quinta-feira, julho 24, 2008

Do tempo de Cristo




Há algumas semanas esperávamos pelo jantar na casa do César e da Rose, nossos vizinhos de sítio, papeando, eu e Cesar, sobre futebol ou sobre vacas, meus assuntos prediletos, e agora também os dele. Conversa vai, conversa vem, veio uma bela salada de alface para a mesa. A Rose disse que aquela alface era ‘velha’, era alface plantada pela dona Terezinha, usando sementes que veio guardando ano após ano desde há muito tempo. Ao comer, reparei que o sabor era mais intenso, era um sabor que eu conhecia de outros tempos, o gosto de alface era mais pronunciado. De fato, estava comendo uma alface de outros e velhos tempos.

Lembrei-me, como sempre lembro, de uma passagem de “Fazenda Malabar”, hoje e sempre meu livro de cabeceira sobre ser agricultor e criador, escrito por Louis Bromfield, romancista e agricultor americano, que viveu toda a primeira metade do século XX e poucos, pouquíssimos anos da sua segunda metade. Mais de uma vez Bromfield fala de velhas variedades de frutas e vegetais, desenvolvidas muito antes dos modernos tempos das grandes cidades, grandes populações e grandes distâncias a serem percorridas pelos produtos que vão à mesa dos citadinos, exigindo a produção em larga escala, a baixo custo, de produtos desenvolvidos para suportarem transporte e armazenamento sem perda da qualidade aparente. Aparente, sim, pois nesses produtos, já naquela época, era mais importante uma boa aparência para os incautos consumidores urbanos do que, propriamente, qualidades como sabor e textura.

Já nos anos quarenta, quando “Fazenda Malabar” foi escrito, ou seja, há pouco mais de cinqüenta anos, o mercado consumidor começava orientar o produtor para receber produtos mais bonitos, mais vistosos, que antes de irem à boca enchessem os olhos, que por sua vez iriam cuidar de aguçar o desejo em nossos primitivos cérebros.

Os pêssegos estavam na linha de frente das frutas modificadas. Já eram grandes e bonitos, suculentos, sem dúvida, mas de sabor ausente ou quase nulo. As maçãs tampouco haviam escapado à sina do modernismo agrícola, e por essa rota podíamos seguir enumerando outros produtos. Uma coisa era certa: as maçãs Golden Delicious que os americanos comiam estavam a anos-luz da fruta que a serpente deu para Eva, segundo o relato bíblico.

Isso me leva a pensar: tinha tâmaras na Última Ceia?

É provável que sim, é bem provável, pois a tâmara era alimento de grande importância no Oriente Médio da época de Cristo. E aqui vem o porquê dessa crônica hoje.

Entre 1963 e 1965, arqueólogos descobriram diversas sementes numa escavação na fortaleza de Massada, às margens do Mar Morto, que foi destruído pelos romanos no ano 73 de nossa era. Em 2005, algumas das sementes foram identificadas como sendo de tâmaras e foram datadas pelo Carbono 14 como coletadas no período entre 200 a.C. e 25 d.C. São, portanto, sementes de uma tâmara que não mais existe há muitos séculos.

Três delas foram plantadas em vasos e uma germinou, dois mil anos depois de ter sido colhida.

É a planta cuja foto ilustra esse post. A partir de material genético retirado dela, pesquisadores descobriram que ela é diferente de todas as modernas tamareiras existentes. As mais parecidas são as cultivadas no Iraque, e as mais distantes em termos genéticos são, também, as mais distantes geograficamente, cultivadas no Marrocos.

Restam, ainda, alguns anos para essa tamareira atingir sua maturidade – bom, não deixa de ser meio divertido escrever isso sobre uma planta cuja semente já tinha 2.000 anos – e só então os pesquisadores saberão se essa planta é macho ou fêmea. Se for do sexo feminino, será menos difícil conseguir polinizar suas flores com pólen de tamareiras modernas, gerando frutos com características dos antigos, mas não exatamente iguais. O ideal, para a pesquisa, para o conhecimento e – por que não? – para o paladar e o mercado, seria o plantio das outras sementes, obtendo-se mais plantas, entre as quais, com certeza, machos e fêmeas, possibilitando a produção de frutos com dois mil anos de idade.

Possivelmente, frutos idênticos aos que foram consumidos na Última Ceia.

Mas...

Sempre há um ‘mas’, até para produzir tâmaras do tempo de Cristo.

A objeção, nesse caso, parece vir dos arqueólogos que, pelo que pude entender da matéria, não estariam muito dispostos a ceder outras sementes para plantio e precisariam ser convencidos da grandeza desse gesto. Várias grandezas, desde a biológica, agronômica e genética, até a gastronômica, sem falar do valor religioso.

Que “São” Indiana Jones ilumine as mentes dos arqueólogos guardiões das sementes.


Enquanto isso acontece em terras d’além-mar, em breve estarei na casa da dona Terezinha e do seu Alcindo, para uma visita, um café, uns ‘par’ de dedos de prosa e, quem sabe, meia dúzia de sementes de alface das antigas.



A horta do sítio, agora em processo de reconstrução, agradecerá.


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terça-feira, julho 22, 2008

Kazumba, Luar, Macaúbas & outras...

... fotos, textos e coisas da roça, no Sítio das Macaúbas.

Onde os dias continuam ensolarados e quentes, mas só ao sol, pois na sombra logo dá frio.
Se os dias são quentes, as noites têm sido ora frias, ora geladas.
Ótimo para as vacas, bezerros inclusive.
Pela manhã, com sete graus cravadinhos, fica difícil levantar do chão quentinho e começar o dia.






Kazumba, ganhando seu primeiro 'banho', minutos depois de vir ao mundo, na manhã de segunda-feira, dia 21 de julho.
Sua mãe é a Morena, filha da Malhada.
Seu pai é o Minuto, cada dia mais imponente e mais Jersey.





O beija-flor-tesoura, morador permanente do Macaúbas, na flor da eritrina, ou eritrina-candelabro, ou, ainda, mulungu.









Luar sobre o Macaúbas...
A cheia já começou a minguar, mas a Lua ainda é imponente, brilhante, iluminando as noites geladas.




Esse montinho embaixo da mangueira não é bem um montinho, é uma porção de capim tifton bem desenvolvido, bem bonito.
Como não foi comido pelas vacas?
Por que está tão grande e viçoso em meio ao rapado geral do restante?

Simples: algumas galinhas dormem nos galhos sobre ele, que recebe, noite após noite, boa carga de esterco que é o melhor adubo que o capim pode querer.
Como toda noite tem mais esterco fresco, as vacas vêm, cheiram e vão embora.
O capim fica, felizmente, pois vamos aproveitá-lo para fazer alguns replantios nas proximidades.






Eis um belo cacho de macaúbas.

O brilho vem da luz do Sol que está se pondo, uma luz dourada, que combina à perfeição com os pequenos cocos.

Logo mais eles estarão no ponto para as maritacas e tucanos comerem.







Florinda, em sua primeira entrada no Olhar Crônico.
Um olhar mais atento verá que ela está com sua pelagem de inverno, mais grossa e quente, necessária para as madrugadas na base de cinco a sete graus.



