sexta-feira, julho 27, 2007

A guerra dos beija-flores

Não gosto de esteira, a menos que possa exercitar-me assistindo à televisão. De preferência com um programa esportivo. Simplesmente andar numa esteira é coisa chata demais, embora saudável.

Da mesma forma não gosto de academias. Mesmo que a paisagem interna tenha atrativos interessantes... Com todo o respeito, é claro, afinal, sou moço sério.

Bom mesmo é caminhar. Para quem tem a sorte de à beira-mar morar, caminhar pela praia bem cedo ou no crepúsculo é uma delícia e é atividade sempre interessante, porque na pior das hipóteses tem aquele marzão besta de grande pra olhar. E o mar é algo que a gente nunca se cansa de olhar.

Por aqui, caminho pelas ruas da Fazendinha, bairro da Granja Viana recheado de casas e condomínios. E com muito verde, ainda, apesar do construir incessante por suas ruas. E a cada casa que se ergue, um pedaço de verde, um pedaço de mata ou capoeirão, encontra seu fim. É o progresso.

Mas o povo que ergue as casas costuma plantar novas árvores. Um deles plantou cinco ou seis pés de unha-de-vaca, ou pata-de-vaca, nome que lhe é dado por causa do formato de suas folhas. Ela também é conhecida como bauínia, aportuguesamento chique de seus nomes científicos, Bahuinia forficata – nativa do Brasil, de flores brancas – e B. variegata, nativa da Ásia (Índia, Burma), de flores cor-de-rosa a arroxeadas. Há outras bauínias, igualmente exóticas, mas essas duas são as mais comuns.

Uma das coisas boas das patas-de-vaca, além da beleza, é o fato de serem muito apreciadas pelos beija-flores. Indoutrodia fiquei olhando um deles no haras da Mônica, em Santa Rita do Passa Quatro, e até tentei fotografá-lo, mas o danado escapuliu. Aqui na Fazendinha, já terminando meu circuito de caminhada de 8 quilômetros, a cada dia mais demorado por causa das paradas para as fotos, ouvi o zunir de objetos voadores em alta velocidade. Não, não, felizmente não eram balas perdidas, e sim beija-flores em briga, um perseguindo o outro, espantando-o de seu território. E o bichinho deve ter os olhos maiores que a barriga, pois se não consegue dar conta sequer das flores de meia pata-de-vaca, não deixa por menos e é senhor absoluto de nada menos que quatro pés dessas árvores, todos carregados de flores. Isso é o que se pode chamar de um senhor estoque de alimentos, despensa de respeito até pelos padrões das casas senhoriais do Brasil Colônia. Eles voam em alta velocidade e com uma agilidade impressionante. Dado o carreirão no intruso, o senhor das árvores volta para seu pouso predileto e fica por ali, vigilante.

As cenas de perseguição lembram-me os relatos de batalhas aéreas protagonizadas pelo Barão Vermelho, o ás alemão da I Guerra, e, mais ainda, as lutas encarniçadas entre os Spitfire ingleses e os Messerchmit Me 109 alemães durante a Batalha da Inglaterra, na II Grande Guerra. Essa luta desenvolveu-se ao longo de 1940 e 41, diminuindo de intensidade a partir de 42 e sendo substituída mais adiante pelas “bombas-voadoras”, os foguetes V1 e, principalmente, a temível V2, o primeiro míssil da história, precursor dos ICBM americanos, russos e chineses. Foram os pilotos da Royal Air Force que, mesmo em número menor, conseguiram impedir a destruição de importantes indústrias e usinas, além de quartéis e portos, mantendo as tropas nazistas no continente, sem condições de cruzarem a Mancha e invadirem as Ilhas Britânicas. Sobre eles, Churchill disse uma de suas mais famosas frases:

- Nunca tantos deveram tanto a tão poucos.

Bonita frase, forte, significativa, pronunciada em discurso no Parlamento, mais conhecida por essa forma reduzida, mas que, completa, é:

“Nunca, no campo das lutas humanas, tantos deveram tanto a tão poucos.”

No Brasil essa frase não tem muita força, pois já estamos cheios, lotados ao máximo por quase infinitas frases na linha do “nunca esse país isso, nunca esse país aquilo” ou “nunca um governo isso, nunca um governo aquilo”, “nunca se cresceu tanto” e por aí vai.

De volta aos beija-flores.

O senhor das árvores levanta vôo e vai se alimentar. Visita algumas flores, vai para outra árvore, repete as visitas, volta para seu galho predileto e fica ali, à espreita. Que nenhum outro colibri se atreva a entrar em sua despensa.

E com essa visão, guardo a câmera já sem bateria, e saio caminhando e pensando que estadistas como Winston Spencer Churchill não mais existem.

E justamente agora precisamos de um como ele num certo palácio brasiliense.


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Julho chuvoso e diferente


Bem diferente do normal, esse mês de julho foi molhado, aliás, muito molhado.

Estava para comentar esse fato quando se deu o acidente com o vôo 3054.

Hoje, fica mais ou menos claro para mim que, tivéssemos vivido um julho dentro da normalidade, o acidente não teria ocorrido. Com falha humana ou não, falha mecânica ou não, a verdade é que a pista não estava preparada para operação em dias chuvosos. E o grooving estava programado para ser feito agora, nesse período. Com as ranhuras na pista, muito provavelmente não teríamos, também, o acidente.

Não escrevo isso para tirar culpa alguma, apenas tentando clarear minhas próprias idéias a respeito. Quando terminou a reforma da pista principal, ficou faltando o grooving, que só pode ser realizado decorrido um tempo mínimo depois da conclusão da pista. Como historicamente esse período do ano tem sido cada vez mais seco em São Paulo, os responsáveis por Congonhas chegaram à conclusão que não haveria riscos. Uma decisão normal, sem maiores contestações.

Complementando essa postura, o Ministério Público pediu e a Justiça concedeu liminar proibindo pousos em dias chuvosos. Essa medida, para infortúnio de passageiros e seus familiares, bem como do pessoal que trabalhava no prédio da Express, foi derrubada. E os pousos foram liberados para dias de chuva. Tinha uma determinação de verificação in loco de hora em hora, mas... Puxa vida, ir pra chuva de hora em hora só pra olhar de perto o que já se vê bem (sic) de longe? Pois é.

Um mês gostoso

Frio e chuva, muita chuva, por sinal, fizeram desse julho um mês delicioso. Mês para sopas quentes, pão italiano, vinho tinto um pouco mais encorpado. Mês de ganhar peso, infelizmente.

Choveu no sítio, também, embora menos que em São Paulo. Chuvas boas, nem tanto para ajudar a vegetação ou para fazer o capim crescer – os dias continuam frios e mais curtos, ainda. Crescimento de capim, mesmo, só com os dias mais longos e mais quentes, ou seja, a partir da primavera, desde que haja umidade no solo. Esse é o drama: as chuvas de primavera chegarão na hora certa? Teremos veranico prolongado?

