domingo, janeiro 31, 2016

Um janeiro normal e a sorte com o silo

O mês termina com 268 mm registrados aqui no Sítio das Macaúbas.

Um volume respeitável de chuvas, mas absolutamente dentro da média para o mês.

Dias atrás, porém, enquanto tivemos aqui 25 mm, na cidade choveu mais de 100 mm!
A represa, quase totalmente seca há poucos meses, transbordou. A água invadiu e cobriu o asfalto. Desceu um pequeno desnível e cobriu de água uma bela horta, parte em estufa, parte a céu aberto. 

Curiosamente, na véspera ou antevéspera desse dilúvio, ao passar por ali a caminho da cidade vi a horta sendo irrigada, com todos os aspersores funcionando, molhando as verduras. No dia seguinte o local parecia uma lagoa.

Prejuízo total para o horticultor e mais o prejuízo em diversas instalações e até em duas ou três das estufas mais próximas, também invadidas pela água.

- Nossa, como a verdura tá cara hoje!

Sim, minha senhora, meu senhor, é a chuva.

Às vezes ela falta, às vezes ela abunda.
(Abundar é um verbo feio, mas é um bom verbo.)


Aqui tivemos sorte.

De segunda pra terça caiu um mundaréu de água aqui pertinho, na Estrela. Na propriedade do Rubens o pluviômetro registrou mais de 30 mm, o que prejudicou os trabalhos no dia seguinte.
Enquanto isso, tivemos somente 10 mm aqui em casa e no dia seguinte, a terça-feira, começamos a cortar o milho para encher o silo. Armou chuva de terça pra quarta, mas, felizmente, não choveu.

A quarta amanheceu com cara de muita chuva. Medo.

Terminamos o corte e o transporte do milho, fechamos o silo como manda (quase) o figurino (faltou colocar uns cordões de sacos com areia ou terra sobre ele, mas, paciência) e...
Caiu a chuva durante a ordenha da tarde.

Tivemos muita, muita sorte mesmo!
De vez em quando é bom.


Seguem fotos do processo de ensilagem – o corte na lavoura (a planta é cortada próxima da base, picada inteira, inclusive as espigas com o milho passado do ponto de pamonha), a descarga num dos nossos dois silos-trincheira (gostaria de ter mais uns quatro, mas faltam-nos barrancos), a esparramação e compactação da massa picada pelo trator e o silo pronto, já coberto.
Por baixo uma lona nova (tá cara à bessa/beça), por cima a lona do ano passado.

Na base, no chão do silo, colocamos feno para fazer um piso. Ele protege o silo do contato com o solo e na hora de retirar e levar pras vacas não temos perda alguma. O próprio feno, molhado e temperado com a água perdida pelo milho, fica cheiroso, muito palatável, e as vacas comem tudo. 

Nesse ano inovei: cobri o milho com mais feno e só então colocamos as lonas.  Em maio, ou junho (de preferência), verei o resultado.

O feno que colocamos é tipo B ou C e nessa época do ano seu preço é muito baixo. B ou C acaba sendo teoria, pois não conseguimos achar fardos ruins, de fato, então o feno que foi pro chão é o mesmo que as bezerras e novilhas comem durante a noite.

A cada carreta aplicamos inoculante, que acelera a fermentação e melhora a qualidade do silo. O inoculante é como se fosse um fermento, tal como se usa nas cozinhas e padarias. Meio caro, mas compensa.

Fechamos o silo com alguma coisa entre 52.000 e 55.000 kg de milho picado. Isso é peso de entrada, peso bruto. O peso líquido, ou melhor, o peso seco, daqui a quatro meses ou pouco mais quando começarmos a usa-lo, terá caído uns 25 a 30%. Perda de água.

Um pouco mais de custo, um bocado a mais de qualidade.







sábado, janeiro 23, 2016

A Lua prateada, saudade da minha terra, saudade de Padre Nóbrega e dos tempos d’eu criança

A foto abaixo mostra o céu ocidental na madrugada desse sabadão, uns quarenta minutos antes do começo da ordenha da manhã.
Passava um pouco das cinco da manhã. Tinha acabado de fazer o primeiro café do dia e abri a cortina da janela da cozinha, que fica, justamente, voltada para o oeste ou, como diriam os anúncios de imóveis, tem face oeste.
E lá estava ela, a terra pisada por Neil Armstrong e mais alguns humanos, a Lua, em seu primeiro dia de cheia.
A Lua prateada da canção, clareando a estrada e o mundo.



A foto é pobre, sinto. Ela deveria mostrar a Lua emoldurada pelas árvores, um cenário bonito demais.
E quieto, sossegado, um pouco antes da passarada, fazendo alvorada, começar a cantar.

Depois veio o dia. Cheio, trabalhoso, cansativo.
Mudei a programação de corte do milho lá do Zé Fernandes de segunda pra terça. Hoje consegui o trator do novo vizinho, gente boa. Emprestou-me o Fordão com que, habitualmente, compactamos o milho picado no silo-trincheira.
Pra ganhar tempo, puxei pra amanhã a coleta e pesagem do leite de todas as vacas, individualmente, pra não atrasar os resultados e também para não sobrecarregar o meio da semana, quando a feitura do silo tomará todo nosso tempo fora das ordenhas e trato das vacas. Sobrou pro Dito. Amanhã vou busca-lo de madrugada. Enquanto eu fico na ordenha fazendo a coleta e a pesagem, ele cuidará dos bezerros.
Será mais um domingão como tantos outros, talvez com alguma chuva, já prevista para hoje.
Bom, nem sempre a previsão se realiza... Vamos ver.