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quinta-feira, julho 10, 2008

Notícias do 5º e do 1º mundo – aqui mesmo




Formado com 5 tiros

A realidade brasileira é cruel, mas é também irônica e só não é unicamente cômica porque ela é, acima de tudo, trágica.

O soldado da polícia carioca que disparou alguns dos tiros que mataram o garoto João Roberto há alguns dias, na Tijuca, disparou 5 – cinco – tiros durante seu aprendizado. O curso tem a duração de oito meses, apenas, e, segundo alguns policiais, passa-se mais tempo marchando e estudando legislação do que em tarefas relacionadas ao trabalho policial propriamente dito.

Esqueçam tudo que se vê em filmes americanos. Nossa realidade é outra. Nada de disparar centenas de tiros em stands e em cenários simulados, para aprimorar a pontaria e os reflexos, diferenciando a velhinha de oitenta anos de bengala do traficante com um AK 47, não confundindo o garoto correndo atrás da bola com um ladrão de banco com uma 7.65 na mão correndo agachado. Esse tipo de coisa, entre nós, só mesmo nas telinhas dos filmes e séries americanos.

O policial brasileiro não sabe atirar. Não é só o governo carioca que não dá dinheiro para a compra de munição para treinamento. Isso é geral, de norte a sul, do Oiapoque ao Chuí. Um soldado deveria passar dois anos em aprendizado antes de ir para as ruas, na opinião de especialistas. Oito meses, como o caso citado, é exatamente um terço desse período.

Tudo isso sem falar nos salários dos policiais.

Despreparados, no mínimo, os dois policiais dispararam 16 tiros contra o carro em que estava a família de João Roberto.

Quem é mais criminoso? Quem disparou os tiros ou quem manda para as ruas pessoas armadas e dotadas de autoridade sem que tenham a menor condição, seja prática, seja psicológica, de usar uma arma?

Nesse ponto, somos, ainda, 5º mundo.




Segurança de 1º Mundo

O padrão de segurança aceito internacionalmente nos metrôs é de 1,5 ocorrência policial para cada milhão de passageiros. O Metrô de São Paulo atingiu esse índice no primeiro semestre desse ano.

Essa conquista é fruto do trabalho que vem sendo desenvolvido pela operadora do metrô e autoridades policiais nos últimos dez anos. Em 1998 foram registradas 6.500 ocorrências policiais, equivalentes a 9,7 por milhão de passageiros. O ano de 2007 fechou com 1.600 registros, que corresponderam a um índice de 1,9. A continuidade e aprimoramento do trabalho levaram ao índice de 1,5 no primeiro semestre. É bom frisar que no decorrer desses dez anos o número de estações e passageiros aumentou bastante.

Hoje, o maior problema nessa área são os furtos e roubos, que respondem por 48% das ocorrências. Esse tipo de atividade é facilitada pelo grande afluxo de pessoas nas estações-chave: Sé, Barra Funda, Tatuapé, República e Paraíso. Essas cinco estações concentram 42% das ocorrências, deixando o restante para as demais 53 estações do sistema de transporte metropolitano.

Entre as grandes vitórias do pessoal encarregado, está a virtual eliminação de brigas entre torcedores adversários em dias de jogos na Capital. Dias antes de jogos considerados críticos, o pessoal do Metrô e da polícia organiza um verdadeiro “esquema de guerra”, que inclui, além do reforço no policiamento, o monitoramento de sites de relacionamento, como o Orkut, em busca de informações sobre pontos de encontro ou mesmo marcação de brigas. Até mesmo os trens são controlados para que não se encontrem numa estação colocando frente a frente os adversários.

A última ocorrência grave envolvendo torcidas em estações do metrô paulista ocorreu em 2005. O resultado desse trabalho preventivo é considerado tão bom que o exemplo será apresentado em congressos internacionais.

De vez em quando é bom ter alguma coisa boa para melhorar nosso humor e mostrar que com vontade, planejamento e trabalho sério pode-se conseguir melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Até mesmo na área de segurança, mostrando-nos que muitas coisas do 1º mundo não são apenas sonhos impossíveis.



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quinta-feira, julho 03, 2008

Aleluia! Ingrid Bettancourt está livre



Essa era a notícia que milhões de pessoas em todo o mundo, não somente na Colômbia, aguardavam. Finalmente, depois de 6 anos de cativeiro em condições desumanas, a Senadora e candidata à presidência do país quando foi capturada pelos bandidos das chamadas FARCs, foi libertada por uma ação militar do exército colombiano com suporte de inteligência dos Estados Unidos.



O drama, porém, ainda não acabou. Outras 25 pessoas permanecem em poder dos bandidos, duas delas desde 1997, sendo 3 civis e 22 militares. Juntamente com a senadora, outros 14 reféns foram igualmente libertados.

Essa notícia alegrou meu final de noite, ontem, fui dormir com a alma mais leve.

Não sou colombiano, não sou parente de Ingrid, mas seu cativeiro atingia-me como ser humano e como alguém que acredita na democracia e nos direitos que devem contemplar todo ser humano. Abomino de forma particularmente intensa todos que, em nome dos direitos humanos, da justiça e da democracia, atacam, justamente, os direitos de outras pessoas, destroem a democracia e a justiça, ou fazem desta, quando no poder, uma caricatura trágica cujo objetivo é dar suporte formal a governos ditatoriais. São duplamente criminosos, assim como o é o policial que a sociedade paga para defendê-la e que adota a criminalidade como seu meio de vida.

Não chamo os bandidos das tais FARCs de guerrilheiros porque não o são. Não passam de meros bandidos, seqüestradores e traficantes de drogas. Chamá-los de guerrilheiros é conspurcar a memória de muitos que foram, efetivamente, combatentes em prol de um estado mais digno em muitos pontos do mundo. Que também cometeram erros e em diversos momentos fizeram tudo que condenavam nas forças que combatiam, mas nunca fizeram disso seu meio de vida e de luta, sua verdadeira razão de ser, como ocorre com os narcotraficantes e seqüestradores colombianos.

Mostrei a fotografia da felicíssima Ingrid hoje cedo para minha mulher e comentei o quanto ela envelheceu nesses seis anos de cativeiro, que ela própria descreveu como “Voltei de uma viagem à pré-história” – uma descrição sucinta e perfeita não só de seu tempo de sofrimento e privação da liberdade e confortos mínimos, inclusive higiênicos, como também do nível mental de seus captores.

Um 'detalhe': quando foi capturada, seu filho tinha 13 anos de idade. Hoje tem 20 anos. Quantas perdas...


O jornal de hoje foi um companheiro muito agradável no café da manhã.

Como há muito tempo não acontecia.



(A pane nos serviços de internet da Telefônica impediu a publicação desse post na manhã de 3 de julho. Depois de 21 horas sem internet, o que atrapalhou meu trabalho e obrigou-me à terrível tarefa de entrar numa agencia bancária, além de impedir parte do lazer do dia, espero que a Telefônica dê um desconto em meu próximo pagamento. É o mínimo que a companhia pode e deve fazer.)