Mas chuvas em julho são sempre muito bem-vindas. A poeira acaba, os reservatórios subterrâneos são reforçados, algumas plantas tiram proveito dessa umidade e crescem, enfim, mal não fazem, pelo contrário.

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sábado, julho 21, 2007

Contra as condecorações da FAB!


No post anterior, Asco e Vergonha, o Rui postou um comentário dizendo que mandou um e-mail pra Força Aérea Brasileira protestando contra a condecoração desse povo da ANAC.

Puxa vida!

Pelo menos isso!

Tão logo acabei a leitura do comentário já estava procurando o site da FAB, onde o Rui achou o Fale Conosco.

O endereço para e-mail é esse:

drp@fab.mil.br

E, na mesma hora, mandei meu protesto pra Força Aérea.

Vai servir para alguma coisa?

Não sei, espero que sim.

Confesso que seria bom demais ver a FAB pedindo as medalhas de volta.

Os blogs Um Olhar Crônico e Um Olhar Crônico Esportivo manifestam seu total repúdio a essas condecorações.

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Asco e Vergonha



O comportamento do Presidente da República - assim mesmo, com maiúsculas - foi uma vergonha.

E daí?

A quantas outras vergonhas fomos submetidos por esse ser?
E não me refiro aos erros de português, até porque eu mesmo cometo os meus e vou sobrevivendo.

Ainda no dia seguinte ao acidente eu me manifestei em alguns blogs e ponderei que era cedo para pôr a culpa no governo. Porque a pista em si talvez não fosse a culpada.
Eram muitos os sinais estranhos a respeito e o mais correto seria dar ao governo, a esse governo, o benefício da dúvida.

Hoje ainda penso parcialmente dessa forma, mas a cada minuto tornou-se claro que esse governo tinha muita culpa no cartório. Pelo conjunto da obra, digamos.
E que obra!

O sumiço presidencial - não foi detectado nem pelos radares sucateados do CINDACTA - e a ausência de resposta, pior, sequer a leitura da carta do governador do estado e do prefeito da maior cidade do país, e ainda pior, muito pior, a covardia moral e política, o nome verdadeiro para o comportamento presidencial, deram a dimensão exata da pequenez moral desse presidente, seus ministros e assessores.

O gesto obsceno e indecente do super-assessor do Presidente da República é a contrapartida gestual das recentes palavras da Sra. Ministra do Turismo - também obscenas, diga-se de passagem, embora aceitas sem maior pudor pela sociedade - sobre a crise aérea, da qual o triste acidente do vôo 3054 é apenas mais um episódio. O pior, sem dúvida, mas apenas mais um.

Não bastasse a omissão, o sumiço, a desculpa imbecil - sim, eu sei que me refiro à desculpa dada pelo Presidente da República, mas ela foi imbecil - do terçol para não conversar com o governador do estado, e hoje, além do pífio pronunciamento de S.Excia., fomos agredidos como pessoas, como povo, como nação, com a condecoração do presidente da Agência Nacional de Aviação Civil com uma medalha qualquer. Dela não sei o nome, não me dei e não me darei ao trabalho de pesquisar. Há limites para o controle da náusea.

Arrependo-me de não ter vociferado contra esse governo desde o primeiro minuto. Procurei seguir minha consciência, e ela, bem ou mal, dizia-me que era justo esperar por mais informações. Pois bem, as informações estão todas aí, quase. Ao que tudo indica tivemos uma somatória de erros, como sempre acontece, e a resultante foi a tragédia.

Congonhas não deveria ter tantos vôos.
Os sulcos da pista poderiam ter auxiliado o avião em sua frenagem.
A pista não deveria estar liberada para pousos naquele momento.

Que sei eu? Não sou piloto. Não sou engenheiro aeronáutico.
Mas o acompanhamento de tudo que foi informado nos últimos dias forneceu-me o bastante para rever minha posição e sentir, mais que vergonha, verdadeiro asco por S.Excia., o Presidente da República, seus ministros e assessores.


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terça-feira, julho 17, 2007

Os peixes se vão...


Dias atrás meu irmão veio nos visitar. Depois de longo tempo desempregado, conseguiu voltar ao Ceasa, trabalhando na venda de peixes durante a madrugada. A empresa para a qual trabalha compra os peixes que vêm do Sul e do litoral próximo de São Paulo e revende-os aos varejistas. Como nunca vem de mãos vazias, dessa vez trouxe algumas anchovas muito bonitas. E muito, muito deliciosas. Acabei de saborear o que sobrou da última agora, assada com capricho, sem tempero algum, exceto um pouco de sal, azeite e, gosto meu, limão por cima dela já pronta. Anchova tem sabor próprio, pronunciado, gostoso, assim como o salmão e a truta. Colocar temperos nesses peixes é, para mim, puro desperdício de tempo para preparar e de ingredientes que poderiam ser usados em outras coisas. Aliás, são raros os peixes que gosto de comer com temperos & similares. Para mim, basicamente, peixe é frito, grelhado ou assado, e só limão pode entrar na brincadeira. E entra. No mais, gosto de uma ou outra moqueca e caldeirada, mas...

Bom, mas não é por isso que estou escrevendo esse texto. As anchovas estão ótimas e abundantes esse ano, um tanto atípico, até. As tainhas estão abundantes, também, e boas, mas seu futuro imediato não é brilhante. Ainda há poucos dias, muitas toneladas delas simplesmente perderam-se em Santa Catarina, apodrecendo e criando um problema para seu descarte. Só os urubus apreciaram o mal-feito. Foram pescadas em excesso e não havia como armazená-las. Uma perda estúpida.

Pior ainda, meu irmão comentava sobre o crescimento da comercialização de ovas de tainha e de qualquer coisa que nade. Um verdadeiro crime. Muitas vezes o peixe sequer é aproveitado, apenas suas ovas. Crime pra pegar cadeia. Recuso-me a comer ovas de peixes. A menos que tenham origem em criatório, coisa que não acontece, pois tainhas são “do mar”. Sendo assim, não como, simplesmente. É o mínimo que se pode fazer. Parece que o Extremo Oriente é o destino para boa parte dessas ovas, assim como é das barbatanas de tubarão.

Naturalmente, meu irmão queixou-se da situação. O fornecimento de peixes está muito reduzido. Conseqüência direta das reduções de estoque provocadas pela pesca desenfreada. Quando ele começou no Ceasa no final dos anos setenta, o número de caminhões que chegava toda madrugada era enorme. Ele trabalhava um bocado e ganhava muito bem, tanto que conseguiu comprar um belo apartamento, além de carro e de sua paixão, uma moto imponente com a qual transformou-se em um Abutre juramentado e de carteirinha. Foram os peixes, também, que pagaram o monte de tatuagens que ele tem.

Um verdadeiro Abutre (tribo urbana de motoqueiros, a maior do Brasil).

Hoje, contudo, o peixe é pouco e o dinheiro que dá para ganhar não basta para as despesas mínimas da casa. Se sua companheira não trabalhasse, também...

