domingo, janeiro 27, 2008

“· 19:52

· Clima barra volta da Antártida de parlamentares do País”

Acabei de ver na página do Estadão.

Não sei quem são os políticos e, sinceramente, não estou interessado em saber.

Também não sei quantos são, mas, infelizmente, não são todos os milhares que infernizam nossa vida e mantêm o país no século XIX, claro que com o precioso auxílio de milhões de nós mesmos. Mas isso é para outra hora.

Por enquanto, fica só essa notícia saborosa."

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Senado? Para que?


Eram dois senadores por estado, ao lado de uma Câmara com um monte de deputados.

Em 1977, numa manobra destinada a tirar poder da oposição que crescia, o governo militar criou o terceiro senador por estado. Mexeu, também, na representatividade da Câmara, fazendo com que estados mais desenvolvidos e populosos, São Paulo, principalmente, ficassem sub-representados. Foi criado o eleitor brasileiro de 2ª classe, o eleitor brasileiro que reside e vota em São Paulo, mas também no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, embora com perdas menores.

Ao lado de tudo isso, no Brasil existe uma excrescência chamada “suplente de senador”. Geralmente é um sujeito endinheirado, que financia campanhas dos sujeitos bons de voto e, se esses morrem ou vão para alguma sinecura ainda mais interessante que a senatorial, os suplentes assumem, sem voto, sem representatividade, sem mandato legítimo, mas dotados de poder, voz e voto como qualquer outro senador. Nem sempre o suplente é um sujeito endinheirado, pode ser um parente querido, também. Aliás, é o caso presente: Edson Lobão – que não se perca pelo nome – foi indicado para assumir o Ministério das Minas e Energia. Em seu lugar, no Senado, assumirá Edson Lobão Filho.

Bom, se o pai nada entende de energia e confessa candidamente sua ignorância, o filho, por sua vez, mais com cara e jeito de playboy do que de vetusto senador da república, assumirá a cadeira do papai a bordo de acusações de sonegação, desvio de dinheiro, estelionato e falsidade ideológica. O bravo rapaz, com o luxuoso auxílio de seu tio, irmão de seu pai, transferiu uma empresa e todas as suas imensas dívidas para uma empregada doméstica, analfabeta funcional, dona do portentoso salário mensal de 380 reais e uma dívida de 5,5 milhões de reais só para bancos, fora as dívidas fiscais não anunciadas. O garotão assume, reconhece a laranjice, e dela se arrepende, dizendo que hoje não faria a mesma coisa.

Qui bunitinho! Qui gracinha, não é mesmo?

Como prova de sua honestidade e firmeza de propósitos e caráter, ele diz que não pode ser penalizado por essa dívida bancária, pois nem usufruiu do dinheiro. Coitadinho... Claro, nada disso impediu-o de continuar rico – deve ser fortuna antiga, de família, algo que remonta aos tempos de criação das capitanias hereditárias – e comprar um helicóptero. Mas não para seu deleite, apressa-se a dizer a doce figura filian, e sim para uso de mamãe em sua campanha eleitoral.

Ah, sim, mamãe é deputada federal.

Para quem não sabe, a família Lobão é do Maranhão, aquela capitania hereditária da família Sarney, e também o estado com o menor IDH do Brasil pelo menos até o ano retrasado. Confesso que não tive estômago para procurar o atual IDH maranhense.

Portanto, brasileiras e brasileiros – ops, foi maus... – meus estimados leitores, essa doce criança assume uma cadeira no senado, com papai ministro e mamãe deputada federal. No mesmo senado – melhor usar letra minúscula – que absolveu Renan Calheiros, que continua ativo e influente como se nada tivesse acontecido. O mesmo senado que não passa de um clube de velhos – em sua maior parte – amigos, algo como uma Academia Brasileira de Letras, com o agravante de custarem centenas e centenas de milhões de reais à República. Ou, melhor ainda, bilhões e bilhões de reais. Tudo isso para fazer o que?

Nada.

Nada que seja relevante.

Nada que não pudesse ser feito por uma Câmara dos Deputados atuante e composta por pessoas sérias.

Mas esperar o que de uma Câmara que, nesse ano, com boa vontade, trabalhará somente 4 meses? Ah, sim, pois o resto do tempo estará tomado por férias, recessos e a dedicação em tempo integral à campanha eleitoral, pois 2008 é ano de eleições, pois a pujante democracia brasileira, ano sim, outro não, pára o país por conta das campanhas eleitorais.

É...

Pois é, esse texto tem um cheiro ruim, tem um ranço perigoso de aversão à democracia, não tem?

Até pode ser feita tal leitura, mas não é o que eu penso. Sou radicalmente a favor da democracia e de todas as liberdades democráticas, pelas quais militei boa parte de minha vida. Porém, isso tudo que aí está provoca-me engulhos. Sendo mais direto:

Me dá nojo!

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quarta-feira, janeiro 16, 2008

Mais de um bilhão...


...quase um bilhão e meio de menções à palavra “google”. É isso que se encontra ao procurar por “google” no Google. Isso deixa uma questão bastante séria: como verificar todas essas menções? Um bilhão, quatrocentos e sessenta milhões de resultados na busca por essa palavrinha que até pouco tempo atrás era desconhecida ou mesmo inexistente.

Narcisisticamente, digitei “Emerson Gonçalves”... Olhei o resultado... Desisti. Nada menos que 840.000 resultados. Claro, descobre-se ao fazer algo tão básico que devem existir zilhões de “Emerson Gonçalves” por aí afora, a maioria deles mais produtivos socialmente do que eu, como o xará que é presidente do Rotary Sul, em Sorocaba, creio, pelo código telefônico e menções à cidade em outras páginas. Outro xará é pesquisador de peso e respeito na área de madeiras, com vários trabalhos publicados, currículo no Lattes e tal e coisa.

Eu, hein?

Bom, minha gente, continuei dando vazão à minha veia “narciso” e digitei “sítio macaúbas”, sem o “das” para não cansar o buscador do Google. Bom, agora a coisa começou a ficar mais civilizada e apareceram tão somente 16.200 resultados. Na primeira página, várias menções ao meu Sítio das Macaúbas, dos diversos posts desse blog falando da terrinha. Mas, eis que sou surpreeendido por um relato de estranho caso envolvendo uma vaca leiteira no Sítio Macaúbas do Sr. Cícero, em Arceburgo, Minas Gerais.

