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segunda-feira, outubro 13, 2008

Por KASSAB. Contra o PT.




Curto e grosso, repito o título:



Por KASSAB. Contra o PT.



Há momentos na vida que tomar uma posição clara e inequívoca é fundamental.


Assim agi no início dos anos 70, adolescente ainda, ao começar a militar contra o regime militar. Era preciso tomar uma posição, assim pensava, e tomei a única que me pareceu correta, decente e, sobretudo necessária.


Em 1985, Tancredo eleito, cortei abruptamente minha militância política. Tinha dedicado a ela 14 dos melhores anos de minha vida.


PSDB formado, encontrei nesse partido um ideário e pessoas com os quais afinava.


Curiosamente, mesmo durante a militância no velho Partidão, ou talvez justamente por isso, nunca gostei de boa dos petistas e suas artimanhas. O comportamento purista e arrogante de quem sempre se achou dono da verdade, de quem sempre se achou superior aos demais mortais e partidos, nunca me agradou. Essas certezas e verdades absolutas são tão verdadeiras quanto uma nota de sete reais. Nem vou me alongar nesse nhenhenhém, pois todos conhecem as histórias incríveis de corrupção que envolvem esse partido e muitos de seus principais cabeças. Só de pensar no sucesso estrondoso do filho do presidente... Recolho-me à minha insignificância de pequeno e empobrecido empresário. Claro, pequeno e empobrecido porque faltou-me a genialidade e tino empresarial do jovem filho do presidente, ele próprio o genial guia condutor dos povos do Terceiro Mundo e outros mundos. O DNA é bom.

Pois bem, você deve estar se perguntando que bicho me mordeu para aparecer com esse texto tão carregado de irritação, de raiva, de asco – ops, asco é para daqui a pouco, estou colocando a ânsia de vômito na frente da indignação moral.




Uma manhã de domingo estragada



Ontem de manhã, estava indo e vindo entre o curral e a cozinha, dando umas olhadas no Globo Rural , quando peguei inteirinho um anúncio do PT - mas não assinado pelo PT, tinha umas letrinhas na assinatura... - contra o Kassab (minha Sky no sítio recebe imagens de São Paulo).

Ok, tudo normal, nada a objetar. Estamos em campanha de segundo turno e é normal, até, um candidato atacar o outro. Dentro de certos limites, é claro.


O comercial em questão é uma sucessão de perguntas, a maioria de uma cretinice a toda prova. Normal, também, partindo de quem partiu, uma vez que cretinice e petismo costumam andar juntinhos, quando um não é sinônimo do outro.


Nada de novo no front, portanto.


E assim foi até a última pergunta, que não era um exemplo de cretinice.

Era um exemplo de canalhice, baixeza, torpeza, um exemplo cristalino de preconceito, uma pergunta nojenta, bem de acordo com o caráter desse partidinho e seus dirigentes.

A pergunta:

"Kassab é casado?"

Uma pergunta com a clara intenção de denegrir a imagem de Gilberto Kassab. Cujo estado civil, aliás, não só ignoro como tampouco me interessa. Meu interesse está centrado em sua administração, que não é exemplar, nenhuma é, mas é excelente dentro das possibilidades que tem um prefeito dessa megalópole espoliada desde sempre, desamparada do poder federal, o mesmo que leva embora a maior parte do que a cidade gera.


Essa canalha, hoje no poder federal e em vários outros, gritou por anos e anos contra os preconceitos, todos eles.


E agora, como se fosse necessário, esses caras, essas figuras que se autodenominam impolutas e sei lá que mais, revelam sua verdadeira face.

O irônico, se assim se pode chamar, é que o preconceito aparece enrustido, calhorda, sem vergonha, justamente na campanha de Dona Marta Suplicy, a mesma que celebrizou-se por atitudes opostas e palavras opostas – todas falsas, vê-se agora. Aliás, seu único trabalho como parlamentar, a rigor, foi apresentar um projeto liberando o casamento civil entre parceiros do mesmo sexo.

O PT superou-se.

Na canalhice.

Kassab ganhou no primeiro turno, surpreendendo petistas e a parcela burra e sem visão do PSDB.

Na abertura da campanha para o segundo turno, as pesquisas apontam para ele uma vantagem brutal.