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terça-feira, junho 24, 2008

Árvore da moda


Esse negócio de genealogia, de fazer ou pesquisar sua árvore genealógica anda encantando a gregos e troianos e também a chineses. Está na moda ou, como podemos dizer no ‘brasilianês’ corrente, tá meio que na moda.

Movido pela curiosidade, certo dia bati o olho num livro sobre brasões portugueses e, claro, procurei pelo brasão dos Gonçalves. E não é que existe um? Não tenho a mínima lembrança de como seja ou deixe de ser, mas vi o desenho no livro. Algum tempo depois, mas também há muito já, bati os olhos em outro livro assaz interessante, que listava todos os sobrenomes italianos. Aqui encaixa melhor um “todos”, pois minha folheada foi o suficiente para descobrir que meu Brassaroto ou Brassarotto materno não está listado. Será que é porque é calabrês e o livro terá sido escrito por gente do norte rico, elegante e metido a nobre? Não sei, e como não comprei o tal livro – por inútil e por ser caro – não tenho também a menor idéia sobre o porquê de tal desfeita conosco, os Brassarotos, ou Brassarottos.

Recolhido novamente à minha insignificância nominal, esqueci o assunto que nunca foi, de fato, um assunto. Até que, recentemente, comecei a receber insistentes e-mails, todos na categoria chata dos spams, propondo traçar minha árvore genealógica. Dada a quantidade de tempo perdido no envio de tantas mensagens, o negócio deve ser muito bom e faturar o bastante para manter ocupados o pessoal ocupado com essa tarefa. Ou tão ruim que isso nada mais é que mero desespero de quem precisa faturar um trocadinho qualquer,e por isso dispara contra tudo e contra todos. Já aviso que estou fora do mercado e não quero saber de minha árvore genealógica, mas sei que isso não resolverá e breve receberei novos e-mails.

Até dá vontade de conversar com o “pesquisador”, só para ver sua cara quando eu disser que minha bisavó materna era uma índia do sertão das Minas Geraes. E aí, ‘mano’, como ficará sua pesquisa?

Entretanto, se o mundo gira, a Lusitana roda e a vida piora, eis que o jornalão da segunda-feira traz interessante matéria sobre o sábio chinês Confúcio. Também conhecido por Kong Fuzi.

O Honorável Kong Fuzi voltou à moda – da qual nunca saiu de verdade – no Império do Meio ou Império do Centro, como se autodenominou a China desde antes de Cristo. Mesmo durante o período de dominação do Camarada Mao e seu Livro Vermelho, Kong Fuzi pareceu-me estar na origem de algumas máximas do líder da Grande Marcha e hoje reconhecido apreciador de meninas na flor da adolescência iniciada. Além disso, por mais revoluções culturais que fossem feitas, uma cultura tão antiga, tão arraigada nos corações e mentes dos chineses não seria extirpada assim, de uma hora para outra. Isso lembra um pouco, sem o banho de sangue, a mania brasileira de querer mudar o mundo, a vida e a realidade por meio de leis, decretos e, muito pior, decretos-lei. Una tontería, por supuesto.

Confúcio voltou a ser estudado nas escolas chinesas e como tudo na China é gigantesco, assim também é o número de estudantes que mergulham em sua obra nesse momento: mais de dez milhões.

A China assusta...

Mestre Kong Fuzi era um sábio que dava extremo valor às virtudes, em especial nos governantes, e à família.

Parênteses: vivesse ele nos dias de hoje em certo país grande e sacana ao sul do Equador e já teria pirado, para dizer o mínimo. Ou teria migrado para algum lugar como Harvard ou Sorbonne, onde falaria sobre esse país grande, sacana e sobretudo bobo.

Por falar em família, e como esse texto começou falando em árvore genealógica, estima-se em três milhões o número de descendentes de Kong Fuzi. Dizem, inclusive, que os modernos Kongs quando se identificam com esse sobrenome, são tratados com mais deferência que os mortais comuns. Se você, leitor, achou três milhões um número muito alto, fique sabendo que o último levantamento digno de crédito, feito em 1998, apontou para 1,3 milhão de tatatatata-qualquer-coisa-neto do Mestre.


É a maior árvore genealógica do mundo.

É gente pra burro, mas também, pudera, estamos já na 80ª geração pC – pós-Confúcio.

Pensando nessa tal deferência e na proximidade dos Jogos Olímpicos, tive um estalo – creio que o próximo, agora, só em 2009 – e associei Gonk com Kong.

Sim, por que não?

Kong e Gonk são próximos foneticamente, e todos sabemos como novos usuários modificam palavras estrangeiras para adaptá-las ao seu falar de todo dia. Um bom exemplo disso pode ser observado ouvindo-se as conversas que rolam entre a garotada. Todos falam um tipo de português que, para mim, precisa de tradução simultânea para entender plenamente.

Quem me diz que Gonk, derivado de Kong, não tenha virado Gonçalves em tempos remotos e medievais?

Isso transformar-me-ia num descendente do Velho Mestre.

Assim sendo, quem garante que o governo da República Popular não convidaria esse modesto pseudo-descendente e blogueiro para alguma solenidade confucionista em plena disputa dos Jogos Olímpicos?

Como vocês podem ver, uma prova a mais de como o mundo é movido por interesses.

Mas é só brincadeira: agora, falando a sério, sou pelo Tibet Livre.

Logo, eu e o governo da RPC não nos bicamos.


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sexta-feira, junho 13, 2008

Estação das flores, agora

Em plena boca do inverno?

Exato! Por incrível que pareça, final de outono e todo o inverno, até o começo da primavera, é para mim uma verdadeira estação das flores. Talvez por causa da floração dos ipês-amarelos, roxos, brancos e rosas.


A caminho do sítio, a Via Anhanguera é uma festa roxa nesse momento. Ou já foi, pois a florada do ipê-roxo e de seus primos não é muito persistente.

Há duas semanas, em nossa última viagem, algumas árvores estavam cobertas pelas flores roxas, enquanto outras já mostravam parte dos galhos, que ficarão expostos até o começo das chuvas. Amanhã ainda é possível que vejamos os ipês-roxos retardatários.

Se acontecer, vou parar o carro e “perder” alguns minutos, olhando, andando, procurando um bom ângulo para uma foto.


Agora já dá para fotografar de novo, com o retorno da minha câmera das terras e águas de Malásia, Indonésia, Cingapura e África do Sul, por onde ela perambulou a tiracolo de minha filha e meu genro. Estou certo que minha brava H 7 ficará feliz em voltar a fotografar flores, vacas, gatos e pastos, depois de uma verdadeira overdose de ondas, ondas, ondas e surfistas.


Não são apenas os ipês que dão o ar da graça nessa época.

Tem o cipó-de-são-joão, cobrindo barrancos, cercas e até arvores.




No (tentativa de) jardim do sítio, as russelias, diademas e grevíleas já estão a postos, recebendo os beija-flores, assim como os camarões e algumas unhas-de-vaca nos arredores.



O que também gosto nessa época do ano é que os beija-flores são mais visíveis, talvez por não haver muita abundância de flores nas matas, o que faz com que eles visitem os jardins com mais freqüência, facilitando as fotos.