Resumidamente, a vaca apareceu sem as orelhas, decepadas de forma misteriosa durante a noite. Mais mistério: os cortes estavam fechados, cauterizados, e sem isso a vaca teria morrido de hemorragia, pois as orelhas são muito vascularizadas e o sangue simplesmente esguicharia pelos cortes. Um veterinário foi chamado, examinou, achou tudo estranhíssimo, passou uns anti-inflamatórios e antibióticos e a vaca voltou pro pasto, onde viveu mais um bom tempo, inclusive parindo, até ir para o corte.

Ninguém conseguiu explicar o mistério dos cortes cauterizados.

Findo o relato, olhei com mais atenção o site no qual o mesmo estava, inclusive com fotos do sítio, do veterinário, do Sr. Cícero e da heroína do “causo”, a vaca “desorelhada”, e descobri que estava no CUB – Centro Ufologia Brasileiro – e justamente na seção de casos aqui ocorridos. Aliás, está tudo ali para quem quiser conferir e ver as fotos.

Voltei ao Google. Antes de sair das muitas páginas macaubenses, olhei um pouco mais adiante e encontrei menção ao sítio em meu antigo blog – Pykaretagens & Cia. Curioso, fui lá rever o passado e encontrei umas coisas escritas que me agradaram. Ainda bem.

Como dizia, voltei ao Google, pensei, pensei, pensei e digitei um monte de coisas, mas aí já tinha perdido a graça.

Graça que começou com o It Crowd de ontem. Para quem não conhece, é uma sitcom inglesa simplesmente hilariante. Dizem, e por motivos desconhecidos eu acredito, que o Bill Gates assiste e gosta muito. Para começo de conversa, é inglesa. Portanto, já sai na frente com alguns corpos de vantagem. E ela retrata, bom, não vou usar adjetivos, pois eu sou um it-dependente e não posso ficar mal com a rapaziada da área. Só vou dizer que ela retrata de forma muito divertida o povo de information technology das grandes corporações. Ontem, a chefe do departamento, uma figura absolutamente ignorante do assunto, cujo único conhecimento da área limita-se a saber mandar e-mails, caiu numa brincadeira de seus subordinados nerds e disse na reunião de todos os chefes de departamento da corporação que ninguém podia pesquisar “google” no Google. Se alguém fizesse isso, travaria a internet em todo o mundo. Contando assim não tem graça, mas a cena toda foi divertidíssima. E hoje cedo, uma das primeiras coisas que fiz foi pesquisar “google” no Google, e com isso, para azar de vocês que conseguiram chegar também até aqui, bom, aqui estamos nós.

Depois disso, obrigado pela leitura, obrigado pela paciência e bom dia a todos.

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sexta-feira, janeiro 04, 2008

Férias...

O título original desse post era “Subprime – ela ainda vai mudar tua vida”.

Uma certa falta de tempo associada a uma certa dose de preguiça, levaram-me a não escrever sobre a dita cuja. Por algum motivo insondável, ao invés de deletar a página iniciada e não salva no word, preferi marcar as duas ou três linhas escritas e começar esse novo texto.

A princípio esse post seria para comunicar – como se isso tivesse alguma importância – que amanhã estarei em viagem para Santa Catarina, mais precisamente para a praia de Bombinhas, onde permanecerei por alguns dias, talvez oito, talvez doze, vamos ver quanto tempo agüentarei.

Levo livros, claro. Não achei minhas nadadeiras, mas achei minha máscara de mergulho e meu snorkel. Esse está ok, mas a máscara, coitada, não tem mais condições de uso. Fosse eu um cara previdente e já teria comprado uma máscara nova. Não sou, viajarei sem, confiante em comprar uma por lá mesmo.

Livros na praia? Claro! Não gosto de praia, eu gosto de água, gosto do mar, mas a praia em si não é do meu particular agrado, exceto por algumas meias-horas. Logo cedo, e à tardinha, e quanto menos gente na areia, melhor. São os horários bons para caminhar. Fora deles, é uma chateação. O sol, o calor, a areia que incomoda, o corpo melado, mesmo sem os “perfumados” protetores e bronzeadores... Não, obrigado, incluam-me fora dessas tribos arenícolas, por favor. Nesses horários, poderei ser encontrado na sala, deitado, lendo.

Vamos ver...

A Turma – Charles McCarry – o autor é um ex-agente da CIA e a história parece boa, um bom thriller para as férias.

O Balneário – Manuel Vazquez Montalbán – um pecado sua morte prematura, ele tinha muitos livros por escrever ainda, todos, de preferência, com o detetive Pepe Carvalho rodando por Barcelona e pelo mundo.

De costas para o mundo – Asne Seierstad – a mesma autora de “O livreiro de Cabul”. Esse livro é sobre a Iugoslávia e a Sérvia e a guerra e... Só espero que não me apareça um “Agora de frente para o mundo”, contestando-a, tal como foi contestada no “Eu sou o livreiro de Cabul”.

O legado da perda – Kiran Desai – é uma autora, é indiana, escreve uma história passada nos sopés do Himalaia, para onde um juiz indiano aposentado se retira. Leitura de férias? Pois é, talvez fosse melhor trocar pelo último John Grisham...

A dança dos deuses – Hilário Franco Júnior – o melhor livro sobre futebol lançado nos últimos tempos. Já li. Vou reler. Vou fazer anotações.

Fútbol y pátria – Pablo Alabarces – o autor é argentino e o subtítulo é “El fútbol y las narrativas de la nación en la Argentina”... Pareceu-me fascinante, comprei, só falta ler, agora.

Além desses livros, terei mais um à espera, presente de Natal atrasado que receberei ao vivo e, excelente, como surpresa. O título, não o presente.

Creio que serão suficientes. O mais provável é que volte com apenas dois terminados. Sabem como é, não dá pra ficar fechado na sala lendo todo o tempo desejável. É um jogo de buraco, é conversação fiada, é uma saída para jantar, essas coisas típicas de quem está em férias. Uma coisa, porém, é certa: se viajar sem livros eu surto, simplesmente. Não há chance.

Há outros livros para levar e ler, mas os dois que mais me interessam não combinam com o local e o clima: “Ulisses”, na nova tradução que os críticos juram ser mais agradável e legível que a de Houaiss, e “Em busca do tempo perdido”, há anos na estante esperando... esperando... esperando... Um dia lerei, já prometi a mim mesmo. Indoutrodia, o Jabor disse ter relido e ter sido, uma vez mais, uma experiência arrebatadora, devastadora, não sei mais o que. Bom, não vejo a hora de viver tudo isso. Quem sabe no próximo inverno?