Vai ganhar?

Sei lá, ainda mais com Lula, ou lulla da Silva, ao gosto de quem lê, apelando para os sacrossantos evangélicos em verdadeira cruzada contra Kassab.


Esse comercial nojento e preconceituoso dá bem o tom da campanha petista em prol de Dona Marta, também conhecida por Martaxa, e mais não falo.

Uma coisa é certa: eu estou em campanha por Gilberto Kassab.

Espe
ro que o povo da minha cidade varra o lixo petista para longe, para bem longe de sua marca mais ou menos consolidada de um terço do eleitorado.





Aos leitores deste Olhar Crônico não peço desculpas por nada do que escrevi, tampouco pelo tom. Como eu disse no início, há momentos na vida em que tomar uma posição clara, cristalina, inequívoca, é fundamental. Por isso, não peço desculpas, mas conto com a compreensão de vocês.





Em tempo: minha crítica tem como alvo claro as cúpulas petistas, e não só de agora. Na militância há muita gente boa. Algumas dessas pessoas são amigas de longa data.



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segunda-feira, outubro 06, 2008

Beleza é fundamental


Beleza é fundamental, sim.


Estava certo o poeta, embora essa frase deva ser tomada pelo sentido mais amplo e não meramente pelo físico, pelo estético. Nesse texto, porém, ela deve ser tomada pelo seu significado mais imediato: a beleza física.


Mas não estou me referindo a nenhuma mulher, se bem que o foco dela não só tem características femininas, como merece ser tratada como uma mulher. Falo da cidade de São Paulo, a minha São Paulo, que ontem, para surpresa de todos, inclusive eu mesmo, deu ao prefeito Gilberto Kassab o primeiro lugar na eleição, à frente da ex-prefeita Marta Suplicy e do ex-governador Geraldo Alckmin.


E o que tem a ver beleza com os votos de Kassab?


Muito, tem muito a ver.


Quando foi indicado para ser o vice de José Serra, eu fui um dos muitos, inúmeros paulistanos que chiaram uma barbaridade. Não queria um cara do PFL, queria um cara do próprio PSDB, alguém afinado com Covas, Serra, Fernando Henrique e o Alckmin. Tivemos, porém, que engolir o Kassab.


Tão logo Serra deixou a prefeitura e assumiu o governo do Estado, o prefeito começou a botar suas manguinhas de fora e logo de cara apareceu com um tal de Cidade Limpa.

Antes de ler o projeto já saí criticando, felizmente, apenas para mim mesmo. Tão logo li, achei legal, mas achei que não passaria de um factóide.


Pobre cidade de São Paulo.


O tempo passou.


O Cidade Limpa “pegou”, apesar dos protestos, apesar das liminares, apesar das lutas políticas, apesar de um monte de coisa, “pegou”.

De repente, a velha cidade de São Paulo estava visível, não mais escondida por outdoors, painéis gigantes, luminosos berrantes e horríveis, nada mais disso.

Lá estava ela, bonita, em muitos lugares, em outros nem tanto, mas pelo menos, limpa.


Beleza e limpeza.


Comecei a ter prazer em ficar alguns minutos parado no trânsito, olhando fachadas há muito escondidas, vendo ruas e avenidas sob uma nova perspectiva, sem anúncios espalhafatosos. A Avenida Rebouças, conhecida íntima de muitos e muitos anos, estava de novo bonita, agradável de ver.


Dei-me conta, então, que tínhamos um prefeito de fato.


Tínhamos alguém preocupado com a cidade, com seu funcionamento, sua aparência, claro, afinal, como disse o poeta, beleza é fundamental.


Até que li que a Prefeitura contribuía financeiramente com o Rodoanel. Fantástico.


E com o Metrô!


Que coisa incrível!

Um prefeito que enxergava muito além de seu curto, curtíssimo mandato.


Claro, muita coisa há para resolver, ainda.


E assim continuará por décadas.


Não haverá prefeito capaz de executar milagres na condução dessa cidade. Na vida real, a vida que vivemos, essas coisas levam tempo, são negociadas, interesses adversos têm que ser vencidos ou negociados, por aí vai.


Mas saber que, finalmente, tínhamos um prefeito trabalhando de verdade em prol da cidade, deu outro ânimo.