Nem vou falar das temperaturas de outono e inverno, devidamente aproveitadas com vinho, sopas e fondues. Ou melhor, até falarei, mas não agora. Enquanto não faço novas fotos “modelo 2008”, deixo algumas de 2007.



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sábado, junho 07, 2008

Uma noite, 29 e 19 anos depois de outras

Quarta-feira, começo de junho, noite fria em São Paulo, mas não muito. Noite paulistana, daquelas que dão um prazer enorme por simplesmente poder sentir o frio gostoso e aconchegar mais a blusa ou a coberta. Essas noites são mais quietas, mais tranqüilas, a cidade que pulsa sem parar cada vez mais e mais depressa... relaxa.

Saímos do cinema no shopping na beira da Raposo Tavares e primeiro meu ouvido, depois meu olhar, foram atraídos pelo espoucar dos fogos e o brilho dos rojões estourando no céu e iluminando a noite sobre o Estádio do Morumbi, a uns três, talvez quatro quilômetros em linha reta. Naquele momento o time do Corinthians entrava em campo e a torcida fazia sua festa. Apesar da paixão pelo futebol, naquele momento meus pensamentos andavam distantes dali, muito distantes e divididos entre os ídolos que vi na tela e o mestre, guru, mentor, sei lá como definir, cujo último, derradeiro livro acabara de comprar.



Indiana Jones IV


Vou falar dos ídolos, primeiro. Spielberg, Lucas, Harrison Ford e, claro, mais importante que eles, Indiana Jones. Reparem não, dou-me o direito dessa liberdade, separando criatura de criadores e dando a ela importância maior do que a quem deu-lhe a vida.

Em outra noite, já perdida na memória, saía de um cinema fascinado por mais uma aventura de Indy, dessa vez ao lado de seu pai, e perguntava-me, perguntávamos todos uns aos outros e a nós mesmos, quando veríamos o Indiana Jones IV. Dependesse de nós, apenas, isso já ocorreria no dia seguinte, ou na semana, no mês, o mais tardar no ano seguinte.

Porém, não foi assim. Passaram-se nada menos que 19 anos, o tempo de uma vida, o tempo de uma geração, para que sonhássemos novamente, com mais uma aventura do professor de arqueologia que conquistou nossos corações e mentes.

Falar o que desse novo Indiana Jones?

O mínimo e o máximo que posso dizer é que é mais um Indiana, e isso, para quem conhece e gosta, já diz tudo.

Nesse episódio, cujo final deixa sutis sinais de um quinto – quem sabe? – episódio, Lucas, Spielberg e Ford não deixam passar em branco o que vive hoje a mais rica e poderosa nação do planeta. O Indy de quem o FBI de Hoover suspeita e do qual ele reclama acidamente, é a personificação da Lei Patriótica de Bush. Sua frase “estão enxergando comunistas por toda parte”, nada mais é que a transcrição da realidade presente, onde as forças de segurança enxergam terroristas onde outrora McCarthy e seus seguidores enxergavam comunistas. Eu gostei, afinal, cresci num tempo em que dissecávamos um pueril verso perdido numa música, procurando nele significados ocultos de crítica ao sistema, ao regime militar. Sou da geração dos caçadores de sinais perdidos que desafiavam a censura dos generais.

O filme tem vários outros sinais, ou referências, facilmente percebidas para quem assistiu os anteriores.

Dezenove anos depois... O tempo passou, mas para minha mente sonhadora parece que foi ontem que deixei o cinema feliz depois de ver o Indy III.



“Carne Viva”


Terminado o filme, não poderia ir embora sem passar pela livraria. Ando em falta com esses locais maravilhosos, tão importantes na minha vida. Carregado de culpas, venho comprando meus livros pela internet, todos eles. É barato, sobretudo, e prático, mas tremendamente sem graça, sem charme, quase sem prazer. Nessa noite de quarta mudei meu script e comprei um livro na livraria sem ser a do aeroporto. Uma compra que não poderia, jamais, deixar de fazer: o último livro de Paulo Francis, para mim, ídolo maior que os cinematográficos e, mais que ídolo, guru, qualquer coisa assim, como já disse.

Comecei a ler Paulo Francis no Pasquim, uma coisa ou outra. Também li no Opinião, antes de começar a lê-lo na Folha, que só comprava nos dois dias da semana em que ele escrevia. Isso foi no começo dos anos setenta e eu nada, ou quase nada, sabia do mundo d’além Brasil. Ou d’além São Paulo e Minas Gerais, que era tudo que conhecia. No final daquela década, mais vivido, mais lido, mais sabido, na minha opinião, e já um quadro partidário, ainda militando numa clandestinidade mais light, por força da distensão lenta, gradual e segura de Geisel, li seu primeiro romance, “Cabeça de Papel”.

Marcou-me.

Antes que os 70 terminassem, veio o segundo, “Cabeça de Negro”, outra cacetada. Na noite de seu lançamento em São Paulo, vi Paulo Francis ao vivo pela única vez na vida. Trocamos meia dúzia de palavras protocolares, enquanto ele punha singela dedicatória e assinava meu exemplar, que conservo com carinho e ciúmes extremos até hoje.

Os dois “Cabeças” fizeram minha cabeça, abriram-na até sem grande dificuldade, pois ela já estava preparada, já percebia ou intuía que muitas de minhas fracas crenças eram mortas e sepultadas, como Inês.

O papel, a ação e a importância das esquerdas, que eu já revia a duras penas, sozinho, ressabiado, inseguro, ganharam novos contornos e certezas com essas leituras.

Descobri que a visão que eu tinha do Brasil, meio bagunçada e com vergonha de expor e comentar, não era coisa unicamente minha. Paradoxalmente, até melhorei minha visão e consolidei minha visão da Revolução de Outubro. Paulo Hesse e Hugo Mann, os protagonistas, fizeram mesmo minha cabeça.

Desde aquela noite ainda mais distante, vivida num outro país, num outro mundo, numa era em tudo diferente dessa e em tudo semelhante, sem tirar nem pôr, esperamos pelo terceiro e prometido “Cabeça”, talvez nunca escrito, talvez rascunhado, o livro que dar-nos-ia a chave para fechar nossa compreensão sobre o Brasil.

“Carne Viva” não é o fechamento da trilogia, é somente o último romance de Francis.

Pena que não seja o final da trilogia, mas não importa, Paulo Francis está nele e isso basta. Comecei a leitura, ainda não acabei. Vários compromissos tiram o tempo que deveria ser da leitura. Ele terminou de escrever “Carne Viva” talvez um ano ou pouco mais antes de morrer, em 1997, mas já deu para perceber que o olhar de Francis continua arguto e, vá lá, usarei a palavra que queria evitar, premonitório, tal como em “Cabeça de Negro”, principalmente.

A noite dessa quarta-feira ficará em minhas lembranças. Não pelo futebol de Corinthians aqui e Fluminense no Rio, mas por esses reencontros tão ansiados, tão sonhados e enfim realizados.

Assistam o filme e, principalmente, leiam Paulo Francis. Ele, melhor que qualquer outro, ajuda muito a entender o Brasil.