Em horas como essa é que um notebook faz falta. Com certeza terei vontade de escrever, com certeza textos incríveis passarão por minha cabeça, mas, também com certeza, perder-se-ão nas brumas da memória sem chegar aos dedos e destes ao word.

Por enquanto, é isso.

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segunda-feira, dezembro 31, 2007

Brasilidades de fim de ano antes que o ano acabe


Pequenos tópicos, sem profundidade, captados aqui e ali pela imprensa nos últimos sessenta, oitenta dias. Aumentar essa colheita para todo o ano, bem como fazê-la com um olhar mais atento que um mero olhar crônico, seria impossível para um mero ser humano como eu. Fica, então, só essa colheitinha, uma pequena amostra...


- Para acabar com o caos aéreo...

O governo e a ANAC (que é, mas não deveria ser governo) vão aumentar as tarifas de Congonhas. A proposta é dobrar o valor da taxa de embarque para o passageiro e multiplicar por doze – repito: doze – os custos das empresas para operarem em Congonhas, custos que, naturalmente, serão incorporados às passagens aéreas dos... passageiros, os mesmos que terão a taxa de embarque multiplicada por dois. Essa tática é velha: acabe com a doença, mate o doente.


- Um choque de eficiência

A cada trimestre, todo trimestre...

A cada semestre, todo semestre...

A cada ano, todo santo ano...

A mesma história e as mesmas manchetes se repetem nos últimos anos: crescimentos assombrosos nos lucros do Bradesco, do Itaú & Cia. Bella. Números espantosos, tão portentosos que até fariam corar velhos barões capitalistas e reis da banca, como os Rothschild, Morgan e Rockfeller, entre outros.

Quebrando essa mesmice chata, repetitiva, sem graça, a Caixa (a Federal, claro), anunciou um baita prejuízo no penúltimo trimestre de 2007.

Coisa de gênios, sem a menor dúvida.

Se bem que a explicação foi boa: gastos com pessoal.

Ah, entendi...



- Minério vai por nada e vagões vêm por pouco, mas muito mais

A Vale vai comprar 10.000 vagões ferroviários.

Alvoroço no mercado.

Mas a Vale não joga dinheiro fora e quer preços competitivos da indústria nacional.

Competitivos com a indústria chinesa de vagões.

As empresas brasileiras chiam, em parte com razão.

As empresas chinesas pensam em comprar mais ferro do Brasil.

Sim, vendemos minério de ferro para a China. O frete Tubarão/Xangai é mais caro que o custo do minério.

Os chineses usam o minério brasileiro, fazem chapas de aço e outras coisas, e com elas fabricam vagões ferroviários.

Embarcam esses vagões em grandes navios até os portos de Tubarão e Itaqui, onde eles chegam muito mais barato que os vagões fabricados aqui mesmo.

A diferença maior, entre outras, é que os vagões chineses chegam vazios aos portos tupiniquins, ao passo que os vagões brasilianos chegam carregados...

De impostos.


- Criar boi para importar sapato

A Europa e o mundo curvam-se diante de nossa criação de bois.

Menos a China e os chineses.

Eles compram o couro de nossos bois, já curtidos.

O processo de curtição é muito ruim, fedido e poluente, e é feito todo aqui.

Eles cortam e recortam e moldam os pedaços de couro.

Fazem um, dois, dez, cem, trocentos mil pares de calçados diversos.

Colocam-nos em grandes containers, que vão para grandes navios, que trazem-nos para o Brasil, terra do couro.

Dos navios para as lojas a preço de banana.

Nos últimos anos, a indústria calçadista fechou, encerrou, eliminou, deletou, mais de trinta mil vagas nas indústrias de calçados no interior paulista e gaúcho.

Nada como ser malandro, é o que eu sempre digo.


- As chuvas chegaram!

Mas não o socorro para as vítimas da seca.

Uma parte do sertão do Piauí vem sofrendo barbaramente com a seca inclemente.

Há cinco meses foi aprovada, depois de muitas delongas e muito nhenhenhém, uma verba de 3,2 milhões de reais – é, esse miserê mesmo, coisa de dez por cento ou menos de um único mês de mensalão – para reativar cem poços artesianos e pagar o transporte de água em caminhões-pipa.

Tudo isso coisa para gente pobre, ou melhor, miserável, aquelas pessoas que deram seus votos... Bom, deixa pra lá.

Cinco meses...

A verba ainda dorme nos cofres federais.

As chuvas, felizmente, chegaram ao sertão.

Em novembro ainda era pouca a chuva e a verba fazia-se necessária.

Tem-se notícias de mais chuvas, mas não se tem notícias da liberação real e verdadeira dos míseros três milhões e duzentos mil.


- A vanguarda do atraso

Sob esse título milhões de coisas podem ser descritas e escritas, no Brasil e em toda a América Latina.

Todo governador tupiniquim quer porque quer indústrias em seu estado. Não importa qual seja o estado, não importa qual seja a indústria.

Há que ter indústrias.

Há que ter progresso.

Há que ter riquezas.

Há que ter, sobretudo, os muitos empregos que uma indústria gera.

A CAOA, grupo tupiniquim, é dona da fábrica Hyundai em Anápolis, cidade entre Brasília e Goiânia, que abriga a mais importante base aérea do país, de onde decolavam, antes de virarem sucata, os Mirage do Grupo de Caça da FAB.

A CAOA vai investir cem milhões de dólares na fábrica de Anápolis em 2008.

A CAOA vai comprar cem milhões de dólares em robôs, para uso na linha de montagem.

Depois todo mundo critica as usinas de açúcar que fazem colheita mecânica da cana, porque acabam com o “emprego” de milhares de brasileiros.

Nada como ter perspectiva.


- Meia volta, volver!

lulla da Silva mudou o discurso.

Depois de empurrar goela abaixo as usinas do Madeira e a transposição das águas do São Francisco, ele agora promete para 2008 nova e rigorosa lei de proteção ambiental, etc e tal.

Enquanto seus projetos faraônicos eram bombardeados por conta dos imensos – e não solucionados riscos ambientais – ele dizia que o progresso não podia ser detido por causa dos “bagres” de um rio. Dizia, também, que sete ou nove ou dez ou doze milhões de pessoas (os números sempre variaram de acordo com o humor) não poderiam morrer de sede enquanto as águas do Velho Chico corriam sem uso ali “por perto”.

Agora, com as pirâmides, digo, usinas e transposição já em construção ou prestes a começar, viva o ambiente, viva a preservação do que temos e do futuro que precisamos.


