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terça-feira, julho 06, 2010

Enquanto isso, na roça...

Um de meus vizinhos comprou sua propriedade há muitos anos. Era, então, terra de cana, meio devastada. A lavoura encostava nas margens dos dois pequenos córregos que fazem parte das divisas da propriedade. Vegetação ciliar, mata ou não, era quase um mito.

Cuidaram da terra e plantaram laranja. Também plantaram árvores em muitos lugares. E as laranjeiras ficaram longe, para os padrões da época, das margens, coisa aí de pouco mais de 30 metros.

Ontem cedo, pouco antes de eu chegar para pegar milho, o pessoal da Polícia Ambiental chegou e aplicou-lhes uma multa de R$ 1.500,00. Motivo: três pés de laranja estão dentro do limite legal de 30 metros que devem ser ocupados por matas ciliares.

É o caso de rir para não fazer besteira.

O novo Código Florestal está em vias de ser aprovado. Apesar de alguns exageros, espero que isso aconteça, pois, caso contrário, estarei na ilegalidade. Eu e quase todo produtor rural desse país. De acordo com os desejos dos povos das cidades, que gostam de comer e beber à tripa forra sem nada saber sobre seus comes & bebes, toda propriedade em diversas regiões brasileiras deve manter um mínimo de 20% de sua área como reserva. Ora, isso é aplicável, mesmo assim a duras penas, em áreas de colonização nova. Onde a agricultura é praticada a cem, duzentos, trezentos anos, pretender tal coisa é absoluta sandice.

Apesar da gritaria dos comedores e bebedores urbanos, o deputado Aldo Rebelo (nunca pensei que viesse a escrever isso) teve a visão e o bom senso de deixar fora desse texto urbanoide as propriedades onde tal situação já é antiga.

Se assim não fosse, eu teria que pegar 20% de minha área, já por si minúscula, e deixar o mato tomar conta. Ou, pior ainda, comprar mudas florestais e plantá-las, numa atividade cuja renda não permite o pagamento de um mísero plano de saúde.

Os povos urbanos nada conhecem da realidade que faz suas vidas confortáveis e suas barrigas imensas, mas adoram, desculpem a expressão, cagar regras sobre ela.

E enquanto isso, no maravilhoso mundo da roça...

Dias atrás, uma bela, aliás, belíssima fazenda da nossa região foi vendida. Cada um de seus quarenta alqueires (área de respeito para o estado de São Paulo) custou a seu novo e felicíssimo proprietário a bagatela de setenta mil reais. Preço baixo, sem dúvida, pelo que é contém a fazenda.

O total da operação ficou em 2,8 milhões de reais, pagos à vista.

E daí? – deve estar se perguntando o leitor impaciente com essa lenga-lenga.

Daí, estimado e pobre leitor, que como eu não deve ter condições de bancar tal compra, é que o comprador da fazenda em questão é figura de notória importância no mundo da política de Pindorama, grande e atrasado país localizado em sua maior parte, ao sul do Equador. Oriundo do que em Pindorama se chama classe média, esse personagem teve o dom fantástico de, ao mesmo tempo, crescer na política e amealhar patrimônio grande o bastante para dar-se a tal luxo, o de comprar uma fazenda para transformá-la em haras. Que beleza. Nessa hora, seu heroi e guia político e intelectual, o velho Leon, deve estar maluco de raiva, se revirando em sua tumba, ao ver tão promissor discípulo tornar-se tão... tão... tão competente, vá.

Em tempo: o sobrenome desse mítico Leon é Trotsky.

sábado, agosto 16, 2008

Espinhos e flores


Reparem na foto abaixo. É final de tarde, o Sol ainda está no horizonte, mas a Aleluia já dorme, depois de passar o dia com a mãe e com os primos. Escolheu como cama o chão embaixo da paineira que está dentro do bezerreiro. Como ela é agitada e brincalhona, o cansaço e a barriga cheia são ótimos indutores do sono.




Indutores do sono...

Quanta poesia... Mas, desde quando este texto é para ser poético?

Tem nada a ver, como vocês verão a seguir.

Pensando bem, nem precisa reparar muito, basta olhar para a foto do tronco da paineira em detalhe.


Viram quantos espinhos?

Pois é. Nem por isso, contudo, a paineira deixa de ser bonita e, ao seu jeito, aconchegante.

Assim, ou mais ou menos assim, é a vida no campo.

Que é, sim, bucólica, agradável, confortável, romântica, poética, que tem lá seus momentos, raríssimos, de sombra e água fresca, mas, que em contrapartida dessas coisas todas, tem também muitos senões.

Muitos espinhos, como a paineira, que é linda e gostosa no verão, com sua sombra generosa, bonita toda vida na primavera, coberta de flores, útil no inverno com suas painas que, como no sítio do Tião, cobrem o chão e dão a impressão passageira e falsa de uma nevasca em pleno interior paulista.

Na paineira, os espinhos têm função protetora.

Na vida campestre, os espinhos têm tudo, menos qualquer função útil. Principalmente quando esses espinhos são humanos e roubam.

Roubam leite e roubam galinhas, como fizeram conosco na semana passada, roubam televisões, geladeiras e aparelhos de som.

Roubam carros, motos e tratores, roubam vacas e carneiam as coitadas em qualquer beirada de asfalto, tirando meio quilo de carne e deixando o resto para os urubus, cachorros, gatos e outros comensais de carnes abandonadas; esse foi o destino da coitada da Gisele, uma das minhas Jersey PO, registrada e tudo, há alguns anos.

Essa semana mesmo, meu amigo A. e sua esposa L., chamemo-los assim, chegou em sua casa, no sítio, e deparou com bandidos fugindo em duas pickups pequenas e uma moto. A porta estava arrombada, mas os vagabundos nada levaram. Não tiveram tempo, felizmente. Mais felizmente ainda, fugiram, sem enfrentamento e as funestas conseqüências que disso poderiam vir.

Não por coincidência, uma semana antes os bandidos, com toda certeza, jogaram um pedaço de carne envenenada e mataram a cachorra que tomava conta da casa do A e da L.