Algumas vezes, também, tive a oportunidade de ver o prefeito sentado a dois ou três metros apenas, no Morumbi, assistindo a um jogo do São Paulo. Sem seguranças, sem entourage, sem frescuras. Quieto lá em sua cadeira, curtindo alguns minutos do jogo sem ninguém para atrapalhar.

Ainda bem que o pessoal em volta sente a mesma coisa e respeita o direito dele ver o jogo em paz.


Gostei disso, também.

Desse despojamento, dessa falta de pompa e séquito.


Votei nele, é claro.


Aqui em casa todos votamos nele.


Voto de cabresto, claro.


O cabresto correto, porém, melhor chamado de “cabresto”.


Votamos porque vemos uma cidade mais bonita, mais gostosa, porque sabemos que ele está trabalhando e fazendo, bem ou mal, o que está dentro de suas possibilidades para melhorar em alguma coisa a vida nessa metrópole, parte maior de uma megalópole que caminha para os 22 milhões de habitantes e que vai bater quase 25 milhões quando formar uma grande unidade com Campinas.


Absurdo, mas inevitável.


Agora virá o segundo turno.


Estou convicto que ele vencerá a candidata do presidente da República e seu partido.

Quero muito isso, tanto que de forma alguma perderei essa eleição.

Farei questão de depositar, ops... de marcar meu voto na urna eletrônica.


E, somente então, desejar ao prefeito mais 4 profícuos anos à frente da cidade de São Paulo dos campos de Piratininga.



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quarta-feira, maio 14, 2008

Ambiente ao deus-dará

Dona Marina pediu as contas e foi embora. Assim, de repente.

Discordo de muitas coisas de sua ação e omissão como ministra, mas reconheço nela uma batalhadora pela preservação da floresta, principalmente. Nesse ponto o país perde. Mas ganha, na minha opinião, na questão dos transgênicos, que sempre foram combatidos de forma extremada por ela e seu ministério. Um verdadeiro paradoxo, pois os transgênicos permitem a prática de uma agricultura de alta produtividade com menor dispêndio de energia, aqui entendido tanta a energia propriamente dita, na forma de combustíveis e eletricidade, mas também a energia em seu contexto mais amplo.

Ganha o país na questão do etanol e dos biocombustíveis, mas é um ganho perigoso se não houver fiscalização e controle na expansão das áreas cultivadas.

Perdemos, porém, na questão das hidrelétricas na Amazônia. Ainda agora não consigo enxergar com bons olhos as hidrelétricas de Rondônia e, fora de qualquer discussão, Monte Belo, no Alto Xingu, é apavorante, apesar de promessas de baixo impacto e coisa e tal. Para mim não cola.

Quem sabe o país ganhe com a chegada de alguém que ponha o dedo nas feridas ambientais provocadas por militantes ditos “sem terra” e índios? Utopia, ninguém vai mexer com esse pessoal.

Essa minha visão não é “assassina” ou coisa que o valha, é simplesmente realista.

Os invasores messetistas devastam todas e quaisquer áreas, ignorando solenemente compromissos de preservação de 20, 30, 50 e até 70% da área. Abastecem, de forma legal e “legal” o comércio de madeira em muitas regiões, mesma prática adotada por muitas tribos indígenas, hoje muito mais plugadas em antenas parabólicas do que em andar pelados, caçando e pescando com arco-e-flecha. Foi-se o tempo.

Uma área é certa que seguirá perdendo de goleada: a transposição do São Francisco. Nessa, ninguém mexe, é absolutamente intocável, a “grande pirâmide” de Luiz Inácio. Dona Marina omitiu-se vergonhosamente. Isso, tirou-me quase todo o respeito que eu tinha por ela, sobrou apenas o respeito básico devido a todo ser humano e um pequeno respeito por algumas ações, sempre ligadas às florestas.

Agora é ver o que virá. Essa é mais uma demonstração que Lula faz o Governo Lula, jamais o governo que seus defensores imaginavam. Mas isso todo mundo já sabe há muito tempo. Quanto ao ambiente, continuará como sempre ao deus-dará.


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sexta-feira, março 14, 2008

Ética ou liberdade?