Deixo para quem quiser ler, a letra de uma de minhas músicas mais queridas, especialmente nas vozes de Chitãozinho e Xororó: “Saudade de minha terra” – composição, verdadeiro poema, de Goiá e Belmonte.

“De que me adianta viver na cidade
Se a felicidade não me acompanhar

Adeus, paulistinha do meu coração
Lá pro meu sertão, eu quero voltar
Ver a madrugada, quando a passarada
Fazendo alvorada, começa a cantar
Com satisfação, arreio o burrão
Cortando estradão, saio a galopar
E vou escutando o gado berrando
Sabiá cantando no jequitibá

Por Nossa Senhora,
Meu sertão querido
Vivo arrependido por ter te deixado
Esta nova vida aqui na cidade
De tanta saudade, eu tenho chorado
Aqui tem alguém, diz
Que me quer bem
Mas não me convém,
eu tenho pensado
eu fico com pena, mas esta morena
não sabe o sistema em que eu fui criado
Tô aqui cantando, de longe escutando
Alguém está chorando,
Com o rádio ligado

Que saudade imensa do
Campo e do mato
Do manso regato que
Corta as Campinas
Aos domingos ia passear de canoa
Nas lindas lagoas de águas cristalinas
Que doce lembrança
Daquelas festanças
Onde tinham danças e lindas meninas
Eu vivo hoje em dia sem Ter alegria
O mundo judia, mas também ensina
Estou contrariado, mas não derrotado
Eu sou bem guiado pelas
mãos divinas

Pra minha mãezinha já telegrafei
E já me cansei de tanto sofrer
Nesta madrugada estarei de partida
Pra terra querida que me viu nascer
Já ouço sonhando o galo cantando
O nhambu piando no escurecer
A lua prateada clareando a estrada
A relva molhada desde o anoitecer
Eu preciso ir pra ver tudo ali
Foi lá que nasci, lá quero morrer.”

Ouço muito essa música, vira e mexe me ponho a cantarola-la, coisa em que sou um prodígio... De ruim.
E toda vez, toda vez, toda santa vez que escuto:
“Nesta madrugada estarei de partida
Pra terra querida que me viu nascer”
Toda vez minha memória voa pros tempos d’eu criança, saindo da casa dos meus pais com um tio ou amigo da família e indo pra Estação da Luz, onde, no final da madrugada, pegava o “trem de luxo” da Cia. Paulista de Estradas de Ferro (uma das ferrovias destruídas pelo governo burro de JK, trabalho continuado pelos governos cegos dos militares e dos que a eles se seguiram). Nunca viajei na primeira classe, só na segunda, que era uma maravilha. Mas bem que gostaria de uma vez só, uma vezinha só, ter viajado na primeirona...
Pra Marília, ou melhor, pra doce e querida Padre Nóbrega, onde o trem parava por um minuto ou dois, eram pouco mais de dez horas de viagem.
Pra Flórida Paulista, onde ficava a Fazenda Saudade, que meu avô administrava, eram catorze horas.
Catorze horas!
No mínimo umas três ou quatro eu passava na plataforma, vendo a paisagem, sonhando com a minha própria fazenda num dia futuro.
Memórias indeléveis. Mais que memórias, tudo isso é parte do meu DNA. Estou certo, nem preciso de teste para confirmar.


sábado, janeiro 02, 2016

Chove chuva, chove sem parar... E da chuva para a crítica

Chove chuva, chove sem parar... E da chuva para a crítica

Chove no Macaúbas.

Uma pancada de respeito agora à tarde acrescentou mais 25,0 mm ao ano em curso. A soma já  vai em 43,0 mm e estamos no segundo dia do mês e do ano.
Nos últimos 10 dias são 125,0 mm acumulados.

O leite quebrou um pouco – tradução: a produção de leite das vacas sofreu uma queda. Chuva demais, conforto a menos.

O barro abunda.
A frase é horrorosa, mas quem disse que a realidade não é, por vezes, horrorosa?







Um vizinho veio buscar uns sacos de adubo bem a tempo de pegarmos o início do chuvão e nos molharmos mais que o desejável.

Virei praticante do velho escambo.

O escambo é necessário à sobrevivência. 

Estou usando o adubo de uso futuro e de uso presente suspenso pela impossibilidade de fazer investimentos para pagar parte da conta da comida que as vacas comeram na seca que há muito ficou para trás.

Meu caixa, que é mera teoria numérico-contábil, dá uma respirada (teoria respira?) (sim, teoria respira) e a gente empurra tudo para o futuro.


Há quem diga que o ano será bom para nós, os produtores de leite. 
Analista de respeito disse que a queda observada na produção levará, forçosamente, a um aumento no preço pago a nós da ordem de 15%.

Uau! Que maravilha...

Só que não.

Esse “nós” do analista tem como base os produtores de mil litros diários para cima. 
Pequenos como eu, hoje com duzentos, em fevereiro com trezentos se nada acontecer errado, não estão na alça de mira dos analistas. Nossos aumentos são menores.