Bom, a polícia foi chamada e compareceu, mas, naturalmente, nada fez, nada fará. Santa Rita do Passa Quatro tem apenas duas viaturas policiais para atender à cidade, à zona rural e ao distrito de Santa Cruz da Estrela. Nem é preciso dizer qual é a prioridade dos policiais, né? Até porque, ir pra zona rural implica em gastar combustível, pegar estradas de terra, ora com lama, ora com poeirão brabo, abrir porteira, passar por mata-burros, essas coisas todas que produtores rurais, e bandidos, são obrigados a fazer, mas que policiais e outras autoridades não gostam de fazer. Exceto, naturalmente, em período eleitoral, como agora.

Nos sítios e fazendas estamos isolados e, literalmente, sem proteção das forças de segurança, cuja existência tem por finalidade a proteção e segurança dos cidadãos.

Ao mesmo tempo, as autoridades e as leis, impedem-nos ou restringem terrivelmente, a possibilidade de auto-defesa. Ter armas em casa, por exemplo, é pedir pra arrumar chifre em cabeça de cavalo. É crime, do qual, naturalmente, estão isentos os bandidos, mas não os moradores da zona rural.




Apesar disso tudo, a vida no campo tem seus atrativos, ao menos para mim.

Como já disse mais de uma vez, o entardecer é um momento meio mágico.

A luz do Sol já baixo no horizonte dá um tom dourado a tudo. Os bezerros mais novos aproveitam o restinho de calor e antecipam a noite, caindo no sono ainda com claridade. Os mais erados ainda ficam zanzando por aqui e por ali, mastigam um pouco de feno, comem um bocadinho de grama, antes de se deitarem.

As noites com a Lua cheia, esplêndida e luminosa, ainda mais nesse céu limpo de inverno, são realmente lindas e despertam as melhores e, geralmente, as piores veias poéticas de muita gente. Gato escaldado que sou, para sorte de vocês fico quieto no meu canto e limito-me a essas mal traçadas linhas. Melhor dizendo, mal digitadas.

No fim, deixei para trás os espinhos da paineira e fiquei com suas flores e painas.


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quarta-feira, agosto 13, 2008

Coisas estranhas no Macaúbas



- E aí, tá tudo em ordem?

- Tudo bem, tudo certo.

- Ótimo. A Aleluia tá boa, desenvolvendo bem?

- Ah, tá, é a mais esperta dos bezerros, tá bem bonitinha.

- Legal, bom mesmo.

- Ah, tem uma coisa meio estranha...

Pronto!

Frio na barriga, o temor toma conta de mim.

Essa frase é sinal de coisa ruim, conheço-a muito bem, assim como o tom de voz.

- Então, o motorista do caminhão do leite trouxe um relatório e disse que o leite da segunda-feira tava sem gordura.

- Como assim sem gordura? Que loucura é essa? Justo as Jersey?

- É, eu achei bem estranho.

- Mas como o leite pode ter ido sem gordura? Não tem lógica.

- É, foi o que eu pensei, também.

...

...

Silêncio da minha parte, silêncio da dele, e a operadora do celular contando o dinheirinho pra sua conta enquanto isso.

- O motorista não falou nada, só isso?

- Só isso.

Conversei mais uma coisinha ou outra com o I. e desliguei, encafifado com a informação: como o ‘meu’ leite não tinha gordura?

Ora, pílulas, leite de Jersey só tem gordura! É riquíssimo, a ponto do próprio Jamie Oliver dizer em seus programas que o melhor creme de leite é o de leite de vacas Jersey! O que só mostra como ele é bom e entende mesmo de gastronomia. Já éramos seus fãs, aqui em casa. Depois disso, então...

Um pouco mais tarde, peguei o telefone e liguei pro Guto, tirador de leite há muito mais tempo, que mora no sítio e vive do leite. Alguém, portanto, que sabe das coisas, tanto as boas como as ruins.

Conversa vai, conversa vem e a bomba explode na minha cara ingênua:

- Emerson, leite sem gordura é leite com água. Roubaram teu leite e colocaram água no lugar.

Fico quieto... Estou pasmo, incrédulo, revoltado, desacorçoado.

- Oi, você ouviu?

- Desculpe, ouvi sim. Duro é acreditar.

- Eu sei como você está se sentindo. Onde você deixa o leite?

- Dentro do resfriador, mas o resfriador fica na varanda, exposto.

- E você não passou uma tranca nele, né?

- Nem pensei nisso.

- Pois então, pode pensar e fazer.

Pronto.

Aqui estou eu às voltas com mais uma das delícias da vida campestre.

Alguém, sabe-se lá quem, embora desconfiemos de alguém, ao invés de pedir, roubou.

Pior que isso, deu-me um duplo prejuízo: roubou o ‘meu’ leite e, em seu lugar, colocou água, afetando assim minha ficha e minha credibilidade junto ao laticínio.

Não bastava o roubo, teve também a sacanagem do prejuízo ao meu nome.

Por que o vagabundo simplesmente não deixou o latão com menos leite, flutuando na água?

Porque além de bandido e vagabundo é burro. Fez isso achando que ninguém iria descobrir e assim ele poderia continuar mamando no meu resfriador.

Só não sei para fazer o que com o leite, pois quem roubou não tem criança pequena na casa e, bem sabemos, tem leite à vontade do próprio local.

Claro, sabemos quem foi, mas não temos provas.

É o mesmo ladrão que levou as galinhas e foi visto por um morador próximo descendo de seu cavalo e levando um monte de sacos vazios na mão.

Agora o resfriador está envolvido por uma corrente, fechada com cadeado. Não que vá impedir, caso a vontade de roubar seja grande, mas atrapalha e atrasa muito o “serviço”, coisa que vagabundo nenhum gosta.

Não vale a pena avisar a polícia, é só perda de tempo, mas assim mesmo eu vou avisar, pois quem rouba um tostão rouba um milhão.

Hoje, galinhas, o galo vermelho que a Rosa adora e leite. Amanhã... Sabe-se lá o que.

Por isso, já tenho visita programada à delegacia tão logo chegue na cidade.

Tem nada, não, a vida no campo, mesmo assim, é gostosa, e é meu sonho e meu destino.