Chega! Daqui a pouco será hora de abrir champagne, prosecco ou um simples lambrusco, para não dizer uma ainda mais simples cidra, e bebemorar a passagem de 2007 para 2008.

Para que pensar em brasilidades?

Tenho que pensar na compra de um carrinho básico e nas 99 prestações do bichinho.


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Muito obrigado


Escrever é tarefa que dá muito prazer e traz, também, muito prazer.


Bom, nem sempre, é verdade. Vez ou outra algum espírito de porco – nada a ver com os torcedores palestrinos, é só a velha expressão popular – aparece e perturba, irrita, até. Não faz mal, entretanto. É baixo preço a pagar pelo muito que tantos outros outros espíritos alegres, inteligentes, agradáveis, proporcionam.




Nesse ano de 2007 o Um Olhar Crônico ficou um tanto abandonado. Espero corrigir isso em 2008. Acreditem, não foi por falta de vontade. Não chegou a ser por falta de tempo em parte desse ano tão veloz. Foi mais por falta de inspiração, mesmo. Outro tanto foi por achar melhor deletar textos que saíram raivosos, chatos, cheios de reclamações, com muita escuridão e pouca luz. É, teve disso, também. Em quase metade do ano a seca detonou, deletou meu humor. Tudo fica melhor quando chove, mesmo com esse calorão brabo.

Em 2007 escrevi muito mais no Olhar Crônico Esportivo, invertendo a ordem como vinham as coisas. Falar futebol em si não é minha praia, confesso. Como já escrevi inclusive no meu perfil, há muito mais gente capacitada, muito melhor capacitada para isso do que eu. Acabei dando maior importância ao que o Marcelo Damato denominou “extracampo”. É bem por aí. Sou mais atraído pelos bastidores, pelos números, pelos planos, do que propriamente pelas jogadas, pelos esquemas táticos, pelas eternas discussões em torno da bola de fulano ou beltrano. A bola, qualquer que seja, qualquer que seja o modo como é jogada, é mais e mais fruto dos bastidores. Tudo que acontece no campo é cada dia mais ditado pelo que acontece extracampo. Essa é a minha praia, não que eu nade bem nela, mas é a minha praia preferencial.

Os blogs fecham 2007 com a média de mais de 8.000 visitas por mês, um número que me enche de orgulho. Negar, seria tolice e presunção. No decorrer do ano, percebi que minha relação com os dois blogs mudou, na verdade, está mudando.

Não abro mão de escrever somente o que penso, mesmo que isso signifique remar na contramão de alguma maioria.

Não abro mão de parecer contraditório e – por que não? – de ser contraditório, mesmo. Tanto posso elogiar Lula, como criticar lulla da Silva. Infelizmente, para todos nós, acho que mais critiquei lulla da Silva do que elogiei Lula. Lamento, mas a culpa por esse desequilíbio não é minha.

Tenho medo das verdades únicas, fundamentalistas. George Bush é assim, Khomeini também era. Assim também o são muitos militantes de muitos partidos políticos, inclusive um tupiniquim.

Sou fundamentalista numa coisa e dela não abro mão: a defesa da democracia. Porém, como a democracia é o oposto do fundamentalismo, ao defendê-la encarniçadamente não sou fundamentalista. Sou apenas um democrata.

Alonguei-me, pra variar.


Muito obrigado pela amizade, pela presença, pelas palavras, pelo incentivo que vocês me deram.



Que 2008 seja um ano melhor do que foi 2007 para todos nós e para esse imenso bananal que todos amamos e gostamos de chamar de Brasil.


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quinta-feira, dezembro 27, 2007

Cunha, belezas e feiúra

(Esse post repete, um pouco, o de 5 de agosto de 2007. )




A igreja é antiga, as datas na torre contam um pouco de uma história que começou no século XVIII, ainda.

O café ainda não era uma realidade, sequer conhecido era. Algumas décadas passariam até sua chegada aos morros do Vale.





Com o café veio o dinheiro farto, abundante.
Todo mundo enricou.
Não, Cunha e o Vale do Paraíba estão no Brasil, portanto, alguns poucos enricaram.
Belas casas, belas sedes de fazendas, belas igrejas foram alguns dos resultados do dinheiro do café.



A nova face da igreja combina com os novos tempos de Cunha: beleza nas construções, combinando com a paisagem, trazendo os turistas das grandes cidades.




O céu do inverno seco, do qual o ipê é testemunha, fecha o pacote de uma das muitas belezas de Cunha.



Aqui já teve café.

Antes, porém, era tudo mata, Mata Atlântica.

Foi derrubada e queimada e o café foi plantado.


O café exauriu esses morros e em seu lugar vieram pastos, cada vez mais fracos, cada vez sustentando menos gado, cada vez mandando mais terra para os cursos d'água nas enxurradas.

Essa é a herança triste e empobrecedora do café.

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Caos – s.m.


... 3 – mistura de coisas em total desequilíbrio; desarrumação, confusão.

Assim define, entre outras, o Houaiss. Eu, particularmente, gosto de “total desequilíbrio”, pois é a definição que melhor se aplica, em todos os sentidos, à cidade de São Paulo e, particularmente, ao seu trânsito e ao número de veículos que ela abriga. Nesse ano que ora termina, a megalópole cresceu a bagatela de 330.000 novos veículos em sua frota. Deslocar-se de carro por suas ruas e avenidas não é aventura, é suplício, é tormento, é provação.

São Paulo hoje tem menos de dois habitantes para cada veículo registrado. Antes de ser prova de riqueza, é prova de burrice extremada, desleixo e desespero. A burrice extrema e o desleixo idem referem-se às autoridades de anteontem, ontem, hoje e, com certeza, amanhã. O desespero fica por conta dos paulistanos que só enxergam no carro próprio um meio relativamente decente, menos desconfortável e menos inseguro para se locomover.

Enquanto a cidade cresce 330.000 veículos, seu sistema viário não deve ter aumentado nem 10.000 metros. Aliás, o ideal seria até o oposto, que parte do sistema viário revertesse à condição de solo coberto por vegetação pura e simplesmente. Como isso é utópico, resta uma obviedade: se os locais por onde os carros trafegam não aumentam, e como o número de carros aumenta, e aumenta muito, teremos mais carros ao mesmo tempo nos mesmos lugares, resultando em congestionamentos mais e mais monstruosos e uma situação ainda mais caótica.