Por outro lado, o mesmo analista diz que teremos uma alta de pelo menos 12% nos custos, especialmente de ração.

Ora... Bom, deixa quieto. 
Esse analista é discípulo fiel e cego dos propagandistas do governo, que estouram champanhes pelos onze e cacetada porcento de “aumento” do salário mínimo, quando a inflação do ano foi de... 11%.

Inflação oficial e teórica, posto que na prática, na tal de vida real, ela foi muito superior.


Outro problema com analistas e suas análises: focados nos grandes, eles ignoram que nós, os pequenos, temos custos maiores porque não temos capacidade e volume para conseguir descontos e para fazer compras antecipadas aproveitando ofertas. 

A gente almoça o leite que será produzido na janta, isso, é claro, se tivermos sorte. 

Na verdade, estamos almoçando hoje o leite que será produzido no mês seguinte.


Então, é assim.
Há uma crise.
Há, na verdade, duas crises.
Uma é geral, genérica, formal, oficial e grandiosa.
É a crise que se comenta em grandes discursos.

É a crise que os defensores “disso tudo que está aí” dizem que não existe ou que é exagerada. Ou, cientes do tamanho do monstro, aproveitam qualquer coisinha, por mínima que seja, para desviar o assunto, o foco e o rumo.


A outra crise é miserável, específica, desconhecida dos “grandões” (como uma amiga suíça se referia aos donos dos poderes). É a crise minúscula da falta de dinheiro para o aluguel da casinha minúscula e já miserável na periferia da periferia das cidades. 

É a crise que os "defensores" dos trabalhadores desconhecem. 
Nem podem conhecer, pois, na maioria, eles só conhecem “trabalhadores” dos sindicatos e para esses é tudo sempre uma beleza, sem chuvas, nem trovoadas.


Essa outra crise, a crise dos miseráveis, é também a crise dos pequenos produtores de leite, dos pequenos produtores rurais de tudo, dos pequenos industriais, dos pequenos comerciantes, dos pequenos empresários...

É uma crise que os donos do poder e seus defensores – tão cegos quanto calhordas – também ignoram. 
E ainda nos chamam de “coxinhas” quando reclamamos.


Um dia, espero que não, mas, sei lá...
Um dia hei de dizer em alto e bom som tudo que penso dessas pessoas.
Serei execrado.
Serei chamado de um monte de nomes.
Perderei um monte de amigos.

E meu fígado agradecer-me-á profundamente.
E viverei em paz com ele, meu precioso fígado.


sexta-feira, janeiro 01, 2016

Um ano molhado

Um ano molhado

Assim foi 2015: molhado.
O ano fechou ontem com 28,5 mm durante a noite, antes de começarem os fogos da passagem.
Dezembro fechou com 187,0 mm.
Na soma com o incrível novembro o total foi de 500,0 mm!
E o ano inteiro acabou com 1.468,0 mm.

Bom demais, claro, apesar do barro.
As terras do Sítio das Macaúbas são bem permeáveis, um solo areno-argiloso que absorve bem as águas. Nosso lençol freático deve estar bem cheio.


Um ano molhado, sim, mas nem tanto


Essa precipitação total próxima de 1.500 mm não é, porém, nada de extraordinário. A média de chuvas aqui em Santa Rita do Passa Quatro, de acordo com dados da UNICAMP  e seu Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura é de 1506,8 mm. Portanto, o ano ainda esteve 2,6% abaixo da média.
Mesmo assim, foi bom demais.

Por sinal, a média geral do Estado de São Paulo gira um pouco para cima dos 1.500 mm anuais.


Um problema, nesse ano de 2015 e em quase todo ano, é a forte concentração de chuvas num período curto e sua ausência em outros. 
Se em novembro tivemos 313,0 mm, tanta chuva que foi até ruim, em julho tivemos 13,0 mm e no tenebroso agosto apenas 4,0 mm, fator agravado pelo Sol terrível e pelos ventos secos, que, literalmente, chupam a umidade do solo, secando-o e ressecando-o. 
Chegou setembro e com ele chegaram as antigas e sumidas chuvas da primavera. Ficaram concentradas, porém, num período de dois ou três dias logo no início do mês, entre os dias 7 e 12, com 115,0 mm. Depois... 
Depois a repetição de agosto, com Sol inclemente e os malditos ventos secos, voltando a chover apenas no finalzinho do mês.

Esses períodos secos, quentes e com muito vento são mortíferos para as plantas e deprimentes para os animais. E humanos.


Agora, é torcer para 2016 se manter na média histórica, o que já será fantástico.

O Sistema Cantareira teve um bom ano, mas 2016 pode e precisa ser melhor. É ficar na torcida. 

Para voltar à normalidade de reservas, o Sistema precisa de três temporadas de chuvas normais. 

Historicamente, esse é um comportamento climático normal para a região e para o Estado. 

Lembrando que entre 1º de julho de 1891 e 30 de junho de 2013, o estado de SP teve apenas 5 anos com precipitações inferiores a 1.000 mm (na verdade, inferiores a 950 mm) e todos esses anos secos foram seguidos por anos molhados, o que não aconteceu entre o final de 2012 e 2014.  

Nesse período o comportamento foi duplamente anormal: em relação ao volume total de chuvas e em relação à duração do período seco, que pegou, praticamente, três diferentes temporadas.