Não, hoje não vou falar sobre as galinhas e o galo vermelho. Lamento.

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quinta-feira, julho 10, 2008

Notícias do 5º e do 1º mundo – aqui mesmo




Formado com 5 tiros

A realidade brasileira é cruel, mas é também irônica e só não é unicamente cômica porque ela é, acima de tudo, trágica.

O soldado da polícia carioca que disparou alguns dos tiros que mataram o garoto João Roberto há alguns dias, na Tijuca, disparou 5 – cinco – tiros durante seu aprendizado. O curso tem a duração de oito meses, apenas, e, segundo alguns policiais, passa-se mais tempo marchando e estudando legislação do que em tarefas relacionadas ao trabalho policial propriamente dito.

Esqueçam tudo que se vê em filmes americanos. Nossa realidade é outra. Nada de disparar centenas de tiros em stands e em cenários simulados, para aprimorar a pontaria e os reflexos, diferenciando a velhinha de oitenta anos de bengala do traficante com um AK 47, não confundindo o garoto correndo atrás da bola com um ladrão de banco com uma 7.65 na mão correndo agachado. Esse tipo de coisa, entre nós, só mesmo nas telinhas dos filmes e séries americanos.

O policial brasileiro não sabe atirar. Não é só o governo carioca que não dá dinheiro para a compra de munição para treinamento. Isso é geral, de norte a sul, do Oiapoque ao Chuí. Um soldado deveria passar dois anos em aprendizado antes de ir para as ruas, na opinião de especialistas. Oito meses, como o caso citado, é exatamente um terço desse período.

Tudo isso sem falar nos salários dos policiais.

Despreparados, no mínimo, os dois policiais dispararam 16 tiros contra o carro em que estava a família de João Roberto.

Quem é mais criminoso? Quem disparou os tiros ou quem manda para as ruas pessoas armadas e dotadas de autoridade sem que tenham a menor condição, seja prática, seja psicológica, de usar uma arma?

Nesse ponto, somos, ainda, 5º mundo.




Segurança de 1º Mundo

O padrão de segurança aceito internacionalmente nos metrôs é de 1,5 ocorrência policial para cada milhão de passageiros. O Metrô de São Paulo atingiu esse índice no primeiro semestre desse ano.

Essa conquista é fruto do trabalho que vem sendo desenvolvido pela operadora do metrô e autoridades policiais nos últimos dez anos. Em 1998 foram registradas 6.500 ocorrências policiais, equivalentes a 9,7 por milhão de passageiros. O ano de 2007 fechou com 1.600 registros, que corresponderam a um índice de 1,9. A continuidade e aprimoramento do trabalho levaram ao índice de 1,5 no primeiro semestre. É bom frisar que no decorrer desses dez anos o número de estações e passageiros aumentou bastante.

Hoje, o maior problema nessa área são os furtos e roubos, que respondem por 48% das ocorrências. Esse tipo de atividade é facilitada pelo grande afluxo de pessoas nas estações-chave: Sé, Barra Funda, Tatuapé, República e Paraíso. Essas cinco estações concentram 42% das ocorrências, deixando o restante para as demais 53 estações do sistema de transporte metropolitano.

Entre as grandes vitórias do pessoal encarregado, está a virtual eliminação de brigas entre torcedores adversários em dias de jogos na Capital. Dias antes de jogos considerados críticos, o pessoal do Metrô e da polícia organiza um verdadeiro “esquema de guerra”, que inclui, além do reforço no policiamento, o monitoramento de sites de relacionamento, como o Orkut, em busca de informações sobre pontos de encontro ou mesmo marcação de brigas. Até mesmo os trens são controlados para que não se encontrem numa estação colocando frente a frente os adversários.

A última ocorrência grave envolvendo torcidas em estações do metrô paulista ocorreu em 2005. O resultado desse trabalho preventivo é considerado tão bom que o exemplo será apresentado em congressos internacionais.

De vez em quando é bom ter alguma coisa boa para melhorar nosso humor e mostrar que com vontade, planejamento e trabalho sério pode-se conseguir melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Até mesmo na área de segurança, mostrando-nos que muitas coisas do 1º mundo não são apenas sonhos impossíveis.



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sábado, abril 12, 2008

Crônica de adoentado


A “marvada” me pegou


Estou derrubado.

O corpo dói, principalmente pernas, garganta e cabeça.

O nariz dá um trabalhão, quando não está aos espirros que provocam dores generalizadas, está escorrendo, ou melhor, querendo escorrer e eu, bom...

Deixa pra lá.

Minha avó, se viva fosse, diria como já disse no passado que “homem é tudo mole, mesmo”. Ela se foi, mas, acreditem, há outras mulheres que falam o mesmo no lugar dela. Não me importo, estão falando a pura verdade, pois essas coisinhas me derrubam mesmo, deixam-me irritado ainda por cima.

Essa marvada gripe tem nome: é a Gripe Dilma.

Pra curar, só com um dossiê de remédios.

Rá rá rá...

Sim, isso foi uma tentativa de risada. Não bastasse estar assim, ainda estou assim por causa da ex-futura-presidente-sem-ser-a-papagaio-de-pirata.

Humpf...

Não creio que seja dengue, meno male. Doencinha besta e velha que está em franca evolução em boa parte do planeta e que vai crescer mais ainda devido ao aquecimento global. É a mais recente previsão da OMS. No Brasil ela parece ter encontrado seu melhor habitat, não por causa de nossas belezas naturais, ou do nosso ambiente, aqui chamado de meio ambiente, ou nossas muitas águas, nada disso. Aqui ela se dá bem à beça por conta da ausência de Governo.

- Ué, como assim, se o que mais temos por aqui são governos?

- Eu disse Governo, companheiro... Governo, entendeu?
Com gê maiúsculo.
Sacou agora? Beleza.

Há vários anos nós - eu e minha equipe - produzimos um belo vídeo com uma proposta interessante. Basicamente, a idéia era que cada prefeitura comprasse um pacote de produtos e ações de uma companhia multinacional. Na linha de frente, os inseticidas contra os vetores da dengue e raticidas. Com esse pacote, uma parte com produtos e algumas ações da empresa, e outra parte com ações da prefeitura, seria criado um programa de trabalho preventivo e educativo nos municípios, atacando diretamente os pontos de infestação. Creio que fizemos esse trabalho ainda no final do século passado, talvez em 99.