“Não há moral, ética, nada”, disse o diretor da Federação Cubana de Futebol, Antonio Garcés, em relação à fuga de sete atletas da seleção cubana sub-23 que disputava o Pré-Olímpico em Tampa, na Florida.

Primeiro foram 5 atletas de uma só vez, incluindo o capitão da equipe. Depois de brilhante empate em 1x1 com a seleção americana, comemorado efusivamente na ilha (ainda) de Fidel, os jogadores, durante a madrugada, abandonaram o hotel. Na madrugada de ontem mais dois atletas fugiram e, comenta-se, ainda sem confirmação, que o mesmo fez um membro da comissão técnica cubana.

Com isso, o grupo de 18 atletas viu-se reduzido a 11, mas com um deles suspenso, Cuba entrou em campo para jogar contra Honduras com apenas 10 jogadores em campo e nenhum no banco. O jogo terminou em2x0 para Honduras, para alegria da delegação cubana que temia uma goleada retumbante e ainda mais desmoralizante.

A regra permite que uma equipe entre em campo com um mínimo de 7 jogadores – a mesma regra que já levou jogos ao final prematuro por conta de expulsões e contusões.

Os primeiros atletas a desertar estão negociando a ida para o Miami FC, que disputa a MLS – Major League Soccer e tem um grande contingente de torcedores cubanos em sua base.

Então, volta a pergunta: falta de ética ou desejo de liberdade?

A liberdade, para quem a tem, é algo vago, difuso, nunca considerado para nada na vida, afinal, como considerar algo “inexistente”?

A falta dela, todavia, é “existente”, é concreta, é dura, é pesada, é triste.

Ao ser humano, quase tudo é permitido na luta pela liberdade. Antigamente, tudo era permitido e aceito. Hoje, com atentados terroristas que matam inocentes, essa aceitação já é mais restrita, mas, certamente, a fuga de um regime ditatorial não é condenada. Exceto por aqueles que nada enxergam da realidade sem as lentes fortes da ideologia.

Já durante o Pan Americano, no Rio de Janeiro, três atletas e um treinador cubanos desertaram. Dois permaneceram no Brasil, já tinham tudo planejado. Dois atletas, porém, foram capturados pela Polícia Federal – mesmo sem nenhum crime ter sido cometido – e entregues ao governo cubano, que mandou um avião especialmente para levá-los de volta à ilha. Os atletas não tiveram tempo e apoio para pensar, para raciocinar sem pressões. Poucas vezes tive tanta vergonha do governo brasileiro como dessa feita. Negamos nossa história, para dizer o mínimo. Esse risco, pelo menos, os atletas que fugiram nos Estados Unidos não correrão.

Que sejam felizes no novo lar, em liberdade, ainda e sempre nosso bem mais precioso.

Pois não há agressão à ética nesse caso, há, tão somente, a fuga para a liberdade.

Mesmo porque, na visão do dirigente cubano, ético seria retornar à virtual prisão que é a ilha de Fidel e de Raul. E isso, convenhamos, nada tem de ético.


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quarta-feira, março 05, 2008

Pela Colômbia, contra o cerco “bolivariano”

A primeira reação de Rafael Correa ao ataque colombiano dentro de seu território foi calma e ponderada. Horas depois, e não por coincidência depois de ter conversado com Hugo Chávez, Correa partiu para o ataque, inclusive ordenando o deslocamento imediato de quase quatro mil soldados para a fronteira com a Colômbia. Agora está fazendo um périplo sul-americano, pedindo aos presidentes visitados que condenem a Colômbia. Enquanto isso, Chávez deita e rola e se diverte. Mandou dez mil soldados, com apoio de tanques, para a fronteira colombiana. Fala pelos cotovelos, ofendendo Álvaro Uribe e, de quebra, atacando os Estados Unidos. Com tanto barulho, é de duvidar que algum presidente tenha a coragem política de fazer a coisa certa e apoiar a Colômbia, ou, ao menos, recusar-se a condená-la, exceto no aspecto formal e legal de condenação à invasão de território. A idéia de fundo é isolar a Colômbia politicamente e, depois disso, sabe-se lá o que poderá acontecer. Chávez já recebeu dinheiro das FARC quando esteve preso. Documentos capturados na ação militar dão conta que ele teria entregue 300 milhões de dólares aos terroristas recentemente, “comprando” a libertação de reféns como parte de sua campanha publicitária de grande líder. Correa não combate os aquartelamentos terroristas em sua terra e há indícios que, mais que isso, dar-lhes-ia mais que apoio político. Tudo se explica quando se sabe que as FARC começam a considerar-se “bolivarianas”.

