oportunidade.

Esse tipo de gente – Abadia e Cid Ferreira – nunca me interessou. Tampouco seus bens, embora uma das fazendas do bandido seja de dar água na boca, não nego. Todavia, vinho do Porto é líquido de minha especial predileção, seja aqui na Granja, seja no Sítio das Macaúbas. Sou eclético ou sem gosto, dependendo de quem analisa, pois gosto dele ao natural, como deve ser, e também com duas pedrinhas de gelo no começo de uma tarde quente depois do almoço ou no final de uma manhã igualmente quente, antes do almoço. Gosto é gosto, digo em minha defesa, e à noite meu copinho metido a besta não sabe o que é gelo. Se do vinho sou consumidor esporádico, apesar do prazer que ele proporciona, garrafas de cristal não fazem parte da minha listinha de compras nos “valmartis”, “extras” e “carrefurs” da vida. Se além de feitas em cristal da melhor qualidade, provavelmente em algum lugar de nome esquisito da antiga Tchecoslováquia, ainda por cima, ou por dentro, contiverem vinho do Porto de qualidade similar e idade avançada... Bom, aí é que não fará parte de qualquer uma de minhas listinhas de compra.

Lida a notícia, meus neurônios associados às papilas gustativas puseram-se a funcionar. Durante dois, talvez três minutos, acalentei a idéia de pegar o carro e dar um pulinho no Jockey para ver o tal bazar. Mas só de lembrar na encheção que é estacionar o carro, o trânsito e não sei o que mais, desisti e fui cuidar de meus afazeres, multiplicados pela solidão temporária nesse casarão, misturando roteiros e telefonemas com vassouradas e aspiradas de pó.

...

É... Pegou mal, ainda mais num texto em que há menções a um traficante. Explico, para que dúvidas não pairem: as aspiradas de pó citadas não passam disso: reúno o pó e o pelo caído dos cachorros com a vassoura e em seguida ligo uma máquina maravilhosa que tudo aspira, o aspirador de pó. Esse escriba, portanto, continua escrevendo suas sandices habituais unicamente com a ajuda de neurônios de má qualidade, mas naturais, sem nenhum turbinamento.

Nessa manhã seguinte ao bazar, a primeira página do jornal é tomada pela chama olímpica maculada, apagada, reacesa com a chama de algum isqueiro, enfim, uma ridícula chama olímpica digna do governo do país que vai abrigar os próximos Jogos Olímpicos.

A manchete principal, porém, diz que a Polícia Federal apreendeu computadores da Casa Civil do governo federal.
O mensalão, como se pode ver, nunca acabou, no que diz respeito ao envolvimento permanente desse governo com forças policiais. Entre outras chamadas que não vêm ao caso, uma chama minha atenção e leva-me a lê-la antes da sacrossanta leitura do caderno de esportes: “Bazar de Abadia termina em tumulto”.

Ora, ora...

Centenas de pessoas ficaram de fora, sem poder entrar.
Um rapaz saiu de Sorocaba em plena madrugada, chegou às 07:30 da manhã, passou o dia inteiro em pé esperando para entrar e nada. Como ele, mais um monte de histórias na linha “cheguei cedo, fiquei o dia inteiro, não me deixaram entrar”. Um dos felizardos que entrou saiu carregado de compras, inclusive toda a roupa do corpo e mais o boné, sendo confundido, ou “confundido”, com o traficante. Diz a reportagem que entre os muitos bens vendidos – brinquedos, perfumes, quinquilharias, roupas, tinha cuecas usadas – presumo que pelo traficante – que foram vendidas a 1 real.

Cueca usada por um traficante vendida por 1 real.

Ok, não vejo problemas nisso.

Mas, faço eu parte da mesma espécie biológica que abriga seres capazes de comprar cuecas usadas por um traficante de drogas, ainda que por 1 mísero real?

Sim, infelizmente faço, fazemos todos.

Antes que apontem seus dedos acusadores para mim: vinho do Porto em garrafa de cristal de trambiqueiro do mercado financeiro não é a mesma coisa. Até parece, mas não é.

Eu acho...


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quarta-feira, março 19, 2008

Universidade para o povo (?)


Esse título foi, também, uma das palavras de ordem de Maio 68 em Paris.