A prefeitura já pensa em ampliar a restrição de circulação de veículos, que hoje proíbe o trânsito de dois finais de placa a cada um dos dias úteis da semana. A hipótese que se considera, agora, é simplesmente mais que dobrar essa restrição, permitindo a circulação de placas com final ímpar num dia e final par no outro, alternadamente. Duvido que isso vá resultar em grandes benefícios. A única chance de realmente melhorar a situação, deixá-la mais próxima de algo com cara civilizada, é criar uma situação em que os próprios donos de veículos convençam-se que é melhor usar um meio de transporte coletivo para seus deslocamentos.

Utopia...

Vida longa ao caos. Não que eu deseje, mas é o que teremos.


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sábado, dezembro 22, 2007

Friozinho gostoso... Começou o verão


Tenho uma vaga lembrança de frio e desconforto, depois mexe e remexe até encontrar a coberta, o calor, o conforto e o sono de volta. Um pouco mais tarde, meio acordado, meio sonolento ainda, deixei a cama com alguma má vontade, recordando mal e mal o frio da madrugada. Enquanto pegava uma blusa, pensei que estava tudo maluco, afinal, como pensar em aquecimento global com esse frio, ou quase isso, em dezembro, na antevéspera da véspera de Natal? Claro, em Nova York e em Zurich está frio. Também em Madrid e Londres, Paris e Berlim, sem falar da gélida Moscou, mas por lá está tudo certo, o outono está passando o bastão para o inverno, o General Inverno que ajudou os russos a derrotarem as tropas de Napoleão e Hitler. Aqui, todavia, é a primavera que passa o bastão para o verão. Curiosamente, isso aconteceu justamente nessa madrugada, às 04:08, mais ou menos no horário em que acordei com frio e me cobri. Estamos, nós e o tempo, meio fora de prumo e rumo.

Justamente esse estar fora da condição normal, levou-me a beber, satisfeito, umas taças de vinho tinto durante a semana. Esse frio extemporâneo deixa as noites mais gostosas e as manhãs estimulantes. Esquenta, é claro, durante o dia, mas nada como um bom frio matinal, um bom friozinho, como agora, que serve para aumentar a disposição de fazer coisas, além da vontade de tomar mais café. O café-com-leite e o pão com manteiga ficam mais saborosos e criam um dos grandes momentos desses dias. A bebida quente, antes de alimentar, aquece e desperta, aumenta o prazer. No meio da manhã, a xícara de café quente, recém feito, melhora o dia ainda mais.

Não sou somente eu que aprecio o frio, longe disso. Os cachorros também gostam muito desse tempo e dormem preguiçosamente, aproveitando as manhãs. Só quando o sol já apareceu e esquentou o gramado é que eles deixam suas camas e vão se esticar sobre a grama, espreguiçando gostosamente.

O frio dá prazer.

Felizmente, porém, seus dias estão contados. O calor vem vindo e chegará com força total. Embora não seja do meu particular agrado, é do agrado e necessidade das plantas e dos animais. Os pastos crescerão mais depressa, estimulados pela combinação de chuvas, luz e calor, assim como as lavouras todas. A terra, uma vez mais, estará dando o melhor de si para mantermos nossas vidas e – por que não dizer? – nossos estilos de vida.

Mesmo não sendo um grande apreciador do calor, aproveitarei bastante algumas de suas comodidades, principalmente durante os vindouros dias praianos de janeiro em Santa Catarina, onde as águas ainda estarão meio frias, mas nem por isso menos gostosas.

Afinal, o calor também dá prazer. Mas ainda prefiro esse friozinho gostoso.


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quinta-feira, dezembro 20, 2007

Feliz Natal. Feliz 2008.



Beleza e graça associadas a esforço e persistência.

Elegância e trabalho.

Muito se pode falar desse encontro entre a flor e o colibri...

Essa simples imagem, porém, falará mais do que eu posso escrever.

Melhor ainda, cada um poderá fazer sua própria leitura.


Feliz Natal.

Feliz 2008.

Que a busca da felicidade e a realização no trabalho

tragam flores e néctar, beleza e graça, harmonia e elegância,

saúde e paz.

Emerson


Foto de um beija-flor-tesourão em flor de mini-grevílea.
Sitio das Macaúbas, julho de 2007.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Para ler ao Harry Potter final

Alguns anos de minha vida foram marcados por um livro chamado “Para leer al Pato Donald”, impresso no Chile de Allende. O autor, cujo nome ignoro e tenho preguiça de vasculhar entre os livros guardados ou escondidos ou, como diz a Rosa, amontoados e juntando poeira (além de ácaros), dizia que Donald, Mickey, Pateta, Tio Patinhas & cia. bela, nada mais eram que pontas-de-lança da dominação intelectual do sistema capitalista e do imperialismo americano sobre as pobres, despreparadas e ingênuas cabeças ao sul do Equador. Para quem, como eu, leu milhares de gibis, teve toda sua infância dividida entre muitos gibis, livros e brincadeiras de rua – essas em menor proporção, assim como a televisão – aquilo era um atentado à minha formação intelectual, era um atentado à minha infância e às doces lembranças de um tempo gostoso, sonhando com aventuras por esse mundo afora e outros, quando o gibi à mão era Flash Gordon. Ainda hoje acho tudo aquilo abobrinha, por mais verdadeiras que possam ser algumas das colocações.

Lembrei-me desse livro ao fazer o título desse post.

Sim, acabei de ler a saga de Harry Potter. Não só acabei como, do alto dos meus 53 anos, declaro que li, gostei, emocionei-me e sentirei falta de Hogwarths e do mundo mágico todo.

Para quem ainda não leu o sétimo e último livro, um conselho de amigo: releia o penúltimo – “O Príncipe Mestiço” – para poder aproveitar o final plenamente.

Harry Potter foi um verdadeiro fenômeno nesses tempos de mensagens cifradas em computadores e celulares, com economia máxima de vocábulos, principalmente por parte da rapaziada mais jovem. É realmente incrível que leiam os calhamaços que foram cada um dos livros, com sua riqueza de personagens e termos como oclumência e testrágoros, entre outros, inventados para dar vida a capacidades e seres de um mundo imaginário. Não foram livros fáceis de serem lidos, pelo contrário, ainda mais nos livros finais, quando conceitos importantes como tolerância, justiça e outros mais foram ganhando importância e vida própria.

Já sinto saudade de tudo isso, e também inveja de quem ainda não leu “Harry Potter e as Relíquias da Morte”.

Ao fim e ao cabo, o primeiro parágrafo ficou perdido nesse texto, exceto pela lembrança e adaptação do título. Mas foi bom falar daquele livro chato e metido, cuja leitura não recomendo, como, aliás, nunca recomendei. Ao contrário do Donald e do Mickey.