Preocupa-me, como de hábito, a posição brasileira, que já foi vergonhosa e covarde na questão de Darfur, quando o Brasil absteve-se de condenar o regime assassino do Sudão, e agora corremos o risco de ver nosso país condenar uma clara ação de defesa da Colômbia contra terroristas e narcotraficantes que partem de bases em santuários equatorianos e venezuelanos, para atacar, matar e sequestrar cidadãos colombianos e de outros países que estão trabalhando no país. Lembrando que a Colômbia é uma nação que, mesmo submetida às atrocidades dos terroristas e narcotraficantes, vive sob regime democrático há décadas. Nada impediria que esses supostos “guerrilheiros” defendessem seus ideais (?) pela via democrática do voto livre. Não o fazem, todavia, preferem o terror, gostam do lucro fácil e assassino dos narcóticos.

Terroristas são inimigos da humanidade.

Narcotraficantes são inimigos da humanidade.

Caçá-los e eliminá-los é tarefa necessária a todo estado, a toda sociedade organizada.

Simplesmente não pode haver meios-termos.

Que o Brasil condene, sim, como é de protocolo, a invasão, mas que condene também, e duramente, a leniência dos governos do Equador e Venezuela com a presença de assassinos que se abrigam em seus territórios. Essa é a posição correta, é a única posição possível a uma nação democrática e amante da paz. Historicamente, o Brasil é assim. Que não mude agora.

Peço desculpas pelo tom desse post, mas entendo que há assuntos que exigem a tomada de posição clara e inequívoca. Esse é um deles.


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segunda-feira, março 03, 2008

Ficção virando realidade?


Há alguns meses escrevi uma minúscula peça de ficção política aqui nesse Olhar Crônico (“Reunião de Cúpula em Washington, postado em 9 de novembro de 2007).

Ela contava a chegada a Washington da Presidente Marisa Letícia para uma reunião de cúpula com as presidentes Hillary Clinton e Cristina Kirchner. Desde então, Hillary parece ter sucumbido ao furacão democrata Obama, Cristina foi eleita, como já era sabido que seria, e Dona Marisa Letícia continua papagaio-pirateando o maridão por toda parte, até na Antártida, mas, sei lá, hoje eu já acho mais provável Dona Dilma, por sinal o nome da minha progenitora, do que Dona Marisa Letícia, a italiana com passaporte brasileiro – ou é o contrário? –, na presidência desse imenso bananal.

O motivo ficcional que gerava essa cúpula americana, todavia, parece próximo de tornar-se realidade, o que, felizmente, não acontecerá: a invasão da Colômbia por tropas venezuelanas de Hugo Chávez.

Pois é...

Ontem, ao regressar do sítio e ligar o computador à noite, fui surpreendido com a notícia da morte do número 2 das chamadas FARC – grupo de bandidos com formação paramilitar – pelas tropas colombianas. Hoje, com mais detalhes, sabe-se que o indivíduo em questão foi morto pela explosão de bomba teleguiada, dois quilômetros dentro de território equatoriano, disparada a partir de um Super-Tucano T-27, fabricado em São José dos Campos e vendido para a FAC – Fuerza Aérea Colombiana. Esse detalhe com dois quilômetros de comprimento – essa era a distância a que o alvo estava da divisa entre Equador e Colômbia – provocou um protesto ensandecido de Chávez, que fechou sua embaixada em Bogotá e mandou dez batalhões de seu exército para a divisa da Venezuela com a Colômbia. Não satisfeito com tão fantástica demonstração de machismo, digo, poder e indignação, foi além, e chamou o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, de “cachorro americano” e “assassino”.

Chávez é um poltrão que gosta falar alto e contar vantagem, sendo ouvido porque senta-se sobre um monte de barris de petróleo. Não o chamo de palhaço porque palhaços não têm poder de vida e morte, somente o de fazer rir ou chorar. Chávez faz rir por conta de muitos de seus atos e pretensões megalomaníacas, faz chorar, e chorar muito, a milhões de pessoas, e tem, sim, o poder de matar, agora multiplicado e em velocidade supersônica, graças aos caças Sukhoy comprados da Rússia e que já ameaçou – como ele gosta de ameaçar – enviar contra os aviões colombianos.