É, também, a idéia básica que norteou a criação de universidades públicas por todo o Brasil.

É, também e finalmente, uma decorrência lógica de uma universidade ser daqueles que a sustentam, ou seja, o povo.

Bom, com relação à Universidade de São Paulo, a USP, a primeira frase é mera utopia.

A segunda frase é tão somente retórica política.

A terceira frase é uma manifestação de idiotia de quem acredita que o contribuinte, o povo, tenha direito a algo que faça parte da estrutura do Estado tupiniquim. Aqui, o Estado é para si próprio e seus apaniguados e funcionários, jamais para o povo.

E por que toda essa discurseira raivosa contra uma instituição tão fantástica como a USP? Sim, porque é tão somente da USP que estou tratando, embora, com toda certeza, tudo que vem a seguir aplica-se a todas as demais universidades públicas dessa Terra de Vera Cruz.

Criada para ser popular, a USP tornou-se elitista, pois o acesso a seus cursos depende de excelente pontuação no vestibular, o que só é conseguido, basicamente, por quem vem de boas escolas e estudou bem e bastante. Pobres, portanto, estão excluídos, até porque as escolas que os pobres freqüentam, gratuitamente, pois da rede municipal ou estadual, não passam de depósitos de jovens e centros de má-formação.

Criada para servir, ela mais serve a si própria que à comunidade que a sustenta.

Finalmente, há pouco mais de dez anos, a USP fechou-se, fisicamente, para a população. O passeio de fim-de-semana de milhares de pessoas, em boa parte famílias inteiras com crianças e idosos, inclusive, acabou. A Universidade fechou seus portões ao povo, com medo dos estupros, roubos e assaltos.

Numa típica solução autoritária, comodista e voltada para o próprio umbigo, proibiu-se o acesso das pessoas sob a desculpa esfarrapada da segurança. Houve, sem dúvida, uma diminuição nos números de casos, mas não a extinção dos problemas.

Em nenhum momento a Universidade pensou em trabalhar em conjunto com a Polícia Militar. Ah, não, isso jamais, onde já se viu permitir a entrada das forças repressoras do Estado no solo sagrado onde o saber é gerado?

Em momento algum a Universidade pensou em algo como ser policiada pelos cadetes da Academia da Polícia Militar e por soldados em fase de treinamento. Ambas as categorias – cadetes e soldados – começariam suas vidas de policiais trabalhando com uma elite intelectual e ciosa de seus direitos e prerrogativas. Poderia, quem sabe, ser um excelente começo para que depois fossem para as ruas onde vive o povo real, a população que sustenta a Universidade.

Foi mais fácil fechar os portões.

Há duas semanas, num fim de tarde de sábado, fui à USP para assistir “Antígone”, no Teatro da ECA – Escola de Comunicações e Artes. Para entrar no campus demorou cerca de cinco minutos, aguardando a segurança liberar um carro de cada vez. Quando chegou a minha vez disse “Teatro” e fui liberado. Como sou cidadão de bons bofes e hábitos, e seguidor das leis, fui para o teatro, bonitinho. Assim como poderia ter ido para qualquer outro lugar. Como fizeram alguns visitantes no sábado e no domingo anteriores. Em dois roubos, levaram mais de 120 mil reais de caixas automáticos, fizeram reféns, bateram, aterrorizaram e saíram incólumes, sem nenhum problema, inclusive os ladrões do dia seguinte.

Na USP é assim: o cidadão não pode passear com sua família, mas os ladrões podem fazer a festa à vontade. Afinal, no solo sagrado da geração do saber é proibida, também, a entrada da polícia. Exceto para recolher as sobras dos roubos e, qualquer dia, os corpos das vítimas.

A Universidade cria e é criada pelo monstro que é o Estado brasileiro e sua burocracia.

Definitivamente, a universidade não é do povo e não é para o povo.


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domingo, março 16, 2008

Blablablá glamoroso e os OGM

Bom dia, boa tarde, boa noite, boa madrugada, quem sabe.

Ando em falta com esse Olhar Crônico, lamento e peço desculpas.

Vida atribulada é a melhor e também a pior resposta, mas verdadeira.