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quarta-feira, junho 04, 2008

Machismo no Sítio das Macaúbas

Pois é, vejam só, contrariando o momento histórico presente em que o machismo apresenta nítido viés de baixa (obrigado, companheiros economistas do BC e arredores), por sinal corroborado por amigo meu, escritor de muito saber e observador arguto da vida nas grandes cidades, no Sítio das Macaúbas o maledeto desvio apresenta franco e preocupante viés de alta.

Que digo? Viés?

Nada disso, já deixou de ser tendência para assumir claríssima predominância. Digo, entristecido, que a situação fugiu ao controle que, diga-se, nunca tive, e hoje é uma das minhas fontes de aborrecimento e, por extensão, de prejuízo. Justamente agora...

Nos últimos sessenta dias recebi – contei direitinho – nada menos que sete ligações de interessados em comprar minhas bezerras e novilhas e até mesmo as minhas vaquinhas adultas remanescentes. Como sete é conta de mentiroso, o número real de ligações foi de nove ou dez, mas o número de interessados é de sete mesmo. Não declino seus nomes aqui por tratar-se de assunto que envolve o sigilo comprador-vendedor de gado, mesmo que, na atual conjuntura, eu não mais seja vendedor de gado. Mas garanto o sigilo, sabem como é, noblesse oblige.

Tantos telefonemas têm sua razão de ser: estão todos entusiasmados com o leite. Minha mulher, cética, olha tudo e diz que já viu esse filme antes. Eu, igualmente entusiasmado, retruco dizendo que também já vi esse filme de incontáveis reprises, mas saco do bolso do colete que não tenho os nomes mágicos: China e Índia. Falo da preocupação da ONU com a alta dos preços dos alimentos, manejo com certa maestria, modéstia às favas, os números de habitantes e crescimento dos PIBs dos distantes e populosos países asiáticos, com a emergência do que se pode chamar, neles, de classe média, contadas de dezenas em dezenas de milhões de pessoas, e mais o crescimento das áreas agrícolas voltadas à produção de biocombustíveis, com a conseqüente diminuição das ditas áreas destinadas à produção de alimentos, inclusive leite e laticínios, como os danoninhos da vida, concluindo, meio professoral, meio bobo alegre, que a melhoria dos preços, dessa vez, é sustentável.

Abro um parêntesis: quer impressionar e ver uma fala ou um texto passar batido pela platéia ou leitores, deixando em todos a sensação de que você entende do que fala e tem informações que mortais comuns ignoram? Quer mesmo? É fácil: use “sustentável” ou, de preferência, “sustentabilidade”. É tiro e queda, garanto. Não importa que você não faça a mínima idéia se isso ou aquilo tem ou é passível de ter auto-sustentação. Pode usar uma dessas palavras, é tiro e queda. Lembra da fase em que “cidadania” e “republicano” eram as palavras de ordem? Pois então, é meio por aí.

Como dizia, dessa vez eu acredito que a melhora nos preços dos alimentos é mais firme, é mais estrutural que conjuntural, logo, é sustentável, sim. A menos, é claro, que uma catástrofe planetária abata-se sobre nós, mas aí, vamos e venhamos, não há sustentabilidade que resista. Só sei que o leite está em alta firme, todo mundo anda querendo produzir mais leite, aumentar sua produção, voltar a produzir, entrar no mercado como produtor de leite é uma febrezinha, coisa aí de uns trinta e oito graus, longe ainda dos quarenta, mas uma febre.

Na manhã de segunda-feira, estava na Casa da Lavoura entregando minha nota de compra de vacina contra aftosa com o respectivo relatório com o número de cabeças e coisa e tal, e, como de hábito e manda a boa educação, trocava dois dedos de prosa com uma pessoa importante para todos nós, criadores pequenos: um negociante de gado. Há quem fale mal deles, mas eu falo bem. São eles que dão liquidez ao mercado e, pagando pouco ou mais ou menos, nas horas de aperto podemos recorrer a eles para desatar os nós que nos apertam. Pois bem, lá estávamos de bate-papo sobre as minhas novilhas e bezerrinhas (sim, ele foi um dos sete), quando chega um cara com todo o jeito de produtor de leite (o relatório de vacinação nas mãos foi mero detalhe) e, depois de cumprimento rápido, solta um “Me arranja umas vacas, tô precisando de leite!” e entra no escritório dando risada. Ora, falar tal coisa para um negociante é o mesmo que pedir para cobrar o que quiser cobrar, estou disposto a pagar. E o produtor que soltou tal pérola, totalmente contrária às mais elementares normas de conduta no mundo dos negócios e do leite em particular, não era novato entusiasmado e bobo como eu, não mesmo, era produtor vivido, já adentrado em anos, e leite-dependente ou, para ser chique, galactodependente (pois aprendi com o amigo escritor citado na abertura que galacto e leite são a mesma coisa, e nada como ser chique e instrutivo num texto como esse).

Portanto, aí está, vacas, novilhas e bezerras estão na crista da onda em Santa Rita do Passa Quatro e por toda parte, o que me deixa feliz, mas também meio entristecido, dado o pequeno detalhe que tenho poucas de cada e nem posso pensar em vendê-las, sob pena de ficar a zero.

Ah, é verdade, o machismo. Você, leitor, do sexo masculino, já nem lembrava mais do início dessas garatujas eletrônicas, mas, esteja certo, as companheiras leitoras (sorry... vício de linguagem) com certeza lembram e já estão a cobrar desse escrevinhador uma explicação para esse machismo que assola o Sítio das Macaúbas.

O diabo é que o trem descontrolou e, ao menos por ora, não sei como fazer para recolocar as coisas nos trilhos. Na natureza, o comum, normal e desejável é que a cada dois nascimentos um seja de macho e um seja de fêmea. Ou, numa base maior, cinco para cada lado a cada dez nascimentos, podendo chegar a 51x49 a cada cem, ora pendendo para o lado da setinha, ora para o lado da cruzinha. Todavia, no Macaúbas, os últimos 4 nascimentos foram de machos. Quatro em quatro, justamente nesse momento. É como eu ouvia na infância: pobre é tão azarado que quando chover sopa, todo mundo estará de colher e ele de garfo.

Estou de garfo nessa chuva de sopa de leite.


Para adoçar a opinião das leitoras sobre esse escriba, segue a foto de mãe e filho. O danado é machinho, mas é bonitinho e muito esperto.


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sábado, maio 24, 2008

Notícias do lado de lá do planeta


(Ora, o planeta é um globo, portanto não tem lado, mas quem liga pra isso?)

“...estamos no meio da selva de Java (Grajagan, lembra da foto do por do sol?!) - uma loucura! Essa aventura é para apenas UMA vez na vida! Aqui é jungle mesmo, animais, floresta, mar, e até pessoas...

Mas é uma experiência muito bacana de vida”

O e-mail, curto como os outros, é da minha filha, Carolina, que com o marido anda por Bali, Mentaway, Grajagan, Kuta, nas águas e terras da Indonésia. A caminho de casa, farão mais uma parada, dessa vez na África do Sul, para mais ondas numa praia também famosa pelas visitas dos tubarões brancos. Em outro e-mail ela disse que as ondas são “animais”. Num outro, espantada com a quantidade absurda de turistas em Bali e região, disse que se tivéssemos um terço daqueles turistas nessa Terra de Vera Cruz, ela e o Rodrigo seriam ricos e iriam surfar em Bali & adjacências todo ano.