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domingo, dezembro 09, 2007

Hora do banho


Essas fotos foram feitas na chácara em que moram meus sogros, em Santa Rita do Passa Quatro.

Nos dias de muito calor a rapaziada penosa faz fila para tomar banho... e se esbaldam. Literalmente.














Pô, que sacanagem!
Gastaram toda a água daqui!

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Ecologicamente diversificado e bem localizado



Esse título parece pretensioso, principalmente porque refere-se ao Sítio das Macaúbas, mas é verdadeiro.
Santa Rita do Passa Quatro está localizada numa região muito interessante do estado de São Paulo, em seu centro-norte,
numa área conhecida como Terras Altas Paulistas.
Salvo engano, e tirando o trecho meridional do estado, essa é a região mais alta do planalto que ocupa a quase totalidade do estado,
excetuando as regiões serranas, naturalmente.

O sítio, em particular, está numa altitude superior a 700 metros acima do nível do mar, e essa característica nos traz dias quentes e noites frescas ou frias em boa parte do ano.
Para as plantas, isso é benéfico para a maioria, e assim podemos plantar e colher frutas d
e clima temperado como pêssegos, uvas e peras, bem como mangas, típicas dos climas tropicais. As minhas atuais meninas-dos-olhos são dois pés de castanha-portuguesa, e torço muito para que se desenvolvam e frutifiquem bem.

Santa Rita do Passa Quatro não tem araucárias, aparentemente. Tampouco as tem São Carlos do Pinhal, a menos de 75 km em linha reta, e altitude semelhante.
Mas elas lá existiram em tão grande quantidade que deram o nome à cidade.
O progresso, a abertura das matas para o plantio de café, a urbanização, tudo isso levou ao desmatamento de toda a região. As araucárias foram vítimas prioritárias, dada a qualidade de sua madeira, e foram, praticamente, extintas.
Acredito que restem algumas resistentes nativas po
r ali, e seria maravilhoso se houvesse um trabalho de recuperação dessas plantas fantásticas e bonitas.

Há um programa a respeito em desenvolvimento no estado, mas parece-me que para as áreas do sul e da Mantiqueira.
Seria bom que ele englobasse, também, as araucárias da Serra do Mar e as sobreviventes dessa região central, pois seus genes são
diferentes e geraram árvores adaptadas a condições ecológicas distintas das existentes na Mantiqueira e na parte sul do planalto.

Plantei algumas no sítio, cerca de doze.
Duas não se desenvolveram e outras foram “assassinadas” pelos bezerros novinhos, graças à nossa inexperiência.
Não sei, entretanto,
qual a procedência genética das mudas plantadas.

Plantei-as no sítio - como essa da foto, ainda faltando alguns anos para abrir a copa típica - porque acredito que, no passado, Santa Rita do Passa Quatro também foi lar de araucárias nativas, até porque temos muitas gralhas, e todos sabem que as gralhas têm importante papel na disseminação dessas plantas, “colhendo e enterrando pinhões para uso futuro”.
Na verd
ade, tal como as maritacas e outras parentes tagarelas, elas pegam pinhões e deixam-nos cair, parcialmente bicados, mas sem afetar seu poder germinativo, pelo contrário, estimulando a germinação.

Se as araucárias e seus pinhões são uma incógnita, o mesmo não ocorre com as plantas do cerrado e as plantas da Mata Atlântica e sua “irmã-de-sangue”, a floresta latifoliada da Bacia do Paraná.
Um passeio atento pela minúscula área do Sítio das Macaúbas é o bastante para revelar habitantes famosos desses dois ecossistemas. Vamos conhecer alguns, a maioria deles cerradenses.

O primeiro, faço questão, é o pequi. No sítio restou um só pé de pequi, bem na beira do asfalto para meu desgosto e irritação.

Ele não é muito desenvolvido, e está misturado com outras árvores, mas dá conta do recado e até produz bem.

Esse ano, novamente, ele está com uma boa carga e eu, uma vez mais, estou ansioso à espera que amadureçam para poder colhe-los, pegar as sementes e formar algumas mudas.

Muita gente desconhece o fato do pequi também ser nativo no cerrado paulista, que começa pertinho do sítio, na região de

Piraçununga ou Pirassununga. Por sinal, os primeiros trabalhos científicos sistematizados e de longo prazo sobre o cerrado, começaram no Cerrado de Emas, a região em torno da Cachoeira de Emas, no Rio Mogi-Guaçu, onde, por sinal, além de estações de pesquisa do Estado, tem, também, um dos campi da USP.


Outro cerradense típico e nativo nosso é o araticum também chamado de marolo.



Ele nasce no meio dos pastos, mas o gado, sempre se coçando, raramente deixa algum pé ir pra frente.


Esse pé (na verdade uns três ou quatro juntos) aqui ainda tem muito que crescer.

Foi com pesar que vi esse belo fruto caído no chão.

Ainda no dia anterior ele estava firmemente preso à árvore, mas os ventos de uma tempestade vespertina jogaram-no no chão.

Reparem que nessa foto do fruto

na árvore tem, ao fundo, à esquerda, uma flor.
O novo florescimento e

o amadurecimento dos frutos da safra anterior coincidem, e há um ano entre um e outro.


Agora o fruto cortado ao meio. Esse pesava cerca de trezentos gramas.

Seu gosto e perfume são muito doces, um pouco enjoativos, mas a passarinhada e bichos diversos de pelo apreciam-no muito.

Dizem que é muito bom

para fazer suco, mas não tentamos.

Quem sabe na próxima safra?


Jatobá-do-campo, outra planta típica do cerrado, outro habitante do Sítio das Macaúbas.


Sua sombra é espetacular, pois é fresca e agradável, ao contrário da sombra de muitas outras árvores, como as grandes mangueiras.
Isso acontece porque o interior de sua copa é bem vazio, permitindo ampla circulação do ar mais quente ao nível do solo, que está sempre subindo.

Essa é outra planta que merece ser protegida e propagada, ao contrário de seu primo, o jatobá, bem mais comum.


Um velho jatobaseiro é sempre uma árvore imponente pelo porte e pela beleza. Esse aqui não foge à regra, postado bem na divisa do Sítio das Macaúbas com o Sítio Mandarim. Reparem que à frente dele tem outras duas plantas importantes: uma palmeira macaúba ainda bem jovem e depois um exemplar de pau-brasil, já com alguns anos de vida, mas crescendo direitinho.