Dia 8 último, o Dia Internacional da Mulher, um grupo de “companheiras”, grávidas à frente, empunhando foices e enxadas invadiram a estação da Monsanto em Santa Cruz das Palmeiras, pertinho do Sítio das Macaúbas, e local onde já gravei inúmeras vezes para a Monsanto. O motivo da invasão: depredar instalações e áreas de testes com variedades de milho transgênico.

Muita gente, principalmente entre os “companheiros e companheiras”, mas também fora do mundinho deles, é contrária aos organismos geneticamente modificados, ou, popularmente, plantas transgênicas. Curiosamente, isso é, para mim, uma enorme contradição, tanto em termos presentes como futuros. Uma variedade modificada geneticamente apresenta grandes vantagens em relação a variedades comuns. No caso das plantas de milho e algodão, por exemplo, resistentes a alguns insetos (lagartas), elas permitem a não aplicação de muitos milhares de litros ou quilos de venenos diversos destinados ao combate dessas pragas. Ora, ao evitar essas pulverizações, o ambiente, chamado no Brasil de meio ambiente, é preservado, deixa de ser atingido por agentes poluidores. Esse é apenas um exemplo entre muitos.

Em todo o mundo a população rural diminui a olhos vistos e em velocidade acelerada. Trabalhar no campo, glamour à parte, é muito ruim, é muito cansativo, é totalmente desprovido de charme e de valor.

Essa é a verdade. Raras são as pessoas urbanas que dão valor de fato às lides agrícolas. A maioria enxerga nelas uma condição de atraso de vida, uma atividade destinada a pessoas sem capacidade ou habilitação para “vencerem” e ganharem dinheiro nas cidades. Pior: grande parte dos rurícolas se enxerga da mesma forma, o que é muito triste. Além disso e muito pior que isso, a cidade desvaloriza o produto do campo e super-valoriza seus próprios produtos. As relações de troca campo-cidade sempre foram e estão cada vez mais desequilibradas.

Há uma falsa ilusão, propagandeada principalmente por urbanóides que nunca pegaram no cabo de uma enxada, que felicidade é ir pro campo e produzir alguma coisa, às custas da reforma agrária governamental, e, naturalmente, sem usar venenos e produtos químicos.

Triste ilusão na qual milhões acreditam. Pior ainda, acreditam que a humanidade, a caminho de seu sétimo-bilionésimo habitante, pode ser alimentada, vestida, abrigada, protegida, dessa forma. Lamento, mas tal coisa é impossível. Só seria possível se ao invés de sete bilhões, fôssemos apenas uns quinhentos milhões, no máximo, bem distribuídos por todas as terras agricultáveis do mundo. Mesmo assim... Sei não, acho que duzentos milhões seria um número mais factível.

É nesse cenário que surgem as plantas transgênicas, os “ogm” – organismos geneticamente modificados.

Eles permitem e permitirão cada vez mais, a produção de mais alimentos com menores dispêndios de energia. Nossa sobrevivência, e isso é uma certeza minha, está atrelada aos avanços genéticos aplicados à produção de alimentos. Refiro-me, claro, à nossa sobrevivência com um mínimo de dignidade e barriga cheia.

É contra isso que as pobres “companheiras” grávidas foram levadas, iludidas, a empunhar foices e enxadas para invadir e destruir mais uma estação de pesquisas. Infelizmente, temos também nossos fundamentalistas, tão toscos e ignorantes quanto os fundamentalistas muçulmanos e os fundamentalistas de Bush.

Para mim, e desculpem o termo, é tudo da mesma laia, é tudo a mesma corja.

Nosso futuro depende da preservação dos recursos naturais fundamentais, como ar, água e terra, ao lado da produção de mais e melhores alimentos em abundância, suficientes para todos. Plantas transgênicas e preservação da natureza não são antagônicas, muito antes pelo contrário.