Combater a dengue já era uma necessidade mais que evidente. O número de pessoas contaminadas crescia, o combate começava, mas pouco evoluía. O governo federal comprou um monte de coisas, como adora fazer todo governo. Montes de gente em várias partes foram contratados, e com esses montes criou-se uma bela burocracia.

Nada de resultados, porém, e ano a ano a doença espalhou-se à vontade. Hoje, nem vou falar sobre a situação no Rio de Janeiro, que já passou da fase "preocupante" há muito.

Puxa, tomara que eu esteja só com a Gripe Dilma.



46,4 %

Peraí, volto já... O telefone tá tocando.



- Alô! Quem fala?

- Eu.

- Eu quem? É o Emerson?

- Eu, o dono desse aparelho e dessa linha celular.

- É o Emerson?

- Claro que sou eu, pombas.

- Emerson?

- Eu mesmo, reconhece não?

- Ah, reconheci agora, pois meio bobo assim só conheço você.

- Que é isso rapaz, nós estamos falando no meu blog, se liga!

- Como assim falando no seu blog?

- É, eu estou com essa ligação no blog.

- Puxa, que legal.

- Pois é.

- Ué, mas por que você me passou um e-mail pedindo pra te ligar?

- Nada importante, não.

- Como assim?

- Calma, relaxa, liguei pra você só pra você dar uma graninha pro governo.

- Ah, pára com isso, pô! Coisa mais chata.

- Pois é, fica bravo não. Olha, essa nossa ligação tão cheia de conteúdo, demonstrações de amizade e coisa e tal, que está sendo feita do celular, vai custar uns 4 reais pra você, e assim você vai dar dois reais – arredondados – pro governo que você ama.

- Pára de sacanagem e diz logo o que você quer.

- Eu já disse, é só pra você pag... Xiiii, desligou. Acho que perdi o amigo, mas ganhei um post pro Olhar Crônico.


Pois é, estimadíssimas leitoras e, vá lá, estimados leitores. Essa ligação hipotética de um pobre amigo para mim, falando sei lá de onde, custar-lhe-ia por volta de 4 reais. Desses 4 reais, dois teriam ido pro governo.

Porque o bananal é o país com a maior taxação do mundo sobre ligações via celulares. Quase a metade, ou melhor, a metade mesmo da tua conta do telefoninho vai diretinha pros cofres federais.

Dizem que esse dinheirinho abastece as contas, infla os números do superávit primário, o que nos permite viver nesse mundo paradisíaco. Somos o povo, entre as nações com economias com algum destaque, que menos fala ao celular. Todos falam mais que a gente e todos pagam muito menos que nós. As contas médias são mais baixas e o tempo falado é bem maior.

Esses caras de fora são todos umas antas, não sabem ganhar dinheiro mesmo. Deviam estagiar aqui antes de administrarem seus países.

Agora, se me dão licença, tenho que contribuir com os cofres federais, pois tenho alguém para acalmar e trazer de volta para a lista de amigos.

Esse post tá ficando meio caro.


Post scriptum

Meu irmão mora em Nova Iguaçu. Depois de muitos anos no Maranhão e Pará, voltou pro Sul Maravilha. Representa uma empresa paraense que produz polpa de açaí.

Acho legal, a extração do açaí preserva a floresta e preserva o próprio açaizeiro, ao contrário da extração de palmito que mata uma palmeira de 4 metros ou mais para pegar um cilindro de palmito com 40 centímetros de comprimento.

Esse post scriptum é por causa da dengue e não do açaí que meu irmão vende. Explico: ele disse-me que suas vendas diminuíram porque, provavelmente, segundo ele, diminuiu o consumo de gelados. Logo, vende menos açaí.

Pode ser, não duvido de mais nada.

Minha mãe mora com ele. Apesar do calorzinho da Baixada e dela mesma ser calorenta ou friorenta, dependendo mais do humor que do clima, usa calça comprida o dia inteiro e gasta tubos e tubos de repelentes.

Combinamos que, no caso de um deles pegar dengue – cruz credo, tomara que não aconteça! – virão imediatamente para São Paulo em busca de hospital, provavelmente para a minha casa mesmo. A menos que a situação do atendimento médico melhore muito, o que parece difícil pelo que ele contou.

Na Baixada está todo mundo apavorado com a doença do mosquitinho e os hospitais & assemelhados estão lotados, com filas dignas de consulado americano para tirar visto.

É... Welcome to Brazil.

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quarta-feira, abril 09, 2008

Cueca por 1 real...

...usada.

Flashback: toda vez que começo um texto, principalmente para esse Olhar Crônico, tenho que me policiar e controlar fortemente, pois a tendência é escrever “Confesso que...”
Ora, mas que mania besta de confessionário! Confesso, porém, que esse aqui comecei bem diferente - pronto! - mas não deixei de usar o verbinho cuja conjugação na primeira do singular tanto evitava nos tempos das aulas de catecismo. Os únicos, por sinal, que viram-me ligado à religião de maneira formal e, muito menos que isso, presencial, tirando as benditas aulas ainda no primário, pois sem elas não teria primeira comunhão. Ou seja, eu sou daqueles que da missa nunca sabem sequer a metade, ou até parte alguma, pois nunca freqüentei-as de moto e interesse próprios, exceto por motivos políticos em uma outra era já perdida no tempo e nos costumes.

Comprovando que o que mais há nos mármores do inferno é o pessoal cheio de boas intenções, aqui estou eu com as minhas e já com pecados e pecadilhos de infância confessados – de novo o verbo – sem algum texto que tenha a ver com o título completo desse post, que inclui aquela palavrinha de tenebrosas possibilidades para esse caso e peça, “usada”.
Então, com pequeno atraso indigno de uma ANAC, vamos a ele, o texto.