Analistas políticos acreditam que tiro nenhum será disparado por conta dessa movimentação de tropas chaviztas, mas, sabe-se lá, às vezes um espirro fora de hora e lugar dá início a um tiroteio e um tiroteio...

Rafael Correa, que pode ser chamado de “cachorro chavizta”, reagiu protocolarmente ao ataque colombiano, chamando seu embaixador para consultas e exigindo desculpas públicas da Colômbia. Corretíssimo nas duas ações, estritamente dentro do protocolo e do que determinam as boas relações internacionais. O porta-voz de Uribe já adiantou que o país irá desculpar-se pela ação. Isso seria o bastante para encerrar o incidente, mas fica, agora, a ameaça criada pelas tropas venezuelanas.

O número 2 das tais FARC era apenas um bandido a mais. Lamento se alguém dá a esse pessoal o peso de combatentes por alguma causa, mas eu não creio nisso. Não passa, para mim, de movimento formado por grupos paramilitares, que ganham dinheiro com o narcotráfico e o seqüestro e encarceramento em condições degradantes de centenas, até milhares de pessoas. Não há porque lamentar.

Esse é um ano de eleições estaduais e municipais na Venezuela, e o partido de Chávez está muito mal nas pesquisas. Em novembro, Uribe afastou o venezuelano das negociações para a libertação de reféns em poder das FARC, quando sua ânsia por publicidade a qualquer custo ficou mais que evidente, ao ponto de atropelar as autoridades colombianas no processo de discussão. O brilho fácil do falatório demagógico e as manchetes igualmente fáceis proporcionadas por suas ações, eram importantes para continuar passando ao povo venezuelano uma imagem de grande líder que ele não é. O presente fuzuê parece ser apenas um sucedâneo para a ação frustrada de conduzir a libertação dos reféns.

Tiranos e tiranetes, mesmo que eleitos pelo voto popular, adoram esse tipo de coisas. Nossa história, infelizmente, está cheia de exemplos do tipo, como o de um ditador que mandou jovens despreparados para a invasão de um remoto arquipélago no Atlântico
Sul, provocando a morte de centenas e centenas de vidas.

Que Hugo Chávez limite-se à sua poltronice verborrágica.


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quinta-feira, janeiro 17, 2008

Senado? Para que?


Eram dois senadores por estado, ao lado de uma Câmara com um monte de deputados.

Em 1977, numa manobra destinada a tirar poder da oposição que crescia, o governo militar criou o terceiro senador por estado. Mexeu, também, na representatividade da Câmara, fazendo com que estados mais desenvolvidos e populosos, São Paulo, principalmente, ficassem sub-representados. Foi criado o eleitor brasileiro de 2ª classe, o eleitor brasileiro que reside e vota em São Paulo, mas também no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, embora com perdas menores.

Ao lado de tudo isso, no Brasil existe uma excrescência chamada “suplente de senador”. Geralmente é um sujeito endinheirado, que financia campanhas dos sujeitos bons de voto e, se esses morrem ou vão para alguma sinecura ainda mais interessante que a senatorial, os suplentes assumem, sem voto, sem representatividade, sem mandato legítimo, mas dotados de poder, voz e voto como qualquer outro senador. Nem sempre o suplente é um sujeito endinheirado, pode ser um parente querido, também. Aliás, é o caso presente: Edson Lobão – que não se perca pelo nome – foi indicado para assumir o Ministério das Minas e Energia. Em seu lugar, no Senado, assumirá Edson Lobão Filho.

Bom, se o pai nada entende de energia e confessa candidamente sua ignorância, o filho, por sua vez, mais com cara e jeito de playboy do que de vetusto senador da república, assumirá a cadeira do papai a bordo de acusações de sonegação, desvio de dinheiro, estelionato e falsidade ideológica. O bravo rapaz, com o luxuoso auxílio de seu tio, irmão de seu pai, transferiu uma empresa e todas as suas imensas dívidas para uma empregada doméstica, analfabeta funcional, dona do portentoso salário mensal de 380 reais e uma dívida de 5,5 milhões de reais só para bancos, fora as dívidas fiscais não anunciadas. O garotão assume, reconhece a laranjice, e dela se arrepende, dizendo que hoje não faria a mesma coisa.