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sábado, fevereiro 23, 2008

Impensável... Mas aconteceu


Pois é, o impensável às vezes acontece e nos pega de surpresa. Pensando assim, de repente, lembro-me que não só julgava impensável o fim da Guerra Fria, como também vivia em sobressalto por causa dela. Lia tudo que me aparecia pela frente, e muita coisa aparecia a respeito, desde a capacidade de destruição de um só ICBM até a função dissuassória das forças submarinas de um lado e outro, invisíveis ou quase isso, cada plataforma transportando a morte de centenas de milhões de pessoas. Eis que um dia Richard Nixon desembarca na China, em outro conversa animadamente com Breznehv, mais adiante é Reagan, o cowboy, e de repente o medo nuclear começou a ser jogado para o arquivo morto das preocupações.

O Muro de Berlim...

Sua queda era outra coisa impensável para quem, como eu, nasceu nos cinqüenta.

Portanto, foi com um espanto enorme e a sensação de estar vendo a história em ação e o mundo sendo transformado, que assisti pela às imagens de milhares de pessoas quebrando, a golpes de picaretas, martelos, pás e quaisquer outras coisas à mão, o muro vergonhoso, inominável, palco de mortes e tristeza. Na seqüência, o fim da União Soviética não chegou a causar o mesmo espanto, a mesma surpresa. Só a velocidade com que ela veio abaixo, mas, por incrível que pareça, ainda nos anos 70 já havia lido um trabalho com essa previsão, escrito pelos irmãos Medvedev, Zhores e Roy, intelectuais dissidentes, que previam o esfacelamento da URSS e apontavam as tensões e conflitos étnicos e religiosos como o estopim que conduziria ao fim.

Agora, numa só semana, o impensável bateu na porta duas vezes, e entrou em ambas. Primeiro, Fidel renunciou. Demorou, mas aconteceu. Já o tive como ídolo, mas isso foi há muito, muito tempo, e curiosamente durou pouco. Ter conhecido Cuba ainda enquanto a finada União Soviética era viva, foi bom, fez-me bem, reforçou minha convicção sobre o acerto na mudança de linha do que pensava, vale dizer, o acerto da minha mudança ideológica. A saída de Fidel, agora, nada teve de espetacular e foi apenas patética, tardia, chata. Como diz a rapaziada, demorou.

Finalmente, o impensável dos impensáveis fatos, aconteceu: a dívida externa “acabou”, o mundo nos deve mais do que devemos ao mundo, e não se trata de metáfora ou figura de linguagem ou qualquer outra dessas baboseiras nacionalistas. Não, nada disso, é fato contábil. Não só diminuímos nossa dívida externa pagando o que devíamos – a dívida pública externa foi liquidada – como também temos mais reservas do que dívidas. Inacreditável, preciso concentrar a atenção e os pensamentos para ter a real dimensão desse fato.

Já tivéramos uma avant premiére em 94, com o fim da inflação monstruosa e da correção monetária. A maioria de nós já esqueceu aqueles tempos, não lembra mais das manchetes regulares, a cada trinta dias, dizendo que o mês fechara com 15, 20, 25 e até mesmo fantásticos mais de 80% de inflação! É... Ninguém mais lembra disso, ninguém lembra que o salário recebido já valia dez, vinte, trinta por cento a menos do que seu valor nominal. Nem vou entrar no tititi de jogar na cara do PT e de seus asseclas – um monte enorme de gente – e apoiadores – milhões, iludidos pelo brilho fácil de promessas vãs – as sucessivas e estúpidas manifestações contra o Real, contra a política econômica de Fernando Henrique e Malan, contra a dívida externa, contra tudo, contra todos, preservando apenas a eles próprios como os donos das verdades políticas e econômicas, morais e éticas, eles, os cavaleiros andantes do bem em eterna luta contra as forças e agentes do mal, ou seja, todos os outros que não professavam das mesmas fé e ideais. Bobagem chutar cachorro morto.

Opa! Não, cachorro morto, não, muito pelo contrário, vivo, muito vivo, agindo e quando não, à espreita.

Mas, enfim, o impensável aconteceu também com nossa dívida externa.

Então, por justiça...

A César o que é de César.

A Lula o que é de Lula... e de FHC.

E à agropecuária brasileira o que é de todos: ela e os produtores rurais, humilhados e vilipendiados rotineiramente, são os grandes heróis do “fim” da dívida externa. Pena que quase ninguém sabe ou pensa nisso.


