Um Olhar Crônico sobre os dias de hoje e alguns de ontem. Um Olhar Crônico sobre a vida nas cidades, a vida na megalópole, a vida na roça, quando é dura, e no campo, quando é lírica. Textos, Idéias & Coisas diversas, aquelas que passam pela cabeça e a gente acaba registrando, sabe-se lá pra que ou mesmo porquê.
domingo, dezembro 02, 2012
O “Rosegate” avança
domingo, novembro 18, 2012
sexta-feira, outubro 05, 2012
Last Resort... or the unthinkable
terça-feira, outubro 02, 2012
Um filme que vale a pena
sábado, setembro 29, 2012
Chegou o fim de ano - é o que diz o chocotone
terça-feira, setembro 25, 2012
Declaração de voto e posição
terça-feira, setembro 18, 2012
Um caronista falante sob o Sol queimante
sexta-feira, agosto 31, 2012
Luar, Gonzaga e Armstrong
Luar como esse do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão"
Oh! que saudade do luar da minha terra
Lá na serra branquejando folhas secas pelo chão
Este luar cá da cidade tão escuro
Não tem aquela saudade do luar lá do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Se a lua nasce por detrás da verde mata
Mais parece um sol de prata prateando a solidão
E a gente pega na viola que ponteia
E a canção é a Lua Cheia a nos nascer do coração
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Mas como é lindo ver depois pro entre o mato
Deslizar calmo regato transparente como um véu
No leito azul das suas águas murmurando
E por sua vez roubando as estrelas lá do céu
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
quinta-feira, agosto 23, 2012
As laranjeiras em flor e o brilho da noite enluarada
domingo, agosto 19, 2012
A infra podre e o fim de semana perdido
sexta-feira, agosto 10, 2012
O poluente poder público - I
sábado, agosto 04, 2012
Pequenas complexidades da vida simples
sexta-feira, agosto 03, 2012
Noites de luar sobre o Macaúbas
sábado, julho 28, 2012
Pensamentos ao léu na beira do caminho
Não faz muito tempo os esqueletos que um dia perfumaram o ar nas floradas e carregaram-se de amarelo na safra, foram reunidos e empilhados em montes pelas lâminas dos tratores e a fumaça das fogueiras tomou conta de parte do céu.
As vacas foram embora, prefiro não saber para onde, e a cana, mais cana, cerca agora a solitária copaíba, que a tudo isso sobreviveu.
E apesar de parar, descer, fechar a porteira, voltar para o carro e dirigir mais trezentos metros ou pouco mais que isso, como todo dia útil, tive a consciência de que vivera um momento único.
domingo, julho 08, 2012
Chuvas, inverno e pastos
sábado, junho 23, 2012
Notícias de um abacateiro
sexta-feira, janeiro 13, 2012
Mangas para dar e vender, mangas para vacas e gentes
As mangueiras ladeiam a pequena estrada, dos dois lados, cresceram, em alguns pontos formaram um túnel. O caminhão do leite, com seu tanque alto e as guardas para proteger o operador no alto do tanque, faz e refaz um verdadeiro túnel a cada entrada que faz por aqui, sempre depois das chuvas que impedem seu acesso pela outra entrada. Ao formar o túnel, quebrando galhos, derrubando folhas, também joga no chão enorme quantidade de grandes frutas. É o responsável pela outra parte das frutas caídas.
Dá dó, a perda é grande. Essa é uma das coisas que ainda existem no Brasil rural, mas não mais em todo, já que boa parte das propriedades não tem mais essas alamedas formadas por árvores frutíferas. Quando árvores existem, são eucaliptos, pinheiros, grevíleas... Sem graça, mas comportadas. Não atraem muitos pássaros, assim como tampouco atraem marimbondos, vespas, moscas e toda a passarada que gosta de insetos e frutas. É uma escolha, típica dos novos tempos.
Paro o carro, desço e pego a grande manga amarela. Já está com dois ou três buracos onde insetos diversos fazem a festa depois que os passarinhos começaram e deixaram para trás. É pesada, tem muito mais de meio quilo, deve estar próxima do quilo cheio. A poucos metros, do outro lado do cordão eletrificado, a Bonita e a Alvorada observam. As vacas estão viciadas em mangas nessa temporada. Algumas delas ficam com os focinhos amarelados quando pastam na sombra das mangueiras. Não pastam, chupam mangas. Ponho a pesada fruta no chão, ao alcance da boca da Bonita que não perde tempo. Perto tem outra, menor, que pego e dou para a Alvorada. Pronto. Justiça social feita, acepipes distribuídos igualmente, volto para o carro e vou para casa. O dia termina.