O Atlântico Sul não é o pior dos cenários nessa história. A coisa está feia para valer no Atlântico Norte, onde o bacalhau caminha para a extinção, e nas áreas de pesca do Pacífico, também com várias espécies sumindo. Entre elas o peixe preferido dos japoneses, o atum-azul.


E à medida que esse magnífico animal desaparece, seu preço explode e um único exemplar, em 2004, chegou ao preço de US$ 200,000.00! Como ele pesou 200 kg, ficou em mil dólares por quilo de carne de atum. Quem quiser pode ler a matéria a respeito aqui.

Bom, essa loucura por sushi – e eu me confesso pecador nesse caso (alô revisão, pecador e não pescador, ok?) – é o que explica a maior parte de sua rápida desaparição.

E assim vamos caminhando sobre nossas duas pernas – por falar nisso, trabalho interessante de pesquisadores da Universidade da Califórnia, liderados pelo Dr. Michael Sockol, descobriu que a origem do bipedalismo, o nosso caminhar sobre duas pernas, deve estar associado ao menor consumo de energia requerido em relação ao caminhar sobre quatro patas – e fazendo tudo errado, destruindo o que encontramos pela frente. E seguimos nos multiplicando aceleradamente. E os que não mais se multiplicam, talvez em função dos confortos excessivos, que sei eu, aumentam... seu conforto e seu consumo de prazeres. E segue a destruição, mas a vida vai bem, obrigado.


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quarta-feira, julho 11, 2007

Uma leitura dezesseis anos atrasada

A noite parecia longa à frente. Já cansado das telinhas, procurei um livro para ler antes de dormir. Nos tempos pré-internet estava sempre com dois, três e até quatro livros em leitura. Agora esse número caiu, porém, mesmo assim, tem sempre um ou dois na cabeceira. Ontem, nenhum.

E agora?

Talvez por conta de alguma síndrome, não durmo sem antes ler.
Não há chance. Nem que seja por meros três, quatro minutos, assim mesmo preciso da visão prazerosa das páginas de um livro pela frente, como última visão antes do negrume da luz desligada. E não serve revista ou jornal, tem que ser um livro, mesmo. Já aconteceu de me flagrar em algum lugar pequeno no interior do Brasil sem nada para ler. O pânico bateu, simplesmente. E lá saí eu pelas ruas de cidades pequenas à procura de uma livraria – nem pensar – ou de uma revistaria, onde geralmente encontramos alguns livros. Sempre tive sorte e consegui dormir.

Olhei para as estantes...

Todos lidos, muitos já relidos.

Outros, nem tanto, mas estão ali para referências e consultas, coisas ainda muito úteis apesar da internet e do google. Entre esses, todos os volumes da Britannica e da Mirador. Puxa, demorei tanto para comprá-las, paguei tão caro e, de repente, da noite para o dia, tornaram-se obsoletas.
Como muitas outras coisas, tantas que é melhor não começar a citar.

Aí apelei e fui para a "seçao" dos livros há muito guardados e ainda não lidos. Tenho alguns nessa categoria, inclusive os sete volumes de “Em busca do tempo perdido”. Algo me diz que já está na hora de ler essa obra que todos descrevem como prima. Passo por Proust, dou uma rápida olhada num Thomas Mann, nem sequer olho para um Machado, um dos poucos que ainda não li, e deparo com um Kundera. Talvez seja esse, penso, enquanto olho para “A Imortalidade” e lembro de uma ou duas críticas meio demolidoras feitas sobre o livro, não sei se feitas antes ou depois da compra, que fiz porque era um Kundera, que escrevera o belíssimo “A insustentável leveza do ser”, transformado em filme igualmente muito bom e bonito, ainda por cima. Ficou a impressão que Milan Kundera atingiu seu auge com uma só obra, justamente essa, e o que veio depois ficou longe dela. Bom, vamos ver, vamos ver.

Deito-me e,. ao abrir o livro, tiro o marcador de página para deixá-lo ao lado. Só que não é um marcador propriamente dito, é o canhoto de um cartão de embarque de uma viagem há muito passada e esquecida. Olho o cartão, é da VASP. A empresa nem existe mais, na prática. Vejo que ele me garante o embarque (é, leitoras e leitores, naqueles tempos distantes você tinha certeza de embarcar num vôo; e, acredite, você ia correndo pro aeroporto, preocupado com o horário, fosse lá perder o avião por conta de um atraso de minutos... é, as coisas já foram assim por aqui) no VP 141, saindo às 16:30 com destino a Porto Alegre no dia 17 de março de...

Viro e reviro o cartão procurando o ano e nada encontro. Pego o livro e procuro por alguma indicação. O canhoto é da Laselva, a santa e maravilhosa livraria de Congonhas e Cumbica. Com certeza vi esse livro no balcão de lançamentos. Com certeza porque o tempo é sempre curto para ficar andando e olhando nas prateleiras, e também porque só fiz isso em raras ocasiões, mas aí foi à procura de livros policiais. Esse Kundera jamais me levaria às estantes. Portanto, quando comprei-o era um livro recém-lançado. Procuro alguma data nas páginas iniciais e nada. Recorro à última página e lá está: a editora Vozes comunica que imprimiu-o para a Editora Nova Fronteira, em janeiro de 1991.

1991... Isso significa que comprei-o em março do mesmo ano, no dia 17, como atesta o cartão de embarque. E fiz isso numa de minhas últimas viagens pela empresa multinacional onde trabalhava, de onde viria a sair no dia 31 de julho do mesmo ano, já como efeito da abertura econômica promovida pelo governo Fernando Afonso, mais conhecido como Governo Collor. Todavia, se a gente usa esse nome, todos associam a bandalheiras & correlatos, numa pequena, mísera e triste antecipação dos dias e governo que correm. Como foi um governo com algumas iniciativas interessantes e importantes, fico com Governo Fernando Afonso. É sonoro, tanto quanto, e até meio imperial – como “elle” gostaria que fosse de verdade.

Desde então, dezesseis anos se passaram e “A Imortalidade” ficou parado na minha estante, mudando de São Paulo para a Granja Viana e sobrevivendo à fase “vendedor de livros pela internet”. Um livro resistente, sem dúvida. O mínimo que ele merece, agora, é uma leitura honesta.

Ainda antes de começar a ler pus-me a pensar na falta de informações do cartão de embarque. Ora, ali estavam somente o dia e hora do embarque, o vôo, o portão e o lugar no avião. Não tinha o ano! Falha imperdoável, uma vez que todos sabem que viajantes-leitores e cronópios usam seus cartões de embarque como marcadores de páginas dos livros que compram por impulso nas livrarias dos aeroportos e que só serão lidos muitos anos depois, quando a primeira coisa que o leitor atrasado quererá saber é: “Desde quando esse pobre livro está à espera da minha leitura?” E a resposta para tão importante pergunta deveria estar presente, indelevelmente, no cartão de embarque. Mas, não está, comprovando o eterno descaso das companhias aéreas com seus passageiros, que também são clientes. Inclusive os cronópios, seres que sofrem terrivelmente se não conseguem resposta a uma pergunta.