A macaúba foi plantada por alguma arara ou outro bicho, já o pau-brasil foi uma das primeiras árvores que plantei no sítio. Eram dois pés, na verdade, mas um morreu.

O fruto do jatobá é bem conhecido, acredito, com seu cheiro, gosto e consistência bastante típicos e facilmente reconhecíveis.

Os macacos gostam muito dele, assim como os bichos de penas de maior porte e bico forte.



Bons representantes das matas atlântica e latifoliada, são a copaíba e o jequitibá, mas esses deixo para mostrar mais pra frente, assim como outras árvores, inclusive do cerrado, que tem uma flora riquíssima e diversificada.


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domingo, novembro 25, 2007

Limpeza, silêncio e aquecimento global na Paulicéia

Pois é, ninguém dava muita bola para as promessas do prefeito, primeiro o Serra, depois o Kassab, mas os resultados são visíveis ou não audíveis, num caso e noutro.



Cidade Limpa

Eu mesmo estou espantado com a aparência nova da Paulicéia. Trafegar pela Avenida Rebouças continua chato e irritante, pois, tirando as madrugadas, ela vive congestionada, inclusive os túneis “da Marta”, que para nada servem e muito caro custaram. Bom, dizem que para alguma coisa serviram e essa “alguma coisa”, dizem, apenas reproduzo, estaria ligada ao tão alto custo. Tão alto que o Serra bloqueou os pagamentos e pediu uma averiguação no começo de sua gestão. Não sei no que deu, se em alguma coisa deu. Mas, falava de trafegar pela Rebouças, coisa chata como sempre, mas agora muito menos desagradável: a sujeira visual, as inúmeras placas, faixas, cartazes, outdoors, foram varridos para longe de nossos olhos. A avenida está limpa, as casas visíveis, a paisagem existe. Como é importante existir paisagem! Não faz mal que seja de casas e prédios, mas tem que existir.

A limpeza e a paisagem não são exclusividade da Rebouças, longe disso: por todas as partes da cidade por onde andei nos últimos meses, o resultado é o mesmo e o prazer também. Conseguimos até prestar mais atenção em monumentos e obras de arte.

É uma pena que os postes e os milhões de quilômetros de fios e cabos continuem à vista. Tudo seria ainda mais bonito se eles ficassem, como deveriam, embaixo da terra, mas aí já seria pedir demais.

Quem sabe no futuro?



Psiu!

Funcionou. Muita gente anda reclamando, principalmente donos de bares, restaurantes e casas noturnas, mas desde o começo de 2005 o nível de ruído nas noites paulistanas diminuiu. Também diminuiu a atividade noturna, ou melhor, está acabando mais cedo.

A atividade noturna não está proibida, mas apenas o barulho excessivo por ela gerado. Um estabelecimento desse tipo só pode gerar um máximo de 55 decibéis (o barulho de um caminhão – regulado – ou de uma máquina de lavar), ou melhor, só pode deixar “escapar” de seu interior esse nível máximo de decibéis. Para que isso aconteça é necessário que seu interior tenha isolamento acústico. O nome disso é civilização.

A grande reclamação dos empresários da noite é pela proibição das mesas nas calçadas. A lei exige, também, que esses estabelecimentos tenham estacionamento próprio e segurança. Novamente, isso é chamado de civilização em qualquer parte do mundo.

Os moradores de muitos bairros que viraram “da moda” agora podem dormir.

Repetindo, mesmo correndo o risco de ser chato, o nome disso é civilização.



Aumentando o aquecimento global

Prestes a entrar na já citada Rebouças, na hora do almoço de ontem, sabadão, fiquei parado por uma espera de sinal. Olhando para cá e para lá, vi uma cena triste, burra e criminosa: um gari tocando fogo num monte de folhas secas, verdes e mais ou menos, juntamente com papeis e outros resíduos varridos da calçada e do meio-fio.

Ora, tal ação, praticada por um funcionário da municipalidade ou por ela contratado através de empresa prestadora de serviços, é triste por todo o contexto em que vivemos e por tudo que sabemos hoje.

É burra porque o melhor uso para esses resíduos é a reciclagem. As folhas, a grama cortada, os galhos das árvores, as flores que o vento derruba das azáleas, tudo isso é matéria orgânica e seu melhor destino é virar um adubo orgânico por meio de compostagem.
É tarefa fácil e sem mistérios, já efetuada por algumas prefeituras de cidades não muito grandes, por universidades e por milhares de agricultores. Numa cidade como São Paulo, a produção desse composto geraria um rico material para ser usado nas praças e parques públicos, ajudando a recuperar, manter e ampliar as áreas verdes. Custaria caro, sem dúvida, mas há despesas que são caras na aparência e baratas nos resultados. Essa é uma delas, estou certo.

É criminoso porque nenhuma autoridade pública, ainda mais de uma metrópole como a Paulicéia, pode ser agente do aquecimento global. A acreditar nos relatos científicos, e a maioria de nós acreditamos, inclusive nossos representantes eleitos, é dever de todo e qualquer cidadão, e mais ainda daqueles que têm poder e influência, no mínimo não colaborar para o crescimento desse monstro. No mínimo. Ao queimar as folhas, galhos, flores, pedaços de papel e, pior ainda, de plásticos diversos, a prefeitura de uma das cinco maiores metrópoles do planeta está contribuindo para aumentar o aquecimento global.
Além de criminoso, um ato insano.

O mesmo prefeito que tão bem trabalhou pelo visual da cidade e pelo silêncio, precisa, agora, trabalhar também em prol da preservação do ambiente.

Começar por essa coisa tão pequena é um bom caminho.


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quarta-feira, novembro 21, 2007

Notícias roceiras, até alvissareiras (algumas)


O leite abaixou novamente. O Gilberto reclamou, dizendo que seu cheque do leite veio com cinco mil reais a menos em relação ao mês anterior. Ele está tirando mil litros por dia, e chegou a receber oitenta e cinco centavos por litro, e agora está com pouco mais de sessenta. É, faz sentido e a conta bate. Dizem alguns que essa queda é por conta das chuvas que chegam e da produção que aumenta. Balela! Essa queda tem que ser debitada aos imbecis e criminosos que – não confundir com criminosos imbecis – que tascaram água oxigenada e soda cáustica no leitinho “longa vida” que as donas-de-casa adoram comprar. Fosse eu o Gilberto e tentaria cobrar os cinco mil desses vagabundos. Com essa história de baixa, ele acabou pagando menos por umas vacas que precisei vender.