Eis uma hipótese que não me agrada em nada: eles em Bali & adjacências todo ano.

Cresci lendo e assistindo filmes – lembram de Krakatoa, o Inferno de Java? – rodados (ou não) naquelas montanhas e águas, povoadas por vulcões e caçadores de cabeças. Os primeiros andam adormecidos, felizmente, enquanto os segundos simplesmente espalharam-se por muitas partes.

Desde que eles viajaram, logo depois do ciclone sobre Burma, ou Myanmar, como querem os assassinos uniformizados que dominam o país, olho mais preocupado que o normal para tudo que acontece por lá. Enquanto ainda segue a contagem das vítimas e os órgãos internacionais de socorro humanitário tentam permissão – conseguida a duras penas, com muitas restrições – para entrar no país, acontece o terremoto em Sichuan, terrível, quase 8 na escala Richter, logo seguido por outro, menos intenso, mas que também provocou mais mortes e danos.

Não bastassem os cataclismas naturais, agravados pela insânia humana, essa última se revela agora em toda sua bestialidade, em plena África do Sul, onde os pobres e miseráveis perseguem, torturam, estupram e matam das formas mais cruéis outros pobres e miseráveis. Tudo por causa de emprego, a disputa por poucas vagas de trabalho e míseros salários, insuficientes para nada mais além da mais precária sobrevivência.

A cada novo ano que entra, a cada novo ano que acrescento aos que já vivi, aumenta minha vontade de ficar recolhido ao meu ninho, minha toca, meu buraco. Não sei se isso é conformismo, medo ou comodismo, ou somente preguiça, é um prazer cada dia maior simplesmente ficar em casa, seja na Granja, seja no Sítio, e conviver com as coisas que me são caras.

De certa forma esse desejo é alimentado pelo fato do mundo estar à minha frente todo dia, toda hora, como, por sinal, nesse momento em que escrevo. Acabei de deixar para trás a edição digital do New York Times de hoje. Não perdi tempo lendo sobre a insana batalha de Hillary contra Obama. Bobagem, dará Obama e ponto, quanto antes melhor, na indicação democrata. Depois, contra McCainn, a história será outra, provavelmente com o mesmo final: Obama. As minúcias do dia-a-dia dos três já não me interessam, ao contrário da manchete do NYT: 270 imigrantes ilegais condenados.

A administração Bush parece um tormento sem fim. Já falei antes e repito: nela, o que abomino e deixa-me amedrontado, não é sua sanha intervencionista em outras nações, ao fim e ao cabo limitada ao Iraque (o Afeganistão foi outra história, na minha opinião), mas sim a sua sanha intimidatória e repressora dentro dos Estados Unidos, contra cidadãos, tanto americanos como, principalmente, estrangeiros. O rigor da Imigração contra os ilegais no país recrudesceu. De maneira geral, esse tipo de ação agrada às massas, historicamente.

Esse caso, por exemplo, é típico: as autoridades fizeram um raid, ou blitz, no estado de Iowa, e somente num grande frigorífico prenderam 389 trabalhadores. Desses, nada menos que 270 foram condenados a 4 meses de prisão, após declararem-se culpados. Caso não o fizessem, seriam julgados por uma coleção de outros crimes, cujo resultado seria uma pena mínima de dois anos de detenção. O dramático, perigoso, assustador e verdadeiramente criminoso nessa história toda, é que tudo isso aconteceu em 4 dias. Apenas e tão somente quatro míseros dias. Os ritos processuais foram atropelados em velocidade de Formula 1. Ou de NASCAR, para ficar dentro do gosto americano.

Contra esse rigor policialesco seguido pela administração sumária da justiça, muitas vozes, as mais diversas, ergueram-se contra, mas são vozes liberais, logo, contam menos que desejável. Essas medidas dignas de estados policialescos, como a ditadura instalada em Burma, não se aplicam somente contra estrangeiros, mas também contra cidadãos americanos – claro que, novamente, com maior rigor e freqüência contra aqueles que, mesmo americanos, têm sobrenomes que não são tradicionalmente anglo-saxões.

É isso que me assusta nesse governo infeliz para o país e o povo americanos, e para a humanidade como um todo. Nesse momento, se há um país para o qual não tenho a menor vontade em voltar, apesar da paixão por muitos de seus lugares, é justamente os Estados Unidos. Será diferente com Obama ou McCainn? Duvido. Ou melhor, sim, haverá diferenças, mas nesses casos eu tenho sérias dúvidas que um ou outro desfaça as armações perpetradas pela administração Bush.

Segue a vida, e do outro lado do mundo Carolina informa que passaram uma noite em Jacarta, a caminho de Kuta e dali para Mentaway, em busca de novas e melhores ondas, uma mais perfeita que a outra.

Precisamos todos de novas e melhores ondas, e que uma delas leve George W e sua tralha fundamentalista para o lixo da história.


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domingo, maio 18, 2008

Política de lá e de cá para pensar aqui


O crime de Obama contra o Islã


Há anos li algo sobre os muçulmanos condenarem à morte quem troca de religião. Essa determinação, chocante e absolutamente contrária a tudo que acredito, ficou adormecida em minha memória.

Com o crescimento da candidatura de Barack Obama e sua origem de pai muçulmano, algo me incomodava, mas eu não sabia o que era. Tampouco dei maior importância ao incômodo, afinal, o moleque Barack perdeu o pai, morou com a mãe, cresceu como cristão, logo, não haveria zonas cinzentas nessa história.

Mas há, e ela é muito mais que cinzenta.

O jornal O Estado de S.Paulo de hoje traz uma matéria que julgo ser extremamente importante, infelizmente. Seu título é “O crime do senador contra o Islã” e sua leitura, tenho certeza, é muito importante e, infelizmente, esclarecedora.

Clique no link:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080518/not_imp174551,0.php

Não deixe de ler, recomendo pela última vez.

Raios e relâmpagos no horizonte

Uma amiga disse que os Estados Unidos estão mais propensos e mesmo prontos a eleger um presidente negro que uma mulher. É uma tese interessante, na qual eu acreditaria piamente, não fosse o poder (suposto) do voto jovem, entendendo-se por jovem os que têm menos 40 e, principalmente, cresceram e moram nas áreas mais evoluídas (na falta de melhor adjetivo) dos Estados Unidos.

Mas... E a força feminina? Perguntei a um grupo de amigas em quem votariam e a resposta foi unânime: Hillary. Será que suas colegas de idade, classe e cabeça votarão do mesmo jeito? Tenho dúvidas.

Obama lutará contra McCain e contra Hillary, também, não se iludam. O primeiro será seu competidor direto e às claras, disputando voto a voto, em novembro, o direito de presidir o maior país do mundo por 4 anos. A segunda será competidora indireta. A ela, definida por muitos como um animal político, de forma alguma interessa uma vitória do candidato de seu partido, fato que deixá-la-ia alijada da disputa pelo poder supremo até 2016, um ano muito distante para ela pensar em qualquer coisa além de doce aposentadoria, controlando, digo, educando os filhos da Chelsea.