Sobre o livro? Vai indo, vai indo...
Talvez dê notícias dele, mais pra frente.


P.s.: ao ou à comentarista que falou dos erros: revisão feita; gracias.

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sexta-feira, julho 06, 2007

O Senhor das Flores - II

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Olhando de longe ele não é grande coisa.


O que mais chama a atenção é sua velocidade e a precisão nos movimentos.




Quando a luz favorece, podemos ver suas cores brilhantes, como se fossem metálicas.



A Maria Helena chamou-o de “visitante”. Errou, Maria Helena, ele é morador permanente, está mais para proprietário mesmo. Acho que o visitante por ali sou eu.


Como boa parte dos beija-flores,
ele é territorialista ao extremo e

toma conta zelosamente de seu domínio. Leva uma vida boa, o maganão. Não precisa se esforçar em busca de comida, pois a ela é farta em volta de casa.

Seu domínio envolve o entorno da nossa casa, e compreende, principalmente, o cipó-de-são-joão que subiu pela figueira e deitou suas flores no alto, vistosas e saborosas até para nós, os macacos-sem-pelo que ficam por ali em estranhas atividades.

Da figueira, pousio também muito apreciado por sabiás, saíras, sanhaços & cia. bela, ele voa sobre o telhado de casa e pousa no timburi. A seus pés, ou a seu bico, um bom e variado estoque de comida: a russélia, a diadema, os camarões e a mini-grevílea. Isso agora, claro, pois em outras épocas há, também, a caliandra, hibisco e outras. Sem falar nas flores das muitas laranjeiras e também

dos mamoeiros da horta.

Seu nome é Eupetomena macroura, mas pode chamar de tesoura ou tesourão.

Com o frio desses dias, ele começa a trabalhar meio tarde para um pássaro – na verdade ele não é um pássaro, pois os troquilídeos não fazem parte da ordem Passeriformes (a mais numerosa entre as aves), e tem sua própria ordem, a Trochiliformes, com várias famílias -, pois espera o sol esquentar um pouco e aquecer sua musculatura.

Nosso jardim está desfalcado. A russélia cresceu de forma assombrosa e tivemos que cortar boa parte dela. Os camarões estão meio em recesso e precisamos plantar mais, assim como as lanterninhas e sininhos. E mais um monte de flores outras. E vamos ter que espalhar mais, para evitar a competição por um mesmo território. Passando por ali, mesmo ocasionalmente, vemos freqüentes brigas, com o nosso pequeno e veloz senhor feudal voando ligeiro atrás dos invasores.

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quinta-feira, julho 05, 2007

O Senhor das Flores

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Na flor de mini-grevílea...




Na flor da russélia...



De volta à mini-grevílea...



Em repouso, mas alerta, ninguém pode chegar perto de suas flores.

Numa das varandas do Sítio das Macaúbas, em 4 de julho de 2007.


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sábado, junho 30, 2007

Evolução exemplar e anômala

Pelo que sabemos hoje, o Homo habilis é a espécie mais antiga do gênero Homo, ou seja, nosso ancestral direto mais antigo, que viveu no leste Africano entre dois e duzentos e um milhão e seiscentos mil anos atrás.
Os poucos fósseis descobertos foram o bastante para mostrar o aumento do tamanho do cérebro.

O Homo erectus é considerado uma evolução em relação ao habilis e viveu entre dois milhões e quatrocentos mil anos atrás. Além do cérebro mais desenvolvido, o Homo erectus já apresentava como característica a locomoção bípede e foi, também, o primeiro de nossos ancestrais a explorar e transformar seu ambiente, graças ao provável aprendizado de como fazer fogo e também algumas ferramentas e armas. Pelo jeito, foi com ele que tudo começou.

Há cerca de quatrocentos mil anos, surgia, em toda sua glória e esplendor, o Homo sapiens. Supostamente o auge de nosso desenvolvimento evolutivo, só supostamente, como veremos a seguir.

Uma subespécie do Homo sapiens, é o Homo sapiens var. assessorium, ou burocratus ou politicus de baixo clero. Se com o Homo erectus desenvolvemos nossa locomoção bípede, importante para alargar nossos horizontes em busca de mais comida e abrigo, além de facilitar a detecção de inimigos, com essas modernas subespécies desenvolvemos a paradoxal arte da locomoção bípede de quatro. Sim, de quatro, pois são seres que se curvam e assim desenvolvem suas vidas e carreiras, curvados aos desejos e interesses de outros. Um animal muito interessante evolutivamente, ainda que asqueroso pessoalmente. Como as baratas de esgotos.

Outra evolução do Homo sapiens é o Homo sapiens var. profissionalis, que na vida real são conhecidos por executivos, geralmente de empresas multinacionais. São tidos e havidos como um dos pontos culminantes da evolução, a mesma que nos gerou Gisele Bundchen e Lula, Lorelai Gilmore (Lauren Graham) e George Walker, Pelé e Sandro Goiano. Nenhum desses é executivo, mas são, também, assim como o companheiro Chávez, pontos altos de nossa evolução, provando que ela não tem o sinal de positivo acoplado, e muitas vezes, até na maioria dos casos, aparentemente, o sinal acoplado é o negativo.

A complexidade evolutiva, associada à complexidade do mundo moderno e suas exigências, trouxe o desenvolvimento de uma supespécie de Homo muito interessante. Ela tem vida curta, e nasce e cresce como Homo sapiens sapiens e depois, no final da adolescência e começo da vida adulta, muda para Homo sapiens var. estagiarius, até que, meses ou anos depois transforma-se no Homo sapiens var. profissionalis.

Ser interessante esse estagiarius. Aparentememente dotado de bom cérebro e habilidades, é mais usado como um servidor de café para os profissionalis de seu habitat. Os estudos mais recentes mostram três perfis distintos entre esses indivíduos:

- os pró-ativos, que são fuçadores, workaholics e provêm, em sua maioria, de lares com o mesmo perfil; desse grupo saem milionários diversos e donos de jatos executivos, poluidores atmosféricos em alto grau;

- os ativos, que desembocam em profissionalis típicos, relativamente bem remunerados, inseguros, infelizes, pagadores de pensões alimentícias e mantenedores dos chamados bares single;

- os pegadores de café; subcategoria interessante, muito interessante; seus membros têm três destinos: o olvido, puro e simples; ou a glória, transformando-se em líderes políticos de primeira grandeza aos olhos da plebe ignara; e ainda, finalmente, transformar-se em eméritos sevandijas, já na subespécie burocratus ou politicus ou assessorium; de acordo com a literatura especializada, Bush, Chávez e Lula são bons exemplos dessa subcategoria.

Falando ainda um pouco mais dessa subcategoria dos pegadores de café, estamos hoje às voltas com um de seus representantes. Ao contrário da média, esse começou sua carreira e transformação um tanto tardiamente, já na fase adulta plenamente instalada. De Homo sapiens foi transformado em Homo sapiens var. estagiarius num momento até certo ponto natural, desde que precedido por rituais específicos da área. O individuo em questão não só não passou pelos ritos e deveres prévios, como foi transformado, por ordens superiores, em um profissionalis de alta responsabilidade e alta remuneração, num caso não só anômalo como totalmente desprovido de lógica e coerência. Estou falando do treinador da seleção brasileira, o ex-jogador Dunga, que embora tenha o cargo de técnico, não passa de um estagiário.