As variedades de mangas são muitas. De nome, conheço somente a borbon, a velha rainha das mangas. As outras são das variedades modernas, com nomes ingleses: Keith, Palmer, Haden (não é americano esse) e outras. Ignoro quem seja quem, não peço identidade na hora de saboreá-las. Com tanta manga dando sopa, é comum termos travessas cheias de gordos pedaços amarelos dessa fruta tão gostosa. Gosto dela firme, madura, mas não muito. Algumas até prefiro na passagem inicial de verde para maduras. Questão de gosto. Alguns minutos na geladeira são o suficiente para deixar os pedaços no ponto exato. Prazer puro que refresca e alimenta. Parece frase de propaganda, mas é o que saiu da minha cabeça.
Paro por aqui, afinal, a barriga está cheia, satisfeita e, depois dessa frase publicitária, sei lá o que sairá dessa cabeça.
sábado, dezembro 31, 2011
Feliz amanhecer, feliz 2012
E à medida que a luz do Sol vai surgindo lentamente no horizonte, a passarinhada começa a fazer sua algazarra. A temperatura da madrugada também é própria dela, diferente. Nesses dias de verão, o frescor é um bálsamo e anima o corpo. Nos dias de inverno, um agasalho e o primeiro café trazem conforto e uma felicidade diferente, especial, a cada novo dia igual e diferente, a felicidade de cada amanhecer.
O ano novo é como o amanhecer para o dia, a melhor parte do ano, aquela sucessão de nomes e números que vemos marcados nas folhinhas penduradas nas paredes. Ou víamos, já que hoje só se sabe em que dia estamos depois que o computador ou o celular cheio de teretetês é ligado.
O novo dia é algo natural, fruto do casamento da Terra com o Sol, primitivamente falando (ou, quem sabe, sabiamente falando?).
Assim também é o Ano Novo, mas ele não é natural, foi criado pela nossa mente metida a catalogar e organizar tudo, até a vida e o tempo.
Por isso, organizadamente, é nele que mais crescem as promessas, sonhos, ilusões, desejos...
É o momento em que a Esperança toma conta.
Esperança... Talvez o mais humano dos sentimentos, fusão do irracional profundo com o racional.
É esse o sentimento de todo novo ano, a cada novo ano.
Esperança de manter a felicidade, de ser mais feliz, de encontrar a felicidade, que muitas vezes está bem próxima, bem juntinha, mas nós teimamos em não vê-la. Ou vemos, mas não sabemos que é ela que está ali do lado, meio sorridente, meio como quem nada quer, quietinha e discreta.
Talvez porque crescemos e vivemos num mundo em que felicidade é conjugada com o verbo ter, mas, acreditem, foi falha de impressão no Manual de Busca da Felicidade.
Felicidade se conjuga com o verbo ser.
Ser.
Sejam felizes em 2012.
quinta-feira, agosto 25, 2011
E a Mel se foi...
Aviso aos navegantes: é meio triste.
Se quiser passar batido, passe.
Muitas vezes eu faço isso.
Ela nasceu quando há pouco morávamos na Granja Viana, filha da Belinha com o Bilbo.
Viveu conosco por 17 anos - dizem que isso equivale a 120 dos nossos anos.
De um jeito ou doutro era uma senhora.
Ranzinza, chata com estranhos, ainda a fêmea alfa aqui, apesar da idade.
Desde que mudamos para cá ela dormia dentro de casa. Às vezes, de madrugada, a bexiga apertava e ela ia até nossa cama pedir para sair.
Uma "delícia" nas madrugadas geladas desse Sítio das Macaúbas, mas, ora bolas, era a Mel.
Começou a sofrer e a ter uma série de problemas em rápida evolução.
Hoje cedo a Rosa levou-a ao veterinário, novamente, e voltou com ela e alguma esperança.
Em vão.
Nesse começo de noite voltamos à clínica e ali, com a Rosa acarinhando sua cabeça, foi sacrificada.
Parou de sofrer.
Digo a mim mesmo, à Rosa e aos outros que "tudo bem, ela viveu bem e bastante, chegou sua hora" e coisa e tal.
Tudo verdade, mas, assim mesmo, triste pra burro.
Cachorros fazem parte da minha vida desde que era bebê.
A mesma coisa com a Rosa.
E, pouco depois de nos casarmos, passaram a fazer parte da nossa vida e das vidas de nossos filhos.
A gente sofre nesses momentos, mas é assim que é.
Por aqui estão a Sophia, a Neguinha, a Lily e o Abobrinha, todos eles achados pela Rosa (três) e por mim (o Abobrinha) e recolhidos.
Cada qual com sua própria personalidade.
O veterinário, cara legal, gentil, atencioso conosco e carinhoso com os cachorros, perguntou-nos se queríamos deixar a Mel lá e depois ele mandaria enterrá-la.
Não.
Não é assim que somos, é inconcebível para nós deixar o bichinho partir sem o conforto da nossa presença.
Não sentem medo, não muito, acho, pela frieza do ambiente estranho.
Amanhã vamos enterrá-la aqui, ao lado de seu pai, o Bilbo.
Besteira ou não, é assim que nós gostamos.