Os ares até novembro estarão perigosos, cortados por toda parte por raios lançados por todos os lados. Entre os mais perigosos, ou mais sujos, estarão os raios do fogo amigo.

Enquanto o mundo avança...

O que acontece conosco, sul-americanos?

Por que sonhamos em viver nos Estados Unidos e ao mesmo tempo, aqui, em nossa casa, jogamos no lixo praticamente tudo que nos faz desejar morar em Norte América?

Lugo, no Paraguai...

Torres, no Equador...

Chávez, na Venezuela...

Morales, na Bolívia...

Gostamos do luxo fora e da miséria em casa, será isso?

Nada como o progresso alheio e a miséria pessoal?

Pobre Latino América, tão rica, tão pobre.


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Reflexões e revelações de uma noite sabatina

Não tenho mais por onde fugir.


(E se você, leitor paciente, já fugiu desse texto iniciado com um “não”, não se preocupe, não irei reclamar de sua ação; sim, não irei porque sei que não se começa um texto com não).


Os argentinos descobriram-me, agora o jeito é ceder e embarcar. Aguardo apenas a passagem e a confirmação da suíte no hotel buenairense de minha escolha, pois o congresso acontecerá na linda capital portenha, embora eu preferisse, mesmo, que fosse na muito mais linda San Carlos de Bariloche, no fantástico Lau Lau. Porém, aprendi em outras eras que a cavalo dado não se olha os dentes. Hoje, contudo, dado o preço do feno, das vacinas, das rações e outras coisinhas mais necessárias ao bem-estar eqüino, não só é o caso de olhar-se muito bem os dentes, como também de pensar bastante a respeito de tal presente. Os custos atuais estão fazendo de todos os simpáticos e maravilhosos cavalos... cavalos de Tróia. Nem por isso, entretanto, abrirei mão de manter o Brioso comodamente instalado no Sítio das Macaúbas, além do que, tão logo me mude, darei a ele a companhia de um ou dois parceiros de pasto & feno. Cavalo é paixão e paixão não tem preço. Tal e qual as minhas vaquinhas.


Os argentinos... Pois é, os hermanos descobriram meus pendores para a arte médica e meus profundos conhecimentos a respeito, associados ao gosto que tenho pelas causas jurídicas que rendem grandes debates nos tribunais, chegando, inclusive, à Suprema Corte.


Ah, vocês desconheciam essas minhas facetas?

Pois não deveriam.


A prova está no convite que recebo a cada oito ou dez dias, lembrando-me, instando-me, mesmo, a participar do VII Congreso Argentino de Derecho Médico y de Salud, a realizar-se brevemente em Buenos Aires.

Não, nem adianta pedir-me consulta médica ou jurídica. Apesar do convite para o Congresso citado, não sou médico e menos ainda jurista. Esse último menos ainda tem sua razão de ser, uma vez que, em relação ao primeiro, como diz o povo, de médico e de louco...


Apesar de ser um sem-diploma na vida, e já em dúvida se o meu diploma da vida é verdadeiro ou veio da China via Ciudad del Este, sou um perito nessas artes, como já disse. Consegui chegar onde cheguei graças ao inestimável aprendizado com os Doutores Gregory House e Alan Shore.


O primeiro, para quem não conhece, médico de grande prestígio entre o povo dos Estados Unidos e do Brasil, mas aqui somente entre os felizes espectadores das tevês a cabo. Dr. House tem muito prestígio, também, entre as classes dos artistas e publicitários. O segundo, o Alan Shore, é advogado de enorme prestígio em Boston, terra de grandes juristas de tradição liberal.


Estamos juntos toda semana, eles na telinha e eu no sofazão, e dessa forma damo-nos muito bem.


Sou craque em diagnósticos estranhos. Já vou adiantando que, dependendo do jeito que a pessoa está à minha frente, de cara já sei se se trata de um caso de lupus ou sarcoidose. Ressonâncias e tomografias são comigo mesmo. Diante de um tomógrafo de última geração, comporto-me da mesma forma que diante de portentosa ilha de edição. Sou fera no assunto. Ao contrário do Greg, porém, meu cinismo é tímido, mais mental que oral. Uma vantagem, segundo alguns, uma enorme desvantagem, segundo a maioria dos pensantes.


Como o Alan, sou liberal e conservador ao mesmo tempo. Gosto de velhos valores (ainda mais se ao portador e penhoráveis), mas apego-me ao seu espírito, não às suas letras, pois também gosto das coisas novas. Sou novidadeiro, se alguém quiser me conquistar é simples: um McBook com 4 gigas de memória RAM, HD de 200 gigas, todo equipado com tudo de direito e muito mais. Taí um negócio simples e que, certeza absoluta, conquista-me totalmente.


De alguma forma a organização do VII Congreso Argentino de Derecho Médico y de Salud descobriu-me e às minhas qualificações. Os vendedores de livros já conhecem meus gostos e enviam-me tentadoras propostas literárias, tão tentadoras quanto as propostas de mirabolantes viagens por todo o mundo. Por sinal, trabalho mal empregado, pois de todo o mundo só interessam-me, a rigor, a Toscana, a Provence, as estepes da Ásia Central, o Himalaia, o Kilimanjaro e a Grande Barreira de Recifes, além de ver ao vivo e a cores alguns grandes jogos em Barcelona e Madrid, principalmente. Portanto, poupem-me das ofertas para Los Angeles, Chicago, mesmo New York – essa, só depois que Obama assumir – e, principalmente, Miami. Tudo, menos isso. De repente dou de cara com o tal Horatio, aquele do CSI Miami, com sua eterna cara de quem comeu demais e não gostou de nada.


De tudo que recebo em minha caixa de entrada internética, tenho ficado incomodado somente com repetidos, inumeráveis e originalíssimos e-mails que me prometem mais 4 polegadas! Mas que diabos vou fazer com mais 4 polegadas?


Um verdadeiro absurdo, principalmente se lembrarmos que a formosa Marta Rocha perdeu o cetro universal porque tinha 2 polegadas a mais.


Eu, hein?


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quarta-feira, maio 14, 2008

Ambiente ao deus-dará

Dona Marina pediu as contas e foi embora. Assim, de repente.

Discordo de muitas coisas de sua ação e omissão como ministra, mas reconheço nela uma batalhadora pela preservação da floresta, principalmente. Nesse ponto o país perde. Mas ganha, na minha opinião, na questão dos transgênicos, que sempre foram combatidos de forma extremada por ela e seu ministério. Um verdadeiro paradoxo, pois os transgênicos permitem a prática de uma agricultura de alta produtividade com menor dispêndio de energia, aqui entendido tanta a energia propriamente dita, na forma de combustíveis e eletricidade, mas também a energia em seu contexto mais amplo.

Ganha o país na questão do etanol e dos biocombustíveis, mas é um ganho perigoso se não houver fiscalização e controle na expansão das áreas cultivadas.