- Ô, Dunga! O Dr. Ricardo pediu um cafezinho urgente. Pega lá e leva pra ele.

Esse rapaz vai longe.

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quarta-feira, junho 27, 2007

Conflito!


Estava escuro no ponto de encontro marcado pelo pessoal do estado-maior depois de cuidadosa análise do terreno e vias de acesso. A madrugada fria duraria por mais uma hora e meia e os primeiros destacamentos começaram a chegar. O pessoal da logística cuidou do café quente, fundamental num horário e numa temperatura como aquela.

Pouco depois do sol nascer começou o deslocamento.

Por volta de nove horas da manhã o morro estava cercado e, nele, os inimigos, escondidos por toda parte num terreno há muito conhecido. Os tiros começaram de imediato, enquanto mais tropas chegavam e se espalhavam pelo perímetro marcado pelo estado-maior conjunto da operação.


As primeiras baixas começaram logo cedo e, para variar, entre os civis.


Durante mais de sete horas a troca de tiros dominou o morro.

Posições foram conquistadas.

Armamentos e drogas dos inimigos foram apreendidos.

À noite, os balanços de mortos e feridos são contraditórios e variam entre 13 e 18 mortos. O número de feridos passa de quarenta, em estimativa que parece conservadora.

O cerco continua, não há, ainda, perspectiva de fim das hostilidades.

Bagdá?

Faixa de Gaza?

Darfur?

Não, Morro do Alemão, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Hoje, aos 27 dias do mês de Junho do Ano da Graça de 2007.



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domingo, junho 24, 2007

O Amor Não Tira Férias – The Holiday


Começou a temporada de reprises nos canais pagos. Essa praga é inevitável, da mesma forma que a presença de um certo leão. Mas se esse felino só incomoda uma vez por ano (e já é demais), as reprises nos canais pagos são mais chatas e persistentes, assim como as legendas erradas ou totalmente fora de posição. Quando chega essa época, é também chegado o momento de visitar a Blockbuster próxima de casa.

E lá fui eu em pleno sábado, meio esperançoso de encontrar algo digno de ser assistido sem ser algum filme “cabeça”. Desses, francamente, já tive a minha cota estourada há muito e hoje quero distância deles. Mas dou a maior força para quem gosta deles. Acho que ir à Block duas vezes por ano é o ideal. Bom, para mim com certeza, já para eles isso é terrível, paciência. A prolongada ausência permitiu-me achar mais de dois filmes interessantes. Na verdade, vi uns quatro ou cinco, mas só peguei dois. Um, ainda não visto, mas do qual nada espero demais, apenas boa diversão,foi o filme sobre diamantes africanos e o muito de sangue, suor e lágrimas que cercam a exploração e comercialização dessas pedras. O outro foi um filme que passou meio despercebido e, posso dizer agora, de forma muito injusta: The Holiday, ou “O Amor Não Tira Férias”, na tradução. Ora, para um final de semana sossegado nada melhor que uma comédia romântica para fazer companhia ao filme de ação. E se é um filme com a assinatura Nancy Meyers, pode-se ter a certeza de ver um trabalho bem feito e competente. Nancy, assim como Nora Ephron (“Sintonia de Amor”, “Mensagem Para Você”) é uma especialista e uma artesã na criação e direção de deliciosas comédias românticas. É dela o excelente “Alguém Tem Que Ceder” – “Something`s Gotta Give” – com Jack Nicholson e a maravilhosa Diane Keaton. E a turma do “Holiday” não é nada ruim, pelo contrário: Cameron Diaz, Kate Winslett, Jude Law, Jack Black e uma marcante e tocante participação de Eli Wallach.

Embalado por essa certeza e por esses nomes, peguei-o e fui pra casa.

É um filme longo, com 136 minutos. Mas não percebemos, sinceramente. Quando terminou a sensação foi de bem-estar, e o que mais desejar de um filme? Ah, sim, claro, podemos desejar aquela maravilhosa sensação de desassossego, ou de raiva, ou de profunda dor pelas dores dos habitantes do mundo, ou, ou, ou... Mas, nada disso, terminamos de ver o filme da Nancy e tudo que sentimos foi bem-estar e a vontade de um bom chocolate quente na cozinha. E foi o que fizemos, na quase meia-noite de sábado para domingo, noite de inverno com temperatura de começo de outono, mas ainda permitindo fazer e engolir a beberagem com bastante prazer.

Não vou contar o enredo. Se você não gosta de comédia romântica, ele será pífio, bobo e uma perda de tempo para nós dois. Se você gosta, pegue-o na locadora e assista, pois vale a pena.

Só estou comentando porque, realmente, esse filme merecia melhor carreira do que teve.


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sábado, junho 23, 2007

Viva a feijoada!


Acordei há pouco.

Madrugada de algum dia?

Nada, simplesmente fim da tarde de sábado.

Então, o que terá me levado a tão estranha – para mim – e saudável prática?

A feijoada saboreada em almoço tardio, como convém aos almoços sabatinos.

Concordo que a feijoada não é o mais adequado ou saudável dos pratos. Particularmente a feijoada que eu gosto, aquela que é tradicional e não comporta nenhum acréscimo ao seu nome.
Feijoada é feijoada. Ponto.

Isso significa um prato em total desacordo com a moda dos dias que correm, em que a insalubridade do estilo de vida moderno e urbano tenta ser neutralizada por uma ultra-salubridade na comida. A velha e saborosa feijoada é presa fácil dessa sanha modernista e avessa aos sabores e cheiros.

Pé-de-porco, orelha, rabo, pele, tudo de porco, tudo salgado, tudo devidamente dessalgado de véspera. Sem essas “coisas”, cujo simples nomear assusta e repele hordas de neo-consumidores, não há feijoada que preste, não há feijoada digna desse nome. À lista citada faltou o sagrado torresmo, que para mim só tem valor se tiver largos pedaços de pele na sua forma pururuca. Pois, do torresmo, o que eu mais gosto é a pururuca, tanto que como dois ou três inteiros e dos demais, com jeito, paciência, garfo e faca, tiro a gordura e os nacos de carne, deixando apenas a pururuca pura, pura pururuca. Quando criança, minha avó fazia baciadas de pururuca na fazenda, e eu comia até me fartar. Como a pururuca era boa e popular! Hoje anda esquecida e quando lembrada o é só para ser estigmatizada. Tristeza de mundo bobo.