Ontem cedo, por mero acaso, deparei com uma notinha perdida no jornal dizendo que a Polícia Federal, ou a Receita idem, faria um bazar com objetos interessantes, entre os quais uma grande quantidade de garrafas de cristal com vinho do Porto, encomendadas por Edemar Cid Ferreira, aquele que era dono de um banco, presidia a Bienal e mora numa mansão cinematográfica, para presentear amigos & cia. Dizia também a notinha que essas garrafas estariam no leilão por se encontrarem entre os bens apreendidos do famoso traficante Abadia. Ou, provavelmente, foram levadas ao bazar dos bens do traficante para aproveitar a oportunidade.

Esse tipo de gente – Abadia e Cid Ferreira – nunca me interessou. Tampouco seus bens, embora uma das fazendas do bandido seja de dar água na boca, não nego. Todavia, vinho do Porto é líquido de minha especial predileção, seja aqui na Granja, seja no Sítio das Macaúbas. Sou eclético ou sem gosto, dependendo de quem analisa, pois gosto dele ao natural, como deve ser, e também com duas pedrinhas de gelo no começo de uma tarde quente depois do almoço ou no final de uma manhã igualmente quente, antes do almoço. Gosto é gosto, digo em minha defesa, e à noite meu copinho metido a besta não sabe o que é gelo. Se do vinho sou consumidor esporádico, apesar do prazer que ele proporciona, garrafas de cristal não fazem parte da minha listinha de compras nos “valmartis”, “extras” e “carrefurs” da vida. Se além de feitas em cristal da melhor qualidade, provavelmente em algum lugar de nome esquisito da antiga Tchecoslováquia, ainda por cima, ou por dentro, contiverem vinho do Porto de qualidade similar e idade avançada... Bom, aí é que não fará parte de qualquer uma de minhas listinhas de compra.

Lida a notícia, meus neurônios associados às papilas gustativas puseram-se a funcionar. Durante dois, talvez três minutos, acalentei a idéia de pegar o carro e dar um pulinho no Jockey para ver o tal bazar. Mas só de lembrar na encheção que é estacionar o carro, o trânsito e não sei o que mais, desisti e fui cuidar de meus afazeres, multiplicados pela solidão temporária nesse casarão, misturando roteiros e telefonemas com vassouradas e aspiradas de pó.

...

É... Pegou mal, ainda mais num texto em que há menções a um traficante. Explico, para que dúvidas não pairem: as aspiradas de pó citadas não passam disso: reúno o pó e o pelo caído dos cachorros com a vassoura e em seguida ligo uma máquina maravilhosa que tudo aspira, o aspirador de pó. Esse escriba, portanto, continua escrevendo suas sandices habituais unicamente com a ajuda de neurônios de má qualidade, mas naturais, sem nenhum turbinamento.

Nessa manhã seguinte ao bazar, a primeira página do jornal é tomada pela chama olímpica maculada, apagada, reacesa com a chama de algum isqueiro, enfim, uma ridícula chama olímpica digna do governo do país que vai abrigar os próximos Jogos Olímpicos.

A manchete principal, porém, diz que a Polícia Federal apreendeu computadores da Casa Civil do governo federal.
O mensalão, como se pode ver, nunca acabou, no que diz respeito ao envolvimento permanente desse governo com forças policiais. Entre outras chamadas que não vêm ao caso, uma chama minha atenção e leva-me a lê-la antes da sacrossanta leitura do caderno de esportes: “Bazar de Abadia termina em tumulto”.

Ora, ora...

Centenas de pessoas ficaram de fora, sem poder entrar.
Um rapaz saiu de Sorocaba em plena madrugada, chegou às 07:30 da manhã, passou o dia inteiro em pé esperando para entrar e nada. Como ele, mais um monte de histórias na linha “cheguei cedo, fiquei o dia inteiro, não me deixaram entrar”. Um dos felizardos que entrou saiu carregado de compras, inclusive toda a roupa do corpo e mais o boné, sendo confundido, ou “confundido”, com o traficante. Diz a reportagem que entre os muitos bens vendidos – brinquedos, perfumes, quinquilharias, roupas, tinha cuecas usadas – presumo que pelo traficante – que foram vendidas a 1 real.

Cueca usada por um traficante vendida por 1 real.

Ok, não vejo problemas nisso.

Mas, faço eu parte da mesma espécie biológica que abriga seres capazes de comprar cuecas usadas por um traficante de drogas, ainda que por 1 mísero real?

Sim, infelizmente faço, fazemos todos.

Antes que apontem seus dedos acusadores para mim: vinho do Porto em garrafa de cristal de trambiqueiro do mercado financeiro não é a mesma coisa. Até parece, mas não é.

Eu acho...


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segunda-feira, março 24, 2008

Volta pra tua terra


Essa frase, dita por crianças de escolas paulistanas e transcrita em matéria do Estadão de ontem, despertou-me a lembrança de outros tempos já perdidos na memória e idêntica situação.

“Volta pra tua terra” é frase simples, eloqüente, fácil de ser falada e mais ainda de ser compreendida por quem a ouve. Quatro décadas atrás era ouvida por garotos coreanos, árabes e portugueses, cujos pais imigravam para o Brasil em busca de oportunidade de uma vida melhor ou, simplesmente, em busca de paz. Durante um ano um coreano esteve na mesma classe que eu, em processo de adaptação. Mais velho, era um gênio em matemática e ciências, e sofria com a gramática e a história da Terra de Vera Cruz. Sofria, também, com alguns dos colegas de classe. Além de ser o estranho no ninho, atraindo a curiosidade, sempre, a amizade, raramente, era vítima, também, do preconceito de jovens adolescentes que manifestavam sua maldade com frases cortantes como essa.

Creio que tudo era mais cruel com os portugueses, tanto os que vieram da metrópole como os que vieram das colônias africanas. Entendiam a língua e, portanto, além de sentir, também entendiam as frases que eram proferidas contra eles. Uma adolescente, porém, era menos mal tratada que os outros, a “Turquinha”. Nunca soube se ela era turca mesmo ou se era síria, libanesa, palestina. Naquela época, as pessoas referiam-se a qualquer um vindo do Oriente Médio e arredores como “turco”. A diferença em relação à “Turquinha” era o dinheiro de seu pai, que tinha um carrão, um Aero Willys, e morava numa casa grande e bonita. O preconceito é sempre maior, quando não único, contra a pobreza.