Qui bunitinho! Qui gracinha, não é mesmo?

Como prova de sua honestidade e firmeza de propósitos e caráter, ele diz que não pode ser penalizado por essa dívida bancária, pois nem usufruiu do dinheiro. Coitadinho... Claro, nada disso impediu-o de continuar rico – deve ser fortuna antiga, de família, algo que remonta aos tempos de criação das capitanias hereditárias – e comprar um helicóptero. Mas não para seu deleite, apressa-se a dizer a doce figura filian, e sim para uso de mamãe em sua campanha eleitoral.

Ah, sim, mamãe é deputada federal.

Para quem não sabe, a família Lobão é do Maranhão, aquela capitania hereditária da família Sarney, e também o estado com o menor IDH do Brasil pelo menos até o ano retrasado. Confesso que não tive estômago para procurar o atual IDH maranhense.

Portanto, brasileiras e brasileiros – ops, foi maus... – meus estimados leitores, essa doce criança assume uma cadeira no senado, com papai ministro e mamãe deputada federal. No mesmo senado – melhor usar letra minúscula – que absolveu Renan Calheiros, que continua ativo e influente como se nada tivesse acontecido. O mesmo senado que não passa de um clube de velhos – em sua maior parte – amigos, algo como uma Academia Brasileira de Letras, com o agravante de custarem centenas e centenas de milhões de reais à República. Ou, melhor ainda, bilhões e bilhões de reais. Tudo isso para fazer o que?

Nada.

Nada que seja relevante.

Nada que não pudesse ser feito por uma Câmara dos Deputados atuante e composta por pessoas sérias.

Mas esperar o que de uma Câmara que, nesse ano, com boa vontade, trabalhará somente 4 meses? Ah, sim, pois o resto do tempo estará tomado por férias, recessos e a dedicação em tempo integral à campanha eleitoral, pois 2008 é ano de eleições, pois a pujante democracia brasileira, ano sim, outro não, pára o país por conta das campanhas eleitorais.

É...

Pois é, esse texto tem um cheiro ruim, tem um ranço perigoso de aversão à democracia, não tem?

Até pode ser feita tal leitura, mas não é o que eu penso. Sou radicalmente a favor da democracia e de todas as liberdades democráticas, pelas quais militei boa parte de minha vida. Porém, isso tudo que aí está provoca-me engulhos. Sendo mais direto:

Me dá nojo!

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segunda-feira, dezembro 31, 2007

Muito obrigado


Escrever é tarefa que dá muito prazer e traz, também, muito prazer.


Bom, nem sempre, é verdade. Vez ou outra algum espírito de porco – nada a ver com os torcedores palestrinos, é só a velha expressão popular – aparece e perturba, irrita, até. Não faz mal, entretanto. É baixo preço a pagar pelo muito que tantos outros outros espíritos alegres, inteligentes, agradáveis, proporcionam.




Nesse ano de 2007 o Um Olhar Crônico ficou um tanto abandonado. Espero corrigir isso em 2008. Acreditem, não foi por falta de vontade. Não chegou a ser por falta de tempo em parte desse ano tão veloz. Foi mais por falta de inspiração, mesmo. Outro tanto foi por achar melhor deletar textos que saíram raivosos, chatos, cheios de reclamações, com muita escuridão e pouca luz. É, teve disso, também. Em quase metade do ano a seca detonou, deletou meu humor. Tudo fica melhor quando chove, mesmo com esse calorão brabo.

Em 2007 escrevi muito mais no Olhar Crônico Esportivo, invertendo a ordem como vinham as coisas. Falar futebol em si não é minha praia, confesso. Como já escrevi inclusive no meu perfil, há muito mais gente capacitada, muito melhor capacitada para isso do que eu. Acabei dando maior importância ao que o Marcelo Damato denominou “extracampo”. É bem por aí. Sou mais atraído pelos bastidores, pelos números, pelos planos, do que propriamente pelas jogadas, pelos esquemas táticos, pelas eternas discussões em torno da bola de fulano ou beltrano. A bola, qualquer que seja, qualquer que seja o modo como é jogada, é mais e mais fruto dos bastidores. Tudo que acontece no campo é cada dia mais ditado pelo que acontece extracampo. Essa é a minha praia, não que eu nade bem nela, mas é a minha praia preferencial.