Que dor no coração! Quem cria não pode ter dó de vender, de se desfazer de seus animais. Já me questiono se posso ser criador. Vida que segue, mas fiquei triste com a venda e nem por isso mais rico ou menos pobre. Do dinheiro não vi e nem verei a cor e a cara. A parte maior já foi pra pagar a conta atrasada de farelos e adubos, e a parte menor, que vai entrar na conta em alguns dias... bom, o máximo que posso dizer a respeito é que já está comprometida. Vou ver se tiro uns “dez real” só pra ver a cara da cédula e comprar alguma coisa com ela, talvez uma revista, que a gente lê e vai pra reciclagem ou pro lixo. É, tem a ver mesmo, tudo a ver.

Mas falei em notícias alvissareiras e começo com esses parágrafos, triste um, desanimador o outro. Coisas da vida, em especial de quem cria e produz leite.

Mas, vamos às alvissareiras.

As chuvas chegaram, a princípio mansas, comportadas, molhadeiras, até surpreendentes pela mansidão. Anteontem à tarde, porém, enquanto um pé-d’água violentíssimo com ventos idem, deixava-me com cinco ou seis metros de visibilidade em plena Anhanguera e, claro, devidamente apavorado, apesar do ar blasé para não assustar a Rosa e minha mãe, outro igualmente forte e com ventos violentos, chegava ao sítio e, além de mais uma ou outra árvore derrubada, destelhou parte da casa em que mora o Almir. Como já é o terceiro ou quarto destelhamento entre a casa dele e a nossa, as telhas mantidas na reserva foram pra cucuia.

Hummmmmmmmmm...

Sim, eu sei, prometi alvissareiras novas e até agora...

As vacas vão bem, umas mais que as outras, que sentiram mais a seca e a falta de pasto, de comida volumosa de boa qualidade. O pasto de tanzânia está bonito, pena que seja pouco para todas as vacas que nele comem. Creio que, finalmente, encontrei alguém para cortar as laranjeiras do pomar velho, em boa parte já mortas ou perto disso. Se dessa vez tudo der certo, terei a área livre no dia 15 de dezembro, podendo entrar com uma grade e, em seguida, plantar o capim com um “cheirinho” de adubo.

Estou em déficit com minha consciência e com a natureza: já deveria ter começado o plantio de parte das 500 árvores que prometi a mim mesmo. Até agora foram plantadas somente 14, das quais duas morreram. Com um pouco de sorte, ainda conseguirei plantar, digamos, 88 árvores. O ideal é fazer isso até o reveillon, pois assim as plantas aproveitam bem a estação das águas e chegam fortes e bem enraizadas na entrada do inverno e da seca.

Dessas árvores, 200 serão, necessariamente, eucaliptos. As demais serão de espécies variadas, a maioria das quais nativas. Sobre elas pretendo escrever um post específico, pois é um tema fascinante.

O Decon (Conrad), filho de meu vizinho de cerca, Miro, e expert em informática, colocou o sítio deles na internet:

http://www.sitiomandarim.com.br/

O site está bonito e muito bem feito, valendo a visita.

Na página de abertura tem duas fotos. Na segunda, as árvores ao fundo já são do Sítio das Macaúbas.

É a roça na internet, sinal inequívoco das mudanças intensas e rápidas dos últimos vinte anos.

Outro vizinho, o César, voltou para os braços da Seara. Ele produz frangos pelo sistema “integrado”, que é bem descrito pelo Decon no site do Sítio Mandarim. A Seara é extremamente exigente com seus integrados em todos os aspectos, da sanidade aos cuidados ambientais, da higiene à proteção dos galpões, tudo integrado num grande guarda-chuva chamado biossegurança. Mesmo a ração que a empresa fornece é diferente, com maior qualidade e sem o menor traço de produtos animais em sua formulação. Parte da produção Seara é exportada, mas a totalidade é tratada como se fosse para exportação.

A Rose, sua esposa e grande amiga, virou uma queijeira de mão cheia. Os queijos estão ótimos, artesanais, saborosos, produzidos com todos os cuidados de higiene. Dá gosto comer. O coitado do César já está ordenhando duas vaquinhas, uma delas, a melhor, uma mestiça jersey. Já falei pra ele que não demora muito e os frangos dos dois galpões serão apenas um complemento de renda. Ele dá risada e descrê. Sei não...

Fomos à casa da Raquel e do Henrique, e também da Gabriela e do Pedrinho, para comprar mel. O Henrique produz mel e a Raquel cria sites, morando num sítio. Roça mais hightech que essa tô pra ver, até porque, na casa do César e da Rose, enquanto comia um pedaço do queijo “da casa” seguro numa mão, usava a outra para dedilhar o teclado e navegar pela internet.

Voltando ao mel: o Henrique abre a torneira do tonel cheio e o mel desce em ondas dentro dos vidros. Mel bonito, claro, perfumado, bem suave, mel de flores de laranjeiras. Olho os vidros contra a luz e as ondas criadas na queda do mel são visíveis.

Fico sabendo pelo Henrique que nem todas as abelhas norte-americanas sumiram do mapa. Ele participa de algumas listas de discussão com apicultores do Canadá e Estados Unidos. Na nossa roça até as abelhas são hightech e pós-modernas. Mas o que aconteceu com as abelhas do Grande Norte parece-me, ainda, ser um mistério, já que nenhuma das hipóteses formuladas até agora foi confirmada.

A grande voçoroca numa fazenda próxima foi corrigida pela usina que arrendou a terra, mas sobre isso fiz um post à parte. Ficou mais bonita a paisagem, sem a cicatriz feia e assustadora da grande voçoroca.

Os gatos parecem nem sentir nossa ausência prolongada. Tão logo chegamos já se aproximam e ocupam a cozinha. Sabem que vão ganhar peixe, e ganham. Sabem que vão ganhar mais leite, mais ração, mais comidinhas diversas, mais mimos. E ganham. De barriga cheia, uma fica no sol matinal dentro da cozinha. Outra, prefere a varanda da frente. Em comum, os olhos fechados e o sono leve, de ouvidos ligados na passarinhada.

O Stanley acuou um quati perto da matinha e levou bela patada no focinho.

O quati fugiu e ele ficou com o focinho e o peito machucados. Como pena, tem que agüentar o spray do mata-bicheiras e conviver com o cheiro do dito cujo.

E assim vai seguindo a vida nesse começo de estação de chuvas.

Pastos verdes, telhados destelhados, lavouras bonitas, erosões querendo aparecer, sol forte, tropicalíssimo, seguido por ventos de respeito.

Entre prós e contras, vida que segue.


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