Então, é isso. Hoje, primeiro dia do ano, o tempo tá com cara de chuva.
Que assim seja.


quinta-feira, dezembro 24, 2015

Meu cartão de Natal e Ano Novo

Meu cartão de Natal de 2015

Feliz Natal!
Feliz e esperançoso 2016!


Esse é o meu "cartão de Natal".
Não tem Papai Noel, não tem a "árvore", não tem renas.
Tem a capa de Veja e nela a foto de Sergio Moro.


Um homem comum, como somos a maioria.
Não é o Superman ou Batman ou qualquer coisa parecida.
É, acima de tudo, um profissional competente.
Infelizmente, pelo que é o Brasil, sou obrigado a completar com mais um adjetivo: é honesto.
Infelizmente porque, numa nação séria como seremos um dia, honestidade será algo meramente incorporado, tal como o ato de respirar. Hoje, porém, para diferenciar e explicar, precisamos dizer de muita gente: É honesto.


Quando coloco nesse "cartão de Natal" a foto (até meio feia) de Moro, a imagem que tenho é de meu neto Felipe e minha neta Isadora.


Porque esse brasileiro da foto, o Sergio Moro, pode ter salvado, e salvou, 2015, mas o mais importante é que o seu trabalho e do grupo de profissionais da Justiça e da Polícia Federal junto dele, estão salvando o futuro desse país.



Somente o trabalho deles, porém, não é e não será o bastante para termos um futuro digno desse nome e para termos um país no qual as pessoas tenham vontade de viver e não, como hoje, vontade de abandonar.


Pense com muito cuidado quando for eleger o vereador e o prefeito de sua cidade. Não se omita. Pense. Vote.


Vote localmente pensando nacionalmente.


Escolha um partido. Escolha candidatos.
Não dê ouvidos à propaganda fascista – por parte dos inteligentes e bem informados – e burra – por parte de quem apenas repete mantras idiotas – de que nenhum político "presta", nenhum partido "presta".


Isso é mentira!


Para não deixar mais irritados muitos que isso dizem e não são fascistas ou burros, mas são, sim, inocentes úteis a serviço do status quo, concordo que há muitos políticos vagabundos e ladrões em todos os partidos, mas "estranhamente" agrupados como um enorme cardume de rêmoras ao redor de alguns partidos-tubarões (rêmoras não formam cardumes, mas os rêmoras da política brasileira formam). Na natureza as rêmoras são comensalistas, na política brasileira não passam de vis parasitas.


Podem também esses políticos, ser chamados de carrapatos, esse ácaro vagabundo que atormenta as vacas, sugando seu sangue, vivendo de seu sangue, sem para elas em nada contribuir.
Ingerem o sangue, engordam, ficam enormes, cheios (cheias) de ovos, deixam-se cair no chão e botam seus milhares de ovos que gerarão novos milhares de parasitas à custa de quem trabalha.


Portanto, por favor, não para mim, mas para seus descendentes, pense.
Vote conscientemente em 2016. E em 2018. E sempre.


Respeito, embora discorde ideologicamente, quem acredita na esquerda, como eu mesmo o fiz durante parte de minha vida.
Para quem assim ainda pensa, vale tudo que escrevi acima.
Nem todos os membros desse partido que se assenhoreou do poder junto ao que de pior existe no "empresariado" nacional, são da mesma estirpe vil e criminosa que vemos nas lideranças e direções. Se você acredita, limpe essa escumalha. Depois, mais adiante, num Brasil melhor, voltaremos a nos encontrar nas urnas, democraticamente.



Democracia não é somente voto.
O voto é antes uma ferramenta da democracia do que sua razão de ser.
Portanto, tampouco existe democracia sem voto.


E tudo isso pressupõe a necessidade de partidos políticos.
Não faça com a política e os partidos o mesmo que você faz com as reuniões de seu condomínio.
Compareça.
Participe.
Influa.
Eventualmente, por que não, seja o síndico. Entre para o Conselho. Atue.


Aja localmente pensando nacionalmente.

Aja em pequena escala atuando globalmente.

Quanto mais longe você estiver dos partidos e da política, mais "os caras" – quaisquer que sejam as bandeiras partidárias – estarão à vontade.
Claro, você não estará lá para contrariá-los, para apresentar uma alternativa.
Você e muitos milhões.
Mesmo que você não entre num partido (hoje eu mesmo estou afastado de um partido, situação que talvez mude nesse 2016), atue. Leia. Ouça. Veja. Converse. Debata. Exponha o que pensa.
Converse por e-mail com o seu deputado e com outros deputados.
Pressione!
Acredite, mesmo que o deputado pessoalmente não leia, um assessor lê e transmite para ele. Isso também é participar. E não escreva só para o seu deputado ou do seu partido. Escreva para qualquer um que você, num certo momento, julgar necessário.
É seu direito e, diria eu, é seu dever como cidadão.

Então, é isso.

Feliz Natal.
Feliz 2016.
Vamos trabalhar para que 2016 seja o primeiro ano de um novo Brasil.