Os blogs fecham 2007 com a média de mais de 8.000 visitas por mês, um número que me enche de orgulho. Negar, seria tolice e presunção. No decorrer do ano, percebi que minha relação com os dois blogs mudou, na verdade, está mudando.

Não abro mão de escrever somente o que penso, mesmo que isso signifique remar na contramão de alguma maioria.

Não abro mão de parecer contraditório e – por que não? – de ser contraditório, mesmo. Tanto posso elogiar Lula, como criticar lulla da Silva. Infelizmente, para todos nós, acho que mais critiquei lulla da Silva do que elogiei Lula. Lamento, mas a culpa por esse desequilíbio não é minha.

Tenho medo das verdades únicas, fundamentalistas. George Bush é assim, Khomeini também era. Assim também o são muitos militantes de muitos partidos políticos, inclusive um tupiniquim.

Sou fundamentalista numa coisa e dela não abro mão: a defesa da democracia. Porém, como a democracia é o oposto do fundamentalismo, ao defendê-la encarniçadamente não sou fundamentalista. Sou apenas um democrata.

Alonguei-me, pra variar.


Muito obrigado pela amizade, pela presença, pelas palavras, pelo incentivo que vocês me deram.



Que 2008 seja um ano melhor do que foi 2007 para todos nós e para esse imenso bananal que todos amamos e gostamos de chamar de Brasil.


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quinta-feira, dezembro 20, 2007

Feliz Natal. Feliz 2008.



Beleza e graça associadas a esforço e persistência.

Elegância e trabalho.

Muito se pode falar desse encontro entre a flor e o colibri...

Essa simples imagem, porém, falará mais do que eu posso escrever.

Melhor ainda, cada um poderá fazer sua própria leitura.


Feliz Natal.

Feliz 2008.

Que a busca da felicidade e a realização no trabalho

tragam flores e néctar, beleza e graça, harmonia e elegância,

saúde e paz.

Emerson


Foto de um beija-flor-tesourão em flor de mini-grevílea.
Sitio das Macaúbas, julho de 2007.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Arrependimento e Dúvida



Confesso que não quero pensar no passado.
Não quero pensar que perdi (ia escrever dediquei, mas mudei de idéia) 15 anos de minha vida e até minha família, embora essa eu tenha recuperado, militando feito um imbecil em nome de democracia, direitos civis, eleições diretas, anistia ampla, geral e irrestrita, e não sei o que mais.

Não quero pensar que fiz o que fiz para dar no que deu.

Sorte minha que arrependimento não mata.


Meu filho está na Europa, fazendo um "mochilão", como ele e os amigos disseram. Depois, virá a vida real, um casamento já no horizonte e...
E o que?

Não será melhor eu fazer meu papel de pai e ligar para ele dizendo para ficar por lá?

Como pai, tenho o direito de deixá-lo voltar para esse bananal infecto?

Estou em dúvida.


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O SENADO MORREU...

O senado estava vivo, mas podre.

Agora acabou de morrer.

Como não será sepultado, esse blog recomenda cuidado com o mau-cheiro.

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sábado, julho 21, 2007

Contra as condecorações da FAB!


No post anterior, Asco e Vergonha, o Rui postou um comentário dizendo que mandou um e-mail pra Força Aérea Brasileira protestando contra a condecoração desse povo da ANAC.

Puxa vida!

Pelo menos isso!

Tão logo acabei a leitura do comentário já estava procurando o site da FAB, onde o Rui achou o Fale Conosco.

O endereço para e-mail é esse:

drp@fab.mil.br

E, na mesma hora, mandei meu protesto pra Força Aérea.

Vai servir para alguma coisa?

Não sei, espero que sim.

Confesso que seria bom demais ver a FAB pedindo as medalhas de volta.

Os blogs Um Olhar Crônico e Um Olhar Crônico Esportivo manifestam seu total repúdio a essas condecorações.

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