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terça-feira, fevereiro 05, 2008

Carnavalices



Em Dublin, Irlanda Contra x Irlanda Pró

Nada mais brasileiro que a CBF – Confederação Brasileira de Futebol –, a entidade monárquica que rege os destinos de nosso principal esporte e componente básico, ao que dizem, da brasilidade.

Nada mais brasileiro, também, que o desleixo, improvisação e indigência com que um de nossos principais produtos de exportação, a carne bovina, tem sido tratado por esse governo e por outros mais. Na verdade, por todos.

A bem da verdade, porém, esse atual superou-se e superou os antigos, ao mandar uma lista-fantasma – creio ser esse o melhor nome – de fazendas em ordem para exportar carne para ninguém menos que a autoridade européia responsável pelo controle desse produto. O fato todo foi tão ridículo que os europeus perderam a fala, isso aqueles que gostam, conhecem e defendem esse imenso bananal.

Outros europeus, irlandeses principalmente, só faltaram sair às ruas fazendo um carnaval esquisito na neve e na lama gélida que recobre parte das cidades da Irlanda.

A mesma Irlanda que quarta-feira verá um jogo caça-níqueis do time da CBF – outrora conhecido como Seleção Brasileira – e para isso já esgotou todos os mais de 80.000 ingressos disponíveis para a partida.

Será um confronto interessante. Mais ainda seria se o time da CBF jogasse com alguma coisa do tipo “Brazilian meat – eat it!” estampado na camiseta, e o time irlandês o fizesse com “Don’t eat Brazilian meat” ou qualquer coisa parecida. O interessante desse confronto será somente isso, sua realização simultânea com essa crise na exportação de carne, pois, fora isso, como jogo, é tolo, dispensável, sem sentido, sem nexo, sem valor, sem, sem, sem...

Mas, com dólares.

Ao fim e ao cabo, é a única coisa que conta no reino da CBF.




Nenhuma nudez será castigada

Tão certo como os desabamentos e mortes de todo verão nas regiões serranas, numa repetição quase cronométrica e sem surpresas – talvez, por isso, desconcertando e deixando sem ação as autoridades (ir)responsáveis, abro o jornal e dou de cara com bela mulher nua. Totalmente. Ou quase, pois discretíssimo tapa-sexo cobre o desnecessário, nessa altura do campeonato.

Lamento,mas não vejo graça, nunca vi. Até porque na fase em que veria graça e babaria por isso, a nudez era algo muito privado, tão privado, naqueles tempos de censura, que nem nas revistas de “mulher pelada” ela aparecia.

Não entendam mal minhas palavras, por favor. Não vou alongar-me em explicações por serem desnecessárias, mas digo apenas uma coisa: a exposição absoluta da nudez tira todo o mistério, todo o encantamento, toda a imaginação, todo o erotismo que o corpo humano pode despertar. É coisa, dessa forma, sem graça.

Algumas imagens ligadas a açougues e animais vivos em seus habitats passaram por minha cabeça,mas não se preocupem, esse texto já está no fim, e vocês ficam poupados dessas cenas que minha cabeça visualizou.

Ok, sim, pode ser verdade, talvez eu seja um conservador chato e sem graça.




De volta à carne

De volta por que? – se nunca saímos dela nesse post?

Hehehehehe... Um pouco de veneno.

Enquanto tudo isso acontece, na extensa, aconchegante e interessante fronteira com o Paraguai, bois, vacas e bezerros hermanos trafegam candidamente pelos dois lados da dita cuja. Não há placas, o que não faria efeito, já que bois, vacas e bezerros não sabem ler. Não há vigilância, não há controle, nada há, enfim, a separar os dois países. Tudo nos une, principalmente a aftosa, mal controlada do lado de lá e que ao entrar no bananal e contaminar nossas vacas, derruba nossas exportações em dois a três bilhões de dólares por vez.

No bananal, tudo como dantes no quartel de Abrantes.

Isso, sim, é o que se pode chamar de um país confiável.

Parodiando H L Mencken – “Nunca ninguém perdeu dinheiro por subestimar a inteligência do povo americano” – podemos dizer que nunca alguém perderá dinheiro por subestimar a inteligência dos políticos brasileiros.

É isso. Por enquanto.