Mais de acordo com nossos sonhos ou a caminho de nossos sonhos.


segunda-feira, novembro 30, 2015

313,0 mm – Novembro foi uma água só


Às 22h10 fui até o pluviômetro. Marcava mais 32,0 mm depois dos 35,0 da manhã e madrugada.
Faltando ainda, naquele momento, pouco menos de 2 horas para acabar o dia, tínhamos um total de 67,0 mm de chuva. No acumulado dos 30 dias o número do título: 313,0 mm.
Continua chovendo, mas essa chuva de agora vai entrar para a conta de dezembro. Bom, a menos que a Brahma continue berrando atrás do bezerro que nasceu no final da tarde. O infeliz parece ter um gosto especial em passar por baixo do fio que divide o piquete e se afastar da mãe, que berra. Aí, lá vai o marmitão embaixo de chuva tocar o bichinho pra perto da mãe novamente. Haja paciência... Tudo porque ela adiantou o parto 5 dias, pegando-nos de surpresa, e não pôde ser levada para o que chamamos piquete-maternidade.
Por que não?
Porque desde sua cria anterior, a Betina, ainda em janeiro desse ano, a Brahma mudou o comportamento e passou a ficar agressiva quando tentamos nos aproximar do bezerro ou bezerra para cuidar do umbigo e ajuda-lo na primeira mamada. Com isso, e para não estressá-la com corda e força e o escarcéu correspondente, optamos por deixa-la no pasto. Péssima decisão, com toda essa chuva que não imaginávamos.
Essa mudança comportamental dela foi uma coisa muito estranha, para a qual não encontramos explicação, pois as vacas Jersey e Holandesas, como é o caso dela, há mais de século ou século e meio não oferecem resistência alguma ao manejo, mesmo recém-paridas. Por conta dessas idas & vindas ao pasto já tomei dois banhos extras. Pensei que fosse tomar mais um agora, mas não foi preciso. Meno male.

Sim, eu sei, eu reclamei terrivelmente da seca.
Só há uma coisa pior que a seca para um produtor rural: o excesso de chuvas.
É, não somos nós que somos complicados, é a nossa atividade.
Sem chuva, sem comida.
Com chuva, muita comida.
Com chuva em excesso, comida de menos ou nenhuma.
Também precisamos de luz e calor, o que fica por conta do Sol. A luz para a fotossíntese, o milagroso mecanismo que permite a existência de vida nesse planetinha azul. Calor para que nossas plantas, todas subtropicais ou tropicais, se desenvolvam.

O que são 67 mm (a caminho dos 70 somente hoje) de chuva?
Dias atrás, durante 30 minutos choveu um total de 58 mm em São Carlos.
Ruas e avenidas foram inundadas, a ponto de carros se transformarem em desajeitos jet skis sem direção.
A marcação de 1 mm – um milímetro – de  chuva, significa a queda de 1 litro de água em uma área de um metro quadrado – 1 m² (um quadrado com 1 metro de lado).
Em um hectare, unidade padrão para áreas agrícolas, que tem 10.000 m² de área, uma chuva de 1 mm significa que 10.000 litros de água caíram sobre aquela área. Aqui no sítio hoje, até as 22h10, tínhamos um total de 670.000 litros de chuva por hectare, ou seja, 67 litros por metro quadrado.
Nesse mês de novembro que ora se encerra, o total de água por m² foi de 313 litros.
Cada um dos 12 hectares do Sítio das Macaúbas recebeu a bagatela de 3.130.000 litros de água durante o mês. Digamos, como se 313 caminhões-tanque de 10.000 litros viessem para cá e espalhassem sua carga em cada hectare. Ou seja, para o sítio inteiro... quase 4.000 caminhões-tanque de 10.000 litros cada.

Tal como aconteceu em São Carlos, o problema está no cruzamento de volume com tempo. Ora, 58 mm em meia hora é uma tromba-d’água! Já os 67 mm em cerca de 20 horas é chuva demais, encheção de saco demais, mas não configura uma situação de problemas graves. A menos que haja ventos e hoje teve. Um dos galhos de uma das lofanteras do nosso gramado caiu e por meio metro não caiu sobre a varanda-garagem.
Que beleza...

Precisamos do Sol agora. Vários dias seguidos, para o capim crescer absurdamente, para os animais voltarem a ficar confortáveis, para o barro secar, para a vida voltar a um ritmo mais normal e, também para nós, humanos, mais confortável.

quarta-feira, outubro 21, 2015

Chuva de presente com direito a efeitos especiais



A chuva chegou. Tarde, atrasada, em pleno dia 20 de outubro, mas chegou.

Depois de um setembro atípico, com 125,0 mm até o dia 13, parou de chover. Para o resto do mês já estava bom, afinal, outubro estava logo ali e com ele boas chuvas.

As previsões e as esperanças não se concretizaram. Essa chuva, com muita pirotecnia e efeitos sonoros assustadores, começou tão logo caiu a noite. Nesse momento, completávamos 37 longos e tenebrosos dias sem uma gota de chuva aqui no sítio. 

Novamente, não estaria tão ruim graças às chuvas de setembro, mas o calor foi excessivo, absurdo, por toda parte. Há poucos dias, o Rio de Janeiro registrou 43,8 graus centígrados, o terceiro dia mais quente em 100 anos. Nesse mesmo dia, tivemos aqui assustadores 40,0 graus. 


Como tudo que está ruim pode ficar ainda pior, os ventos dos últimos dias secaram tudo que ainda restava de umidade nas camadas superiores do solo. Ventos secos, quentes, provocando enorme desconforto, fisicamente depressores e espiritualmente deprimentes.