A matéria do Estadão entristeceu-me.

São Paulo é terra de migrantes e imigrantes. Meus bisavós maternos desembarcaram em Santos vindos da Calábria. Meu avô materno veio das Minas Gerais para o interior de São Paulo, onde conheceu minha avó italianinha. Meu pai, mesmo, ainda adolescente deixou o cerradão mineiro e veio para São Paulo. Os bisavós de minha esposa vieram da Espanha e da Itália. Cresci comendo macarrão e quibe, charutinho e lasagna, além do arroz com feijão e da feijoada de lei. A diversidade cultural sempre esteve presente na vida paulistana a partir do século XIX.

Hoje, bolivianos, colombianos, argentinos, uruguaios, peruanos, ao lado de angolanos, nigerianos, moçambicanos, árabes de pátrias diversas, chineses, entre pessoas de muitas outras origens, vivem e trabalham nessa cidade. Nas escolas, seus filhos ouvem a mesma coisa que muitos deles também ouvem em seus locais de trabalho:

- Volta pra tua terra.

- Aqui não é teu lugar.

- Não gostamos de você.

Nas escolas, as frases são muitas vezes seguidas pelo roubo puro e simples do dinheiro para o lanche. Há quatro décadas o preconceito era o mesmo e as frases eram as mesmas, mas o roubo não existia.

O preconceito não se revela só contra pessoas de outras nacionalidades. Seria cômico, se não fosse trágico e profundamente triste, saber que as mesmas frases são usadas contra crianças vindas de outros estados. Dessas a matéria não fala, mas os casos existem e não são diferentes. Da mesma forma, ele revela-se mais contra os pobre do que contra os remediados ou ricos. Aliás, é difícil haver preconceito contra ricos, e quando existe fica escondido, exceto nos momentos de conflagração.

Nem tudo é tristeza e dor, entretanto. O artigo fala também das crianças integradas, como um menino e sua irmã, bolivianos, tão bem aceitos ao ponto de expressões em castelhano já fazerem parte do dia-a-dia dos colegas na escola. Nesse caso, todos estão ganhando, conhecendo-se, aprendendo e crescendo como seres humanos.

Essa matéria está disponível no site do Estado de S.Paulo mesmo para quem não é assinante: http://txt.estado.com.br/editorias/2008/03/23/ger-1.93.7.20080323.3.1.xml

Vale a leitura.

Sempre é bom conhecer um pouco mais sobre nós mesmos, os brasileiros.

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segunda-feira, dezembro 31, 2007

Brasilidades de fim de ano antes que o ano acabe


Pequenos tópicos, sem profundidade, captados aqui e ali pela imprensa nos últimos sessenta, oitenta dias. Aumentar essa colheita para todo o ano, bem como fazê-la com um olhar mais atento que um mero olhar crônico, seria impossível para um mero ser humano como eu. Fica, então, só essa colheitinha, uma pequena amostra...


- Para acabar com o caos aéreo...

O governo e a ANAC (que é, mas não deveria ser governo) vão aumentar as tarifas de Congonhas. A proposta é dobrar o valor da taxa de embarque para o passageiro e multiplicar por doze – repito: doze – os custos das empresas para operarem em Congonhas, custos que, naturalmente, serão incorporados às passagens aéreas dos... passageiros, os mesmos que terão a taxa de embarque multiplicada por dois. Essa tática é velha: acabe com a doença, mate o doente.


- Um choque de eficiência

A cada trimestre, todo trimestre...

A cada semestre, todo semestre...

A cada ano, todo santo ano...

A mesma história e as mesmas manchetes se repetem nos últimos anos: crescimentos assombrosos nos lucros do Bradesco, do Itaú & Cia. Bella. Números espantosos, tão portentosos que até fariam corar velhos barões capitalistas e reis da banca, como os Rothschild, Morgan e Rockfeller, entre outros.

Quebrando essa mesmice chata, repetitiva, sem graça, a Caixa (a Federal, claro), anunciou um baita prejuízo no penúltimo trimestre de 2007.

Coisa de gênios, sem a menor dúvida.

Se bem que a explicação foi boa: gastos com pessoal.

Ah, entendi...



- Minério vai por nada e vagões vêm por pouco, mas muito mais

A Vale vai comprar 10.000 vagões ferroviários.

Alvoroço no mercado.

Mas a Vale não joga dinheiro fora e quer preços competitivos da indústria nacional.

Competitivos com a indústria chinesa de vagões.

As empresas brasileiras chiam, em parte com razão.

As empresas chinesas pensam em comprar mais ferro do Brasil.

Sim, vendemos minério de ferro para a China. O frete Tubarão/Xangai é mais caro que o custo do minério.

Os chineses usam o minério brasileiro, fazem chapas de aço e outras coisas, e com elas fabricam vagões ferroviários.

Embarcam esses vagões em grandes navios até os portos de Tubarão e Itaqui, onde eles chegam muito mais barato que os vagões fabricados aqui mesmo.

A diferença maior, entre outras, é que os vagões chineses chegam vazios aos portos tupiniquins, ao passo que os vagões brasilianos chegam carregados...

De impostos.


- Criar boi para importar sapato

A Europa e o mundo curvam-se diante de nossa criação de bois.

Menos a China e os chineses.

Eles compram o couro de nossos bois, já curtidos.

O processo de curtição é muito ruim, fedido e poluente, e é feito todo aqui.

Eles cortam e recortam e moldam os pedaços de couro.

Fazem um, dois, dez, cem, trocentos mil pares de calçados diversos.

Colocam-nos em grandes containers, que vão para grandes navios, que trazem-nos para o Brasil, terra do couro.

Dos navios para as lojas a preço de banana.

Nos últimos anos, a indústria calçadista fechou, encerrou, eliminou, deletou, mais de trinta mil vagas nas indústrias de calçados no interior paulista e gaúcho.

Nada como ser malandro, é o que eu sempre digo.


- As chuvas chegaram!

Mas não o socorro para as vítimas da seca.

Uma parte do sertão do Piauí vem sofrendo barbaramente com a seca inclemente.