Post scriptum

Os políticos tupiniquins presos pelo clima na Antártida, ou Antártica, voltaram para casa; ficaram 5 dias no continente gelado e tiveram – pasmem, leitores! – que lavar a própria roupa; o avião escalado para trazê-los apresentou um defeito, retardando mais um pouco a volta, que, finalmente, aconteceu.

Voltou por que?

Por que voltou?

:o)

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Senado? Para que?


Eram dois senadores por estado, ao lado de uma Câmara com um monte de deputados.

Em 1977, numa manobra destinada a tirar poder da oposição que crescia, o governo militar criou o terceiro senador por estado. Mexeu, também, na representatividade da Câmara, fazendo com que estados mais desenvolvidos e populosos, São Paulo, principalmente, ficassem sub-representados. Foi criado o eleitor brasileiro de 2ª classe, o eleitor brasileiro que reside e vota em São Paulo, mas também no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, embora com perdas menores.

Ao lado de tudo isso, no Brasil existe uma excrescência chamada “suplente de senador”. Geralmente é um sujeito endinheirado, que financia campanhas dos sujeitos bons de voto e, se esses morrem ou vão para alguma sinecura ainda mais interessante que a senatorial, os suplentes assumem, sem voto, sem representatividade, sem mandato legítimo, mas dotados de poder, voz e voto como qualquer outro senador. Nem sempre o suplente é um sujeito endinheirado, pode ser um parente querido, também. Aliás, é o caso presente: Edson Lobão – que não se perca pelo nome – foi indicado para assumir o Ministério das Minas e Energia. Em seu lugar, no Senado, assumirá Edson Lobão Filho.

Bom, se o pai nada entende de energia e confessa candidamente sua ignorância, o filho, por sua vez, mais com cara e jeito de playboy do que de vetusto senador da república, assumirá a cadeira do papai a bordo de acusações de sonegação, desvio de dinheiro, estelionato e falsidade ideológica. O bravo rapaz, com o luxuoso auxílio de seu tio, irmão de seu pai, transferiu uma empresa e todas as suas imensas dívidas para uma empregada doméstica, analfabeta funcional, dona do portentoso salário mensal de 380 reais e uma dívida de 5,5 milhões de reais só para bancos, fora as dívidas fiscais não anunciadas. O garotão assume, reconhece a laranjice, e dela se arrepende, dizendo que hoje não faria a mesma coisa.

Qui bunitinho! Qui gracinha, não é mesmo?

Como prova de sua honestidade e firmeza de propósitos e caráter, ele diz que não pode ser penalizado por essa dívida bancária, pois nem usufruiu do dinheiro. Coitadinho... Claro, nada disso impediu-o de continuar rico – deve ser fortuna antiga, de família, algo que remonta aos tempos de criação das capitanias hereditárias – e comprar um helicóptero. Mas não para seu deleite, apressa-se a dizer a doce figura filian, e sim para uso de mamãe em sua campanha eleitoral.

Ah, sim, mamãe é deputada federal.

Para quem não sabe, a família Lobão é do Maranhão, aquela capitania hereditária da família Sarney, e também o estado com o menor IDH do Brasil pelo menos até o ano retrasado. Confesso que não tive estômago para procurar o atual IDH maranhense.

Portanto, brasileiras e brasileiros – ops, foi maus... – meus estimados leitores, essa doce criança assume uma cadeira no senado, com papai ministro e mamãe deputada federal. No mesmo senado – melhor usar letra minúscula – que absolveu Renan Calheiros, que continua ativo e influente como se nada tivesse acontecido. O mesmo senado que não passa de um clube de velhos – em sua maior parte – amigos, algo como uma Academia Brasileira de Letras, com o agravante de custarem centenas e centenas de milhões de reais à República. Ou, melhor ainda, bilhões e bilhões de reais. Tudo isso para fazer o que?

Nada.

Nada que seja relevante.

Nada que não pudesse ser feito por uma Câmara dos Deputados atuante e composta por pessoas sérias.

Mas esperar o que de uma Câmara que, nesse ano, com boa vontade, trabalhará somente 4 meses? Ah, sim, pois o resto do tempo estará tomado por férias, recessos e a dedicação em tempo integral à campanha eleitoral, pois 2008 é ano de eleições, pois a pujante democracia brasileira, ano sim, outro não, pára o país por conta das campanhas eleitorais.