Muitos vizinhos plantaram milho para produzir silagem logo no início do mês, alguns, corajosos, até no final de setembro. As previsões dos institutos prometiam chuvas dentro dos primeiros dez dias do mês. Não vieram. 
O milho nasceu bonito, vistoso e encheu a todos de esperança. 
Sem chuvas e com as altas temperaturas, a lavoura começou a sentir. 
Pelas manhãs, nas primeiras horas de cada dia, as pequenas plantas estavam viçosas, as folhas brilhando ao Sol. Já no meio do dia, porém, o cenário mudava e ao começar a tarde, o viço já estava perdido e as plantas murchavam. 
No dia seguinte, porém, novamente amanheciam bonitas, novamente davam esperança, para logo depois definharem. 
Enquanto as plantas se recuperam, a lavoura está viva e é viável, mas, chega um momento em que elas amanhecem murchas. 
É o triste sinal de que a lavoura está morta, não tem mais salvação, um novo plantio precisa ser feito. 
Novas despesas, grandes prejuízos.


Vivemos nosso drama aqui no sítio na mesma linha. 
Os piquetes de capins Mombaça e Tanzânia começaram a crescer com as chuvas de setembro. Já sem comida, tomei a decisão de soltar as vacas nos piquetes, economizando dinheiro e, principalmente, economizando feno. 
Porque, finalmente, o feno de nosso fornecedor acabara. 
Porque também lá o capim que era para ser fenado... acabara.


As vacas entraram em piquetes com um terço ou menos da altura ideal para pastejo. Para aumentar a oferta de comida, abrimos dois piquetes por noite ao invés de um.
Assim se passarem cerca de 10 dias, quando novamente bateu o desespero da falta de comida e a corrida ao feno.


À espera dessas chuvas fiz uma loucura necessária, loucura financeira, bem entendido, e comprei adubos. Desde ontem (agora anteontem) estamos adubando os piquetes, confiantes que com alguma sorte choveria amanhã, que já é hoje, e depois de amanhã, ou simplesmente amanhã.  

A chuva nos surpreendeu agradavelmente e chegou hoje, na verdade ontem, como vocês entenderão logo mais.

Durante a noite a luz piscou uma, duas, três vezes, e já num horário bem adiantado as piscadas se somaram aos relâmpagos cada vez mais fortes e com menor intervalo entre um e outro. 
Parecia claro, tinha  toda a pinta que a luz cairia de vez. 

Coloquei uma camiseta já usada, calção, uma blusa sobre a camiseta apesar do calor (para prevenir nova safra de dores dos músculos próximos aos pulmões) e calcei a bota de cano longo, sem meia, só de calção. 
Chique. 
Jeito de modelo, mas não me convidem para o ridículo desfile com o pessoal se trocando em frente ao público. Tô fora.


Fui para o barracão da ordenha para desligar o tanque de refrigeração na tomada, mas a temperatura do leite estava alta, com 4,7 graus, próximo de iniciar um novo ciclo de resfriamento até levar o leite a 2,9 graus.
Cocei a cabeça, pensei e liguei o tanque no manual – agitador e refrigerador. Para passar o tempo fui ver o pluviômetro e as vacas.
O pluviômetro só não foi decepcionante porque já esperava mesmo pouco volume de água – apenas 2,5 mm. Joguei fora essa água e deixei-o zerado. Barulho demais, chuva de menos. Vamos ver amanhã.

O lote das Jersey estava na pista de alimentação, sob o abrigo do teto. No cocho mais nada, já tinham comido todo o feno. 
Os olhares compridos e pidões me deixaram com dó e passei alguns minutos desfiando e colocando mais feno, ao qual se atiraram com uma vontade que, para vacas leiteiras, pode ser chamada de voracidade.

Ao voltar para o barracão a temperatura do leite já estava em 0,9 grau e um pouco mais ia virar picolé de leite. Desliguei tudo, retirei o conector da tomada trifásica e voltei pra casa.

Molhado e suado ou molhado e molhado. Depois de me enxugar e recolocar a bermuda e camiseta de dormir, liguei o notebook e comecei a escrever.

O dia 21 de outubro já começara há algum tempo.
Há algum tempo eu já estava um ano mais velho.

Entrei em meu 61º aniversário embaixo de chuva, ventos e relâmpagos,  desligando tanque e dando feno para as vacas.

A chuva foi meu presente. Um presentão muito bem-vindo.

Agora só falta o sono chegar. Deve estar perdido lá pra cima, no meio do pasto.

Coisa rara em minha vida, fui à geladeira peguei uma Bud estupidamente gelada e bebi. Na garrafa. Gostosamente. Ainda tem um restinho, ainda bem gelado e acho que antes desse restinho acabar o sono vai aparecer para tomar um golinho. 
Aí eu pego ele. E levo pra cama.




Tarde do dia 21 – com toda a pirotecnia que avançou madrugada adentro, com todo o exagero celeste dos efeitos sonoros, tivemos só mais 2,5 mm de chuva. Totalizou 5,0. 

Tá bom. 
Tem promessa de mais para esses dias. 

E hoje o resto dos piquetes foi adubado. Agora, é esperar pelo capim. 

Junto com o Kindle que a Rosa me deu hoje cedo, essa chuvinha de cinco milímetros foi meu melhor presente. 