Perdemos, porém, na questão das hidrelétricas na Amazônia. Ainda agora não consigo enxergar com bons olhos as hidrelétricas de Rondônia e, fora de qualquer discussão, Monte Belo, no Alto Xingu, é apavorante, apesar de promessas de baixo impacto e coisa e tal. Para mim não cola.

Quem sabe o país ganhe com a chegada de alguém que ponha o dedo nas feridas ambientais provocadas por militantes ditos “sem terra” e índios? Utopia, ninguém vai mexer com esse pessoal.

Essa minha visão não é “assassina” ou coisa que o valha, é simplesmente realista.

Os invasores messetistas devastam todas e quaisquer áreas, ignorando solenemente compromissos de preservação de 20, 30, 50 e até 70% da área. Abastecem, de forma legal e “legal” o comércio de madeira em muitas regiões, mesma prática adotada por muitas tribos indígenas, hoje muito mais plugadas em antenas parabólicas do que em andar pelados, caçando e pescando com arco-e-flecha. Foi-se o tempo.

Uma área é certa que seguirá perdendo de goleada: a transposição do São Francisco. Nessa, ninguém mexe, é absolutamente intocável, a “grande pirâmide” de Luiz Inácio. Dona Marina omitiu-se vergonhosamente. Isso, tirou-me quase todo o respeito que eu tinha por ela, sobrou apenas o respeito básico devido a todo ser humano e um pequeno respeito por algumas ações, sempre ligadas às florestas.

Agora é ver o que virá. Essa é mais uma demonstração que Lula faz o Governo Lula, jamais o governo que seus defensores imaginavam. Mas isso todo mundo já sabe há muito tempo. Quanto ao ambiente, continuará como sempre ao deus-dará.


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segunda-feira, maio 12, 2008

Ondas e outras coisas


Dia das Mães, por volta das nove e meia toca o telefone.

É minha filha ligando de Bali. Falamos rapidamente, com o devido delay para a voz chegar e voltar, afinal, Bali é longe pra burro, mas não para surfistas. Ela falou só comigo, pois a Rosa tinha saído. Está adorando Bali, é tudo maravilhoso, etc e tal. Ela e o marido não compraram um laptop em Cingapura porque acharam caro. Preferiram deixar para comprar no Brasil, depois que voltarem.

Meu queixo caiu e fiquei sem resposta.

Parece que o real anda mesmo valorizado e o dólar desvalorizado.

Voltando à paradisíaca (dizem, não conheço) Bali, ficarão por ali mais alguns dias, pegando ondas. Depois vão para Mentaway, na ilha de Sumatra. Antes tem outra parada não sei onde, e por fim, já no caminho de volta, Jeffers Bay na África do Sul, lugar aprazível também para ver tubarões-brancos, aqueles mesmos.

Ufa! Só de relatar já fiquei cansado.

Viajar, hoje, é algo plenamente pensável para qualquer cidadão com razoável ficha cadastral, e por razoável entenda-se não ter protestos e ganhar mais de um salário-mínimo. O crédito está fácil, abundante, oferecido e descarado.

Fácil de pegar.

Difícil de pagar.

Como sempre, mas quem pensa nisso?

Felizmente, o casal surfista primeiro guardou os caraminguás e só depois viajou.

Meno male. E certeza que a viagem será lembrada com saudades e carinho.

Mas não estou escrevendo esse post para ser um relato financeiro/familiar/turístico.

O motivo é outro.

Java, Sumatra, Indonésia e outros mais, são nomes que conheço desde moleque. Sempre associados a vulcões, maremotos, terremotos e agora tsunamis. Esse longo passeio por ali tudo, confesso envergonhado, às vezes preocupa-me um pouco.

Por mim, teriam voltado para a verdadeiramente paradisíaca Itacaré – conheçam antes que façam ali um megaporto e destruam tudo – ou para a não menos espetacular Fernando de Noronha.

Mas, o chamado das ondas perfeitas falou mais alto, calou mais fundo em seus desejos.

A ligação para cá foi feita do hotel, imagino. Não quiseram levar seus celulares, talvez com receio de receberem ligações fora de hora e fora de orçamento, o que é pior.

Semana passada meu filho estava em Buenos Aires. Depois de deixá-lo no aeroporto e já na longa viagem de volta de Cumbica para a Granja Viana, lembrei-me de algo a falar com ele. Liguei para seu celular, mas já estava desligado. Bom, paciência, depois eu conto.

Horas depois, ouço o alerta de mensagem chegando no meu celular. Fui olhar e era mensagem do celular dele, já na capital porteña, informando que já estava disponível para receber ligação.

Ora, por que não?

Dito e feito, liguei e quase de imediato começamos a conversar. Assim foi por várias vezes, geralmente uma por dia. Que coisa... É vapt-vupt, liga e alguém atende no outro lado do mundo ou bem ao sul do Rio Grande.

O melhor local e horário para falar ao celular é no trânsito paulistano.

Sim, é proibido, eu sei.

Sim, tem multa, eu sei.

Sim, é perigoso, eu sei.

Porém, quem disse que eu falo com o carro em movimento?

(Até faço isso, mas atire a primeira pedra quem não?)

Falando ao celular o tempo passa e a gente não percebe.

Mesmo à fantástica velocidade de cinco ou seis quilômetros por hora, em algum momento chegamos ao destino e, se conversamos muito e bem, nem sentimos a passagem do tempo.

Para alguma coisa serve o trânsito: conversar pelo telefone.

Para alguma coisa extra serve o celular: suportar o trânsito da Paulicéia.

Queria um livro lá de Buenos Aires, um livro que comprei em conjunto com um amigo, mas, com as mudanças da vida, ficou com ele e nunca mais vi, nem um, nem outro.

A lembrança desse livro me persegue há anos. Agora, com os 40 anos da Primavera de 68, o desejo volta mais forte. Nele, o autor dá imagens inesquecíveis, para mim, do que foi a revolução que não aconteceu, mas mudou o mundo.

O livro é o Ultimo Round, de Cortazar, um de seus livros menos conhecidos e, para mim, um dos melhores. Ora, mas por que eu queria esse livro vindo de Buenos Aires? Porque o que eu quero é o mesmo que eu tive, no comecinho dos 70, a primeira edição, da Siglo XXI mexicana, quebrado em duas partes, como vemos em livros infantis, uma separada, distinta, da outra. Já andei procurando por ele aqui em São Paulo, claro, mas ainda não achei.

Tem na Amazon, claro, mas tá caro pra burro.

Uma palavrinha com São Google e descobri-o em duas ou três livrarias que vendem livros antigos em Buenos Aires. Ah, mas quando vi o preço do livro em melhor estado, desisti: 200 dólares! É muita areia pro meu atual caminhãozinho. Mas hei de encontrar e comprar esse livro. Enquanto isso, se alguém tiver oportunidade, recomendo a leitura. Aliás, recomendo tudo de Julio Cortázar, como, por exemplo, Libro de Manoel, leitura assaz indicada para os dias que correm.

Desisti do Ultimo Round buenairense. Acho que vou encontrar essa obra muito mais em conta por aqui mesmo. Mas ainda vou checar Madrid, Barcelona e México. Afinal, internet e google servem para isso mesmo.


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