É...

Pois é, esse texto tem um cheiro ruim, tem um ranço perigoso de aversão à democracia, não tem?

Até pode ser feita tal leitura, mas não é o que eu penso. Sou radicalmente a favor da democracia e de todas as liberdades democráticas, pelas quais militei boa parte de minha vida. Porém, isso tudo que aí está provoca-me engulhos. Sendo mais direto:

Me dá nojo!

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segunda-feira, dezembro 31, 2007

Brasilidades de fim de ano antes que o ano acabe


Pequenos tópicos, sem profundidade, captados aqui e ali pela imprensa nos últimos sessenta, oitenta dias. Aumentar essa colheita para todo o ano, bem como fazê-la com um olhar mais atento que um mero olhar crônico, seria impossível para um mero ser humano como eu. Fica, então, só essa colheitinha, uma pequena amostra...


- Para acabar com o caos aéreo...

O governo e a ANAC (que é, mas não deveria ser governo) vão aumentar as tarifas de Congonhas. A proposta é dobrar o valor da taxa de embarque para o passageiro e multiplicar por doze – repito: doze – os custos das empresas para operarem em Congonhas, custos que, naturalmente, serão incorporados às passagens aéreas dos... passageiros, os mesmos que terão a taxa de embarque multiplicada por dois. Essa tática é velha: acabe com a doença, mate o doente.


- Um choque de eficiência

A cada trimestre, todo trimestre...

A cada semestre, todo semestre...

A cada ano, todo santo ano...

A mesma história e as mesmas manchetes se repetem nos últimos anos: crescimentos assombrosos nos lucros do Bradesco, do Itaú & Cia. Bella. Números espantosos, tão portentosos que até fariam corar velhos barões capitalistas e reis da banca, como os Rothschild, Morgan e Rockfeller, entre outros.

Quebrando essa mesmice chata, repetitiva, sem graça, a Caixa (a Federal, claro), anunciou um baita prejuízo no penúltimo trimestre de 2007.

Coisa de gênios, sem a menor dúvida.

Se bem que a explicação foi boa: gastos com pessoal.

Ah, entendi...



- Minério vai por nada e vagões vêm por pouco, mas muito mais

A Vale vai comprar 10.000 vagões ferroviários.

Alvoroço no mercado.

Mas a Vale não joga dinheiro fora e quer preços competitivos da indústria nacional.

Competitivos com a indústria chinesa de vagões.

As empresas brasileiras chiam, em parte com razão.

As empresas chinesas pensam em comprar mais ferro do Brasil.

Sim, vendemos minério de ferro para a China. O frete Tubarão/Xangai é mais caro que o custo do minério.

Os chineses usam o minério brasileiro, fazem chapas de aço e outras coisas, e com elas fabricam vagões ferroviários.

Embarcam esses vagões em grandes navios até os portos de Tubarão e Itaqui, onde eles chegam muito mais barato que os vagões fabricados aqui mesmo.

A diferença maior, entre outras, é que os vagões chineses chegam vazios aos portos tupiniquins, ao passo que os vagões brasilianos chegam carregados...

De impostos.


- Criar boi para importar sapato

A Europa e o mundo curvam-se diante de nossa criação de bois.

Menos a China e os chineses.

Eles compram o couro de nossos bois, já curtidos.

O processo de curtição é muito ruim, fedido e poluente, e é feito todo aqui.

Eles cortam e recortam e moldam os pedaços de couro.

Fazem um, dois, dez, cem, trocentos mil pares de calçados diversos.

Colocam-nos em grandes containers, que vão para grandes navios, que trazem-nos para o Brasil, terra do couro.

Dos navios para as lojas a preço de banana.

Nos últimos anos, a indústria calçadista fechou, encerrou, eliminou, deletou, mais de trinta mil vagas nas indústrias de calçados no interior paulista e gaúcho.

Nada como ser malandro, é o que eu sempre digo.


- As chuvas chegaram!

Mas não o socorro para as vítimas da seca.

Uma parte do sertão do Piauí vem sofrendo barbaramente com a seca inclemente.