Há cinco meses foi aprovada, depois de muitas delongas e muito nhenhenhém, uma verba de 3,2 milhões de reais – é, esse miserê mesmo, coisa de dez por cento ou menos de um único mês de mensalão – para reativar cem poços artesianos e pagar o transporte de água em caminhões-pipa.

Tudo isso coisa para gente pobre, ou melhor, miserável, aquelas pessoas que deram seus votos... Bom, deixa pra lá.

Cinco meses...

A verba ainda dorme nos cofres federais.

As chuvas, felizmente, chegaram ao sertão.

Em novembro ainda era pouca a chuva e a verba fazia-se necessária.

Tem-se notícias de mais chuvas, mas não se tem notícias da liberação real e verdadeira dos míseros três milhões e duzentos mil.


- A vanguarda do atraso

Sob esse título milhões de coisas podem ser descritas e escritas, no Brasil e em toda a América Latina.

Todo governador tupiniquim quer porque quer indústrias em seu estado. Não importa qual seja o estado, não importa qual seja a indústria.

Há que ter indústrias.

Há que ter progresso.

Há que ter riquezas.

Há que ter, sobretudo, os muitos empregos que uma indústria gera.

A CAOA, grupo tupiniquim, é dona da fábrica Hyundai em Anápolis, cidade entre Brasília e Goiânia, que abriga a mais importante base aérea do país, de onde decolavam, antes de virarem sucata, os Mirage do Grupo de Caça da FAB.

A CAOA vai investir cem milhões de dólares na fábrica de Anápolis em 2008.

A CAOA vai comprar cem milhões de dólares em robôs, para uso na linha de montagem.

Depois todo mundo critica as usinas de açúcar que fazem colheita mecânica da cana, porque acabam com o “emprego” de milhares de brasileiros.

Nada como ter perspectiva.


- Meia volta, volver!

lulla da Silva mudou o discurso.

Depois de empurrar goela abaixo as usinas do Madeira e a transposição das águas do São Francisco, ele agora promete para 2008 nova e rigorosa lei de proteção ambiental, etc e tal.

Enquanto seus projetos faraônicos eram bombardeados por conta dos imensos – e não solucionados riscos ambientais – ele dizia que o progresso não podia ser detido por causa dos “bagres” de um rio. Dizia, também, que sete ou nove ou dez ou doze milhões de pessoas (os números sempre variaram de acordo com o humor) não poderiam morrer de sede enquanto as águas do Velho Chico corriam sem uso ali “por perto”.

Agora, com as pirâmides, digo, usinas e transposição já em construção ou prestes a começar, viva o ambiente, viva a preservação do que temos e do futuro que precisamos.


Chega! Daqui a pouco será hora de abrir champagne, prosecco ou um simples lambrusco, para não dizer uma ainda mais simples cidra, e bebemorar a passagem de 2007 para 2008.

Para que pensar em brasilidades?

Tenho que pensar na compra de um carrinho básico e nas 99 prestações do bichinho.


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quarta-feira, agosto 01, 2007

sábado, junho 23, 2007

Realidade: Pequenas Doses 23 06 07



Uma Excelência

Um juiz trabalhista ganha quanto por mês? Doze, quinze, dezoito mil reais? É disso pra cima. Ao se aposentar, continuará recebendo a mesma coisa, coisa de nababo, privilégio de quem “se devota ao serviço público”. Serviço, claro, que é sustentado pela massa que se aposenta e ganha de trezentos a dois mil por mês. E olhe lá. Ser juiz no Brasil é o que se pode chamar de privilégio.

Pois bem, um desses privilegiados, trabalhando em Cascavel, no oeste do Paraná, cancelou uma audiência envolvendo um trabalhador rural, no momento desempregado, e jogou-a para mais de dois meses adiante, porque a vítima – sim, nesse caso o sujeito é vítima – estava usando o uniforme oficial do pobre brasileiro: chinelo de dedos, a popular “havaiana”.

S.Excia. disse que aquilo era um desrespeito ao tribunal.

Bom, só posso dizer que S.Excia. é um desrespeito aos seres humanos.

Outra Excelência

Renan Calheiros, Senador da República por Alagoas, Presidente do Senado, ora sob suspeitas diversas, além de adúltero confesso, no mínimo dos mínimos, vem declarando em alto e bom som “daqui ninguém me tira, eu não vou sair”...

O “daqui” é a sua presidência, que o coloca como o terceiro homem da República, em caso de impedimento do presidente.

Vale dizer que S.Excia. senatorial é o melhor criador de bois do mundo. É mais do que admirável a forma como suas vacas se reproduzem e a forma como seus bois são vendidos, sem falar nas quantias obtidas.

Um portento, um exemplo para todos nós.


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sábado, junho 16, 2007

Realidade: Pequenas Doses 16 06 07


Oriente Médio – Creio que inenarrável é um termo adequado para os eventos dessa região, em particular o atual. Já vimos de tudo por ali, onde nasceram as duas maiores religiões do mundo e onde uma outra, não tão grande, mas muito importante, também nasceu. As guerras, revoltas, dominações, crises, sucederam-se ao longo dos séculos, a bem dizer desde o começo dos tempos. A guerra da hora é a luta entre palestinos. Rivais dentro do mesmo povo se destroem uns aos outros, acabando com o pouco de estrutura, racionalidade e, por que não? – civilização que conseguiram construir em meio à pobreza.

Sem comentários.

Exército em ação – Contra o Velho Chico. Na calada dos escândalos, forças do Exercito Brasileiro entraram em ação na divisa Bahia/Pernambuco, e começaram as obras para a transposição de águas do Rio São Francisco, o combalido e ameaçado Velho Chico, para os sertões de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.

O “bravo” Ibama da ministra que resiste, não resistiu e entregou-se ao desejo maior do grande líder e guia espiritual dos povos brasileiros.

Todas as muitas, inúmeras vozes categorizadas que se ergueram contra essa barbaridade foram ignoradas.

E sequer se fala na revitalização do rio.

E segue a obra.

Agora virá a fase da descarga de uma dinheirama sem tamanho.

Ah, tá, agora entendi.