E assim foi a feijoada de hoje. Uma baciada dessas carnes ficou de molho na água de ontem para hoje, para tirar o excesso de sal. E logo cedo foram para o fogo. Curiosamente, a Sra. Cozinheira, a Rosa, fez duas feijoadas: uma, comme il faut e já descrevi, e a outra como gostam as pessoas nas cidades, principalmente. Entre elas meu filho e a namorada e a própria Sra. Cozinheira. Essa outra feijoada é a chamada light, tem pouca, quase nenhuma gordura, e os pertences de porco nem pensar. Só leva carnes nobres: paio, costelinha defumada, carne-seca magra, coisas assim. E alguns poucos pedaços de toucinho, devidamente postos ao lado dos pratos pelos comensais. Nem provei dessa uma, mas da verdadeira comi um bom prato, seguido por outro menorzinho, em pura homenagem à gula e ao prazer. E, por que não, à Sra. Cozinheira. Não estranhem essas iniciais maiúsculas. Estão aqui porque são merecidas.

A feijoada, se dispensa nomes complementares, carece, por outro lado, de alguns complementos. O arroz branco é o mais óbvio e natural entre todos, mas não somente ele. Farinha de mandioca, ou farofa, e pimenta são essenciais. Dispenso o famoso “molho de feijoada”, mera invenção de restaurantes sem respeito com a tradição. Mas até aceito, embora não use, o molho vinagrete, invenção paulistana surgida sei lá como ou porque. Para a feijoada basta a pimenta, a farinha e o arroz. A couve refogada e pedaços de laranja também são aceitáveis, para mim mais a laranja que a couve, verdura meio sem graça para o meu gosto, mesmo quando refogada com pequenos pedaços de toicinho, quando fica ainda melhor do que com toucinho.

Sou meio avessa a acompanhar feijoada com bebidas. Gosto da caipirinha antes, por sinal obrigatória, parte sagrada do ritual. E com muito, muito gelo, além de bem adoçada. Para acompanhar essa comida o ideal é a água pura e simples, devidamente gelada. Quando muito, Coca-cola, que, verdade ou mito, acho que ajuda a digestão (e talvez pelo simples fato de acreditar nisso deve ajudar mesmo). Cerveja não está fora de cogitação, mas não me agrada. Estufa demais, se é que vocês me entendem. Sim, acho que entendem.

Tão boa foi a feijoada que sequer lembrei-me do café.

Minha única lembrança e desejo foi deitar, ler um pouco e cochilar um pouco.

E foi o que fiz.

Por isso, feijoada que se preza é saboreada aos sábados, seguida por um bom descanso na cama, lendo e dormindo, ou só dormindo.

Bom dia!

Ops, digo, boa noite a todos.


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Realidade: Pequenas Doses 23 06 07



Uma Excelência

Um juiz trabalhista ganha quanto por mês? Doze, quinze, dezoito mil reais? É disso pra cima. Ao se aposentar, continuará recebendo a mesma coisa, coisa de nababo, privilégio de quem “se devota ao serviço público”. Serviço, claro, que é sustentado pela massa que se aposenta e ganha de trezentos a dois mil por mês. E olhe lá. Ser juiz no Brasil é o que se pode chamar de privilégio.

Pois bem, um desses privilegiados, trabalhando em Cascavel, no oeste do Paraná, cancelou uma audiência envolvendo um trabalhador rural, no momento desempregado, e jogou-a para mais de dois meses adiante, porque a vítima – sim, nesse caso o sujeito é vítima – estava usando o uniforme oficial do pobre brasileiro: chinelo de dedos, a popular “havaiana”.

S.Excia. disse que aquilo era um desrespeito ao tribunal.

Bom, só posso dizer que S.Excia. é um desrespeito aos seres humanos.

Outra Excelência

Renan Calheiros, Senador da República por Alagoas, Presidente do Senado, ora sob suspeitas diversas, além de adúltero confesso, no mínimo dos mínimos, vem declarando em alto e bom som “daqui ninguém me tira, eu não vou sair”...

O “daqui” é a sua presidência, que o coloca como o terceiro homem da República, em caso de impedimento do presidente.

Vale dizer que S.Excia. senatorial é o melhor criador de bois do mundo. É mais do que admirável a forma como suas vacas se reproduzem e a forma como seus bois são vendidos, sem falar nas quantias obtidas.

Um portento, um exemplo para todos nós.


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sexta-feira, junho 22, 2007

Boas Novas!


Bom, nem só de más notícias podemos viver, não é mesmo?

Da mesma forma, a vida precisa continuar e isso implica na manutenção de algumas coisas que já sabemos não serem boas. Pelo menos a curto e médio prazo. Refiro-me, é claro, ao aquecimento global. É ilusão acreditarmos em reversão, pelo menos a médio prazo, e é mais ilusório ainda esperarmos que os seres humanos individual e coletivamente, empresas e governos façam sacrifícios sem ter a ponta da espada na garganta. Porque a vida precisa continuar, como já disse, e isso implica em sete bilhões de pessoas querendo comida, abrigo, conforto e algum luxo supérfluo. E não há como não atender a essas demandas.

Um dos principais fatores que me levam a apoiar fortemente a introdução de organismos geneticamente modificados – os OGMs ou transgênicos - na agricultura, é justamente permitir a continuidade da produção de mais e melhores alimentos para cada vez mais e mais gente. Até porque a primeira demanda do ser humano com alguma sobra de dinheiro é justamente por proteínas nobres. E isso significa laticínios e carnes diversas, principalmente. Ninguém que melhora de vida o faz para continuar comendo bolinho de arroz e folhas de alguma coisa. Ou mandioca e outras raízes em mistura com algumas folhas. Não é assim, não é justo que seja assim. Seres urbanos criados com largas porções de proteínas desde o nascimento têm optado em bom número pela redução ou mesmo eliminação de carnes em seus cardápios. Alguns há que até laticínios e ovos eliminam. Mas isso é fácil para quem nunca passou fome ou falta dessas coisas. Lembro que tanto na enganação do Plano Cruzado em seu início, como depois, na introdução do Plano Real, esse sim, sólido, consistente e duradouro, o consumo de alguns itens explodiu no Brasil. A ponto de certos políticos oposicionistas da época, dizerem inumeráveis vezes que o plano era uma enganação e só tinha servido para aumentar o consumo de frango assado nas padarias das esquinas da vida. Pois é, a enganação persiste até hoje, então, e permitiu a um certo bando de pulhas e vigaristas serem conduzidos ao poder pelos neo-consumidores de frango de padaria.

Picuinhas à parte, os “brilhantes” políticos da época erraram no geral e acertaram no detalhe: o consumo de frango explodiu. Assim como o consumo de laticínios diversos. Ou seja, proteínas nobres de repente ficaram ao alcance das bolsas pobres e miseráveis, deixaram de ser privilégio das camadas já privilegiadas da população. Ou “privilegiadas”, afinal, estamos no Brasil. E para garantir essa expansão e sofisticação de consumo, só mesmo com o apoio dos OGMs para dar continuidade à produção sem estourar com tudo quanto é recurso ainda existente. Sim, porque a principal característica inerente a todo OGM é a redução no consumo de energia para a sua produção. E energia, bem o sabemos hoje, é algo que deve ter seu uso reduzido, idealmente.