E, sei lá, né, vai que ela tem seu espírito...
terça-feira, agosto 23, 2011
As agruras da seca – a queimada criminosa
“É calor de mês de agosto, é meados de estação
Vejo sobras de queimadas e fumaça no espigão”
Os versos que abrem “Terra Tombada”, de Carlos Cezar e José Fortuna, cantada por Chitãozinho e Xororó, retratam bem esse mês que é sempre chato. Faltou falar do vento, que seca e resseca tudo ainda mais.
O monte de palha que tiramos da cana antes de ser picada para as vacas queima de forma instantânea, mal se encosta nele a chama do fósforo. As labaredas crepitam, a fumaça corre meio deitada no rumo do Sol ainda alto, levada pelo pouco de vento do começo de tarde. Em questão de segundos fica sobre o chão apenas pequeno monte de cinza, fumegando. O ceu, para os lados do oriente, está opaco, tomado por um cinza escurecido com uns toques meio avermelhados, tudo efeito do ar tomado por partículas as mais diversas, sólidas, nem é preciso dizer, que irritam os olhos, a garganta e até a boca.
É agosto.
Dias atrás, dia amanhecendo, o Dito chegou e disse-nos, com ar preocupado, um pouco até assustado, que alguém tocara fogo no capim do barranco na beira do asfalto e as chamas tinham quase chegado no nosso pequeno e salvador canavial, comida única das vacas nessa seca. Só não pegara fogo na cana porque um caminhão da usina jogou água e apagou o incêndio em seu começo. Tudo isso ele viu e deduziu em segundos, enquanto seu ônibus passava ao lado, já reduzindo a marcha para ele descer.
Ordenha finda, fomos lá dar uma olhada. De fato, tudo deve ter acontecido tal e qual disse o Benedito, para não ficar “disse o Dito”. O fogo começou na divisa do acostamento com a estreita faixa de terra antes da cerca. Passou pelos arames e mourões rapidamente, mas deixando suas marcas. Subiu o pequeno barranco tomado por capim e arbustos e entrou no carreador que margeia o canavial.
Foi nesse ponto que apareceu o caminhão-bombeiro salvador. O pessoal da usina sabe dos malefícios que mentes criminosas espalham nessa época e os motoristas dos seus caminhões-bombeiros têm liberdade para debelar esses princípios de queimada. Santa providência! Graças a ela, não perdemos a comida das vacas, o que seria simplesmente catastrófico para nós.
Os caminhões são usados para prevenir e controlar eventuais excessos nas queimadas de cana para colheita, processo em fase de extinção no estado de São Paulo, reduzido mais e mais a cada ano. No alto do tanque, atrás da cabine, é montada uma estrutura com um canhão-d’água. O motorista sobe, senta-se atrás da peça de artilharia aquática e dirige um jato poderoso contra os pontos com fogo. A força da água foi tanta que tombou toda a primeira linha de cana, e também boa parte da segunda. Tombou, mas salvou, e graças ao canhão-d’água da usina minhas vaquinhas Jersey e mestiças continuam comendo a sagrada cana picada duas vezes por dia.
Bom, voltando ao crime propriamente dito: como de hábito, ninguém viu, ninguém nada sabe. Falar com a polícia é tempo perdido, pois nunca fizeram e tampouco virão a fazer algo para prevenir ou punir esse tipo de crime. Pensei em falar com a Polícia Ambiental, que ainda chamamos de “Florestal”, mas seria igualmente inútil. Como seguro morreu de velho, pensei, e nisso fui apoiado pelo Zé Divino e pelo Dito, que seria até melhor não ter polícia enxameando por aqui, olhando, fuçando, pois o resultado mais provável seria apenas atiçar a vontade criminosa, que, certamente, voltaria à carga para terminar o serviço que foi interrompido.
Como de hábito, novamente, e temos muitos desses hábitos, fiquei “na minha”, apenas torcendo para nada acontecer. Claro que à mercê da bandidagem, contra quem não temos defesa. Ter uma arma em casa e disparar meia dúzia de tiros é procurar, e achar, chifre em cabeça de cavalo. Ora, como bem sabemos que cavalo não tem chifre...
Fizemos ligeiro aceiro na beirada do carreador e mudamos o corte da cana. Em poucos dias tiramos toda a cana mais próxima do asfalto, recuando o início do canavial em vários metros.
Para ajudar, caiu chuvinha miúda, raridade para agosto, que ajudou a dormir sem grandes receios.
A seca, porém, ainda não terminou e não sabemos quando isso acontecerá. Tanto gastamos em tantas coisas e não temos um satélite meteorológico próprio, posicionado para cobrir unicamente o que de fato interessa ao Brasil. Se não tivéssemos tantos ministros, tantos assessores, tantas malas (além de cuecas, meias e outros cofres) circulando pelos corredores e ante-salas brasilienses, sem dúvida sobrariam rios de dinheiro para gastarmos em coisas como um satélite meteorológico.