Tá bom. Tô bem de presentes. Que continue assim.

terça-feira, agosto 12, 2014

Boniteza, secura & medo e mais o chique e o cafona


A madrugada estava uma coisa linda.

Até para quem gosta de ficar na cama valia a pena deixar o calor das cobertas e enfrentar o frio para ver a luz intensa do luar banhando tudo, criando uma sensação meio irreal, como se nossos sentidos transmitissem sinais descoordenados para as profundezas da mente.

O dia amanheceu como vem amanhecendo: céu azul, aberto, luminosidade  intensa logo cedo e o Sol... ah, o Sol, inteiraço no firmamento, quente, chocando com o frio ainda reinante deixado pela noite e madrugada.

Coisa linda de ver e de sentir.

Passarinhada fazendo uma barulheira danada, com cantos diversos misturados. Esse ano, por sinal, é enorme a presença de canários-da-terra aqui em casa. O bando chega em peso para comer um pouco da quirera das galinhas. Pelo alto, mas por baixo, creio que são pelo menos uns doze casais. Das árvores vêm cantos, pios e gritos que desconheço, o que me irrita um pouco. Não gosto de não saber.

As vacas ficam tranquilas. O frio lhe faz muito bem. A bezerrada berra cedo demais querendo leite quente para rebater o frio matinal. Lembro de meu finado tio Zé, tomando “uma” pra rebater o frio. Ou o calor. Ou o frescor ou qualquer outra coisa.

É...
Temos um belo dia à nossa frente, mais um.


Santa Rita do Passa Quatro amanheceu hoje sem água.

O fornecimento foi cortado às seis horas da manhã e será retomado às sete da noite.

Doravante assim será: treze horas sem água, onze horas com água.

Em comunicado, a prefeitura pede o óbvio: que toda água seja usada duas vezes.

É justo.

E nesse momento é irrelevante acusar a autoridade daqui, dali, d’acolá de culpa nesse e em outros cartórios. Fundamental, mesmo, é colaborar. 

Economizar. Usar na medida estrita da necessidade.

Pra rebater o pretenso viés poético das linhas iniciais, digo que não há necessidade de apertar a descarga toda vez que se fizer o número 1. Pode deixar acumular. Cheiro? Ninguém vai morrer por causa dele, até porque a urina, como nos ensinou Gregory House, médico de reconhecidíssimo saber, a urina é estéril. Pudera, com tanto nitrogênio em amoniacal não é para menos. Então, menos frescura e menos descargas. Isso vale para a capital de todos os paulistas e para todas as demais cidades.

Querem outro exemplo de economia e destinação da água servida? Sabe aquela enxaguada prévia e também aquela enxaguada posterior ao ensaboamento ou ensabonetamento do corpo? Então... Pega um balde, bota o bicho embaixo do corpo, entre as pernas, e deixe a água escorrer na maior parte para dentro dele. Depois disso é só deixa-lo ali, do lado e ao lado da privada e despejar sua água na dita cuja para mandar embora os números 2 da vida.

Isso é chique! Acredite.

Cafona, brega, burro e ignorante é desperdiçar água.

Chato mesmo é o medo de ficar sem o mais precioso de todos os elementos, fora o ar: a água.

Vai por mim.
Bom dia a todos.



Vida na roça entre choques e suavidade

Sexta-feira, quase uma da tarde, acabáramos de almoçar. Atrasado, dedilhava um texto pro OCE no notebook, caneca com café cheiroso e fumegante ao lado. Em outra era, estaria batucando e comandando o matraqueado metálico de uma parruda Remington, maço de folhas em branco ao lado do café e do cigarro, esse também fumegante, mas nada cheiroso.
Clichê, já que nunca fui fumante, mas, vai saber, né?
Entretido com tanta coisa e escrevendo sobre dinheiro, dívidas, gestão e confusão no futebol, tomei um baita susto com o estouro.
Forte, seco, daqueles barulhos redondos.
Com ele caiu a luz.
Treinado e pronto, levantei-me com o celular na mão procurando o fone de emergência da fornecedora de eletricidade. Enquanto passava pelo interminável “atendimento” automático, orientei o Zé a desligar o tanque de refrigeração do leite da tomada. Prevenir para não ter que remediar.

Empresa comunicada, começou a espera, como sempre chata e plena de ansiedade, pela viatura com os profissionais e seus equipamentos.
Demorou. Pouco depois das três da tarde chegaram. Fomos para o poste com as chaves, logo antes do transformador. Vasculhando o chão descobrimos o autor, melhor dizendo, o causador do estouro e da falta de luz: um pica-pau. No chão, morto mortinho esturricado, embora sem aparência de torresmo.


O choque foi fortíssimo, tão forte que ele nem percebeu que já morreu e deve estar, ainda, sobre um fio e tentando pegar um inseto no outro fio com o bico. Ao pegá-lo, fechou a corrente, gerou o curto-circuito, foi torrado e deixou-nos sem força para manter o leite gelado, funcionar a picadeira de cana, começar a ordenha das vacas, além, é claro, de deixar-me sem internet e com as geladeiras e freezers desligados.
Toda a vizinhança que usa a mesma rede também foi afetada. Ao contrário de outras vezes, a queda na corrente aqui em casa desligou o fornecimento em vários vizinhos. E todos ligaram para a empresa reclamando, como tem que ser. Funcionou.