Pois bem, voltando, finalmente, ao tema desse texto, vamos às boas novas. Elas têm um âmbito restrito em termos globais, pois referem-se ao estado de São Paulo, uma, e a outra, embora possa vir a ter impacto global, está ainda por começar.


Menos queimadas

O Diário Oficial do Estado de São Paulo de hoje publica resolução que reduz em 4% a área de cana autorizada para queima nessa safra. Isso significa que 130.000 hectares de cana não serão queimados e terão de ser colhidos mecanicamente (o corte manual de cana crua é inviável economicamente).

Mais importante que essa medida é a determinação do Estado de que as 56 novas usinas que estão requerendo licença de operação só a receberão se trabalharem integralmente com cana crua. Ou seja, independentemente da expansão das áreas plantadas com cana, as queimadas passarão a ter redução consistente ano a ano.

Para melhorar ainda mais, e isso já fora publicado e eu mesmo já postara a respeito, os prazos para o fim das queimadas encolheram: para 2014 nas áreas passíveis de mecanização, e para 2017 nas áreas com declividade superior a 12%, onde a colheita mecânica, pelo menos hoje, não é técnica e economicamente viável.


Plástico verde

Agora é para valer.

A Braskem desenvolveu uma resina a partir da cana-de-açúcar que será utilizada na produção de plástico.

Melhor que isso: a produção comercial terá início em 2009.

Essa resina será a matéria-prima para a produção de um polietileno de alta densidade linear, para uso em embalagens de produtos alimentícios e cosméticos, indústria automobilística e outros produtos e setores que hoje utilizam o polietileno fabricado a partir da nafta ou gás natural. Esse polietileno não se degrada na natureza durante centenas de anos, e sua produção implica no consumo de petróleo ou gás.

O plástico verde derivado da cana será biodegradável em pouco tempo e sua produção e uso implicará em baixo impacto ambiental.


A vida continua

O bom dessas notícias é que elas não implicam em sacrifícios e sim na manutenção de determinados padrões de consumo hoje existentes e ambicionados por muitas centenas de milhões de pessoas em todo o mundo.

Não só manter padrões de consumo, mas também atender à demanda das pessoas por empregos e renda. Esse é o grande desafio: controlar o aquecimento global e a degradação do planeta, com a manutenção e expansão de melhor qualidade de vida para pelo menos 4 bilhões de seres humanos, hoje destituídos de qualquer coisa próxima de “qualidade de vida”.



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sábado, junho 16, 2007

Um dia perfeito


Um dia perfeito, simplesmente.

O céu está cinza, ora mais, ora menos. De vez em quando cai uma garoa fina e gelada. Em outros momentos é uma brisa que surge e traz com ela um reforço na sensação de frio pela janela aberta. Há um sossego envolvendo tudo. Comer fica mais gostoso, o prazer aumenta ou simplesmente, para muitos, aparece. Comer bem puxa a vontade de uma bebida, um vinho, por exemplo. Depois da refeição não há como fugir de um café quente. E vem a vontade de relaxar, descansar, deixar o mundo e a vida seguirem seu ritmo preguiçoso de uma tarde de sábado de inverno, ainda num final de outono em que o frio chegou mais cedo, se fez presente como sempre deveria ser, desde o começo dos tempos.

Desde o começo dos tempos...

Quantas vezes lemos ou até escrevemos algo assim e tomamos como certo que tudo foi, é e continuará como nós conhecemos, como nós vivemos, apenas com os acréscimos do mercadinho na esquina, uma casa nova onde antes moravam os caxinguelês, um predinho acolá, onde um senhor de grande bigode branco caindo pelos lados da boca, como aqueles mexicanos do cinema, soltava meia dúzia de vacas com seus bezerros. Fora isso, e o asfalto que finalmente chegou na porta de casa, tudo era igual sempre, desde o começo dos tempos. Bom, algumas árvores foram derrubadas aqui e ali, mas outras, domesticadas, foram plantadas e cresceram.

É, pensando bem, tudo isso já não tem a mesma cara desde o começo dos tempos. Mas a gente nem percebe, vai vivendo o dia-a-dia e aceitando tudo como natural, como parte do progresso, como uma evolução permanente, como se pudéssemos medir a vida numa régua numerada começando em menos dez e indo até mais trinta ou até o infinito. Não entendemos, mas gostamos dessas grandes noções como infinito, como desde o começo dos tempos, como para sempre...

Essa é uma das coisas que nos faz diferentes, com toda certeza. Mas não impede que todos esses grandes conceitos que povoam nosso imaginário sejam ameaçados, banalmente ameaçados, porque queimamos mais coisas do que jamais poderíamos queimar. Queimamos energia demais apenas para nos mantermos gordos e cheios de energia não aproveitada.

E agora tento esquecer essas coisas incompreensíveis, como o começo dos tempos, o para sempre, a evolução não se sabe para onde e porque, e limito-me a ver, sentir e pensar que eu gosto das mudanças, gosto da passagem do verão para o outono e deste para o inverno. Logo gostarei e estarei esperando pela primavera, pelas chuvas, pelo verde, pelas flores, pela explosão de vida por toda parte.

Estou com medo de perder tudo isso, estou com medo de ver as mudanças cíclicas terminarem e darem lugar à monotonia cansativa e mortal do calor, à angústia da seca, à tristeza da falta de vida e vivacidade que as mudanças trazem e estimulam.

Nesse momento, eu sou um homem com medo.

E já tenho saudades desse dia perfeito que estou vivendo.


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Realidade: Pequenas Doses 16 06 07


Oriente Médio – Creio que inenarrável é um termo adequado para os eventos dessa região, em particular o atual. Já vimos de tudo por ali, onde nasceram as duas maiores religiões do mundo e onde uma outra, não tão grande, mas muito importante, também nasceu. As guerras, revoltas, dominações, crises, sucederam-se ao longo dos séculos, a bem dizer desde o começo dos tempos. A guerra da hora é a luta entre palestinos. Rivais dentro do mesmo povo se destroem uns aos outros, acabando com o pouco de estrutura, racionalidade e, por que não? – civilização que conseguiram construir em meio à pobreza.

Sem comentários.

Exército em ação – Contra o Velho Chico. Na calada dos escândalos, forças do Exercito Brasileiro entraram em ação na divisa Bahia/Pernambuco, e começaram as obras para a transposição de águas do Rio São Francisco, o combalido e ameaçado Velho Chico, para os sertões de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.

O “bravo” Ibama da ministra que resiste, não resistiu e entregou-se ao desejo maior do grande líder e guia espiritual dos povos brasileiros.

Todas as muitas, inúmeras vozes categorizadas que se ergueram contra essa barbaridade foram ignoradas.

E sequer se fala na revitalização do rio.

E segue a obra.

Agora virá a fase da descarga de uma dinheirama sem tamanho.

Ah, tá, agora entendi.

Ainda presidente – O Senador Renan Calheiros, amante da jornalista Mônica Veloso, portentoso e fabuloso criador de bois nos sertões das Alagoas, segue presidente do Senado.