Ainda presidente – O Senador Renan Calheiros, amante da jornalista Mônica Veloso, portentoso e fabuloso criador de bois nos sertões das Alagoas, segue presidente do Senado.

A República segue igual ao que sempre foi.

Sem novidades.


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quinta-feira, junho 14, 2007

Realidade: Pequenas Doses 14 06 07

Super-vacas para um super-senador

O Brasil e os brasileiros têm muito a aprender com seus parlamentares. Até mesmo nossos pecuaristas.

Inegavelmente, a pecuária de corte brasileira – e a de leite também – está entre as melhores e mais eficientes do mundo. Todavia, tem muito ainda a evoluir, como comprova um simples olhar às prestações de conta do Senador Renan Calheiros, Presidente do Senado da República (estou usando maiúsculas para demonstrar meu temor e respeito por tão nobre casa e tão poderoso senhor).

As vacas do senador – e já aviso aos maledicentes e espíritos-de-porco que estou a referir-me única e exclusivamente aos bovídeos que o nobre parlamentar cria em fazendas espalhadas por Alagoas, estado que, como sabem todos, é abençoado pela natureza com águas fartas, chuvas idem, solos férteis, desmentindo, portanto, livros e escritos outros de gente como um tal Graciliano Ramos, que só enxergava securas e feiuras nas Alagoas, claro que por ainda não conhecer as fazendas senatoriais – são as mais eficientes e produtivas de todas que pastejam e estercam os solos e pastos dessa Terra de Vera Cruz. Vou mais longe: perde o tempo o senador com as lides senatoriais, nobres e necessárias ao bem-estar da República e de nós, comuns mortais. Com tão fantásticos predicados pecuarísticos, S.Excia. deveria ser, por mérito próprio absoluto, o Ministro da Agricultura. Se cada um de nós, míseros produtores rurais, seguisse ainda que parcialmente o exemplo do senador, o Brasil...

Ok, deixa pra lá, deixa quieto como seria o Brasil.


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quarta-feira, junho 13, 2007

Realidade: Pequenas Doses 13 06 07

Consuma com moderação.



Dose 1 – A brava Terra de Vera Cruz conseguiu: estamos fora da Estação Espacial Internacional, a ISS.

Eram 16 países participantes e ao Brasil caberia a produção de diversos equipamentos no valor total de míseros 120 milhões de dólares. A contrapartida primeira e mais importante seria a capacitação de centros de pesquisa e indústrias na área de alta tecnologia. Entre outros benefícios futuros ligados ao funcionamento da Estação, teríamos nosso primeiro astronauta subindo de graça em 2009.

Nada disso vai acontecer. Em dez anos não entregamos sequer um parafuso.

Mas fizemos propaganda com um ridículo vôo turístico, ao preço, somente ele, de 10 milhões de dólares – pelo menos esse foi o valor declarado.

A ISS agora tem somente 15 países-membros.

Dose 2 – Em estudo divulgado na revista Science, pesquisadores ligados à ong The Nature Conservancy, comunicaram que plantas transgênicas portadoras do gene BT, não são, necessariamente, prejudiciais à natureza.

Esse gene é responsável pela produção de uma toxina fatal a diversos insetos que atacam as plantas e existe na natureza no Bacillus turingiensis, daí seu nome. Lavouras com plantas BT tiveram detectados maior número e diversidade de insetos que lavouras convencionais tratadas com inseticidas.

Claro que ambas perdem para lavouras convencionais sem inseticida.

E, também, quase sem produção, é bom que se esclareça.


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segunda-feira, junho 11, 2007

Realidade: Pequenas Doses 11 06 07

Post vazio...


Esse post está vazio, mas não por falta de idéias ou assuntos.

É que nesse post eu falaria sobre o irmão mais velho do presidente.
Nesse post eu falaria sobre o compadre do presidente.
Nesse post eu falaria sobre os amigos do presidente.

Os novos amigos do presidente, bem entendido.
Pois os velhos amigos, gente como Silvinho Land Rover, Delúbio sem apelido porque não precisa, Zé Dirceu, Toninho Palocci, bom, esses todo mundo conhece e todo mundo já esqueceu.

Agora é tempo dos novos amigos.
Novo tempo, nova safra, os mesmos frutos podres.

Mas eu não vou falar sobre isso.
Porque eu não sou besta.
E vai que o presidente vira um chávez tupiniquim e aí, eu, ó... Top top top...

Esse post, oficialmente, está vazio.


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Realidade: Pequenas Doses 10 06 07


52 Graus Centígrados!

Só em dose minúscula




Ainda não é o global warming na acepção da palavra, mas já dá uma idéia do que nos espera mais adiante. Mais de 120 pessoas morreram ontem e anteontem na India e no Paquistão, por causa da temperatura que chegou aos 52 graus centígrados.
O motivo para essas temperaturas entre 48 e 52 graus teria sido a ação de ventos provenientes do Deserto de Thar.
Essas ondas de calor nessa época são comuns e com frequência as temperaturas passam dos 45 graus centígrados. O recorde foi 52,2 graus em 1992. A previsão para essa semana aponta temperaturas máximas na casa de 45 graus.

Nos dois países as pessoas procuraram cursos d'água, canais, lagos, enfim, qualquer lugar que proporcionasse um mínimo de conforto térmico. Curiosamente, o melhor conforto em situações como essas é a sombra de árvores altas, frondosas, de copas abertas, favorecendo a circulação do ar entre elas e a passagem do ar mais quente presente no nível do solo.

Árvores, plante essa idéia.


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domingo, junho 03, 2007

Realidade: pequenas doses 01 06 07

A luz para todos

O governo federal destinou 9 bilhões de reais para um programa destinado a levar eletricidade – e a luz – aos últimos doze milhões de brasileiros sem esse benefício do século XIX. Um terço desse dinheiro já saiu dos cofres públicos. Muita gente que já consta como eletrificada continua no escuro. Em muitos, a energia chega até a porta, mas não entra. Em outras muitas, a fiação e os postes deram lugar a um coletor solar que pode ligar três lâmpadas fracas e, durante algumas horas, uma televisão. Geladeira e chuveiro nem pensar.

Mas a televisão chegou. É a luz para todos.

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