Ao fim e ao cabo salvaram-se todos, exceto o pica-pau, bonito e simpático, mas azarado, e a rotina das vacas, atrasada em quase uma hora.
De quebra, o pessoal da empresa disse-me que em breve trocarão os cabos expostos por outros protegidos, o que impedirá esse tipo de acidente e a morte de maritacas (useiras e vezeiras, inclusive aqui mesmo), pica-paus e outras aves.
Meno male.


Hoje cedo, o sábado começando, fui buscar o Dito em sua casa, em Santa Cruz da Estrela ou, simplesmente, Estrela. No caminho, nas primeiras luzes do dia, a paisagem bonita de um amanhecer na roça.

Não resisti e parei o carro para olhar meio minuto.
E mais meio minuto para algumas fotos, afinal, para que ter um smartphone com câmera se não for para usar?
Fim. Até porque, antes de postar isso, vou preparar o café da tarde. Depois, mais dez minutos de computador e aí é levantar de novo e ir pra lida lá fora, começando o trato das bezerras.
Fui.



terça-feira, abril 08, 2014

Uma questão interessante e as questões que ela provoca


Recentemente, a mídia foi tomada de assalto pela questão dos rolezinhos.
Uau!
A maioria não sabia o que era isso. Eu nem imaginava a existência de tal termo e a situação a que ele se refere. E olhem que não sou um sujeito de todo desatento ao que rola na sociedade. Mas, convenhamos, dada minha idade, local de moradia, as esporádicas idas para a grande cidade e seus shoppings, nada mais normal, né?
Os rolezinhos vieram, estouraram, tiveram seus 15 ou 30 minutos de fama (ahhhh, isso todo mundo conhece, afinal, foi criação de um artista americano, morador da Grande Maçã, também conhecida como Big Apple) e meio que saíram de cartaz. A vida continua.

O lance agora é outro (nem sei se ainda se fala “lance”, nesse sentido; se não falar mais, paciência, peço perdão, sou de uma geração já meio antiga, mas – epa! – ainda dentro do prazo de validade), o momento é do “bateu de frente”.

Ao ler a questão da prova da escola de Brasília, dei risada e achei legal. Sem saber dos teretetês todos, mas já imaginando, gostei do professor ou professora que tinha bolado a questão.
Continuo gostando.

Uma das coisas mais chatas e ao mesmo tempo preocupante que vemos na internet todo santo dia é a virtual incapacidade de boa parte dos leitores compreender um texto. Já fui severamente criticado por escrever textos longos, por usar frases longas, por parênteses, vírgulas, crases, palavras... Ah, as palavras... Se depender de parcela que já disse razoável da população, a última flor do Lácio reduzir-se-á à meia dúzia de palavras e uns “par” de dúzias de expressões de usos múltiplos, até contraditórios, dependendo o significado do contexto, do tom de voz, de detalhes que passam despercebidos para a maioria, para os não iniciados.
Nem vou comentar o uso de mesóclises, pois aí o bicho pega.
Quando estudante, e já lá se vão “trocentos” anos, eu detestava questões com versos de Gonçalves Dias ou Castro Alves ou trechos de Joaquim Manoel de Macedo e outros. Achava um pé no saco. Estávamos nos anos 60, mas só usávamos exemplos de autores mortos do século XIX.
Beatles? Cruz credo, nem pensar.
Depois, passados vários anos, em muitas escolas e da parte de professores moderninhos, virou moda usar versos de Chico, não o Bento, mas o Buarque de Hollanda. Indoutrodia, por sinal, escrevi em algum lugar, para ilustrar o que penso de nosso brilhante momento político e nosso mais ainda brilhante estágio social e cultural, que “essa terra ainda vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se um imenso bananal”. Então, o Chico podia e pode. Fica até chique e moderninho e, vá lá, revolucionário. O mesmo com Caetano, Tom, quem sabe o Gil.
Bom, mas Valesca Popozuda não!
Onde já se viu tamanho despropósito, tamanho acinte à fantástica cultura tupiniquim?
O diabo, todavia, é que a gurizada conhece e ouve a moça. E por gurizada, parece-me, pode-se entender uma camada ampla, que supera algumas barreiras, como, por exemplo, a da renda familiar.
Isso me lembra que vi foto da Gisele Bundchen com a Valesca, a quem teria pedido que mostrasse como dar um beijinho no ombro.
Então, a Srta. Valesca pode até não ser uma grande pensadora, mas ela, certamente, é alguém que transmite alguma coisa e é vista e ouvida por um bom bocado de milhões de jovens, usualmente chamados ou tidos como... desmiolados.
Ora, a questão proposta pelo professor Antonio Kubitschek, foi muito interessante porque, com certeza, atraiu a atenção dos estudantes e, mais que isso, levou-os a parar e pensar a respeito.
É pouco? Talvez, talvez seja muito pouco, mas, repito, para quem conhece e vive o ambiente de internet e nele dialoga com internautas do país inteiro e das mais diferentes idades e condições sociais e de conhecimento, esse pouco já é alguma coisa.
Entonces, na boa, gente, menos frescura, menos chilique, menos preconceito com a questão e seus personagens.
Xiiiiiii, usei a palavra proibida, aquela que começa com “pre”, algo que, unanimidade, todo mundo diz que não tem. Ufa, ainda bem!