A República segue igual ao que sempre foi.

Sem novidades.


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quinta-feira, junho 14, 2007

Realidade: Pequenas Doses 14 06 07

Super-vacas para um super-senador

O Brasil e os brasileiros têm muito a aprender com seus parlamentares. Até mesmo nossos pecuaristas.

Inegavelmente, a pecuária de corte brasileira – e a de leite também – está entre as melhores e mais eficientes do mundo. Todavia, tem muito ainda a evoluir, como comprova um simples olhar às prestações de conta do Senador Renan Calheiros, Presidente do Senado da República (estou usando maiúsculas para demonstrar meu temor e respeito por tão nobre casa e tão poderoso senhor).

As vacas do senador – e já aviso aos maledicentes e espíritos-de-porco que estou a referir-me única e exclusivamente aos bovídeos que o nobre parlamentar cria em fazendas espalhadas por Alagoas, estado que, como sabem todos, é abençoado pela natureza com águas fartas, chuvas idem, solos férteis, desmentindo, portanto, livros e escritos outros de gente como um tal Graciliano Ramos, que só enxergava securas e feiuras nas Alagoas, claro que por ainda não conhecer as fazendas senatoriais – são as mais eficientes e produtivas de todas que pastejam e estercam os solos e pastos dessa Terra de Vera Cruz. Vou mais longe: perde o tempo o senador com as lides senatoriais, nobres e necessárias ao bem-estar da República e de nós, comuns mortais. Com tão fantásticos predicados pecuarísticos, S.Excia. deveria ser, por mérito próprio absoluto, o Ministro da Agricultura. Se cada um de nós, míseros produtores rurais, seguisse ainda que parcialmente o exemplo do senador, o Brasil...

Ok, deixa pra lá, deixa quieto como seria o Brasil.


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A passagem do tempo e outras milongas

“Calma, Patrícia, temos tempo ainda, hoje é segunda-feira”, disse calmamente à minha cliente preocupada com o prazo pelo celular, em meio aos stands da Semana de Citricultura, em Cordeirópolis, cidade próxima a Limeira, no interior de São Paulo e mais perto do Sítio das Macaúbas do que da Capital.

“Não, Emerson, hoje é terça-feira e a apresentação será depois de amanhã já!”

Foi então que a ficha caiu e eu dei-me conta que, realmente, já era terça, mas eu pensava e agia em várias coisas como se ainda estivéssemos na segunda-feira. Triste e perigoso engano. Constrangedor não foi, sou meio cara-de-pau, e o motivo para o engano de datas era nobre: vinha trabalhando direto a uns dez dias, ignorando feriado, feriadão e final de semana, os últimos dias enfiado na ilha de edição. Há muito eu já não sabia o que era a doce rotina do dia-a-dia.

Esse é o problema da rotina quebrada e da súbita falta de referenciais, coisas que balizam nossas vidas muito mais do que imaginamos ser possível. O sábado e o domingo passados em casa ou no sítio, a rodada esportiva que começa no sábado e só termina na noite de segunda-feira, com os programas de debates a respeito, o ar de domingo que todo domingo tem – sim, domingo tem um ar de domingo todo próprio, todo especial, a ponto de levar-me a considerar o domingo como uma das grandes invenções da humanidade, pelo menos em sua vertente ocidental. Enfim, ficar sem essas pequenas e gostosas coisas confunde nossos sensores.

Isso explica, em parte, alguns votos de alguns eleitores qualificados em casas parlamentares as mais diversas. Desacostumados ao trabalho, às tarefas de raciocinar e votar, muitos deles perdem o rumo e votam corretamente, em total desacordo com suas próprias práticas. Chocante, não é mesmo? Isso é muito comum em Timbuctu, ou Tombuctu, e outros lugares igualmente aprazíveis, convenientemente distantes da gente. Ainda bem.

Ciente, então, e voltando à minha vaca fria, que já estávamos em plena terça-feira e o prazo para entregar o trabalho extra ao cliente já se aproximava de perigoso dead line, deixei de lado minhas andanças e conversas com velhos conhecidos na feira de citricultura e voltei pra São Paulo e pro trabalho de editar e reeditar. Felizmente, e com o auxílio luxuoso, da internet, tudo ficou pronto na terça mesmo, inclusive com o vídeo editado chegando ao cliente no mesmo dia.

E agora, em plena quinta-feira, véspera da sexta e antevéspera do sábado, descubro que vivo uma semana mais curta que o habitual. Meus sensores, definitivamente, não se acertam mais com essas demasias de trabalhar fechado dias e dias seguidos.


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quarta-feira, junho 13, 2007

Realidade: Pequenas Doses 13 06 07

Consuma com moderação.



Dose 1 – A brava Terra de Vera Cruz conseguiu: estamos fora da Estação Espacial Internacional, a ISS.

Eram 16 países participantes e ao Brasil caberia a produção de diversos equipamentos no valor total de míseros 120 milhões de dólares. A contrapartida primeira e mais importante seria a capacitação de centros de pesquisa e indústrias na área de alta tecnologia. Entre outros benefícios futuros ligados ao funcionamento da Estação, teríamos nosso primeiro astronauta subindo de graça em 2009.

Nada disso vai acontecer. Em dez anos não entregamos sequer um parafuso.

Mas fizemos propaganda com um ridículo vôo turístico, ao preço, somente ele, de 10 milhões de dólares – pelo menos esse foi o valor declarado.

A ISS agora tem somente 15 países-membros.

Dose 2 – Em estudo divulgado na revista Science, pesquisadores ligados à ong The Nature Conservancy, comunicaram que plantas transgênicas portadoras do gene BT, não são, necessariamente, prejudiciais à natureza.

Esse gene é responsável pela produção de uma toxina fatal a diversos insetos que atacam as plantas e existe na natureza no Bacillus turingiensis, daí seu nome. Lavouras com plantas BT tiveram detectados maior número e diversidade de insetos que lavouras convencionais tratadas com inseticidas.

Claro que ambas perdem para lavouras convencionais sem inseticida.

E, também, quase sem produção, é bom que se esclareça.


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segunda-feira, junho 11, 2007

Realidade: Pequenas Doses 11 06 07

Post vazio...


Esse post está vazio, mas não por falta de idéias ou assuntos.

É que nesse post eu falaria sobre o irmão mais velho do presidente.
Nesse post eu falaria sobre o compadre do presidente.
Nesse post eu falaria sobre os amigos do presidente.

Os novos amigos do presidente, bem entendido.
Pois os velhos amigos, gente como Silvinho Land Rover, Delúbio sem apelido porque não precisa, Zé Dirceu, Toninho Palocci, bom, esses todo mundo conhece e todo mundo já esqueceu.

Agora é tempo dos novos amigos.
Novo tempo, nova safra, os mesmos frutos podres.

Mas eu não vou falar sobre isso.
Porque eu não sou besta.
E vai que o presidente vira um chávez tupiniquim e aí, eu, ó... Top top top...

Esse post, oficialmente, está vazio.


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