Há cinco meses foi aprovada, depois de muitas delongas e muito nhenhenhém, uma verba de 3,2 milhões de reais – é, esse miserê mesmo, coisa de dez por cento ou menos de um único mês de mensalão – para reativar cem poços artesianos e pagar o transporte de água em caminhões-pipa.

Tudo isso coisa para gente pobre, ou melhor, miserável, aquelas pessoas que deram seus votos... Bom, deixa pra lá.

Cinco meses...

A verba ainda dorme nos cofres federais.

As chuvas, felizmente, chegaram ao sertão.

Em novembro ainda era pouca a chuva e a verba fazia-se necessária.

Tem-se notícias de mais chuvas, mas não se tem notícias da liberação real e verdadeira dos míseros três milhões e duzentos mil.


- A vanguarda do atraso

Sob esse título milhões de coisas podem ser descritas e escritas, no Brasil e em toda a América Latina.

Todo governador tupiniquim quer porque quer indústrias em seu estado. Não importa qual seja o estado, não importa qual seja a indústria.

Há que ter indústrias.

Há que ter progresso.

Há que ter riquezas.

Há que ter, sobretudo, os muitos empregos que uma indústria gera.

A CAOA, grupo tupiniquim, é dona da fábrica Hyundai em Anápolis, cidade entre Brasília e Goiânia, que abriga a mais importante base aérea do país, de onde decolavam, antes de virarem sucata, os Mirage do Grupo de Caça da FAB.

A CAOA vai investir cem milhões de dólares na fábrica de Anápolis em 2008.

A CAOA vai comprar cem milhões de dólares em robôs, para uso na linha de montagem.

Depois todo mundo critica as usinas de açúcar que fazem colheita mecânica da cana, porque acabam com o “emprego” de milhares de brasileiros.

Nada como ter perspectiva.


- Meia volta, volver!

lulla da Silva mudou o discurso.

Depois de empurrar goela abaixo as usinas do Madeira e a transposição das águas do São Francisco, ele agora promete para 2008 nova e rigorosa lei de proteção ambiental, etc e tal.

Enquanto seus projetos faraônicos eram bombardeados por conta dos imensos – e não solucionados riscos ambientais – ele dizia que o progresso não podia ser detido por causa dos “bagres” de um rio. Dizia, também, que sete ou nove ou dez ou doze milhões de pessoas (os números sempre variaram de acordo com o humor) não poderiam morrer de sede enquanto as águas do Velho Chico corriam sem uso ali “por perto”.

Agora, com as pirâmides, digo, usinas e transposição já em construção ou prestes a começar, viva o ambiente, viva a preservação do que temos e do futuro que precisamos.


Chega! Daqui a pouco será hora de abrir champagne, prosecco ou um simples lambrusco, para não dizer uma ainda mais simples cidra, e bebemorar a passagem de 2007 para 2008.

Para que pensar em brasilidades?

Tenho que pensar na compra de um carrinho básico e nas 99 prestações do bichinho.


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quinta-feira, dezembro 27, 2007

Cunha, belezas e feiúra

(Esse post repete, um pouco, o de 5 de agosto de 2007. )




A igreja é antiga, as datas na torre contam um pouco de uma história que começou no século XVIII, ainda.

O café ainda não era uma realidade, sequer conhecido era. Algumas décadas passariam até sua chegada aos morros do Vale.





Com o café veio o dinheiro farto, abundante.
Todo mundo enricou.
Não, Cunha e o Vale do Paraíba estão no Brasil, portanto, alguns poucos enricaram.
Belas casas, belas sedes de fazendas, belas igrejas foram alguns dos resultados do dinheiro do café.



A nova face da igreja combina com os novos tempos de Cunha: beleza nas construções, combinando com a paisagem, trazendo os turistas das grandes cidades.




O céu do inverno seco, do qual o ipê é testemunha, fecha o pacote de uma das muitas belezas de Cunha.



Aqui já teve café.

Antes, porém, era tudo mata, Mata Atlântica.

Foi derrubada e queimada e o café foi plantado.


O café exauriu esses morros e em seu lugar vieram pastos, cada vez mais fracos, cada vez sustentando menos gado, cada vez mandando mais terra para os cursos d'água nas enxurradas.

Essa é a herança triste e empobrecedora do café.

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